Autor: clodh

  • 2a Samuel, 22

    1 Davi louvou o Eterno com as palavras deste cântico, depois que Deus o livrou de todos os seus inimigos e de Saul:

    2-3 O Eterno é a minha rocha, o castelo no qual me refugio, o meu libertador. Meu Deus, minha rocha, para onde corro quando preciso me proteger, e me escondo atrás da rocha, fico a salvo no esconderijo. Minha rocha de refúgio, ele me salva do homem perverso.

    4 Louvo o Eterno, é digno de louvor, e nele encontro segurança e salvação.

    5-6 As ondas da morte quebraram sobre mim, torrentes de destruição me apavoraram. As cordas do inferno me prenderam e armadilhas de morte me cercaram.

    7 Clamei ao Eterno na minha angústia, ao meu Deus clamei. Do seu aposento, ele me ouviu; o meu clamor chegou à sua presença — uma audiência particular!

    8-16 A terra tremeu e sacudiu; os alicerces do céu sacudiram como folhas, Tremeram como folhas de álamo por causa de sua ira. Das suas narinas, saiu fumaça; sua boca cuspia fogo. Línguas de fogo foram lançadas; ele baixou o céu. Ele desceu; debaixo dos seus pés, abriu-se um abismo. Ele montou uma criatura voadora, veloz sobre as asas do vento. Ele se cobriu com densas nuvens de chuva. Mas o brilho da sua presença irrompeu, como um grande leque de fogos. O Eterno trovejou do céu; o Altíssimo provocou grande estrondo. Lançou flechas e espantou os inimigos. Arremessou raios e os fez fugir. Os lugares secretos do oceano foram expostos, as profundezas da terra foram descobertas quando o Eterno protestou e despejou sua fúria.

    17-20 Mas ele me segurou — me alcançou desde o céu até o mar. Tirou-me do oceano de ódio, do caos do inimigo, do abismo em que estava me afundando. Eles me feriram quando eu estava abatido, mas o Eterno foi o meu auxilio. Ele me pôs em lugar espaçoso; fui posto a salvo, graças a seu amor!

    21-25 O Eterno me recompensou por tudo que fiz quando me apresentei diante dele. Quando terminei a minha obra, ele me deu refrigério. De fato, tenho procurado seguir os caminhos do Eterno; levo Deus a sério. Todos os dias, observo as obras de Deus, não me esqueço de nenhum detalhe. Sinto-me refeito e continuo atento aos meus passos. O Eterno reescreveu a minha vida quando abri o livro do meu coração diante dele.

    26-28 Tu não abandonas os que se apegam a ti, és correto com os que são corretos contigo, És bondoso para os bons, mas és severo com os perversos. Acodes os abatidos, mas humilhas os soberbos.

    29-31 Tu, ó Eterno, és a luz do meu caminho, o Eterno dissipa as trevas. Esmago exércitos inteiros, transponho enormes barreiras. Que Deus! Seus caminhos são planos e retos. Sua palavra é provada. Todos os que nele se refugiam Encontram proteção.

    32-46 Há outro Deus igual ao Eterno? Não estamos sobre a rocha? Não é esse o Deus que me capacitou a lutar e dirigiu o meu caminho? Corro como uma gazela; Sou o rei da montanha. Ele me preparou para lutar; posso vergar um arco de bronze! Tu me proteges com o escudo da salvação; tocas em mim, e me sinto fortalecido. Alargas debaixo dos meus pés o caminho, para que os meus passos não vacilem. Quando persigo os meus inimigos, eu os alcanço; não desisto deles até que estejam mortos. Esmago-os: são derrotados definitivamente; depois, passo por cima deles. Tu me preparaste para lutar, para esmagar os soberbos. Fizeste os meus inimigos virarem as costas, para que eu pudesse eliminar os que me odiavam. Eles gritaram, pedindo ajuda, mas ninguém os socorreu. Clamaram ao Eterno e não receberam resposta. Eu os transformei em pó, e eles foram espalhados ao vento. Eu os lancei fora como lixo numa vala. Tu me livraste das rebeliões do povo e fizeste de mim chefe das nações. Povos de que nunca ouvi falar vieram me servir e, quando ouviram a minha voz, se renderam. Entregaram-se, saindo aterrorizados dos esconderijos.

    47-51 Viva o Eterno! Bendita seja a minha Rocha, Deus, a minha Torre de Salvação! Esse Deus me defende e faz calar os que me acusam. Ele me livrou da ira do inimigo. Tu me livraste das garras dos arrogantes, Salvaste-me dos agressores. Por isso, engrandeço a ti, ó Eterno, entre todas as nações. Por isso, cantarei louvores que rimam com o teu nome. O rei conquista grandes vitórias; o escolhido de Deus é amado. Estou falando de Davi e todos os seus descendentes. Sempre.

  • 2a Samuel, 21

    FOME E GUERRA
    1 Durante o reinado de Davi, houve três anos de fome. Davi buscou o Eterno, e ele disse: “Essa fome é por causa do sangue dos gibeonitas, derramado por Saul e sua família.”

    2 O rei reuniu os gibeonitas, que não faziam parte de Israel. Eles representavam o que tinha restado dos amorreus e eram protegidos por causa de um acordo com Israel. Mas Saul, fanático pela honra de Israel e de Judá, tentou exterminá-los.

    3 Davi disse aos gibeonitas: “O que posso fazer por vocês? Como poderei compensá-los, para que vocês abençoem a herança do Eterno?”

    4 Os gibeonitas responderam: “Não queremos o dinheiro de Saul e de sua família. E não cabe a nós matar ninguém em Israel.” Mas Davi insistiu: “O que querem que eu faça por vocês?”

    6-6 Finalmente, disseram ao rei: “Que nos sejam entregues sete descendentes do homem que tentou nos destruir e nos eliminar do território de Israel, para que sejam enforcados diante do Eterno, em Gibeá de Saul, o monte santo.” Davi concordou: “Eu os entregarei a vocês”

    7-9 O rei poupou Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento que tinha feito a Jônatas perante o Eterno. Mas o rei escolheu Armoni e Mefibosete, os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, tinha dado a Saul, e os cinco filhos que Merabe, filha de Saul, deu a Adriel, filho de Barzilai, de Meolá. Ele os entregou aos gibeonitas, que os enforcaram no monte perante o Eterno. Os sete morreram ao mesmo tempo. Eles foram executados no início da colheita da cevada.

    10 Rispa, filha de Aiá, pegou um pano de saco, fez com ele uma barraca sobre uma rocha e ficou ali desde o começo da colheita até o inicio das chuvas. Durante o dia, ela impedia que os pássaros chegassem aos corpos; durante a noite, não deixava que os animais selvagens se aproximassem.

    11-14 Davi foi informado do que Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul, estava fazendo. Então, ele foi buscar os restos de Saul e de seu filho Jônatas, que estavam com os líderes de Jabes-Gileade (eles os tinham resgatado da praça de Bete-Seã, depois que foram enforcados pelos filisteus, que os tinham matado em Gilboa). Ele recolheu os restos deles e os levou para o lugar em que estavam os outros sete corpos, e todos foram levados de volta para a terra de Benjamim e sepultados no túmulo de Quis, pai de Saul. Tudo foi feito conforme as ordens do rei. Depois disso, Deus respondeu às orações de Israel a favor da terra.

    15-17 Houve outra guerra entre os filisteus e os israelitas. Davi e seus soldados saíram para lutar. Davi ficou exausto. Isbi-Benobe, guerreiro descendente de Rafa, anunciou que mataria Davi. Sua lança pesava três quilos e seiscentos gramas, e ele vestia uma armadura nova. Mas Abisai, filho de Zeruia, socorreu Davi e matou o filisteu. Depois do incidente, os soldados de Davi fizeram um juramento: “O senhor não sairá mais conosco à guerra, para que a lâmpada de Israel não se apague!”

    18 Depois, houve outra guerra contra os filisteus em Gobe. Sibecai, de Husate, matou Safe, outro guerreiro descendente de Rafa.

    19 Em outro conflito contra os filisteus em Gobe, Elanã, filho de Jaaré-Oregim, tecelão de Belém, matou Golias, de Gate, cuja lança tinha uma haste que parecia o eixo de um tear.

    20-21 Outra batalha foi travada em Gate. Estava ali um gigante que tinha seis dedos nas mãos e nos pés — vinte e quatro ao todo! Ele também era um dos descendentes de Rafa. Ele provocou Israel, e Jônatas, filho de Simeia, irmão de Davi, o matou.

    22 Esses quatro eram descendentes de Rafa, naturais de Gate. Todos foram mortos por Davi e seus soldados.

  • 2a Samuel, 20

    1 Naquele momento, um jovem imprestável chamado Seba, filho de Bicri, de Benjamim, tocou uma trombeta e gritou para o povo: “Não temos nada com Davi, não há futuro para nós com o filho de Jessé! Vamos embora daqui, Israel! Volte cada um para a sua casa.”

    2-3 Todos os homens de Israel abandonaram Davi e seguiram Seba, filho de Bicri. Mas os homens de Judá permaneceram leais a ele. Acompanharam o rei desde o Jordão até Jerusalém. Quando o rei Davi chegou de volta a Jerusalém, tomou as dez concubinas que deixara vigiando o palácio e as isolou, sob a proteção de guardas. Ele supria as necessidades delas, mas não as visitava. Elas ficaram praticamente prisioneiras até a morte, viúvas de marido vivo.

    4-10 O rei deu ordens a Amasa: “Daqui três dias, reúna os homens de Judá.” Amasa foi cumprir a ordem, mas demorou a voltar. Por isso, Davi disse a Abisai: “Seba, filho de Bicri, nos atacará e fará pior que Absalão. Reúna meus homens e vá à procura dele, antes que se refugie em alguma fortaleza na qual não consigamos apanhá-lo.” Então, sob o comando de Abisai, os melhores soldados, os homens de Joabe, os queretitas e os peletitas saíram de Jerusalém em busca de Seba, filho de Bicri. Aproximando-se da rocha de Gibeom, Amasa veio ao encontro deles. Joabe estava em traje militar com uma espada presa à cintura, mas a espada escapou e caiu no chão. Joabe cumprimentou Amasa: “Como está, meu irmão?” E segurou a barba de Amasa com a mão direita, como se fosse beijá-lo. Amasa não tinha percebido que Joabe tinha uma espada na outra mão. Joabe enterrou a espada na barriga dele, e suas entranhas caíram no chão. Nem foi necessário outro golpe. Amasa morreu na hora. Depois, Joabe e seu irmão Abisai seguiram caminho em busca de Seba, filho de Bicri.

    11-14 Um dos soldados de Joabe pôs-se a seu lado e gritou: “Todos os que quiserem ficar do lado de Joabe e apoiar Davi sigam Joabe!” Enquanto isso, o corpo de Amasa continuava caído no meio da estrada, numa poça de sangue. Vendo o moço que todo o exército parava para olhar, arrastou o corpo de Amasa para fora da estrada e o cobriu com um pano, para não despertar curiosidade. Depois que o retirou dali, os soldados passavam normalmente em busca de Seba, filho de Bicri. Seba percorreu todas as tribos de Israel até Abel-Bete-Maaca. Os bicritas se juntaram a ele e entraram com ele na cidade.

    15 O exército de Joabe cercou Seba em Abel-Bete-Maaca e construiu uma rampa de ataque contra a muralha da cidade. O plano era destruir os muros.

    16-17 Mas uma mulher esperta gritou da cidade: “Ouçam! Digam a Joabe para chegar até aqui. Quero conversar com ele.” Quando ele se aproximou, a mulher perguntou: “Você é Joabe?” Ele respondeu: “Sim, sou eu.” Ela disse: “Ouça o que tenho a dizer.” Ele disse: “Estou ouvindo.”

    16-19 “Aqui temos um ditado: ‘Se você procura respostas, em Abel encontrará!’. Somos pessoas tranquilas e confiáveis. Mas você está aí, tentando destruir uma das cidades mais antigas de Israel. Por que pretende destruir a herança do Eterno?”

    20-21 Joabe protestou: “Acredite, você está enganada. Não estou aqui para ferir ninguém nem para destruir coisa alguma de vocês. Mas um homem das montanhas de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, se revoltou contra o rei Davi. Entregue-o a nós, e deixaremos vocês em paz.” A mulher disse a Joabe: “Tudo bem. Lançaremos a cabeça dele do alto do muro.”

    22 A mulher apresentou sua proposta aos habitantes da cidade, e eles concordaram. Cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram para Joabe. Ele tocou a trombeta, e todos os seus soldados voltaram para casa. Joabe voltou para o rei, em Jerusalém.

    23-26 Joabe voltou a comandar o exército de Israel. Benaia, filho de Joiada, comandava os queretitas e os peletitas. Adonirão era chefe das equipes de trabalho. Josafá, filho de Ailude, era arquivista. Seva era secretário. Zadoque e Abiatar eram sacerdotes. Ira, de Jair, era sacerdote de Davi.

  • 2a Samuel, 19

    O LUTO DE DAVI POR ABSALÃO
    1-4 Foram dizer a Joabe que Davi chorava amargamente a morte de Absalão, e aquele dia de vitória se transformou em dia de luto à medida que se espalhava a notícia pelo exército de que o rei chorava a morte do filho. Por isso, o exército entrou na cidade discretamente, como um exército humilhado por uma derrota. O rei cobria o rosto com as mãos e chorava sem parar: “Ah, meu filho Absalão! Absalão, meu filho querido!”

    5-7 Joabe, em particular, censurou o rei: “É o fim! O senhor despreza os seus servos leais, que salvaram a sua vida, sem falar na vida de seus filhos, filhas, mulheres e concubinas. Parece que o senhor ama quem o odeia e odeia quem o ama? Assim, demonstra que os soldados e os oficiais não valem nada para o senhor. Se Absalão estivesse vivo agora, todos nós estaríamos mortos. O senhor estaria contente? Deixe disso. Vá lá fora e dê uma palavra de ânimo a seus amigos! Assim como vive o Eterno, se o senhor não for, todos o abandonarão. Ao anoitecer, não haverá um único soldado aqui, a pior coisa que poderia acontecer.”

    8 Então, o rei saiu e ficou em seu lugar, na entrada da cidade. Logo, todos o notaram: “Veja! O rei veio nos receber!” Todo o exército se apresentou ao rei. Mas os israelitas fugiram do campo de batalha direto para casa.

    9-10 Enquanto isso, o povo de todas as tribos de lsrael reclamava com os líderes: “Não foi o rei que nos salvou das mãos dos inimigos e nos livrou da opressão dos filisteus? Depois, ele teve de fugir do país por causa de Absalão. Agora, Absalão, a quem proclamamos rei, está morto. O que estamos esperando? Por que não trazemos o rei de volta?”

    11-13 Quando Davi soube do que estava acontecendo, mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Perguntem às autoridades de Judá: ‘Por que estão demorando tanto para levar o rei de volta a seu palácio? Somas todos irmãos! Vocês são meu sangue e minha carne. Então, por que vocês seriam os últimos a me levar de volta?’. Digam ainda a Amasa: ‘Você também é meu sangue e minha carne. Deus é testemunha de que nomeei você comandante do exército, no lugar de Joabe’.”

    14 Davi conquistou a simpatia de Judá, e todos concordaram em dizer ao rei: “Voltem, o senhor e todos os seus partidários.”

    15-18 Então, o rei voltou. Ele chegou ao Jordão no momento em que o povo de Judá chegava a Gilgal para recepcionar o rei e ajudá-lo a atravessar o rio. Até mesmo Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim, apressou-se em acompanhar os homens de Judá e recepcionar o rei. Mil benjamitas foram com ele. Também Ziba, criado de Saul, com seus quinze filhos e vinte escravos, atravessaram o Jordão para encontrar o rei e fazer atravessar sua comitiva. Todos faziam o que podiam para agradar ao rei.

    18-20 Logo que atravessou o Jordão, Simei, filho de Gera, prostrou-se em profunda reverência diante do rei e disse: “Não pense mal de mim, meu senhor! Esqueça meu desabafo inconsequente, naquele dia em que o meu senhor saía de Jerusalém. Não guarde isso contra mim! Reconheço que errei. Mas olhe para mim. Sou o primeiro de toda a tribo de José a vir receber de volta o rei, o meu senhor! “

    21 Abisai, filho de Zeruia, o interrompeu: “Chega! Não será melhor matá-lo de uma vez? Ele amaldiçoou o ungido do Eterno!”

    22 Mas Davi disse: “O que vocês têm com isso, filhos de Zeruia? Por que insistem em criar confusão? Ninguém será morto hoje. Sou rei sobre lsrael outra vez! “.

    23 O rei olhou para Simei e disse: Você não morrerá.” Davi jurou isso a ele.

    24-25 Mefibosete, neto de Saul, também chegou de Jerusalém para saudar o rei. Ele não tinha arrumado o cabelo, nem aparado a barba, nem trocado de roupa desde que o rei tinha saído até o seu retorno em segurança. O rei disse: “Por que você não veio comigo, Mefibosete? “.

    26-28 Ele respondeu: “Ó, rei, meu senhor! Meu servo me enganou. Dei a ele ordens para que selasse o jumento, de modo que eu pudesse seguir o rei, pois, como o senhor sabe, sou aleijado. Ele mentiu para o rei a meu respeito. Mas, meu senhor, o rei, tem sido como um anjo de Deus: ele faz o que é certo. Não foram destruídos todos os da família de meu pai? Mas o senhor me acolheu e me deu um lugar à sua mesa. Que mais eu poderia esperar ou pedir?”

    29 O rei disse: “Chega! Não diga mais nada. Esta é a minha decisão: você e Ziba dividam a propriedade entre vocês”.

    30 Mefibosete disse: “Não. Deixe que ele tique com tudo! A única coisa que me importa é que o meu senhor, o rei, volte seguro para casa!”

    31-32 Barzilai, o gileadita, também tinha vindo de Rogelim. Ele atravessou o Jordão com o rei para se despedir dele. Barzilai já estava bem idoso. Tinha 80 anos de idade! Era muito rico e tinha sustentado o rei todo o tempo em que ele esteve em Maanaim.

    33 O rei disse a Barzilai: “Venha comigo para Jerusalém. Vou cuidar de você.”

    34-37 Mas Barzilai recusou a oferta: “Quanto tempo o senhor acha que eu teria de vida se fosse com o rei para Jerusalém? Tenho 80 anos de idade e já não sou mais útil para ninguém. Não sinto o gosto da comida e estou ficando surdo. Então, por que o meu senhor assumiria mais esse incômodo? Vou acompanhar o rei até um pouco mais adiante do Jordão. Mas por que o rei me retribuiria por isso? Deixe-me voltar e morrer em minha cidade natal e ser sepultado com meu pai e minha mãe. Mas aqui está o meu escravo Quimã. Ele poderá acompanhar o senhor em meu lugar. Faça com ele o que achar melhor!”

    38 O rei disse: “Está bem. Quimã irá comigo! Eu cuidarei bem dele. Se você se lembrar de alguma outra coisa, avise-me, e eu farei por você.”

    3940 O exército atravessou o Jordão, mas o rei permaneceu do outro lado. Davi beijou e abençoou Barzilai, que voltou para casa. O rei atravessou para Gilgal, e Quimã foi com ele.

    40-41 Todo o exército de Judá e metade do exército de Israel acompanhavam o rei. Os homens de Israel foram perguntar ao rei: “Por que nossos irmãos, os homens de Judá, tomaram conta de tudo, como se mandassem no rei, escoltando o senhor, sua família e seus aliados mais próximos na travessia do Jordão?”

    42 Os homens de Judá retrucaram: “Porque o rei é nosso parente! Só por isso! Mas, por que criar caso? Não somos tratados com privilégios por causa disso, somos?”

    43 Os homens de Israel responderam: “Temos dez partes do rei comparadas com uma de vocês. Além do mais, somos os primogênitos. Então, por que temos de ser tratados como cidadãos de segunda categoria? Foi nossa ideia trazê-lo de volta.” Mas os homens de Judá foram mais agressivos que os homens de Israel.

  • 2a Samuel, 18

    1-2 Davi organizou seu exército. Designou c tães de mil e c tães de cem. Depois, dividiu as tropas em três grupos. O primeiro ficou sob o comando de Joabe; o segundo ficou com Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe; o terceiro ficou com Itai, o giteu. O rei anunciou: “Eu também irei com vocês.”

    3 Mas eles disseram: “Não mesmo. O senhor não pode vir conosco. Se tivermos de retroceder, o inimigo não pensará duas vezes. Se metade de nós morrer, o inimigo não se importará. Mas o senhor vale por dez mil de nós. Para nós, é melhor que fique na cidade e nos ajude daqui.”

    4 O rei concordou: “Se é isso que pensam, farei o que acharem melhor.” Ele se instalou perto da entrada da cidade, enquanto o exército saía em pelotões de cem e de mil.

    5 O rei tinha recomendado a Joabe, Abisai e Itai: “Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão.” Todo o exército ouviu o que o rei ordenou aos três comandantes com respeito a Absalão.

    6-8 O exército de Davi saiu a campo para enfrentar o exército de Israel. A batalha aconteceu na floresta de Efraim. O exército de Israel, naquele dia, foi derrotado pelos homens de Davi. Houve terrível matança: vinte mil homens morreram! Os combatentes se espalharam para todo lado. Naquele dia, a floresta devorou mais vidas que a espada!

    9-10 Absalão encontrou os soldados de Davi. Ele tinha certa vantagem porque estava montado em sua mula. Mas, quando a mula passou por baixo dos galhos de um grande carvalho, a cabeça de Absalão ficou presa no galho, enquanto a mula seguia adiante. Ele ficou pendurado. Um soldado viu tudo e contou a Joabe: “Acabei de ver Absalão pendurado na ramagem de um carvalho!”

    11 Joabe perguntou ao soldado: “Se você viu isso, por que não o matou ali mesmo? Eu teria recompensado você com dez peças de prata e um cinturão.”

    12-13 O homem disse a Joabe: “Mesmo que eu ganhasse mil peças de prata, não tocaria no filho do rei. Todos nós ouvimos a ordem que o rei deu ao senhor, a Abisai e a Itai: ‘Por amor a mim, tenham cuidado com o jovem Absalão’. Por que, então, arriscaria a minha vida, pois o rei ficaria sabendo, e sei que o senhor não me defenderia!”

    14-15 Joabe disse: “Não tenho tempo a perder com você!” E, com três facas, atravessou o peito de Absalão enquanto ele ainda estava vivo, pendurado na árvore. Nessa hora, Absalão já estava rodeado de dez escudeiros de Joabe. Eles acabaram de matá-lo.

    16-17 Em seguida, Joabe tocou a trombeta para cessar a perseguição contra o exército de Israel. Eles levaram o corpo de Absalão e o jogaram numa enorme vala na floresta e empilharam uma grande quantidade de pedras sobre ele. Enquanto isso, o exército de Israel fugia, cada um correndo para sua casa.

    18 Quando Absalão ainda estava vivo, ele tinha edificado para si uma coluna no vale do Rei, dizendo: “Não tenho filho para preservar meu nome”. Por isso, ele deu seu nome à coluna. Até hoje é chamada Memorial de Absalão.

    19-20 Aimaás, filho de Zadoque, disse: “Deixe-me levar ao rei a notícia de que o Eterno o livrou dos seus inimigos.” Mas Joabe disse: “Não será você quem levará a notícia hoje. Talvez outro dia, mas hoje a notícia não é boa, pois o filho do rei está morto.”

    21 Em seguida, Joabe ordenou a um etíope: “Vá você. Conte ao rei o que você viu.” O etíope respondeu: “Sim, senhor! ” E foi.

    22 Aimaás, filho de Zadoque, insistia com Joabe: “Não importa. Deixe-me ir com o etíope.” Joabe disse: “Para que isso? Você não terá nenhuma recompensa.”

    23 Aimaás insistiu: “Não importa. Deixe-me ir”. Joabe respondeu: “Então, está bem. Vá! ” Aimaás correu, pegando o caminho do vale inferior, e ultrapassou o etíope.

    24-25 Davi estava sentado entre os dois portões. A sentinela estava no alto da porta e olhava em volta. Ele viu alguém correndo sozinho e gritou para avisar o rei. O rei disse: “Se está sozinho, deve ser boa notícia.”

    25-26 Enquanto o moço se aproximava, a sentinela viu outro correndo e gritou do alto da porta: “Há outro correndo sozinho”. O rei disse: “Esse também deve trazer boas notícias.”

    27 A sentinela disse: “Consigo ver o primeiro. Parece Aimaas. filho de Zadoque.” O rei disse: “É boa pessoa. Sem dúvida, está trazendo boa notícia.”

    28 Aimaás gritou para o rei: “Paz! ” Ele se prostrou com o rosto em terra em reverência ao rei e disse: “Bendito seja o Eterno, o seu Deus! Ele entregou em suas mãos os homens que se rebelaram contra o meu senhor, o rei.”

    29 O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?” Aimaás disse: “Vi grande confusão quando Joabe me enviou para cá, mas não sei do que se tratava.”

    30 O rei disse: “Fique aqui ao lado.” Ele ficou ali.

    31 O etíope chegou e disse: “Tenho boa notícia para o meu senhor, o rei! Hoje o Eterno deu vitória sobre todos os que se rebelaram contra o senhor!”

    32 O rei perguntou: “E o jovem Absalão, ele está bem?” O etíope respondeu: “Que todos os inimigos do meu senhor, o rei, e todos os que agem maldosamente contra o senhor tenham o mesmo destino dele”

    33 O rei ficou abalada. Abatido, subiu ao quarto que ficava por cima da porta e chorou. Enquanto chorava, gritava: “Ah, meu filho Absalão! Meu querido filho Absalão! Quem me dera eu tivesse morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho querido!”

  • 2a Samuel, 17

    1-3 Em seguida, Aitofel aconselhou Absalão: “Deixe-me escolher doze mil homens e partir esta noite atrás de Davi. Vou alcançá-lo quando ele estiver exausto e pegá-lo de surpresa. O exército fugirá, e eu matarei Davi. Então, trarei o exército de volta para o senhor como uma noiva levada de volta ao noivo! Afinal, o senhor está à procura de um só homem. Se ele for eliminado, a paz estará de volta! “

    4 Absalão achou que seria unia excelente estratégia, e todas as autoridades de lsrael concordaram.

    5 Ainda assim, Absalão ordenou: “Chame Husai, o arquita. Vamos ouvir a opinião dele”.

    6 Husai chegou, e Absalão contou a ele o plano: “Esse foi o conselho de Aitofel. O que acha? Devemos pô-lo em prática?”

    7-10 Husai disse: “O conselho de Aitofel, neste caso, não foi bom. O senhor conhece seu pai e os homens que estão com ele. Eles são corajosos e estão furiosos como uma ursa de quem tiraram o filhote. Seu pai é um guerreiro experiente. Ele não será apanhado de surpresa num momento como este. Enquanto conversamos aqui, ele provavelmente está escondido em alguma caverna ou em outro lugar. E, se ele atacar os seus soldados de emboscada, logo se espalhará a notícia de que o exército de Absalão foi massacrado. Ainda que os seus soldados sejam valentes e corajosos como leões, o moral da tropa vai despencar com a notícia, pois todos em lsrael sabem que tipo de guerreiro é seu pai e como são valentes os homens que estão com ele.

    11-13 “O meu conselho? Reúna toda a nação, de Dã até Berseba, formando um exército numeroso como a areia do mar, comandado pelo senhor pessoalmente. Nós os atacaremos onde quer que estejam. Cairemos sobre eles como o orvalho sobre a terra. Estou certo de que não vai escapar ninguém. Se ele se refugiar em alguma cidade, o exército utilizará todas as cordas que arranjar e arrastará tudo que estiver nessa cidade para o vale, sem deixar um pedregulho para trás.”

    14 Absalão e todas as autoridades concordaram em que o conselho de Husai era melhor que o de Aitofel. O Eterno tinha decidido frustrar o bom conselho de Aitofel para que Absalão fosse arruinado.

    15-16 Logo depois, Husai foi contar aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Aitofel aconselhou Absalão e as autoridades de Israel daquela maneira, mas eu aconselhei assim. Agora, enviem, o quanto antes, esta mensagem a Davi: ‘Não passe a noite deste lado do Jordão. Atravesse imediatamente o rio. Do contrário, o rei e todos os que estiverem com o senhor serão massacrados’.”

    17-20 Jônatas e Aimaás estavam em En-Rogel aguardando o recado que seria trazido por uma criada. Dali, eles partiriam para transmiti-lo ao rei Davi, pois não se arriscavam a entrar na cidade. Mas um soldado os viu e contou a Absalão. Os dois saíram correndo e se refugiaram na casa de um homem em Baurim. Ele tinha uma cisterna no quintal, e eles se esconderam ali. A mulher cobriu a cisterna com um tapete e espalhou grãos sobre ele, para que ninguém percebesse nada de estranho. Logo depois, os servos de Absalão chegaram àquela casa e perguntaram: “Você viu Aimaás e Jônatas? ” A mulher respondeu: “Eles estavam indo na direção do rio”. Eles os procuraram, mas não acharam. Então, voltaram para Jerusalém.

    21 Depois que eles foram embora, Aimaás e Jônatas saíram da cisterna e foram levar o recado a Davi: “Levante-se e atravesse o rio imediatamente. Aitofel tem um plano contra o senhor!”

    22 Davi e seu exército não perderam tempo e se puseram a caminho, atravessando o Jordão. Quando amanheceu, todos já tinham atravessado o Jordão.

    23 Quando Aitofel percebeu que seu conselho não seria seguido, montou em seu jumento e partiu para sua cidade. Depois de deixar pronto o seu testamento e de ter posto a casa em ordem, enforcou-se e, assim, morreu. Ele foi sepultado no túmulo da família.

    24-26 Enquanto Davi chegava a Maanaim, Absalão e todo o exército de Israel atravessavam o Jordão. Absalão designou Amasa comandante do exército, no lugar de Joabe. Amasa era filho de um homem chamado Itra, ismaelita que tinha se casado com Abigail, filha de Naás e irmã de Zeruia, mãe de Joabe. Absalão e o exército de Israel acamparam em Gileade.

    27-29 Quando Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá dos amonitas, e Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita de Rogelim, trouxeram camas e cobertores, bacias e potes cheios de trigo, cevada, farinha, grão tostado, feijão e lentilhas, além de mel, coalhada e queijos de ovelha e de vaca. Entregaram tudo a Davi e seu exército, pois pensavam: “O exército deve estar com fome, com sede e exausto no deserto.”

  • 2a Samuel, 16

    1 Logo que Davi atravessou o cume da montanha, ele encontrou Ziba, criado de Mefibosete, com dois jumentos carregados com duzentos pães, cem bolos de passas, cem cestas de frutas frescas e uma vasilha de couro de vinho

    2-3 O rei disse a Ziba: “Para que tudo isso?” Ziba respondeu: “Os jumentos são para a família do rei montar, os pães e as frutas são para alimentar os que o acompanham, e o vinho é para os que estão cansados de andar no deserto.” O rei perguntou: “E onde está o neto do seu senhor?” Ziba respondeu: “Ele ficou em Jerusalém, mas mandou este recado: ‘Este é o dia que Israel restituirá a mim o reino do meu avô.

    4 Davi respondeu: “Tudo que pertenceu a Mefibosete agora pertence a você.” Ziba disse: “Como poderia agradecer por isso? Serei eternamente devedor de meu senhor e rei. Que eu nunca decepcione o senhor!”

    54 Quando o rei chegou a Baurim, apareceu um homem que tinha ligações com a família de Saul. Seu nome era Simei, filho de Gera. Ele os seguia insultando e jogando pedras contra Davi e seus companheiros, criados e soldados. Além dos insultos, ele o amaldiçoava, aos gritos: “Fora! Fora! Assassino! Sanguinário! O Eterno está castigando você por todos os crimes que cometeu contra a família de Saul e por tomar o reino dele. O Eterno já entregou o reino a seu filho Absalão. Olhe para você mesmo: um homem derrotado! Porque não passa de um criminoso!”

    9 Abisai, filho de Zeruia, disse: “Esse cão morto não pode amaldiçoar o meu senhor, o rei, dessa maneira. É só mandar que eu corto a cabeça dele!”

    10 Mas o rei disse: “Por que vocês, filhos de Zeruia, estão sempre interferindo e me atrapalhando? Se ele está amaldiçoando é porque o Eterno mandou: Amaldiçoe Davi’. Quem vai contrariá-lo?”

    11-12 Davi prosseguiu, dirigindo-se a Abisai e ao restante do grupo: “Além disso, até meu filho, minha carne e meu sangue, neste momento, está querendo a minha morte. Esse benjamita não está fazendo nada comparado a isso. Não se preocupem com ele. Deixem que ele amaldiçoe à vontade. O Eterno ordenou que ele fizesse isso. Talvez o Eterno enxergue a minha aflição e transforme as maldições em algo bom.”

    13 Davi e sua comitiva seguiram caminho, enquanto Simei seguia ao longo da encosta da montanha, amaldiçoando e jogando pedras e neles.

    14 Quando chegaram ao rio Jordão, Davi e sua comitiva estavam exaustos. Por isso, descansaram ali e renovaram suas forças.

    15 Enquanto isso, Absalão e seus homens já estavam em Jerusalém. Aitofel também estava com eles.

    16 Logo depois, Husai, o arquita, amigo de Davi, foi cumprimentar Absalão: “Viva o rei para sempre! Viva o rei para sempre!”

    17 Absalão disse a Husai: “É assim que você mostra lealdade a um amigo? Por que não está com o seu amigo, Davi?”

    18-19 Husai disse: “Porque quero estar com quem o Eterno, esse povo e todo o Israel escolheram. Quero permanecer com ele. Além disso, quem melhor que o filho para eu servir? Assim como servi a seu pai, estou pronto a servir ao senhor.”

    20 Absalão disse a Aitofel: “Você está pronto para me aconselhar? O que devemos fazer agora?”

    21-22 Aitofel disse a Absalão: “Deite-se com as concubinas de seu pai, aquelas que ficaram para cuidar do palácio. Todos ficarão sabendo que o senhor desonrou abertamente seu pai, e os que estão a seu lado se animarão.” Absalão armou uma tenda no terraço, à vista de todos, e deitou-se com as concubinas de Davi.

    23 Os conselhos de Aitofel, na época, eram considerados palavras do próprio Deus. Essa era a reputação de Aitofel com Davi; e não era diferente com Absalão.

  • 2a Samuel, 15

    1-2 Com o passar do tempo, Absalão adquiriu um carro, cavalos e cinquenta guarda-costas. Toda manhã, ele se posicionava na estrada perto da entrada da cidade. Sempre que alguém aparecia com uma questão para o rei resolver, Absalão o chamava e dizia: “De onde você vem?” A pessoa respondia: “Sou de tal tribo de Israel”.

    3-6 Então, Absalão dizia: “Sua causa é justa, mas o rei não dará atenção.” E dizia ainda: “Por que ninguém me constitui juiz desta nação? Qualquer pessoa poderia trazer sua causa, e eu a resolveria de maneira justa e transparente.” Sempre que alguém o tratava com reverência, ele não se afetava, tratava a pessoa como igual, com abraço e beijo. Absalão fazia isso com todos que vinham tratar de algum assunto com o rei e conquistou a simpatia de todos em Israel.

    7-8 Passados quatro anos, Absalão foi falar com o rei: “Permita que eu vá a Hebrom cumprir um voto que fiz ao Eterno. Quando morava em Gesur, em Arã, seu servo fez este voto: ‘Se o Eterno me levar de volta a Jerusalém, prestarei culto ao Eterno’.”

    9 O rei respondeu: “Vá com a minha bênção.” Logo depois, Absalão partiu para Hebrom.

    10-12 Mas, nesse meio-tempo, Absalão tinha enviado, em segredo, mensageiros por todas as tribos de Israel com esta mensagem: “Quando vocês ouvirem o som de trombetas, gritem: Absalão é rei em Hebrom!’.” Duzentos homens de Jerusalém acompanharam Absalão. Mas tinham sido convocados sem saber de nada, agiam na inocência. Enquanto oferecia sacrifícios, Absalão conseguiu envolver Aitofel, de Gilo, conselheiro de Davi, e tirá-lo de sua cidade. A conspiração tomou força, e o número dos seguidores de Absalão aumentou.

    13 Alguém veio dizer a Davi: “Toda a nação está seguindo Absalão!”

    14 Davi convocou todos os que eram leais a ele em Jerusalém e disse: “Precisamos sair daqui, do contrário, ninguém escapará de Absalão! Vamos depressa! Ele está a ponto de atacar a cidade para nos matar!”

    15 Os partidários do rei disseram: “O que o rei, o nosso senhor, determinar, faremos. Estamos com o senhor até o fim!”

    16-18 Então, o rei e toda a sua família fugiram a pé. Ele deixou dez concubinas cuidando do palácio. Assim, devagar, todos saíram e pararam na última casa da cidade. Todos os soldados desfilaram diante dele, todos os queretitas, os peletitas e os seiscentos que tinham vindo com ele de Gate.

    19-20 O rei chamou Itai, de Gate, e disse: “O que você está fazendo aqui? Volte para o rei Absalão. Você é estrangeiro aqui e recém-chegado de seu país. Eu não arriscaria levar você, uma vez que eu mesmo não tenho lugar certo para ficar. Volte e leve sua família com você. Que a bondade e a fidelidade do Eterno estejam com você!”

    21 Mas Itai insistiu: “Assim como vive o Eterno e me o rei, meu senhor, onde meu senhor estiver, lá estarei também, seja para a vida, seja para a morte.”

    22 Davi concordou: “Tudo bem. Vamos, então! ” E foram todos, Itai, de Gate, com todos os seus homens e todas as crianças que estavam com ele.

    23-24 Todo o povo chorava, vendo o grupo passar. Quando o rei atravessou o vale do Cedrom, o exército tomou a estrada para o deserto. Zadoque também estava lá, e os levitas estavam com ele, carregando a arca da aliança de Deus. Eles puseram a arca de Deus no chão, e Abiatar ficou ali até que todos deixaram a cidade.

    25-26 Então, o rei deu ordens a Zadoque: “Leve a arca de volta para a cidade. Se o Eterno for bondoso para comigo, ele me trará de volta e me mostrará o lugar em que a arca estiver. Mas, se disser: ‘Não estou contente com você, então, ele poderá fazer comigo o que quiser.”

    27-30 O rei orientou o sacerdote Zadoque: “Este é o plano: Volte para a cidade pacificamente, levando seu filho Aimaás e Jônatas, filho de Abiatar. Ficarei esperando num lugar no deserto, do outro lado do rio, até você me mandar notícias.” Assim, Zadoque e Abiatar levaram a arca de Deus de volta para Jerusalém e a deixaram lá, enquanto Davi subiu ao monte das Oliveiras, chorando, caminhando com a cabeça coberta e os pés descalços.

    31 Disseram a Davi: “Aitofel se juntou aos conspiradores com Absalão.” Ele orou: “Ó Eterno, que os conselhos de Aitofel sejam insensatos.”

    32-36 Quando Davi se aproximava do topo da montanha, na qual se costumava adorar a Deus, o arquita Husai, com roupas rasgadas e terra sobre a cabeça, estava aguardando. Davi disse: “Se você vier comigo, será mais um peso na bagagem. Volte para a cidade e diga a Absalão: ‘Estou pronto para servir a você, ó rei. Fui servo de seu pai, agora sou seu servo’. Fazendo isso, você confundirá os conselhos de Aitofel por mim. Os sacerdotes Zadoque e Abiatar já estão lá. Conte a eles tudo que você ficar sabendo no palácio. Os dois filhos deles, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar, estão com eles. Qualquer coisa que você souber poderá ser trazida a mim por intermédio deles”.

    37 Husai, amigo de Davi, chegou a Jerusalém no momento em que Absalão entrava na cidade.

  • 2a Samuel, 14

    1-3 Joabe, filho de Zeruia, sabia que o rei, no fundo, ainda se importava com Absalão. Por isso, mandou buscar uma mulher sábia que vivia em Tecoa e a instruiu, dizendo: “Finja que está de luto. Use roupas pretas e não arrume o cabelo, para dar a ideia de que você está, há muito tempo, de luto por algum ente querido. Depois, vá falar com o rei.” Joabe a instruiu sobre o que dizer.

    4 A mulher foi à presença do rei, prostrou-se respeitosamente diante dele e disse: “Ó rei, ajude-me!”

    5 Ele perguntou: “Como posso ajudar?”

    6 Ela disse: “Sou viúva. Meu marido morreu. Eu tinha dois filhos, e, um dia, os dois brigaram na fazenda, e não tinha ninguém perto para apartar a briga. Um deles feriu o outro, e ele morreu. Depois, toda a família ficou contra mim, exigindo que eu entregasse o assassino para que eles o executassem por causa do irmão que ele tinha matado. Eles querem eliminar o herdeiro e apagar a última centelha de vida que tenho. Se isso acontecer, não restará nada de meu marido sobre a terra, nem sequer seu nome.

    7 “Por isso, tive ousadia de vir falar com o rei, o meu senhor, sobre essa questão. Eles estão destruindo a minha vida, e estou com medo. Pensei comigo mesma: ‘Vou falar com o rei. Talvez ele faça alguma coisa! Quando o rei souber o que está acontecendo, ele intervirá e me salvará do abuso daquele que está querendo se livrar de mim, de meu filho e da herança de Deus’. Como sua serva, decidi: O que o rei, o meu senhor, decidir encerrará o assunto, pois o meu senhor é como um anjo de Deus, que sabe discernir entre o bem e o mal. Que o Eterno seja com o senhor!”

    8 O rei disse: “Volte para casa. Vou cuidar disso para você.”

    9 A mulher de Tecoa disse: “Assumo toda a responsabilidade pelo que acontecer. Não quero constranger o rei nem manchar sua reputação.”

    10 O rei prosseguiu: “Traga o homem que está perturbando você. Vou fazer que ele pare de incomodar.”

    11 A mulher respondeu: “Invoque o rei o nome do Eterno, para que esse vingador não acabe com tudo, matando meu outro filho.” Ele disse: “Assim como vive o Eterno, nem um fio de cabelo cairá da cabeça de seu filho.”

    12 Ela também perguntou: “Posso pedir mais uma coisa ao meu senhor?” Ele respondeu: “Certamente!”

    13-17 A mulher disse: “Por que, então, o rei faz exatamente isso com o povo de Deus? Com esse veredito, o rei condena a si mesmo, pois não deixou voltar seu filho exilado. Todos nós vamos morrer, um dia. A água derramada não pode ser juntada novamente. Mas Deus não tira a vida. Ele faz que o exilado possa voltar.”

    18 O rei disse: “Vou fazer uma pergunta. Peço que me responda com sinceridade.” Ela respondeu: “Com certeza. Que o rei fale.”

    19-20 O rei prosseguiu: “Joabe tem alguma coisa a ver com isso?” A mulher respondeu: “Por sua vida, ó rei, meu senhor, ninguém pode escapar, desviando-se para direita ou para esquerda na presença do rei! Sim. Foi o seu servo Joabe que armou tudo isso e pôs as palavras em meus lábios. Ele fez isso porque queria resolver o assunto. Mas o meu senhor é sábio como um anjo de Deus. Sabe como resolver as coisas na terra.”

    21 Depois disso, o rei disse a Joabe: “Tudo bem! Farei isso. Traga de volta o jovem Absalão.”

    22 Joabe prostrou-se em profunda reverência e bendisse o rei: “Agora reconheço que ainda conto com o favor e a confiança do rei, pois o senhor aceitou o conselho do seu servo.”

    23-24 Joabe se levantou, foi a Gesur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém. O rei determinou: “Ele pode voltar para casa, mas não poderá comparecer à minha presença.” Assim, Absalão voltou para casa, mas não tinha permissão para ver o rei.

    25-27 Em todo o Israel, não havia homem tão elogiado pela sua beleza quanto Absalão. De cima a baixo, não havia nele nenhum defeito. Quando cortava o cabelo (ele sempre cortava bem curto, na primavera, porque ficava muito pesado), o peso era de dois quilos e quatrocentos gramas. Absalão teve dois filhos e uma filha. Ela se chamava Tamar e era muito bonita.

    28-31 Absalão viveu dois anos em Jerusalém, mas não podia ver seu pai, Davi. Certa vez, ele pediu a Joabe autorização para ver o rei, mas Joabe não autorizou. Tentou de novo, e Joabe se negou a dar permissão. Então, disse a seus criados: “Prestem atenção! A fazenda de Joabe fica ao lado da minha, e ele plantou cevada. Vão lá e ateiem fogo na plantação”. Os criados de Absalão fizeram o que ele mandou e puseram fogo na plantação. Deu certo. Não demorou, e Joabe apareceu na casa de Absalão, perguntando: “Por que seu pessoal queimou minha plantação?”

    32 Absalão respondeu: “Veja, mandei chamar você, dizendo: ‘Venha depressa. Quero que você vá ao rei e pergunte a ele: Por que você me trouxe de volta de Gesur? Seria melhor ter ficado lá! Permita que eu compareça à presença do rei. Se ele me considerar culpado, que mande me matar’”.

    33 Joabe apresentou a questão ao rei, e Absalão foi chamado. Ele entrou na presença do rei, prostrou-se em reverência diante dele, e o rei beijou Absalão.

  • 2a Samuel, 13

    1-4 Algum tempo se passou. Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito atraente, chamada Tamar. Amnom, que também era filho de Davi, se apaixonou por ela. Ficou obcecado pela irmã a ponto de adoecer: Ela era virgem, e ele não sabia como se aproximar dela. Amnom tinha um amigo, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, e ele era muito astuto. Ele perguntou a Amnom: “Por que você está definhando dia a dia, filho do rei? Não vai me dizer o que o perturba?” Amnom respondeu: “É Tamar, irmã do meu irmão Absalão. Estou apaixonado por ela”.

    5 Jonadabe sugeriu: “Faça o seguinte: vá para cama e finja estar doente. Quando seu pai vier visitá-lo, peça a ele: ‘Mande minha irmã Tamar preparar uma comida para mim e me servir, mas ela deve prepará-la aqui, onde eu possa vê-la’”.

    6 Amnom foi para a cama e fingiu estar doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom pediu: “Mande minha irmã Tamar preparar alguns bolos aqui onde eu possa vê-la e ser servido por ela”,

    7 Davi mandou o recado para Tamar, que estava em casa naqueles dias: “Vá à casa de seu irmão Amnom e prepare algo para ele comer.”

    8-9 Tamar foi para a casa de seu irmão Amnom, na qual ele estava deitado. Ela fez a massa, preparou os bolos e os assou, enquanto ele a observava de sua cama. Mas, quando ela trouxe a assadeira para servi-lo, ele não quis comer.

    9-11 Amnom disse: “Mande que todos saiam da casa.” Depois que todos saíram, ele disse a Tamar: “Traga a comida ao meu quarto no qual podemos comer com privacidade.” Ela levou os bolos que tinha preparado para o quarto de seu irmão. Mas, quando ela estava pronta para servi-lo, ele a agarrou e disse: “Venha para cama comigo, irmã!”

    12-13 Ela disse: “Não, meu irmão! Não me violente. Isso não se faz em Israel. Não faça essa loucura! Onde eu me esconderia depois? E você cairia em desgraça. Por favor, peça permissão ao rei! Ele permitirá que eu me case com você.”

    14 Mas ele não quis saber. Era mais forte que ela; por isso, a estuprou.

    15 Imediatamente, Amnom começou a sentir aversão por ela, mais intensa que o amor que tinha antes. Ele disse: “Levante-se! Saia daqui!”

    16-18 Mas ela disse: “Não, meu irmão! Por favor! Isso é pior do que o que você acabou de fazer comigo!” Mas ele não quis saber. Chamou seu criado e ordenou: “Leve esta mulher embora e tranque a porta depois que ela sair!” O criado a mandou embora e trancou a porta.

    18-19 Ela vestia uma túnica de manga comprida, pois era assim que as princesas virgens se vestiam na adolescência. Tamar jogou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica, escondeu o resto com as mãos e saiu chorando.

    20 Seu irmão Absalão perguntou: “O que houve? Amnom abusou dê você? Deixa, minha irmã, não conte nada a ninguém. Ele é seu irmão. Não se incomode com isso.” Tamar, muito traumatizada, foi morar na casa de Absalão.

    21-22 O rei Davi soube de tudo que aconteceu e ficou furioso, mas não repreendeu Amnom. Davi o amava muito, porque era o primogênito. Absalão não dirigiu mais a palavra a Amnom, nem boa nem ruim. Passou a odiá-lo depois que ele abusou de sua irmã Tamar.

    23-24 Dois anos se passaram. Certo dia, Absalão tosquiava ovelhas em Baal-Hazor, perto do território de Efraim, e convidou todos os filhos do rei para festejar. Convidou também o rei, dizendo: “Estou tosquiando ovelhas e quero que venha com seus criados.”

    25 Mas o rei disse: “Não meu filho. Desta vez, não posso nem poderia levar toda a família. Seria muita gente para você.” Apesar de Absalão insistir, Davi não aceitou, mas deu ao filho sua bênção.

    26-27 Absalão disse: “Se você não vier, deixe meu irmão Amnom vir.” O rei perguntou: “Por que ele precisar ir?” Absalão tanto insistiu que o rei concordou e permitiu que Amnom e os demais filhos do rei fossem festejar com ele.

    28 Absalão preparou um banquete à altura do rei e orientou os seus criados: “Fiquem atentos. Quando Amnom tiver bebido bastante e estiver alegre, e eu disser: ‘Matem Amnom!’, vocês o matarão sem piedade. Não tenham medo. A responsabilidade é minha. Coragem! Vocês vão conseguir!”

    29-31 Os criados de Absalão fizeram a Amnom exatamente o que o seu senhor tinha determinado. Os outros filhos do rei, assustados, montaram em suas mulas e sumiram. Estavam ainda a caminho quando o rei ouviu os rumores: “Absalão acabou de matar todos os filhos do rei. Não sobrou nenhum!” O rei imediatamente rasgou as próprias roupas e jogou-se ao chão. Todos os que presenciaram a cena fizeram o mesmo.

    32-33 Nesse momento, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, chegou e explicou: “Meu senhor não precisa se preocupar, pois todos os filhos do rei estão vivos. Apenas Amnom foi morto. Isso aconteceu porque Absalão estava furioso desde que Amnom abusou de sua irmã Tamar. Então, meu senhor, o rei não precisa imaginar o pior, achando que todos os seus filhos morreram. Repito: apenas Amnom morreu.”

    34 Depois disso, Absalão fugiu. Naquele momento, a sentinela viu uma nuvem de poeira subindo da estrada de Horonaim, na encosta da montanha. Ele contou ao rei: “Acabei de ver um grupo na estrada de Horonaim, em torno da montanha.”

    35-37 Então, Jonadabe disse ao rei: “Veja! São os filhos do rei voltando, como eu disse!” Logo que ele terminou de falar, os filhos do rei entraram, chorando desesperadamente! O rei e todos os seus criados se juntaram a eles e choraram muito. Davi ficou de luto muito tempo pela morte de seu filho.

    37-39 Depois de fugir, Absalão pediu asilo a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur. Ficou ali três anos. O rei, finalmente, desistiu de perseguir Absalão, pois já tinha se consolado pela morte de Amnom.