Autor: clodh

  • Ester, 7

    1-2 Então, o rei e Hamã foram participar do segundo banquete com a rainha Ester. Enquanto ainda bebiam vinho, o rei perguntou mais uma vez: “Rainha Ester, o que você deseja? Pode pedir até metade do meu reino.”

    3 Ester respondeu: “Se o rei se agrada de mim e for do seu querer, preserve a minha vida e a vida do meu povo.

    4 “Nós, eu e meu povo, fomos vítimas de um conluio, e agora vamos ser massacrados e exterminados. Se tivéssemos sido vendidos como escravos, eu nem teria tocado no assunto, pois o rei não merece ser incomodado com os nossos problemas.”

    5 O rei Xerxes esbravejou: “Mas quem foi que fez isso? Onde está ele? Isso é inadmissível!”

    6 Ester respondeu: “É um inimigo nosso: este mau-caráter chamado Hamã.” Hamã ficou aterrorizado diante do rei e da rainha.

    7-8 Furioso, o rei levantou-se, deixou o vinho de lado e saiu para o jardim do palácio. Hamã continuou ali, implorando misericórdia à rainha Ester. Ele percebeu que o rei já havia decidido condená-lo e que era o fim da linha para ele. Quando o rei voltou do jardim para a sala do banquete, Hamã estava prostrado no sofá em que a rainha se reclinava. O rei gritou: “Será que ele ainda quer molestar a rainha em minha casa, no instante que virei as costas?” Assim que o rei disse isso, cobriram o rosto de Hamã.

    9 Harbona, um dos oficiais que estavam a serviço do rei, disse: “Vejam! Há uma forca que Hamã mandou construir para Mardoqueu, o que salvou a vida do rei. Fica do lado da casa de Hamã e tem vinte metros de altura!” O rei ordenou: “Enforquem-no lá!”

    10 Assim, Hamã foi executado na própria forca que tinha mandado fazer para Mardoqueu. Só então, o rei se acalmou.

  • Ester, 6

    1-2 Naquela noite, o rei não conseguia dormir e pediu que trouxessem o livro dos registros históricos, o diário da corte, para que pudesse ler. Durante a leitura, deparou com o registro do incidente em que Mardoqueu descobriu a conspiração de Bigtã e Teres, os dois eunucos da corte, guardas da entrada do palácio, que haviam planejado assassinar o rei Xerxes.

    3 O rei perguntou: “Que recompensa deram a Mardoqueu por isso?” Os oficiais do rei que estavam de plantão responderam: “Nenhuma. Nada foi feito por ele.”

    4 O rei quis saber: “Tem alguém aí no pátio?” Hamã havia acabado de chegar ao pátio externo do palácio real para conversar com o rei sobre o enforcamento de Mardoqueu, na forca que ele tinha mandado fazer.

    5 Os oficiais do rei disseram: “Hamã está esperando no pátio.” O rei respondeu: “Tragam-no para dentro.”

    6-9 Quando Hamã entrou, o rei perguntou a ele: “O que seria correto fazer a um homem a quem o rei quer homenagear?” Hamã pensou consigo mesmo: “Ele deve estar querendo me homenagear, pois que outra pessoa seria?” Então, respondeu ao rei: “Faça o seguinte ao homem a quem o rei quer homenagear: Mande trazer uma das vestimentas reais e um cavalo que o rei costuma montar, um que tenha o brasão do rei na cabeça. Depois, entregue a roupa e o cavalo a um dos príncipes mais nobres do rei. Peça para que ele vista o homem a quem o rei quer homenagear e o conduza montado no cavalo por toda a cidade, proclamando: “É assim que se faz ao homem a quem o rei quer homenagear!”

    10 O rei disse a Hamã: “Pois faça exatamente isso. Não perca tempo. Pegue a roupa e o cavalo e faça o que você sugeriu ao judeu Mardoqueu, que está sempre ali perto da porta do palácio. E não se esqueça de nenhum detalhe do que você sugeriu.”

    11 Hamã foi buscar a roupa e o cavalo. Depois, vestiu Mardoqueu e o conduziu por toda a cidade, proclamando: “É assim que se faz ao homem a quem o rei quer homenagear!”

    12-13 Encerrada a homenagem, Mardoqueu voltou à porta do palácio, mas Hamã correu para casa. Inconsolável, não queria ver ninguém. Quando Hamã terminou de contar à sua mulher Zeres e aos seus amigos o que havia acontecido com ele, seus amigos mais sábios e sua mulher Zeres disseram: “Se esse Mardoqueu é judeu mesmo, isso é só o começo da sua desgraça. Sentimos muito, mas você não tem chance alguma, já está arruinado.”

    14 Estavam ainda conversando, quando os oficiais do rei chegaram para levar Hamã ao banquete que Ester tinha preparado.

  • Ester, 5

    1-3 Três dias depois, Ester vestiu seu traje real e ficou no pátio interior do palácio, em frente da sala do trono do rei. O rei estava em seu trono de frente para a entrada. Quando percebeu que a rainha Ester estava no pátio, ficou contente em vê-la e estendeu para ela o cetro de ouro que tinha na mão. Ester se aproximou e tocou a ponta do cetro. O rei perguntou: “O que você deseja, rainha Ester? Qual é o seu pedida? Prometo dar o que você pedir, mesmo que seja metade do reino!.”

    4 Ester respondeu: “Se for do seu agrado, venha com Hamã participar de um banquete que preparei.”

    5-6 O rei disse: “Chamem Hamã imediatamente, para irmos ao banquete de Ester.” O rei e Hamã foram ao banquete que Ester tinha preparado. Enquanto bebiam vinho, o rei perguntou: “Então, o que você deseja? Para você, metade do reino não será pedir demais! Pode pedir o que quiser.”

    7-8 Ester respondeu: “Se o rei se agrada de mim e estiver disposto a atender ao meu pedido e meu desejo, quero que amanhã o rei e Hamã participem de outro banquete que vou preparar. Então, vou responder com toda a clareza à pergunta do rei.”

    9-13 Hamã saiu do palácio muito feliz naquela noite. Ao sair, viu Mardoqueu sentado perto da porta do palácio, e este o ignorou. Hamã ficou furioso. Mas ele se conteve e voltou para casa. Chamou seus amigos e, com sua mulher, Zeres, ficou se gabando do dinheiro que possuía, dos muitos filhos, das frequentes homenagens que recebia do rei, da promoção ao posto mais elevado do governo, e acrescentou: “Além do mais, a rainha Ester me convidou para um banquete particular, que ela ofereceu ao rei. Só nós três estávamos lá. Ela também me convidou para outro banquete amanhã. Mas, ainda assim, não estarei satisfeito enquanto o judeu Mardoqueu estiver sentado à entrada do palácio.”

    14 Sua mulher, Zeres, e todos os seus amigos disseram: “Mande fazer uma forca de vinte metros de altura. Fale com o rei logo cedo e consiga dele permissão para enforcar Mardoqueu. Depois, vá festejar com o rei no banquete.” Hamã gostou da sugestão e mandou construir a forca.

  • Ester, 4

    1-3 Quando Mardoqueu descobriu o que tinha acontecido, rasgou a própria roupa, vestiu pano de saco e pôs cinzas na cabeça. Depois, saiu para a rua, chorando em voz alta. Ele chegou até a porta do palácio, mas ficou do lado de fora, pois ninguém vestido de pano de saco podia entrar. Enquanto a decisão do rei era divulgada entre todas as províncias, houve muito choro no meio dos judeus: eles jejuavam, choravam e lamentavam a situação. A maioria deles vestia pano de saco e punha cinzas na cabeça.

    4-8 Os eunucos e as servas de Ester vieram contar o que havia acontecido. A rainha ficou inconformada. Mandou roupas para Mardoqueu, sugerindo que ele abandonasse o pano de saco, mas ele não aceitou. Ester chamou Hatá, um dos oficiais do palácio, a quem o rei havia designado para assisti-la, e pediu que fosse conversar com Mardoqueu para saber o que, de fato, estava acontecendo. Hatá encontrou Mardoqueu na praça da cidade, diante da porta do palácio. Mardoqueu contou tudo que tinha acontecido. Informou até a exata quantia de dinheiro que Hamã tinha prometido depositar nos cofres do palácio para financiar a execução dos judeus. Mardoqueu entregou uma cópia do comunicado sobre o massacre que fora divulgado em Susã para que ele o mostrasse a Ester quando fosse apresentar seu relatório, e pediu que ela intercedesse perante o rei a favor do seu povo.

    9-11 Hatá voltou e contou a Ester tudo que Mardoqueu tinha dito. Ester conversou sobre o assunto com Hatá e, depois, o mandou de volta a Mardoqueu com este recado: “Todos os que trabalham aqui para o rei, e mesmo os moradores das províncias, sabem qual é o destino de qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei sem ser convocado: é morte na certa. A única exceção é se o rei estender à pessoa o seu cetro de ouro. Só assim, a pessoa será poupada. E já se passaram trinta dias desde a última vez que fui convidada a comparecer diante do rei.”

    12-14 Hatá repetiu as palavras de Ester a Mardoqueu, e ele mandou este recado de volta: “Não pense que só porque você mora no palácio real será a única judia a sobreviver. Se você insistir em ficar quieta numa situação como esta, o socorro e o livramento para os judeus virão de outra parte, mas você e sua família serão exterminadas. Quem sabe não foi justamente para isso que você foi escolhida rainha?”

    15-16 Ester mandou dizer a Mardoqueu: “Convoque todos os judeus que moram em Susã. Jejuem a meu favor. Não comam nem bebam nada durante três dias e três noites. Eu e minhas assistentes faremos o mesmo. Se fizerem isso, vou arriscar comparecer diante do rei, mesmo sendo proibido. Se eu tiver de morrer, morrerei.”

    17 Mardoqueu fez o que Ester havia pedido.

  • Ester, 3

    1-2 Algum tempo depois, o rei Xerxes promoveu Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, ao posto mais alto do seu governo. Todos os oficiais do rei que transitavam pela porta do palácio saudavam Hamã, curvando-se e ajoelhando-se, conforme determinação do rei. Exceto Mardoqueu.

    2-4 Mardoqueu não se curvava nem se ajoelhava. Então, os oficiais do rei reunidos na porta do palácio perguntaram a Mardoqueu: “Por que você não acata a determinação do rei?” Todos os dias, ele era questionado, mas não dava a mínima atenção a eles. Até que alguém foi contar a Hamã, para ver se alguém tomava alguma providência. Mardoqueu já tinha dito que era judeu.

    5-6 Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se ajoelhava diante dele, ficou indignado. Sabendo que ele era judeu, Hamã não se contentou em descarregar sua fúria contra um único judeu e ficou pensando num jeito de eliminar não só Mardoqueu, mas todos os judeus de todo o Império de Xerxes.

    7 No primeiro mês, o mês de nisã, no décimo segundo ano de Xerxes, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã, para determinar o dia e o mês da execução do plano. Foi escolhido o dia 13 do décimo segundo mês, o mês de adar.

    8-9 Então, Hamã expôs seu caso ao rei Xerxes: “Há um povo estranho espalhado por todas as províncias do Império que não se enquadra aqui. Seus costumes e seu modo de vida são diferentes dos demais povos. Além do mais, eles não respeitam as leis do rei e representam uma ameaça. O rei não deveria tolerá-los. Se for do agrado do rei, determine que eles sejam eliminados. Eu mesmo me encarregarei das despesas. Depositarei trezentas e cinquenta toneladas de prata no tesouro real para custear a operação.”

    10 O rei retirou o anel de selar do dedo e o entregou a Hamã, filho de Hamedata, de Agague, inimigo número um dos judeus.

    11 O rei disse a Hamã: “Vá em frente! Fique com o dinheiro. Faça o que quiser com esse povo.”

    12 No dia 13 do primeiro mês, os secretários do rei foram chamados. A decisão foi registrada exatamente como Hamã ditou e endereçada a todos os governadores de todas as províncias e às autoridades de cada povo. Foi registrada na escrita e na língua de cada província e de cada povo, em nome do rei Xerxes, e selada com o selo real. 13-14 Foram enviados os comunicados pelos emissários a todas as províncias do Império. A ordem era massacrar e, assim, eliminar os judeus, jovens e velhos, mulheres e crianças, no mesmo dia, o dia

    13 do décimo segundo mês, no mês de adar, e confiscar todos os seus bens. Em cada província, foram publicadas cópias da decisão, a fim de que todos se preparassem para aquele dia.

    15 Em obediência à ordem do rei, os emissários partiram. A decisão também foi comunicada no complexo real de Susã. O rei e Hamã sentaram-se para beber, enquanto a cidade de Susã se alvoroçava com a notícia.

  • Ester, 2

    1-4 Passado um tempo, quando o rei Xerxes já estava mais calmo, ele se lembrou do que Vasti havia feito e do que ele tinha determinado contra ela. Os auxiliares do rei sugeriram que fossem trazidas as virgens mais bonitas para o rei. Disseram: “Designe oficiais de todas as províncias para escolher e enviar as moças mais belas a Susã. Elas devem ser recolhidas ao harém administrado por Hegai, o eunuco do rei, responsável pelas mulheres, para que ele dê a elas um tratamento de beleza completo. Depois, a moça que mais agradar ao rei ocupará o lugar de Vasti.” O rei gostou do conselho e o pôs em prática.

    5-7 Havia um judeu que trabalhava no complexo real de Susã chamado Mardoqueu. Ele era filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, da tribo de Benjamim. Seus antepassados foram levados cativos de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor da Babilônia com o rei Joaquim de Judá. Mardoqueu criou sua prima Hadassa, que não tinha pai nem mãe. Ela era também conhecida pelo nome de Ester. Era elegante e muito atraente. Depois da morte dos pais dela, Mardoqueu a adotou como filha.

    8 Quando a ordem do rei foi divulgada, muitas moças foram levadas para o complexo real de Susã e entregues a Hegai, encarregado de cuidar das mulheres. Ester estava entre elas.

    9-10 Hegai se agradou de Ester e deu uma atenção especial à moça. Submeteu-a a tratamentos de beleza, determinou uma dieta especial para ela, chamou sete moças do palácio para servi-la e designou um quarto separado para ela e as moças. A conselho de Mardoqueu, Ester não disse nada a respeito da sua origem ou do seu povo.

    11 Todos os dias, Mardoqueu passava pelo pátio do harém para saber de Ester e ter notícias dela.

    12-14 Depois de doze meses de preparação e tratamentos de beleza — seis meses de tratamento com óleo de mirra e seis meses com perfumes e vários cosméticos —, cada moça era levada ao rei Xerxes. Quando chegava a vez de uma moça comparecer diante do rei, ela podia levar consigo para o palácio do rei o que quisesse. Ela ia à tarde e, na manhã seguinte, era encaminhada para outro harém, supervisionado por Saasgaz, o oficial do rei encarregado das concubinas. Ela nunca mais voltava à presença do rei, a não ser que o rei gostasse dela e a chamasse pelo nome.

    15 Na vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a adotou como filha, ela não quis levar nada, a não ser o que Hegai, o encarregado do harém, recomendou. Ester, com seu comportamento, conquistava a admiração de todos os que conviviam com ela.

    16 Ela foi levada ao rei Xerxes no palácio real no décimo mês, no mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.

    17-18 O rei apaixonou-se por Ester, muito mais que por qualquer outra mulher ou outra virgem. Ele entregou a coroa real a ela e a constituiu rainha no lugar de Vasti. Em seguida, o rei ofereceu um grande banquete a todos os seus nobres e oficiais. Era o banquete de Ester. Ele decretou feriado em todas as províncias e distribuiu presentes com generosidade reaL

    19-20 Quando as virgens foram reunidas novamente, Mardoqueu estava sentado à porta do palácio. Até então, Ester não havia revelado nada sobre sua origem ou seu povo, conforme Mardoqueu havia instruído. Ela continuava acatando o que Mardoqueu dizia, como na infância, quando foi criada por ele.

    21-23 Certo dia, quando Mardoqueu estava sentado à porta do palácio, Bigtã e Teres, dois dos eunucos, que guardavam a entrada, estavam revoltados com o rei Xerxes e tramaram o assassinato dele. Mas Mardoqueu descobriu a conspiração e a contou à rainha Ester, que levou a informação ao rei Xerxes, dizendo que foi Mardoqueu quem tinha descoberto o plano. Depois de investigarem o caso e confirmarem sua veracidade, os dois homens foram condenados à forca. Tudo isso foi registrado no histórico do reinado, na presença do rei.

  • Ester, 1

    1-3 Nos dias de Xerxes, que reinou sobre cento e vinte e sete províncias desde a Índia até a Etiópia, a sede do reino ficava no complexo real de Susã. No terceiro ano do seu reinado, ele ofereceu um banquete a todos os seus oficiais e ministros. Também estavam presentes as autoridades militares da Pérsia e da Média, além dos príncipes e governadores das províncias.

    4-7 Durante seis meses, ele exibiu o imenso patrimônio do seu Império e o impressionante luxo da realeza. Para concluir, o rei deu uma festa de uma semana para todos os moradores da ctal, Susã. Participaram desde os nobres até os mais simples. A festa aconteceu no jardim do pátio do palácio de verão do rei. O jardim foi decorado com tecidos brancos e azuis, fixados com cordas de linho branco e roxo em argolas de prata, fixadas em colunas de mármore. As poltronas eram de prata e de ouro; o piso era um mosaico de pórfiro, mármore, madrepérola e pedras preciosas. A bebida era servida cm taças de ouro personalizadas. O vinho real era servido à vontade, por conta da generosidade do rei.

    8-9 O rei autorizou os convidados a beber quanto quisessem. Os mordomos ficavam à disposição para servi-los sempre que desejassem. Enquanto isso, dentro do palácio do rei Xerxes, a rainha Vasti oferecia um banquete à parte para as mulheres.

    10-11 No sétimo dia da festa, o rei, já alterado de tanto beber, ordenou a sete oficiais, seus auxiliares particulares Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, que fossem buscar a rainha Vasti em trajes suntuosos e com sua coroa real. Ela era muito bonita.

    12-15 Mas a rainha se recusou a ir e não acompanhou os oficiais. O rei ficou indignado. Furioso com a recusa da rainha, convocou seus conselheiros e todos os especialistas em questões de leis e de direito. O rei tinha o costume de consultar os assessores especializados. Os assessores mais próximos, os sete principais ministros da Pérsia e da Média, que faziam parte do círculo restrito do rei, eram: Carsena, Setar, Adamata, Társis, Meres, Marsena e Memucã. Ele perguntou que medida legal deveria ser tomada contra a rainha Vasti por ter recusado atender a uma ordem do rei Xerxes transmitida por seus oficiais.

    16-18 Memucã tomou a palavra diante dos conselheiros e dos ministros do rei: “Não foi apenas ao rei que a rainha Vasti ofendeu. Todos nós, as autoridades e todo o povo de todas as províncias do rei Xerxes, fomos ofendidos. Não tenham dúvida de que a notícia vai se espalhar: ‘Você soube o que a rainha Vasti fez? O rei Xerxes ordenou que ela se apresentasse diante dele, e ela se recusou!’. Quando as mulheres ouvirem isso, vão começar a tratar o marido com desprezo. O dia em que as mulheres dos oficiais da Pérsia e da Média ficarem sabendo da recusa da rainha, perderemos o controle. É isso que queremos? Um país cheio de mulheres rebeldes, que não aceitam sua condição?

    19-20 “Então, se o rei estiver de acordo, promulgue um decreto real e registre-o nas leis dos persas e dos medos, de modo que não possa ser revogado, que a rainha Vasti está terminantemente proibida de comparecer perante o rei Xerxes. Assim, o rei terá a liberdade de substituí-la por uma mulher que aceite sua condição. Quando o decreto do rei for conhecido por todo o império, por mais vasto que seja, toda mulher, de qualquer posição social, terá maior respeito por seu marido.”

    21-22 O rei e os ministros gostaram desse conselho. O rei fez exatamente o que Memucã propôs. Enviou comunicados a todas as partes do Império, para cada província e para cada povo em sua própria escrita e língua, dizendo: “Todo homem é senhor de seu lar; o que ele disser deve ser respeitado.”

  • Jó, 42

    JÓ LOUVA A DEUS – FALEI SOBRE COISAS ALÉM DA MINHA COMPREENSÃO
    1-6 Jó respondeu ao Eterno: “Estou convencido: tu podes fazer tudo, qualquer coisa! Nada, nem ninguém pode frustrar teus planos. Tu perguntaste: ‘Quem é este ignorante, que critica meus propósitos, se nada sabe?’. Admito, fui eu. Falei sobre coisas além da minha compreensão, fiz pouco das maravilhas que estão acima do meu entendimento. Tu me disseste: ‘Tenho algumas perguntas para você, e quero respostas diretas’. Agora confesso: antes eu ouvi falar a teu respeito; mas agora te conheço, pois vi com meus próprios olhos! Por isso, retiro tudo que disse, sou um miserável! E me arrependo profundamente, perdoa-me.”

    DEUS RESTAURA JÓ – VOU ACEITAR SUA ORAÇÃO
    7-8 Depois de acabar de falar com Jó, o Eterno virou-se para Elifaz, o temanita, e disse: “Agora é com você e seus dois amigos. Estou farto de vocês, pois não foram honestos comigo nem no que disseram de mim a meu servo Jó. Portanto, eis o que vocês devem fazer. Peguem sete touros e sete carneiros e levem para o meu servo Jó. Entreguem uma oferta de sacrifício, e meu servo Jó orará por vocês; e, assim, vou aceitar a oração de vocês. Ele clamará a mim para não tratar vocês como merecem, depois de terem falado tanta mentira a meu respeito e também por não terem sido honestos comigo, como meu servo Jó.”

    9 Assim eles fizeram. Elifaz, o temanita, Bildade, de Suá, e Zofar, de Naamate, fizeram o que o Eterno ordenou. E o Eterno aceitou a oração de Jó.

    10-11 Depois que Jó intercedeu por seus amigos, o Eterno restaurou sua fortuna — melhor dizendo, dobrou-a! Todos os seus irmãos e irmãs e amigos vieram à sua casa e deram uma festa. Eles se confessaram arrependidos e o consolaram por todos os problemas que o Eterno havia causado a ele. E cada um trouxe um generoso presente de reinauguração da casa.

    12-15 O Eterno abençoou a vida de Jó mais que no início. Ele obteve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentos. Também teve sete filhos e três filhas. Ele chamou a primeira filha de Juriti, a segunda de Cássia e a terceira de Fascínio. Não havia mulheres tão lindas no país como as filhas de Jó. Seu pai as tratava da mesma maneira que a seus irmãos, dando a elas igual herança.

    16-17 Jó viveu mais 140 anos e chegou a ver quatro gerações de seus descendentes. Então, ele morreu com bastante idade, depois de uma vida bem vivida.

  • Jó, 41

    EU CONDUZO O UNIVERSO
    1-11 “Você seria capaz de pescar com um anzol o Leviatã e guardá-lo no cesto? Poderia laçá-lo com uma corda ou fisgá-lo com um gancho? Será que ele suplicaria por misericórdia, ou bajularia você com doces palavras? Será que ele faria um acordo com você e se disporia a servi-lo pelo resto da vida? Você brincaria com ele, como se faz com um peixinho dourado? Faria dele o mascote das suas crianças? Você o poria à venda no mercado, determinaria um preço aos compradores? Você o furaria com arpões, como alfinetes numa almofada, ou fincaria lanças de pesca em sua cabeça? Se você apenas encostasse nele, não viveria para contar a história. Que chance teria com uma criatura dessas? Com um olhar ele mataria você! Se você não aguenta olhar para ele por ser assustador, como espera se manter diante de mim? Quem poderia me confrontar e sair ileso? Eu estou no comando de tudo — eu conduzo o Universo!

    12-17 “Mas tenho ainda o que dizer sobre o Leviatã, o monstro do mar, de seu enorme tamanho, de sua bela forma. Quem sonharia em furar aquela pele forte ou pôr freios naquelas mandíbulas? Quem ousaria chegar perto de sua boca, cheia de dentes superafiados? Uma fileira de escudos forma seu dorso, fortemente ligados entre si — é seu orgulho! É invencível, nada pode reduzir a soberba. Nada pode atravessar sua pele — Tão grossa e resistente, simplesmente impenetrável!

    18-34 “Ele ronca, e o mundo se incendeia; ele pisca, e o dia amanhece. Estalos de fogo saem de sua boca, um monte de fagulhas de fogo estala. Fumaça sai de suas narinas, como vapor de uma caldeira. Ele espirra, e começa um incêndio, chamas de fogo saltam de sua boca. Sua força é tanta que amedronta. Encontrar-se com ele é brincar com a morte. Vigoroso e ágil, é rígido por todos os lados, duro como rocha, invulnerável. Até os poderosos correm e se escondem quando ele aparece, encolhem-se de medo diante do violento agitar da cauda. Dardos são inofensivos em sua pele, os arpões batem e voltam sem fazer uma arranhão. Barras de ferro são como cortiça para ele; armas de bronze, sem comentários. As flechas nem mesmo o fazem piscar; os dardos não têm diferença dos pingos de chuva. Um machado parece lasca de graveto para ele. A ponta da lança ele leva na brincadeira. Sua barriga é tão forte que parece blindada, e quando anda, deixa marcas profundas na terra. Ele agita as profundezas das águas do oceano, como se agitam as águas com a fervura. Deixa um rastro luminoso que se estica atrás dele, parece até longas barbas das profundezas do oceano. Não há nada neste mundo como ele, nem um grama de medo reside naquela criatura! Ele domina os grandes e poderosos: é o rei do oceano, o rei das profundezas!”

  • Jó, 40

    1-2 O Eterno, então, perguntou a Jó diretamente: “Agora, o que você tem a dizer em sua defesa? Vai arrastar a mim, o Poderoso, para um tribunal e fazer acusações?”

    JÓ RESPONDE A DEUS – ESTOU PRONTO PARA ME CALAR E OUVIR
    3-5 Jó respondeu: “Estou sem palavras, pasmado — fogem-me as palavras. Não deveria nunca ter aberto a boca! Falei demais, muito mesmo. Estou pronto para me calar e ouvir.”

    O SEGUNDO CONJUNTO DE PERGUNTAS DE DEUS – QUERO RESPOSTAS DIRETAS
    6-7 O Eterno se dirigiu a Jó do meio da tempestade e disse: “Tenho mais algumas perguntas para você, e quero respostas diretas.

    8-14 “Você supõe ser capaz de dizer algo que eu tenha feito de errado? Está me chamando de pecador, para sair como santo? Você tem um braço como o meu? Consegue gritar no trovão, como eu? Vamos, mostre-me o que pode fazer! Dê asas à sua indignação. Olhe bem nos olhos dos arrogantes e destrua-os. Olhe nos olhos dos arrogantes e ponha-os de joelhos. Interrompa os ímpios em seus caminhos — acabe com eles! Cave uma sepultura enorme e jogue-os lá dentro — enterre-os como indigentes sem nome. Eu dou liberdade e todo espaço de que você precisar. Aí, sem dúvida, vou acreditar que você pode se salvar sem a minha ajuda!

    15-24 “Olhe para o grande Beemote. Eu o criei, assim como criei você. Ele pasta sobre a grama e é dócil como um boi — Apenas olhe para a força de seu lombo, os músculos poderosos da barriga. A cauda balança como o cedro ao vento; as enormes pernas são como palmeiras. Seu esqueleto é feito de aço; cada osso de seu corpo é duro como ferro. É um animal imponente entre as minhas criaturas, mas eu o conduzo como a um cordeiro! As colinas cobertas de grama servem de comida para ele, enquanto os ratos do campo brincam à sua sombra. Ele tira uma soneca à tarde debaixo da sombra das árvores, refresca-se nos pântanos lamacentos. Preguiçoso, refresca-se nas sombras frondosas, enquanto a brisa se move por entre os salgueiros. E, quando o rio se agita, ele não sai do lugar, apático e tranquilo, mesmo quando o Jordão fica bravio. Mas você não o desejaria como animal de estimação: você não seria capaz de domesticá-lo!”