Autor: clodh

  • Jó, 39

    1-4 “Você sabe em que mês as cabras da montanha dão à luz? Já observou uma corça parir sua cria? Você sabe por quantos meses ela fica prenhe? Sabe dizer a hora de seu parto, quando ela se agacha e dá a luz? Seus filhotinhos crescem e tornam-se independentes, vão embora e não voltam.

    5-8 “Quem você acha que deixou o burro selvagem solto, abriu os portões do curral e o deixou escapar? Eu dei a ele toda a selva para morar, as planícies e as terras secas. Ele ri de seus primos da cidade, que são arreados. Ele ignora os gritos dos carroceiros. Ele pasta solto pelas colinas e mordisca tudo que é verde.

    9-12 “Será que o búfalo selvagem aceitaria servir você? Passaria a noite em seu celeiro? Você imagina amarrar o seu arado num búfalo e levá-lo para o campo? Ele é muito forte, sim, mas você confiaria nele? Ousaria confiar o trabalho a ele? Você não confiaria, nem por um minuto, que ele faria o que você mandou, não é?

    13-18 “A avestruz bate as asas, mas não voa — todas aquelas penas lindas! Ela bota ovos no chão batido, deixa-os lá para que a areia os aqueça, não se importa que possam ser pisados ou quebrados por algum animal selvagem. Ela é negligente com os filhotes, como se nem fossem dela. Não se importa com nada. Ela não foi criada muito esperta, isso é claro, não foi dado a ela um pingo de bom senso. Mas, quando ela corre…, ah, como corre! Brincando, ela deixa o cavalo e o cavaleiro comendo poeira.

    19-25 “Foi você quem deu ao cavalo a coragem e o adornou com uma bela crina? Você o criou para cavalgar orgulhosamente e espalhar medo com seus nobres relinchos? Impetuoso, ele bate com as patas no chão, impulsivo e determinado, e depois sai à luta. Ele ri do perigo, destemido, não tem medo da espada. O barulho e o tinido da aljava e da lança não o amedrontam. Ele se agita e, ao soar da trombeta, sai correndo a galope. Ao som da trombeta, ele relincha poderoso, sente a excitação da batalha a distância, e capta o estrondo dos gritos de guerra.

    26-30 “Foi depois de uma aula sua que o falcão aprendeu a voar, a estender as asas seguindo seu caminho? Você ordenou que a águia levantasse voo, e ensinou a fazer seu ninho nas alturas, Perfeitamente à vontade no alto do precipício, invulnerável no cume do penhasco? De sua posição, ela procura pela presa, espia a uma grande distância. Seus filhotes se alimentam de cadáveres; onde houver um animal morto, ali você a verá”

  • Jó, 38

    DEUS QUESTIONA JÓ VOCÊ ENCONTROU O VERDADEIRO SENTIDO
    1-11 Finalmente, o Eterno respondeu a Jó, do meio de uma violenta tempestade. Ele disse: “Por que você complicou tanto a questão? Por que você fala sem saber do que está falando? Recomponha-se, Jó! Ponha-se de pé! Erga a cabeça! Tenho algumas perguntas para você, e quero que responda de forma direta. Onde você estava quando criei a terra? Diga-me, já que sabe tanto! Quem decidiu seu tamanho? Por certo você sabe essa! Quem planejou as medidas? Como sua fundação foi moldada, e quem pôs a pedra principal Enquanto as estrelas da manhã cantavam e todos os anjos entoavam louvor? Quem tomou conta do oceano quando ele irrompeu tal qual o bebê sai do ventre materno? Fui eu! Eu o envolvi em suaves nuvens e o deixei confortável durante a noite. Depois, fiz uma cerca para ele, bem forte para que ele não saísse correndo, E disse: ‘Fique aqui, este é seu lugar. Mesmo quando estiver furioso, não passe deste ponto!’.

    12-15 “Alguma vez você ordenou à manhã: ‘Levante-se!’, ou disse qual era o lugar do amanhecer? Do mesmo modo, poderia segurar a Terra nas mãos e sacudir os ímpios para fora dela? Assim como o Sol traz tudo à luz e exibe todas as cores e formas, O manto da escuridão é arrancado dos ímpios — eles são pegos com a boca na botija!

    16-18 “Você encontrou o verdadeiro sentido das coisas? Explorou as cavernas obscuras do fundo do oceano? Você conhece os segredos da morte? Tem viu os mistérios da morte? Você faz ideia da largura da terra? Fale, se é que você consegue!

    19-21 “Você sabe de onde vem a luz e onde mora a escuridão? É capaz de tomá-las pela mão e conduzi-las de volta à sua morada, caso venham a se perder? Ora, é claro que você sabe! Você as conhece a vida inteira, você é tão sábio e experiente!

    22-30 “Você já viajou para onde a neve é feita, viu o armazém onde o granizo é estocado, Os arsenais de granizo e neve que mantenho para períodos de confusão ou de guerra? Você é capaz de encontrar o caminho por onde os raios são lançados, ou o lugar de onde os ventos sopram? Quem você supõe que entalhou os cânions para as chuvas torrenciais e traçou a rota das tempestades de trovão? Quem você imagina que levou água a lugares não habitados, a desertos que ninguém jamais viu, Molhando os solos improdutivos, para que ficassem tomados de flores silvestres e grama? E quem você acha que é o pai da chuva e do orvalho, a mãe do gelo e da geada? Você não pensou, nem por um minuto, que essas maravilhas simplesmente acontecem, não é?

    31-33 “Você pode chamar a atenção das belas irmãs Plêiades, ou distrair o Órion de sua caçada? Você pode fazer Vênus surgir no céu, ou fazer a Ursa Maior e seus filhotes sair para brincar? Você conhece a lei dos céus e das constelações? Sabe como elas afetam as coisas na Terra?

    34-45 “Você pode chamar a atenção das nuvens e decretar uma pancada de chuva? Pode controlar os relâmpagos e fazê-los obedecer às suas ordens?”

    O QUE VOCÊ TEM A DIZER EM SUA DEFESA
    36-38 “Quem deu sabedoria ao coração, e entendimento à mente? Alguém sabe o bastante para contar todas as nuvens ou virar os barris de chuva do céu Quando a terra está fendida e seca, e o chão, duro como tijolo?

    39-41 “É você que ensina a leoa a se aproximar silenciosamente de sua presa e satisfazer o apetite de seus filhotes Quando eles se arrastam em sua toca, esperando famintos pela comida? E quem alimenta os corvos quando seus filhotes gritam para Deus, batendo as asas porque não têm comida?”

  • Jó, 37

    1-13 “Quando isso acontece, meu coração para — fico atordoado, não consigo recuperar o fôlego. Ouça! Ouça seu trovão, o trovão ecoa sua voz. Ele solta seus raios de horizonte a horizonte, Iluminando a terra de um polo a outro. Em sua trilha, o trovão ecoa sua voz poderosa e majestosa. Ele faz o possível e o impossível, nada o detém. Ninguém pode se enganar com aquela voz — Sua palavra troveja tão maravilhosamente, seus poderosos feitos vão além da compreensão. Ele ordena à neve: ‘Cubra a terra como uma manta!’, e à chuva: ‘Encharque o campo todo!’. E todos reconhecem a sua obra, ninguém pode escapar de Deus! Os animais selvagens procuram abrigo, rastejando para a toca, Quando a nevasca surge no norte, e a geada forma uma camada na terra. É o sopro de Deus que forma o gelo, e congela lagos e rios. Sim, é Deus quem enche as nuvens de água e lança os raios de dentro delas. Ele as faz funcionar no ritmo que deseja e ordena que elas façam conforme tudo que determina. Seja por disciplina, seja por graça ou amor extravagante, ele se certifica de que se cumpra.”

    A TEMÍVEL BELEZA QUE FLUI DE DEUS
    14-18 “Jó, você está me ouvindo? Captou tudo? Considere as maravilhas de Deus! Você tem ideia de como Deus faz tudo isso, como faz brilhar o raio no meio da tempestade tenebrosa, Como ele ajunta as nuvens e as mantém carregadas — todas essas maravilhas do perfeito conhecimento? Ora, você nem consegue se refrescar num dia de calor insuportável e abafado, Então, como acha que poderá ajudar a estender o céu que é como bronze?

    19-22 “Se você é tão esperto, nos ensine a nos dirigirmos a Deus. Estamos perdidos e nem imaginamos como fazer. Acha que não tenho juízo para desafiar Deus? Assim não arranjaria problemas? Ninguém, em sã consciência, fica olhando direto para o sol num dia claro e sem nuvens. Assim como o ouro vem das montanhas do norte, uma temível beleza flui de Deus.

    23-24 “Poderoso Deus, tão longe do nosso alcance! Insuperável em poder e justiça! É impensável que ele trate alguém com parcialidade. Portanto, curvem-se diante dele em profunda reverência! Quem é sábio certamente o louvará.”

  • Jó, 36

    OS QUE APRENDEM COM O SOFRIMENTO
    1-4 Eliú suspirou profundamente, mas continuou: “Acompanhe mais um pouco meu raciocínio. Vou convencer você. Há ainda muita coisa a ser dita a favor de Deus. Aprendi tudo isso em primeira mão, direto da Fonte. Tudo que eu sei sobre justiça devo ao meu Criador. Confie em mim, estou oferecendo a você a pura verdade. Acredite, conheço essas coisas muito bem.

    5-15 “É verdade que Deus é Todo-poderoso, mas ele não intimida os inocentes. Para o ímpio, no entanto, a história é diferente — ele não dá colher de chá para eles, mas advoga os direitos dos aflitos. Ele nunca tira os olhos dos justos, e sempre os honra e promove. Quando as coisas vão mal, quando a aflição e o sofrimento vêm sobre eles, Deus revela onde foi que erraram, mostra como o orgulho deles causou a tribulação. Ele os obriga a escutar sua advertência e exige que se arrependam de sua má conduta. Se eles obedecem e se submetem a ele, obtêm um vida boa, longa e próspera. Mas, se desobedecem, são cortados fora, e nunca deixarão de ser ignorantes. Os ressentidos, sem Deus, vão guardando as queixas, e sempre culpam os outros por seus problemas. Vivendo de modo vergonhoso, desperdiçam seu vigor e morrem jovens. Mas os que aprendem com o sofrimento alcançam o livramento de Deus.”

    OBCECADO EM CULPAR DEUS
    16-21 “Ah, Jó! Não vê que Deus quer livrar você das garras do perigo? Não percebe que ele quer levar você ao ar livre, para festejar à volta de uma mesa farta? Mas aqui está você, farto da culpa dos ímpios, obcecado em culpar Deus! Não permita que suas riquezas o corrompam. Não pense que poderá se livrar disso com suborno. Acha que pode comprar sua liberdade? Claro que não! E não pense que a noite, quando as pessoas descansam dos problemas, trará a você algum alívio. Acima de tudo, não piore as coisas, com mais maldade, pois é isso que está por trás do seu sofrimento!

    22-25 “Você faz ideia de como Deus é poderoso? Já viu um mestre como ele? Alguma vez alguém precisou dizer a ele o que fazer, ou corrigi-lo, dizendo: ‘Você fez tudo errado!’? Lembre-se, então, de louvar sua obra, tão celebrada por meio de canções. Todos conseguem vê-la. Ninguém está tão longe que não possa contemplá-la.”

    NINGUÉM PODE FUGIR DE DEUS
    26 “Dê uma boa olhada. Veja como Deus é grande, infinito, maior que tudo que você possa imaginar ou compreender!

    27-33 “Ele tira a água do mar, enche as nuvens de chuva. Os céus se abrem e solta gota por gota, que caem como ele chuvas sobre todos. Alguém faz ideia de como isso acontece? Alguém sabe como ele organiza as nuvens e fala através do trovão? Apenas olhe para aquele raio: sua luz que enche o céu, e ilumina as profundezas escuras do mar! Esses são os sinais da soberania, da generosidade e do cuidado amoroso de Deus. Ele lança flechas de luz, mirando com todo cuidado. O Soberano Deus ruge no trovão, pois contra o mal está irado.”

  • Jó, 35

    O TERCEIRO DISCURSO DE ELIÚ DEUS ENSINA ATRAVÉS DE TODA A SUA CRIAÇÃO
    1-3 Eliú continuou: “Esse discurso faz algum sentido? Primeiro você diz: ‘Sou inocente diante de Deus’ Depois diz: ‘Que vantagem eu tenho? Não faz a menor diferença se pequei ou não’!

    4-8 “Bem, vou provar agora que você não sabe do que está falando, nem você nem seus amigos. Olhe para o céu. Dê uma boa olhada. Vê aquelas nuvens lá em cima? Se você pecar, que diferença faria para Deus? Não importa quanto você pecou: fará diferença para ele? Mesmo que você fosse bom, o que Deus ganharia com isso? Você acha que ele depende de suas obras? Os únicos que são afetados por você ser bom ou mau são sua família, amigos e vizinhos. Deus não depende do seu comportamento.

    9-15 “Quando a situação piora, as pessoas pedem socorro. Suplicam para que não sejam mais maltratadas. Mas nunca pensam em Deus quando as coisas vão bem, quando Deus inspira canções no coração delas, Ensinando através de toda a sua criação, ao usar pássaros e animais para dar sabedoria. As pessoas se mostram arrogantes e indiferentes para com Deus — até que estejam em perigo, e, por isso, Deus não responde. Não há nada por trás de tais orações exceto o pânico, e o Todo-poderoso não dá atenção a elas. Então, por que ele notaria você? Só porque você está cansado de esperar para ser ouvido, Ou de esperar que o seu caso chegue a ele e faça alguma coisa a respeito?

    16 “Jó, você só fala bobagens — nem sabe o que diz!.”

  • Jó, 34

    O SEGUNDO DISCURSO DE ELIÚ É IMPOSSÍVEL DEUS FAZER O MAL
    1-4 Eliú continuou: “Então me ouçam, sábios amigos, e depois me digam o que pensam disso. Pois o ouvido distingue as palavras, assim como o paladar distingue as comidas. Vamos trabalhar juntos para descobrir o que é certo e bom?

    5-9 “Todos ouvimos Jó dizer: ‘Eu estou no meu direito, mas Deus não me dá um julgamento justo. Quando eu me defendo, sou chamado de mentiroso. Não fiz nada de errado e fui punido do mesmo jeito’. Já ouviram algo que superasse isso? Nada intimida esse tal de Jó? Passou tempo demais em má companhia, andando com gente complicada, Pois agora anda a falar como eles: ‘É perda de tempo tentar agradar a Deus’?

    10-15 “Vocês que sabem de tudo, até mesmo lidar com o assunto, ouçam o que digo. É impossível Deus fazer o mal; o Poderoso não age com maldade, de jeito nenhum! Ele nos faz pagar o que é justo — nem mais, nem menos. Cada um tem exatamente o que merece! É impossível Deus fazer algo reprovável, o Poderoso não perverte a justiça. Nem pensar! É ele quem governa a terra! Ele sustenta o mundo inteiro em sua mão! Se ele decidisse reter seu sopro, todos seriam varridos do mundo.”

    DEUS TRABALHA NOS BASTIDORES
    16-20 “Então, Jó, use a cabeça, porque tudo é tão óbvio! Pode alguém que detesta a ordem manter a ordem? E você ousa condenar aquele que é infinitamente justo? Deus não diz sempre como as coisas são, expõe a podridão dos governantes corruptos? Por acaso ele prefere os ricos e famosos aos pobres? Não é ele responsável por todos? As pessoas que merecem não morrem sem aviso, e os governantes ímpios caem em sua maldição. E não fizemos nada para destruir os ‘grandes’, mas sabemos que Deus trabalha nos bastidores.

    21-28 “Ele está de olho em cada pessoa, e não deixa passar nada em branco. Não há escuridão nem sombra densa demais, que esconda os que praticam o mal. Deus não precisa de mais provas contra eles, pois o pecado deles é o bastante. Ele destrói os poderosos sem dar satisfação, e coloca outros em seu lugar. Ninguém passa despercebido; durante a noite, Deus julga, pois conhece tudo o que fazem. Ele pune o ímpio por causa de suas impiedades e faz isso onde todos possam ver, Porque eles deixaram de segui-lo, nem cogitavam mais seguir seus caminhos. Isso foi denunciado pelo clamor dos pobres; o choro dos aflitos chamou a atenção de Deus.”

    VOCÊ SE RECUSOU A VIVER NOS TERMOS DE DEUS
    29-30 “Se Deus permanecer calado, o que você tem com isso? Se ele vira o rosto, o que você pode fazer a respeito? Mas no silêncio e no oculto ele ainda reina, para evitar que quem odeia Deus tome o controle e arruine a vida de seu povo.

    31-33 “Então, por que as pessoas não confessam seu pecado a Deus, dizendo: ‘Pequei, mas não vou fazer isso de novo? Ensina-me a ver o que ainda não vejo. Qualquer que tenha sido meu pecado, não voltarei a praticá-lo’. E você, só porque se recusou a viver nos termos de Deus, acha que ele deve concordar em viver de acordo com os seus? Agora, você decide. Não posso fazer isso por você. Diga-me, depois, o que você decidiu.

    34-37 “Todas as pessoas de bom senso dizem — e os sábios que me ouviram concordam: ‘Jó é um ignorante, e fala absurdos’. Jó precisa ser posto contra a parede: tem de prestar contas de sua atitude a Deus. Você agravou a sua situação, rebelou-se contra a disciplina de Deus, Desafiou-o de modo arrogante e multiplicou acusações contra o Todo-poderoso.”

  • Jó, 33

    1-4 “Então, Jó, escute-me, preste atenção ao que tenho a dizer, As palavras estão na ponta da língua, prontas para serem ditas. Não tenho outro interesse nisso: sou sincero, falo do fundo do coração. O Espírito de Deus fez de mim o que sou, o sopro do Todo-poderoso me deu vida!”

    DEUS SEMPRE RESPONDE, DE UM JEITO OU DE OUTRO
    5-7 “Se acha que pode provar que estou errado, tente. Apresente seus argumentos. Defenda-se! Mas veja, sou homem como você, iguais diante de Deus, fomos feitos do mesmo barro. Então, vamos trabalhar juntos nisso. Não fique receoso nem se sinta intimidado.

    8-11 “Eis o que você disse, e eu ouvi muito bem. Disse: ‘Eu sou puro, não fiz nada de errado. Acreditem, estou limpo. Minha consciência está tranquila. Mas Deus continua me perseguindo. Ele me trata como se eu fosse seu inimigo. Ele me atirou numa espécie de prisão e me mantém sob constante vigilância.

    12-14 “Mas deixe-me dizer, Jó, você está completamente errado! Deus é muito maior do que o homem. Então, como ousa levá-lo a julgamento, e reclamar que ele não responde às suas acusações? Deus sempre responde, de um jeito ou de outro, mesmo quando não conseguimos reconhecer.

    15-18 “Num sonho ou numa visão, quando mergulham num sono profundo, deitados em sua cama, Deus pode falar aos ouvidos deles e os intimida com advertências Para afastá-los de sua própria maldade, de alguma escolha negligente, Ou para guardá-los da morte, ou ainda, de uma situação sem volta.

    19-22 “Deus pode chamar a atenção deles por meio da dor, atirando-os num leito de sofrimento, De modo que não consigam nem olhar para a comida e fiquem enjoados até de seus pratos favoritos. Eles perdem tanto peso que ficam reduzidos a osso. Eles se aproximam do desfiladeiro da morte, sabendo que podem estar respirando pela última vez.

    23-25 “Mas, se viesse um anjo, e dentre os milhares que existem, um defensor para o seu caso, Um mensageiro que interviesse, dando testemunho de que é inocente, dizendo: ‘Livra-o, pois vim com o resgate dele!’, Antes que percebesse, você estaria curado, suas forças voltariam e ficaria tinindo!

    26-28 “Então, ajoelhe-se e ore a Deus! Você veria o sorriso de Deus e celebraria, e voltaria a ficar de bem com Deus. Você não economizaria louvores a Deus, testificando: ‘Quase arruinei minha vida, e posso dizer a vocês que não valeu a pena. Mas Deus interveio e me salvou da morte certa. Estou vivo outra vez! Posso ver a luz de novo!’.

    29-30 “É assim que Deus age com as pessoas, muitas vezes é o que faz; Livra nossa alma da destruição certa, para continuarmos a viver na luz!.”

    31-33 “Continue ouvindo, Jó. Não me interrompa — não terminei ainda. Mas, se sabe de alguma coisa que eu não sei, diga-me. Não há nada que eu deseje mais do que ver o seu nome limpo. Por isso, continue ouvindo e não me interrompa, vou ensinar o bê-á-bá da sabedoria a você.”

  • Jó, 32

    ELIÚ FALA – A SABEDORIA VEM DO SOPRO DO TODO-PODEROSO
    1-5 Os três amigos de Jó ficaram em silêncio. Estavam sem palavras e frustrados porque Jó não cedia de jeito nenhum — não admitia culpa. Então, Eliú perdeu a paciência. (Eliú era o filho de Baraquel, de Buz, do clã de Rão.) Ele estava furioso porque Jó insistia em ter razão diante de Deus. Ele também estava zangado com os três amigos porque argumentaram tanto, sem conseguir provar que Jó estava errado, mas o tinham condenado. Eliú havia se mostrado paciente enquanto falavam, porque eram todos mais velhos que ele. Mas, quando percebeu que os três homens haviam esgotado seus argumentos, explodiu de raiva.

    6-10 Foi o que Eliú, filho de Baraquel, de Buz, disse: “Eu sou um jovem, e vocês são mais velhos e experientes. Por isso, fiquei quieto e hesitei em dar minha opinião. Pensei: ‘A experiência fala mais alto. Quanto mais se vive, mais sábio fica. Mas vejo que estava errado — é um presente de Deus, A sabedoria vem do sopro do Todo-poderoso. Não são apenas os mais velhos que têm sabedoria, e ficar velho não é garantia de saber o que é certo. Por isso, decidi falar. Ouçam com atenção! Vou dizer exatamente o que penso.

    11-14 “Gravei cada palavra que disseram, ouvi com cuidado seus argumentos. Enquanto procuravam as palavras certas, eu prestava atenção. Mas o que provaram? Nada. Nada do que disseram convenceu Jó. E não se desculpem, dizendo: ‘Fizemos o melhor possível. Agora, só Deus para persuadi-lo’. Jó ainda tem de discutir comigo. E estejam certos de que não usarei os seus argumentos!

    15-22 “Vocês três têm mais alguma coisa a dizer? Acho que não. O que houve, ficaram mudos? Por que eu esperaria mais, agora que estão completamente desolados? Estou pronto para apresentar meus argumentos. Chegou minha vez — e já não era sem tempo! Tenho muito a dizer, estou a ponto de explodir. Subiu-me a pressão, estou como um vulcão prestes a entrar em erupção. Sinto-me obrigado a falar — não tem mais jeito. Tenho de dizer o que está no meu coração. E vou falar de maneira direta — somente a verdade e nada mais que a verdade. Nunca fui bom em bajular, e o Criador acabaria comigo se eu fizesse isso agora!.”

  • Jó, 31

    O QUE POSSO ESPERAR DE DEUS
    1-4 “Fiz um pacto comigo mesmo: nunca olhar com cobiça para uma mulher, Então, o que posso esperar de Deus? O que mereço da parte do Todo-poderoso, que está no céu? A calamidade não está reservada para os ímpios? O desastre não deveria atingir os que agem errado? Deus não olha como eu vivo? Ele não toma nota de cada passo que dou?

    5-8 “Alguma vez andei de mãos dadas com a falsidade, ou fui com sede ao pote para enganar alguém? Se Deus me pesar em balança justa, saberá que não tenho culpa nenhuma. Se me desviei do bom caminho, se desejei coisas que não devia, se me envolvi com o pecado, Então, que os outros desfrutem todo meu trabalho. Podem dar tudo que é meu a alguém que a mereça!

    9-12 “Se eu fui seduzido por uma mulher e planejei em minha mente algo com ela, Que minha mulher seja livre para ir embora e se tornar mulher de outro homem. Pois seria inaceitável, o fim da picada! Eu mereceria a pior punição que existe. O adultério é um fogo que queima até os alicerces, que a tudo destrói e tudo consome.

    13-15 “Já fui injusto com meus empregados quando trouxeram suas queixas para mim? Então, o que devo fazer quando Deus me confrontar? E quando Deus me chamar e pedir contas? O mesmo Deus que me criou não os criou também? Não somos todos iguais perante Deus?

    16-18 “Alguma vez ignorei as necessidades do pobre ou virei as costas para o indigente? Quando foi que preferi atender aos meus próprios desejos enquanto eles precisavam de ajuda? Minha casa não estava sempre aberta para eles? Não eram sempre bem-vindos à minha mesa?

    19-20 “Já deixei uma família tremendo ao relento quando não tinham nada para proteger do frio? Os pobres não choravam de gratidão ao me encontrar, sabendo que trazia agasalhos para eles?

    21-23 “Se eu alguma vez usei meu poder e minha influência para tirar vantagem de qualquer que seja, Então, que quebrem meus braços, cortem todos os meus dedos! O temor de Deus me guardou de todas essas coisas, pois não podia fazer nada disso diante de seu esplendor.”

    AH, SE ALGUÉM ME OUVISSE
    24-28 “Alguma vez fiquei obcecado por ganhar dinheiro, ou baseei minha felicidade em riquezas? Já me vangloriei da minha fortuna, ou me exibi por estar bem de vida? Alguma vez me encantei com o Sol ou pela beleza da Lua, A ponto de venerá-los ou adorá-los em segredo? Se eu tivesse feito isso, mereceria a pior das punições, pois teria traído o meu Deus.

    29-30 “Alguma vez me alegrei com a ruína do meu inimigo, ou festejei quando estava em maus lençóis? Não, nunca disse uma palavra ofensiva contra eles, nunca os amaldiçoei, nem no meu íntimo.

    31-34 “Os que trabalhavam para mim diziam: ‘Ele nos alimenta bem. Podemos comer à vontade’. E nenhum estrangeiro teve de passar a noite na rua: minha casa sempre estava de portas abertas aos viajantes. Alguma vez escondi meu pecado, como os outros, ou encobri a minha culpa, Por ter receio do que as pessoas iam dizer, ou me recusei a reconhecer meus erros, Por temer o falatório dos vizinhos? Nunca. Vocês sabem muito bem que não.

    35-37 “Ah, se alguém me ouvisse! Apresentei minha defesa. Que o Todo-poderoso responda! Que os meus inimigos façam acusação por escrito. Todos são convidados a ler minha defesa. Vou escrevê-la num cartaz e carregá-lo pela cidade. Estou preparado para prestar contas de tudo que fiz — a toda e qualquer pessoa que me pedir.

    38-40 “Se o próprio solo que cultivei me acusar de roubo, e os sulcos chorarem por causa de insulto, Se alguma vez roubei a terra para obter lucro ou se desapossei seu legítimo dono, Então que seja amaldiçoada e dê espinhos, não trigo, e ervas daninhas, em vez de grão!.” Assim terminam as palavras de Jó a seus amigos.

  • Jó, 30

    A DOR NUNCA ACABA
    1-8 “Mas isso acabou. Hoje sou alvo de piadas de jovens mal-educados e arrogantes. Ora, eu desprezava os pais deles, considerava-os piores que cães Que cuidam do rebanho. De que me serviriam eles? Já estavam velhos e sem força, esgotados de tanta necessidade e fome; Perambulavam de rua em rua, revirando o lixo e comiam o que encontravam pela frente; Foram banidos da comunidade, amaldiçoados como delinquentes. Ninguém os suportava, eram expulsos de sua terra. Ouvia-se sobre eles nos lugares mais estranhos, como andavam por aí como loucos varridos. Um bando de mendigos sem nome, rejeitados por todos.

    9-15 “Mas agora os filhos deles correm atrás para me insultar e zombar da minha cara. Eles me odeiam e me ofendem. Ousam cuspir no meu rosto — essa gentalha! Agora, que Deus detonou a minha vida, caem matando em cima de mim. Ninguém os segura! Eles me atacam brutalmente de todos os lados, me derrubam e continuam a pisotear enquanto estou caído. Eles me destroem pelo meu caminho, e conseguem fazer isso de um jeito que ninguém ergue um dedo em meu socorro! Eles deitam e rolam sobre mim, aproveitam minha fraqueza para me arruinar de vez. O pavor me assalta, minha dignidade é arrastada no chão, e a esperança de socorro virou fumaça.

    16-19 “Minha vida se esvai, estou condenado ao sofrimento. A noite consome meus ossos: a dor nunca para. Deus me pega pela gola e me lança, e fico rolando de dor na cama. Do mesmo modo, lançou-me na lama, estou só o pó, sou um monte de cinza.”

    O QUE FIZ PARA MERECER ISTO
    20-23 “Peço socorro a ti, e não tenho resposta! Estou diante de ti, mas nem olhas para mim! Tu és muito duro comigo, pois me atacas com tua mão pesada. Tu me jogaste no meio da tempestade, e com ela se foi o sucesso para bem longe de mim. Sei que vou morrer de qualquer jeito, pois é assim que determinaste para todos.

    24-31 “O que fiz para merecer isto? Será que ninguém ajuda quando se grita por socorro? Eu não chorava junto quando via alguém passar necessidades? Não me entristecia por causa do pobre? Mas como isso se voltou contra mim? Eu esperava o bem, e veio o mal. Eu buscava a luz, mas veio a escuridão. A inquietação me tomou por dentro, e cada dia deparo com mais sofrimento. Caminho por lugares sombrios. O sol se foi. Levanto-me no meio do povo e peço ajuda. Grito como uiva o chacal, e meu gemido parece o de uma coruja. Estou cheio de feridas e a pele escurece, meu corpo queima de febre. Meus instrumentos só tocam tristes canções; e minha flauta só imita o choro.”