Autor: clodh

  • Jó, 9

    JÓ CONTINUA COMO UM MERO MORTAL PODE SER REALMENTE JUSTO AOS OLHOS DE DEUS
    1-13 Jó recomeçou: “Então, o que há de novo? Eu sei de tudo isso. A questão é: ‘Como um mero mortal pode ser realmente justo aos olhos de Deus?’. Se quiséssemos apresentar nossa causa diante dele, ou argumentar, que chance teríamos? Nem uma em mil! A sabedoria de Deus é tão profunda, o poder de Deus é tão imenso! Quem poderia tentar resistir e ainda sair intacto? Ele faz tremer as montanhas antes que saibam o que está acontecendo, quando bem quiser, sacode-as e põe tudo de cabeça pra baixo. Ele pode chacoalhar a terra, até suas fundações são abaladas. Ele diz ao Sol: ‘Não brilhe!’, e ele para de brilhar; cobre a luz das estrelas. Sozinho, estende os céus e anda sobre as ondas do mar. Ele projetou a Grande Ursa Maior e o Órion, as Plêiades e o Cruzeiro do Sul. Jamais poderemos compreender toda essa grandeza; seus milagres surpreendentes não podem ser contados. Ele se move à minha frente, e não o vejo; sua presença silenciosa, mas real, não percebo. Se toma algo sem ser notado, quem poderia detê-lo? Quem vai dizer: ‘O que está fazendo?’ Quando ele está irado, nada o detém: até o maior e mais temível dos monstros se encolhe diante dele.

    14-20 “Desse modo, como posso discutir com ele? Como vou apresentar uma defesa diante de Deus? Ainda que eu seja inocente, nunca poderia argumentar; só posso me jogar a seu pés e pedir pela misericórdia do Juiz. Mesmo que eu apelasse para Deus e ele me respondesse, ainda não acreditaria que me ouviu. Assim, sou jogado de um lado para outro, e as feridas se multiplicam sem motivo, Nem mesmo posso retomar o fôlego, e o sofrimento só vai crescendo. Se é para ver quem é mais forte, ele vence brincando! Se for para a justiça, quem poderia intimá-lo? Ainda que eu seja inocente, tudo que eu disser me incriminará. Mesmo que eu não tenha culpa nenhuma, defender-me de nada adiantará.

    SE ELE NÃO É O RESPONSÁVEL, ENTÃO QUEM É
    21-24 “Acreditem em mim, sou inocente! Não consigo entender o que acontece. De que vale a vida? Dá tudo na mesma! Não há diferença nenhuma! Pois Deus destrói tanto o que é mau como o que é bom e honesto. Quando a calamidade ataca e traz morte repentina, ele cruza os braços, insensível ao desespero do inocente. Ele permite que o ímpio assuma o controle do mundo, designa juízes que não discernem o certo do errado. Se ele não é o responsável, então quem é?

    25-31 “Meu tempo é curto — o que resta da minha vida se esvai tão rápido que nem pude contemplar a alegria. Minha vida está indo r damente, como um navio veloz, como uma águia que mergulha para capturar sua vítima. Ainda que eu diga: ‘Vou ignorar tudo isso, vou olhar apenas para o lado bom e me esforçar para manter o sorriso’, Todas essas desgraças ainda me devorarão por dentro, pois sei que não terei alívio nem paz. Já anunciaram o veredito: ‘Culpado!’, — de que servirão os protestos? Ainda que eu me esfregasse todo e me lavasse com o melhor sabão que encontrasse, Eu seria empurrado para dentro de um poço sem fundo, até o cheiro ficar insuportável.

    32-35 “Deus não é homem que nem eu. Ele não é um igual, para que eu o enfrente no tribunal. Como eu gostaria que existisse um árbitro, que servisse de mediador, Que pudesse quebrar a força mortal de Deus sobre mim, e me libertar deste terror para eu poder respirar outra vez. Então, ergueria a voz e apresentaria meu caso corajosamente. Mas, como as coisas estão, não há nenhuma chance.”

  • Jó, 8

    A RESPOSTA DE BILDADE SERÁ QUE DEUS COMETE ERROS
    1-7 A Bildade, de Suá, começou a falar: “Até quando você vai continuar falando desse jeito? Está dizendo tolices, bobagens sem tamanho. Será que Deus comete erros? O Todo-poderoso, por acaso, deixa escapar alguma coisa? É claro que seus filhos pecaram contra ele — se não, por que Deus os teria punido? Saiba o que você deve fazer: ajoelhe-se diante do Todo-poderoso. Se você é tão inocente e justo como diz — não é tarde demais —, ele virá correndo e acertará as coisas de novo, restabelecerá tudo. Ainda que você não acredite nisso agora, você estará melhor do que jamais esteve antes.”

    A VIDA POR UM FIO
    8-19 “Apresente a questão aos nossos antepassados, estude o que eles aprenderam dos seus ancestrais. Temos muito a aprender, pois somos recém-chegados, e a vida é tão passageira que nem tempo nós temos. Então, por que não deixar que os antepassados nos ensinem a sua sabedoria? E que nos instruam no que conhecem por experiência? Podem as mangueiras crescer sem solo? Podem os deliciosos tomates existir sem água? As flores não são lindas antes de colhidas? Mas sem solo ou água murcham mais rápido que a grama. Isto é o que acontece com quem se esquece de Deus: sua esperança não dá em nada. A vida dele está por um fio, pois toda confiança está em coisas frágeis como a teia de aranha. Uma sacudida, e o fio se rompe; Tenta se agarrar a ela, e o fio cede. Ou são como espinheiros que brotam à luz do dia, invadindo o jardim, Esparramam-se para todo lado, estragando as flores, e agarram-se até mesmo nas rochas. Mas, quando o jardineiro os arranca pela raiz, o jardim nem sequer nota sua falta. Quanto antes o perverso for embora, melhor: assim a boa planta pode crescer em seu lugar.

    20-22 “Não há como Deus rejeitar quem é bom, e, com certeza, não ajuda o que é mau. Deus fará você rir de novo, você ainda vai pular de alegria! Seu inimigo vai se dar mal, e ele verá seu castelo de cartas desmoronar.”

  • Jó, 7

    MINHA VIDA NÃO VALE NADA
    1-6 “A vida não é uma luta? Não é como estar debaixo de uma escravidão dura? Como os trabalhadores do campo que esperam ansiosos o fim do dia, como os que não têm nada a esperar senão o dia do pagamento, Estou entregue a uma vida que vagueia e não chega a lugar nenhum — meses de engano, noites de aflição e desgraça! Vou para a cama e penso: ‘Quanto tempo até a hora de levantar?’ E eu me debato na cama a noite toda — não aguento mais! Meu corpo está coberto de vermes e cascas de feridas, minha pele, escamosa e dura, o pus não para de vazar. Meus dias passam mais rápido que as mãos do mais hábil tecelão, prosseguem até o fim — sem esperança!

    7-10 “Deus, não esqueça que sou apenas um sopro! Estes olhos viram pela última vez a bondade. E vocês já viram meu fim; continuem olhando, mas não restará nada para ver. Como uma nuvem evapora e para sempre desaparece, os que vão para a sepultura jamais retornam. Para a família jamais irão voltar; os amigos, nunca mais irão encontrar.

    11-16 “E, assim, não vou ficar calado, vou dizer em alto e bom som; minha queixa contra o céu é muito amarga, mas honesta. Querem pôr em mim uma mordaça, como quem deseja que simplesmente a tempestade pare e o mar se acalme. Quando penso: ‘Vou para a cama, e quem sabe, eu melhore. Ou um cochilo me fará bem’, Surgem pesadelos para me assustar e visões de apavorar! Preferiria ser enforcado e morrer a continuar desse jeito viver. Eu desprezo esta vida! Quem precisa disso? Deixem-me sozinho! Minha vida não vale nada — não passa de fumaça.

    17-21 “O que são os mortais, para que te importes com eles e gastes com eles parte do teu dia? Para que venhas, toda manhã, saber como estão? Nunca deixarás de olhar para mim? Não me deixarás só, nem para que eu respire? Mesmo tendo pecado, como isso pode ferir-te, se és maior que tudo, responsável por todos os homens? Por que me tornei o teu mais importante alvo? Por que simplesmente não perdoas meus pecados e começas do zero comigo? Do modo que as coisas vão, logo estarei morto. Olharás para cima e para baixo, mas já não estarei por perto.”

  • Jó, 6

    JÓ RESPONDE A ELIFAZ DEUS DESPEJOU TUDO EM CIMA DE MIM
    1-7 Jó respondeu: “Se minha aflição pudesse ser pesada, se pudesse empilhar toda carga de amargura, Seria mais pesada que toda a areia do mar! Não é de espantar que eu esteja berrando como um animal que vai para o abate! As flechas do Todo-poderoso estão cravadas em mim e tive de suportar todo veneno. Ele despejou tudo em cima de mim. Jumentos zurram e vacas mugem quando ficam sem pastagem, por isso não espere que eu fique quieto. Você vê o que Deus fez comigo? O sofrimento é tanto que não consigo comer nada. Perdi o apetite, meu estômago está embrulhado, sinto-me totalmente rejeitado.”

    ALÉM DOS MEUS LIMITES
    8-13 “Tudo que desejo é resposta a uma oração, um último pedido a ser honrado: Se ao menos Deus me esmagasse e acabasse comigo de vez, Teria, ao menos, a satisfação de não blasfemar contra o Deus Santo, antes que além dos meus limites eu seja levado. Onde está a força para manter viva a minha esperança? Que futuro tenho, que me faça querer continuar? Acha que sou resistente como pedra? Acha que sou de ferro? Acha que posso me erguer por mim mesmo? Ah! Não me restou força nenhuma.”

    MEUS “AMIGOS”
    14-23 “Alguém desesperado pelos amigos deveria ser amparado, mesmo que desistisse de confiar no Todo-poderoso, Mas meus irmãos são como ribeiros no deserto: num dia, estão cheios de água Do gelo e da neve derretidos que desceram das montanhas. Mas no meio do verão estão secos, apenas uma cratera ressecada pelo sol. Os viajantes o avistam e saem de sua rota, pensando que vão matar a sede, mas só encontram um buraco sem água e morrem de garganta seca. As caravanas dos mercadores de Temã esperam achar água, os turistas de Sebá anseiam por uma bebida fresca. Eles se aproximam esperançosos — mas que decepção! Quando chegam, dão de cara com a terra seca! E vocês, meus “amigos”, não são melhores — vocês não ajudaram em nada! Vocês veem a minha situação e só o que fazem é se encolher de medo. Não que eu tivesse pedido algo — não pedi nem mesmo um tostão furado, Nem implorei que fizessem algum sacrifício por minha causa. Então, por que tantos sofismas e palavras evasivas?

    24-27 “Mostrem-me algo incontestável, e me calarei; se tanto sabem, digam-me onde errei. A verdade pode doer, mas vocês têm coragem de dar uma de santo pra cima de mim? Vocês apontam o que há de errado em minha vida, mas respondem à minha angústia com conversa fiada. São as pessoas meros objetos para vocês? São os amigos como mercadorias?”

    28-30 “Olhem-me nos olhos! Por que eu mentiria a vocês? Não sejam injustos — agora sem palavras dúbias, pensem com cuidado — minha integridade está em jogo! Conseguem detectar falsidade no que digo? Não acham que sou capaz de discernir o bem do mal?”

  • Jó, 5

    NÃO CULPE A SORTE QUANDO AS COISAS VÃO MAL
    1-7 “Peça ajuda, Jó, se acha que alguém responderá! A qual dos santos anjos você recorrerá? O ressentimento do insensato é o que o mata; a ira invejosa do inconsequente é o que o desgraça. Eu mesmo vi — o irresponsável que lançou alicerces, e, de repente, sua casa foi amaldiçoada. Seus filhos estão do lado de fora, no frio, maltratados e explorados, e não há ninguém para defendê-los. Famintos moradores de rua saqueiam suas colheitas: esvaziam o campo, levando até os espinhos, insatisfeitos com o que têm. Não culpe a sorte quando as coisas vão mal — a desgraça não vem do nada. Os mortais nascem para a desgraça, tão certo quanto as faíscas voam para cima.”

    É UMA BÊNÇÃO RECEBER CORREÇÃO DE DEUS
    8-16 “Se eu fosse você, correria para Deus e me atiraria em seus braços de misericórdia. Pois ele é grandioso e seus feitos são inefáveis; não há limite para os seus milagres. Ele dá a chuva sobre a vasta terra, envia a água que rega os campos. Ele levanta o humilde, dá segurança ao aflito. Ele desfaz os planos do astuto, que não alcança o resultado pretendido. Ele apanha o espertinho em sua própria trama — seus planos são varridos como lixo. Fica desorientado como se fosse lançado na escuridão; não enxerga nem para pôr um pé na frente do outro. Mas Deus salva o oprimido das conspirações de morte e do punho de ferro. Assim, o pobre tem esperança, enquanto a injustiça é completamente destruída.

    17-19 “Como é abençoado aquele que Deus corrige! Preste atenção, não despreze a disciplina do Todo-poderoso! É verdade: ele fere, mas também cuida da ferida; ele fere, mas sua mão também traz cura. Ele o livra de um desastre atrás do outro; não importa a calamidade, o mal não alcançará você.

    20-26 “Na calamidade, não permitirá que a fome o atinja; na guerra, não será traspassado pela espada. Você será protegido dos comentários maldosos e viverá sem medo diante da catástrofe. Você não se preocupará com o desastre nem com a fome e andará sem medo no meio de animais selvagens. Você se dará bem com pedras e montanhas, e os animais selvagens se tornarão bons amigos. Você saberá que seu lugar na terra é seguro; olhará para seus bens e não achará falta de nada. Você verá seus filhos crescerem e se tornarem numerosos; terá uma linda família que crescerá como a grama do campo. Você terá vida longa e será como o grão dourado que é colhido no tempo devido.

    27 “Assim são as coisas — provado e comprovado! Por isso, ouça; para o seu bem, siga o meu conselho.”

  • Jó, 4

    ELIFAZ DISCURSA – AGORA É A SUA VEZ JÓ
    1-6 Então, Elifaz, de Temã, respondeu: “Você se importaria se eu dissesse algo? Em tais circunstâncias, é difícil ficar calado. Você mesmo fez isso muitas vezes, disse palavras que esclareceram e animaram os que estavam a ponto de desistir. Suas palavras deram firmeza aos que cambaleavam e nova esperança a quem estava à beira de um colapso. Mas agora que é com você fica desanimado. Quando você é atingido, fica aflito. Sua vida devota não deveria dar confiança a você? Sua vida exemplar não deveria dar esperança a você?

    7-11 “Pare e pense! Algum inocente de verdade já acabou em desgraça? Ou alguém realmente íntegro se perdeu no final? Pois vejo que aqueles que cultivam o mal e semeiam a desgraça colhem exatamente isso! Um sopro de Deus, e eles caem; uma rajada de sua ira, e não sobra nada deles! Até o poderoso leão, rei dos animais, que tem um rugido apavorante, é inútil sem dentes. Pois, sem dentes, ficam sem presa e os filhotes vão ter de lutar pela própria subsistência.

    12-16 “Uma palavra veio a mim em segredo — como um sussurro chegou aos meus ouvidos. Veio certa noite num sonho assustador, depois que caí em sono profundo. O medo e o terror me encararam. Estremeci da cabeça aos pés e o temor me dominou. Um espírito estava ali e fez arrepiar os meus cabelos. Não sei descrever o que apareceu ali — era um vulto diante de mim e em meio ao silêncio uma voz abafada ouvi:

    17-21 “‘Como um mero mortal poderia ser mais justo que Deus? Como o homem pode ser mais puro que seu Criador? Por que, se Deus não confiou nem mesmo em seus servos, nem mesmo aplaudiu seus anjos, Quanto mais em seres feitos de barro, mais frágeis que uma traça, Que vive hoje e desaparece amanhã, e ninguém percebe, pois some sem deixar rastro. Assim como quando as estacas da tenda são serradas a tenda desmorona, morremos e não somos mais sábios por ter vivido.

  • Jó, 3

    O GRITO DE JÓ QUAL O SENTIDO DA VIDA
    1-2 Finalmente, Jó quebrou o silêncio. Em voz alta, amaldiçoou a si mesmo:

    3-10 “Apaguem o dia em que nasci. Esqueçam a noite em que fui concebido! Que aquele dia seja transformado em trevas, e que Deus, lá em cima, esqueça o que aconteceu. Apaguem-no dos livros! Que a escuridão mais sombria se apodere do dia do meu nascimento, seja envolto pela neblina e engolido pela noite. Que as trevas dominem a noite em que fui concebido. Risquem-na do calendário, e que nunca mais seja contada como qualquer outro dia! Que aquela noite seja reduzida a nada. Que nenhum grito de alegria daquela noite jamais seja ouvido. Que os mestres em maldição amaldiçoem aquele dia. Que seja engolido pelo monstro do mar, o Leviatã. Que suas estrelas da manhã percam o brilho, e fiquem à espera da luz do dia que nunca vem! Que nunca mais vejam a luz do amanhecer, Porque não impediu que eu saísse do ventre da minha mãe, que eu vivesse esta vida cheia de aflições.

    11-19 “Por que não morri ao nascer, expirando ao sair do ventre materno? Por que havia braços para me embalar e seios para me alimentar? Eu poderia agora descansar em paz, dormir para sempre sem sentir dores, Ao lado de reis e autoridades em ruínas, ou, ainda, com poderosos cheios de ouro e prata. Por que não fui enterrado assim que nasci, como um bebê abortado que nunca viu a luz? Lá, o perverso não incomoda mais e os cansados têm enfim o merecido descanso. Lá, os prisioneiros dormem tranquilos, não acordam mais com o barulho dos guardas. Ricos e pobres, simples e poderosos estão ali, e os escravos estão livres dos seus senhores.

    20-23 “Por que Deus se importa em dar luz ao miserável? Por que deixa viver uma pessoa cheia de amargura, Os que desejam desesperadamente a morte e não conseguem, os que a procuram mais que o maior tesouro do mundo, Que consideram o dia de sua morte o dia mais feliz da vida? Qual o sentido da vida quando ela já não faz mais sentido? Por que Deus permite que vivamos, se fechou todas as saídas?

    24-26 “Em vez de comida, só me vêm lágrimas; em vez de água para beber, servem-me gemidos de angústia. O pior dos meus medos tornou-se realidade; o que eu mais temia aconteceu. Meu repouso é perturbado, e minha paz está destruída. Nenhum descanso me restou — a morte invadiu a vida.”

  • Jó, 2

    O SEGUNDO TESTE: A SAÚDE
    1-3 Um dia, quando os anjos vieram prestar contas ao Eterno, Satanás também apareceu. O Eterno olhou para Satanás e perguntou: “E você, por onde andou?” Satanás respondeu ao Eterno: “Andei por toda parte, para ver como estavam as coisas na terra.” O Eterno disse também a Satanás: “Você notou meu servo Jó? Não existe ninguém como ele, existe? Homem honesto e leal à sua palavra, totalmente consagrado a Deus e que odeia a maldade. Como ele é íntegro! Você até tentou destruí-lo, mas não deu certo”

    4-5 Satanás respondeu: “Um homem faria qualquer coisa para salvar a própria vida. Então, o que aconteceria se tirasse a saúde dele? Com certeza, ele amaldiçoaria o senhor abertamente. Sem sombra de dúvida!”

    6 O Eterno disse: “Muito bem. Então veremos. Vá em frente: você pode fazer o que quiser com ele. Mas preste atenção: não tire a vida dele.”

    7-8 Satanás saiu da presença do Eterno e atacou Jó com uma terrível doença. Jó ficou coberto de úlceras e de feridas da cabeça aos pés. Elas coçavam e doíam tanto que ele pegou um caco de vaso quebrado para raspar as feridas sentado no meio de cinzas.

    9 Então, sua mulher disse: “E você ainda vai manter sua integridade? Amaldiçoe Deus e acabe com isso de uma vez!”

    10 Mas ele respondeu: “Você não sabe o que está falando! Perdeu a razão, mulher? Se recebemos coisas boas de Deus, por que não receberíamos também coisas ruins?” Apesar de tudo, Jó não pecou.

    OS TRÊS AMIGOS DE JÓ
    11-13 Quando três dos amigos de Jó souberam de seu sofrimento, saíram de suas casas — Elifaz, de Temã; Bildade, de Suá; Zofar, de Naamate — e, juntos, foram consolar e confortar Jó. Quando o viram, mal puderam acreditar no que viam — seu amigo estava irreconhecível! Eles choraram de tristeza, rasgaram a própria roupa e jogaram terra sobre a cabeça para demonstrar sua dor. Depois, sentaram se com ele no chão. Ficaram sete dias e sete noites sentados ali, sem dizer uma palavra, pois viam que o sofrimento do amigo era demais!

  • Jó, 1

    1-3 Havia um homem chamado Jó, que morava na região de Uz. Era muito honesto, um homem de palavra, totalmente dedicado a Deus que odiava a maldade. Tinha sete filhos e três filhas, e era muito rico — possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentos jumentos e empregados a perder de vista. De fato, era o homem mais importante de todo o Oriente!

    4-5 Seus filhos costumavam dar festas em suas casas e sempre convidavam as três irmãs para celebrarem junto. Depois das festas, Jó se levantava bem cedo e entregava uma oferta de sacrifício em favor de cada um de seus filhos, pois pensava: “Pode ser que um deles tenha pecado, desprezando Deus em seu coração.” Jó entregava sacrifícios constantemente, no caso de um de seus filhos ter cometido pecado.

    O PRIMEIRO TESTE: A FAMÍLIA E A FORTUNA
    6-7 Um dia, quando os anjos vieram prestar contas ao Eterno, Satanás, o Acusador, veio com eles. O Eterno olhou para Satanás e perguntou: “Por onde você andou?” Satanás respondeu ao Eterno: “Andei por toda parte, para ver como estavam as coisas na terra.”

    8 O Eterno disse a Satanás: “Você notou meu servo Jó? Não há ninguém como ele — honesto e leal à sua palavra, totalmente consagrado a Deus e que odeia a maldade.”

    9-10 Satanás retrucou: “Então, o senhor acha que Jó é assim por pura bondade de coração? Ora! Ninguém é tão bom assim! O senhor o mima como se fosse uma criança, cuida de tudo para que nada de mal aconteça a ele, à sua família ou à sua riqueza e ainda abençoa tudo que ele faz! Desse modo, quem não seria fiel?

    11 “Mas o que aconteceria se tirasse tudo que ele tem? Com certeza, ele amaldiçoaria o senhor abertamente. Sem sombra de dúvida!”

    12 O Eterno respondeu: “Muito bem. Então veremos. Vá em frente: faça o que quiser com tudo que ele tem. Só não o machuque.” Então, Satanás saiu da presença do Eterno.

    13-15 Algum tempo depois, enquanto os filhos de Jó estavam reunidos na casa do mais velho em mais uma de suas festas, um mensageiro veio correndo a Jó dizer: “Os bois estavam arando a terra, e os burros, pastando no campo perto de nós, quando os sabeus atacaram. Roubaram os animais e mataram todos os trabalhadores. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    16 O homem ainda estava falando, quando outro mensageiro chegou e disse: “Raios caíram do céu e fulminaram as ovelhas e os pastores. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    17 Ele ainda não havia acabado de falar, quando outro mensageiro chegou com a notícia: “Três grupos de caldeus vieram e atacaram os camelos e massacraram os peões. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    18-19 Enquanto ele ainda falava, outro mensageiro chegou: “Seus filhos estavam numa festa na casa do irmão mais velho quando um furacão veio do deserto e destruiu a casa toda. Os jovens foram atingidos e morreram. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    20 Jó se levantou, rasgou a própria roupa, rapou a cabeça e se jogou no chão. Ali, prostrado, louvou a Deus:

    21 Nu saí do ventre da minha mãe, nu retornarei ao seio da terra. O Eterno dá, o Eterno tira. O nome de Deus seja louvado para sempre.

    22 Mesmo atingido por tanta desgraça, Jó não pecou nem culpou Deus de nada.

  • Salmos, 150

    1-6 Aleluia! Louvem a Deus em sua santa casa de louvor, louvem-no ao ar livre! Louvem-no por seus feitos de poder, louvem-no por sua grandeza magnificente! Louvem-no com sopro de trombeta, louvem-no com o dedilhar suave de cordas! Louvem-no com castanholas e com danças, louvem-no com o pandeiro e com flautas! Louvem-no com pratos e com uma zabumba bem grande, louvem-no com violinos e bandolins! Que toda criatura que respira louve o Eterno! Aleluia!