Categoria: 2a Reis

O Segundo Livro dos Reis
Introdução
O Segundo Livro dos Reis é a continuação da história dos dois reinos israelitas. Este livro começa onde a história parou em 1Reis. O Livro de 2Reis pode ser dividido em duas partes: 1) A história dos dois reinos, desde o ano 850 a.C. até a queda de Samaria e o fim do Reino do Norte (Israel), em 721 a.C. 2) A história do Reino do Sul (Judá), desde a queda do Reino de Israel até a conquista e destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 a.C. O livro termina com a história de Gedalias como governador de Judá e conta como o rei Joaquim foi libertado da prisão na Babilônia.
A queda dos reinos de Israel e de Judá acontece porque os reis e o povo foram infiéis ao Eterno. A destruição de Jerusalém e a ida de grande parte do povo de Judá para o cativeiro marcam um momento decisivo na história israelita.

  • 2a Reis, 5

    1-3 Naamã era comandante do exército do rei da Síria. Era muito respeitado e estimado pelo seu senhor, pois, por meio dele, o Eterno tinha concedido vitórias à Síria. Ele era valente, mas sofria de uma grave doença de pele. Certa vez, quando a Síria atacou Israel, uma jovem foi levada cativa e passou a servir a mulher de Naamã. Um dia, ela disse à sua senhora: “Ah, se meu senhor pudesse ir ver o profeta de Samaria! Ele seria curado dessa doença.”

    4 Naamã foi falar com o rei sobre o que a moça israelita tinha dito.

    5 O rei da Síria disse: “Você deve ir. Mandarei uma carta de apresentação ao rei de Israel.” E Naamã foi, levando consigo trezentos e cinquenta quilos de prata, setenta e dois quilos de ouro e dez trocas de roupas finas.

    6 Naamã entregou a carta ao rei de Israel. Ela dizia: “Quando você receber esta carta, saberá que estou enviando pessoalmente meu oficial Naamã, para que você o cure de sua doença.”

    7 Quando o rei de Israel leu a carta, ficou angustiado e rasgou a própria roupa. Dizia: “Por acaso, sou algum deus, com poder de tirar ou dar a vida ou de receber esse tipo de pedido? O que está acontecendo? O rei está querendo arrumar briga, isto sim!”

    8 Eliseu, o homem de Deus, ficou sabendo que o rei de Israel estava tão angustiado que tinha rasgado a própria roupa e mandou perguntar a ele: “Por que você está tão perturbado, a ponto de rasgar a própria roupa? Envie o oficial a mim, para que ele saiba que existe um profeta em Israel.”

    9 Naamã, com seus cavalos e carros, chegou com toda a pompa e parou diante da casa de Eliseu.

    10 Eliseu mandou um ajudante recebê-lo com esta mensagem: “Vá ao rio Jordão e mergulhe ali sete vezes. Sua pele será curada e renovada.”

    11-12 Naamã ficou irritado e saiu resmungando: “Pensei que ele sairia para me receber pessoalmente, invocar o nome do Eterno, o seu Deus, tocar na pele enferma e eliminar a doença. Os rios Abana e Farfar, em Damasco, são muito mais limpos que os rios de Israel. Por que eu não poderia mergulhar neles? Pelo menos, sairia limpo.” E foi embora furioso.

    13 Mas os seus acompanhantes disseram: “Meu pai, se o profeta tivesse pedido algo difícil, que exigisse coragem, o senhor não o faria? Por que não acatar essa simples instrução de mergulhar e se lavar?”

    14 E foi o que ele fez. Desceu ao Jordão e mergulhou sete vezes no rio, de acordo com a ordem do homem de Deus. A pele dele foi restaurada. Ficou tão saudável quanto a pele de um bebê.

    15 Ele voltou à casa do homem de Deus com sua comitiva, parou diante dele e disse: “Agora tenho certeza de que não há Deus em nenhum outro lugar além de Israel.” Agradecido, ele quis dar um presente a Eliseu.

    16 Mas o profeta disse: “Assim como vive o Eterno, a quem sirvo, não receberei nada de você.” Naamã insistiu, mas ele não aceitou.

    17-18 Naamã disse: “Já que você não aceita nada, deixe-me levar dois burros carregados com a terra daqui, porque não vou mais oferecer sacrifício a nenhum outro deus, senão ao Eterno. Só peço que ele me perdoe uma única coisa: Quando o meu senhor, o rei, apoiado em meu braço, quiser entrar no santuário de Rimom para adorá-lo, e eu tiver que me curvar diante dele, que o Eterno me perdoe por isso.”

    19-21 Eliseu disse: “Tudo ficará bem. Vá em paz.” Naamã não estava muito longe, quando Geazi, ajudante de Eliseu, pensou: “Meu senhor deixou Naamã, aquele arameu, ir embora e não aceitou nenhuma gratificação. Assim como vive o Eterno, vou atrás dele para receber alguma coisa!” E correu para alcançá-lo. Naamã o viu correndo e desceu do carro para cumprimentá-lo: “Alguma coisa errada?.”

    22 Geazi respondeu: “Não há nada errado, mas aconteceu um imprevisto. Meu senhor me mandou dizer: ‘Dois moços dos discípulos dos profetas acabaram de chegar das montanhas de Efraim. Ajude-os com trinta e cinco quilos de prata e duas trocas de roupas finas.”

    23 Naamã disse: “Certamente! Pode ser setenta quilos?” Naamã insistiu. Pôs o dinheiro em dois sacos e entregou as duas trocas de roupas. Chegou a oferecer dois homens para ajudá-lo a carregar os presentes.

    24 Quando chegaram à colina onde morava, Geazi pegou os presentes, guardou-os dentro de casa e despediu-se dos homens de Naamã.

    25 Depois disso, voltou para a casa do seu senhor. Eliseu disse: “Então, o que você andou inventando, Geazi?.” Respondeu: “Nada, senhor.”

    26-27 Eliseu disse: “Você não sabia que eu estava presente em espírito com você quando aquele homem desceu do carro para cumprimentá-lo? Acha que é hora de você se preocupar com você mesmo, enchendo-se de presentes? A doença de pele de Naamã contaminará você e sua família para sempre.” Geazi foi embora e, quando saiu, sua pele já estava branca e escamosa.

  • 2a Reis, 4

    1 Certo dia, a mulher de um dos discípulos dos profetas mandou chamar Eliseu e disse: “Seu servo, meu marido, morreu. O senhor sabe como ele era dedicado ao Eterno. Agora, o homem que tinha emprestado dinheiro a ele está cobrando a dívida e quer levar meus dois filhos como escravos.”

    2 Eliseu disse: “Como posso ajudá-la? O que você tem em casa?.” Ela respondeu: “Nada! Apenas um pouco de azeite.”

    3-4 Eliseu disse: “Faça o seguinte: percorra sua rua e peça emprestadas vasilhas e tigelas de suas vizinhas. Não traga poucas, mas todas que você conseguir. Depois, volte para casa, feche a porta, só você e seus filhos na casa. Derrame o azeite em cada vasilha até encher e deixe-a de lado.”

    5-6 Ela fez o que ele mandou. Trancou-se em casa com os filhos, e, à medida que eles traziam as vasilhas, ela as enchia de azeite. Quando todas as vasilhas e tigelas estavam cheias, ela disse a um dos filhos: “Tragam mais vasilhas.” Mas ele respondeu: “Acabaram. Não temos mais nenhuma vasilha.” Então, o azeite cessou.

    7 Ela foi contar ao homem de Deus o que tinha acontecido. Ele disse: “Venda o azeite e pague a sua dívida. Você e seus filhos poderão viver com o que sobrar.”

    8 Certa vez, Eliseu passou por Suném. Ali, uma mulher rica insistiu em que ele ficasse para comer. Isso acabou virando um costume. Toda vez que ele passava por lá, parava para uma refeição.

    9-10 A mulher disse ao marido: “Tenho certeza de que esse homem que nos visita é um santo homem de Deus. Por que não construímos um pequeno quarto de hóspede em cima da casa e colocamos uma cama, uma mesa, cadeiras e uma lâmpada, para que, quando ele vier, possa também se hospedar aqui?.”

    11 Quando Eliseu apareceu de novo, já pôde descansar no quarto.

    12 Ele disse ao seu ajudante, Geazi: “Chame essa sunamita. Quero conversar com ela.” Ele a chamou, e ela veio.

    13 Por meio de Geazi, Eliseu disse a ela: “Você tem feito muito para nos acolher e cuidar de nós. O que podemos fazer por você? Existe alguma coisa que você gostaria que pedíssemos ao rei ou ao comandante do exército?” Ela respondeu: “Não há nada. Estou satisfeita e feliz com minha família.”

    14 Eliseu conversou com Geazi: “Precisamos fazer alguma coisa por ela, mas o quê?” Geazi disse: “Veja, ela não tem filhos, e seu marido é idoso.”

    15 Eliseu disse: “Chame-a aqui.” Ele a chamou, ela veio e ficou de pé na entrada do quarto.

    16 Eliseu disse a ela: “A essa hora, daqui um ano, você estará amamentando um filho.” Ela exclamou: “Ó, meu senhor, homem de Deus! Não dê falsas esperanças à sua serva!”

    17 Mas a mulher concebeu e, um ano depois, teve um filho, como Eliseu tinha predito.

    18-19 O menino cresceu. Certo dia, ele acompanhou seu pai, que estava trabalhando na colheita. De repente, o menino gritou: “Ai, minha cabeça! Ai, minha cabeça!” O pai ordenou a seu escravo: “Leve o menino de volta para a mãe dele.”

    20 O escravo carregou o menino nos braços e o levou para a mãe. Ele ficou nos braços dela até o meio-dia e morreu.

    21 Ela o levou para cima e o deitou na cama do homem de Deus, fechou a porta e deixou o corpo ali.

    22 Em seguida, chamou o marido e disse: “Mande um dos escravos trazer uma jumenta, para que eu vá me encontrar com o homem de Deus. Volto assim que puder.”

    23 O marido estranhou: “Mas por que agora? Hoje não é dia sagrado, nem lua nova, nem sábado!” Ela respondeu: “Não faça perguntas. Eu preciso ir agora. Confie em mim.”

    24-25 Ela selou a jumenta e disse ao escravo: “Vá na frente, o mais rápido que puder. Se estiver muito rápido, eu aviso.” Assim, ela foi e encontrou o homem de Deus no monte Carmelo.

    25-26 Quando o homem de Deus a viu de longe, disse a Geazi: “Veja lá! É a sunamita! Vá depressa e pergunte: ‘O que aconteceu? Está tudo bem? Como está seu marido? E seu filho?’ Ela respondeu: “Está tudo bem.”

    27 Mas, quando chegou diante do homem de Deus no monte, ela se jogou ao chão e agarrou os pés dele. Geazi veio para tirá-la dali, mas o homem de Deus disse: “Tudo bem. Deixe-a! Não vê que ela está aflita? Mas o Eterno não me mostrou o motivo da sua angústia.”

    28 Ela perguntou: “Por acaso, eu pedi um filho ao meu senhor? Eu não disse: ‘Não dê falsas esperanças à sua serva?.”

    29 Ele ordenou a Geazi: “Não perca tempo. Pegue meu cajado e corra o mais depressa que puder. Se encontrar alguém, nem se preocupe em cumprimentar. Se alguém cumprimentar você, não responda. Ponha o meu cajado sobre o rosto do menino.”

    30 A mãe do menino disse: “Assim como vive o Eterno e como você vive, você não me deixará para trás.” Então, Geazi permitiu que ela fosse à frente e a seguiu.

    31 Mas Geazi chegou primeiro e pôs o cajado sobre o rosto do menino. No entanto, ele não deu sinal de vida. Geazi voltou a Eliseu e disse: “O menino nem se mexeu.”

    32-35 Eliseu entrou na casa e encontrou o menino estirado, morto sobre a cama. Ele entrou e fechou a porta, ficando só os dois no quarto. Eliseu orou ao Eterno e deitou na cama sobre o menino, boca com boca, olho com olho, mãos com mãos. Com ele deitado assim, o corpo do menino começou a se aquecer. Eliseu levantou-se e começou a andar pelo quarto. Depois, voltou a se deitar sobre o menino. O menino começou a espirrar. Espirrou sete vezes e abriu os olhos!

    36 Eliseu chamou Geazi e disse: “Traga a sunamita aqui!.” Ele a chamou e a trouxe para dentro do quarto. Eliseu disse: “Abrace seu filho!”

    37 Ela se prostrou aos pés de Eliseu com o rosto em terra, num misto de reverência e espanto. Depois, abraçou seu filho e saiu com ele.

    38 Eliseu partiu e foi para Gilgal. Havia fome ali. Enquanto conversava com os discípulos dos profetas, disse a seu ajudante: “Ponha uma panela grande no fogo e prepare um ensopado para os profetas.”

    39-40 Um deles saiu ao campo para apanhar algumas ervas. Ele encontrou uma trepadeira de frutas silvestres, apanhou alguns frutos e encheu a capa com eles. Voltou, cortou-os e os misturou no ensopado, mesmo que ninguém soubesse que tipo de planta era. Quando ficou pronto, o ensopado foi servido para os profetas. Eles começaram a comer, mas gritaram: “A comida está contaminada, ó homem de Deus!.” Ninguém mais pôde comer. Eliseu pediu: “Deem-me um pouco de farinha.” Ele jogou a farinha no ensopado.

    41 Em seguida, ordenou: “Agora sirvam aos homens.” Eles comeram e passaram bem. Não havia mais problema algum com o ensopado!

    42 Certo dia, um homem chegou de Baal-Salisa. Estava trazendo vinte pães frescos assados com grãos do início da colheita e algumas maçãs para o homem de Deus. Eliseu disse: “Distribua a comida para estas pessoas.”

    43 Seu ajudante disse: “Para cem homens? Não é o suficiente!.” Eliseu respondeu: “Faça assim mesmo. O Eterno diz que, será suficiente.”

    44 De fato, foi o bastante. Ele serviu a comida, eles comeram e ainda sobrou.

  • 2a Reis, 3

    JORÃO DE ISRAEL
    1-3 Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano de Josafá, rei de Judá. Reinou doze anos. Aos olhos do Eterno, ele foi um rei mau. Mas não tão mau quanto seu pai e sua mãe. Afinal, ele destruiu os postes sagrados de Baal que seu pai e sua mãe tinham feito. Mas deu continuidade às práticas detestáveis de Jeroboão, filho de Nebate, que corromperam Israel por tanto tempo. Ele não se afastou daquelas práticas.

    4-7 O rei Messa, de Moabe, criava ovelhas. Ele era forçado a entregar ao rei de Israel cem mil cordeiros e a lã de cem mil carneiros. Quando Acabe morreu, o rei de Moabe se rebelou contra o rei de Israel. Por isso, o rei Jorão partiu de Samaria e passou em revista o exército. A primeira coisa que fez foi mandar um recado a Josafá, rei de Judá: “O rei de Moabe se rebelou contra mim. Você me ajuda a atacá-lo?”

    7-8 Josafá respondeu: “Estou com você. As minhas tropas são as suas tropas, e os meus cavalos, os seus cavalos. Por onde começamos?.” Jorão respondeu: “Pelo deserto de Edom.”

    9 O rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom partiram e, depois de sete dias, estavam sem água para as tropas e os animais.

    10 O rei de Israel perguntou: “E agora? O Eterno nos trouxe aqui, os três reis, para nos entregar nas mãos de Moabe!”

    11 Mas Josafá disse: “Não há algum profeta do Eterno por aqui, para que possamos consultar o Eterno por meio dele?” Um dos oficiais do rei de Israel disse: “Eliseu, filho de Safate, o braço direito de Elias, mora em algum lugar aqui perto.”

    12 Josafá disse: “Ótimo! Nele nós podemos confiar!” E os três reis — o rei de Israel, Josafá e o rei de Edom — foram vê-lo.

    13 Eliseu disse ao rei de Israel: “O que eu e você temos em comum? Vá consultar um dos profetas de seu pai e de sua mãe.” O rei de Israel respondeu: “Nunca! Foi o Eterno que nos uniu, três reis, para nos entregar nas mãos de Moabe.”

    14-15 Eliseu respondeu: “Assim como vive o Senhor dos Exércitos de Anjos, a quem sirvo, não fosse pelo respeito que tenho por Josafá, rei de Judá, não perderia tempo com vocês. Mas tragam-me um harpista.” Enquanto o harpista tocava, o poder do Eterno veio sobre Eliseu.

    16-19 Ele profetizou: “Assim diz o Eterno: ‘Façam covas em todo esse vale. Vocês não ouvirão o vento nem verão chuva, mas o vale se encherá de água, para que suas tropas e seus animais bebam à vontade. Isso é fácil para o Eterno. Ele também entregará Moabe em suas mãos. Vocês devastarão a terra dele: destruirão as fortificações, arruinarão as cidades, derrubarão os pomares, entupirão as nascentes e destruirão as lavouras com pedras.”

    20 De manhã, na hora do sacrifício, a água já tinha chegado, e vinha do oeste, de Edom, como enxurrada, inundando o vale.

    21-22 A essa altura, todos em Moabe souberam que os três reis tinham se unido para atacá-los. Todos os homens capazes de manusear a espada foram convoca dos para lutar e se puseram na fronteira. Eles estavam prontos logo cedo, quando a luz do Sol brilhou sobre a água. De onde os moabitas estavam, o reflexo da luz solar na água parecia sangue.

    23 Eles gritaram: “Sangue! Vejam, é sangue! Os reis devem ter lutado um contra o outro. Deve ter sido um massacre! Vamos saqueá-los, pessoal!”

    24-25 Quando Moabe entrou no acampamento de lsrael, os israelitas estavam preparados e começaram a matar os moabitas, que tentaram fugir, mas os israelitas corriam atrás deles e os eliminavam. Israel arrasou as cidades, destruiu as lavouras com pedras, entupiu as nascentes e derrubou os pomares. Só Quir-Haresete, a c tal, ficou intacta, mas não por muito tempo. Os israelitas a sitiaram e a atacaram com pedras.

    26-27 Quando o rei de Moabe percebeu que não tinha chances, chamou setecentos homens que lutavam com espada para atingir o rei de Edom, mas eles não conseguiram. Depois, ele pegou seu filho mais velho, que seria seu sucessor, e o sacrificou sobre o muro da cidade. Com isso, os moradores ficaram revoltados com os israelitas, e Israel retrocedeu e voltou para casa.

  • 2a Reis, 2

    1-2 Pouco antes de o Eterno levar Elias ao céu num redemoinho, Elias e Eliseu saíram numa caminhada partindo de Gilgal. Elias disse a Eliseu: “Fique aqui. O Eterno me mandou tratar de um assunto em Betel.” Eliseu disse: “Assim como vive o Eterno, não perderei você de vista!” E os dois foram para Betel.

    3 Em Betel, os discípulos dos profetas viram Eliseu e disseram: “Você sabe que hoje o Eterno vai levar seu mestre embora?.” Ele respondeu: “Sim, eu sei. Mas não quero falar disso.”

    4 Depois, Elias disse a Eliseu: “Fique aqui! O Eterno me mandou tratar de um assunto em Jericó.” Eliseu respondeu: “Assim como vive o Eterno, não perderei você de vista!” E os dois foram para Jericó.

    5 Em Jericó, os discípulos dos profetas disseram a Eliseu: “Você sabe que hoje o Eterno vai levar seu mestre embora?.” Ele respondeu: “Sim, eu sei. Mas não quero falar disso.”

    6 Depois, Elias disse a Eliseu: “Fique aqui. O Eterno me mandou tratar de um assunto no Jordão.” Eliseu respondeu: “Assim como vive o Eterno, não perderei você de vista!” E os dois seguiram juntos.

    7 Cinquenta discípulos dos profetas ficaram observando de longe quando os dois pararam na margem do Jordão.

    8 Elias pegou sua capa, enrolou-a e bateu na água. O rio dividiu-se, e os dois atravessaram sobre chão seco.

    9 Quando chegaram ao outro lado, Elias disse a Eliseu: “O que posso fazer por você antes de eu ser levado embora? Peça o que quiser.” Eliseu disse: “Quero a sua vida duplicada na minha. Quero ser um homem de Deus igual a você.”

    10 Elias disse: “É um pedido difícil. Mas, se você vir quando eu for levado embora, receberá o que pediu. Mas fique observando.”

    11-14 Foi o que aconteceu. Eles estavam andando e conversando. De repente, uma carruagem de fogo, com cavalos também de fogo, ficou entre eles, e Elias subiu no meio de um redemoinho para o céu. Eliseu viu a cena toda e exclamou: “Meu pai, meu pai! Você era como os carros e a cavalaria de lsrael!” Quando não havia mais o que ver, ele rasgou sua capa em pedaços. Depois, pegou a capa de Elias, que tinha caído, voltou para a margem do Jordão e ficou ali. Segurando a capa de Elias, a única coisa que tinha ficado dele, bateu na água e disse: “Onde está agora o Eterno, o Deus de Elias?” Quando a capa tocou a água, o rio dividiu-se, e Eliseu o atravessou.

    15 Os discípulos dos profetas de Jericó também viram a cena de certa distância e comentaram: “O espírito de Elias está em Eliseu!” Por isso, eles o acolheram e o respeitavam como profeta.

    16 Eles disseram a Eliseu: “Estamos a seu serviço. Temos cinquenta homens de confiança e podemos enviá-los para procurar seu mestre. Talvez o Espírito do Eterno o tenha levado a uma montanha ou deixado em algum vale remoto.” Eliseu disse: “Não se preocupem com isso.”

    17 Mas eles insistiram tanto que ele acabou cedendo: “Tudo bem. Podem enviá-los.” Eles mandaram os cinquenta homens, que passaram três dias procurando o profeta em tudo que era canto, pelas montanhas e pelos vales, mas nem sinal dele.

    18 Finalmente, voltaram para Jericó, onde estava Eliseu. Ele disse: “Não falei? Agora vocês acreditam!.”

    19 Certo dia, os líderes da cidade disseram a Eliseu: “Mestre, você mesmo pode ver como nossa cidade está bem localizada. Mas a água está poluída; por isso, a vegetação não cresce.”

    20 Ele disse: “Tragam-me um balde novo com um pouco de sal dentro dele.” Eles trouxeram o balde.

    21-22 Ele foi até a nascente, jogou o sal ali e profetizou: “Assim diz o Eterno: ‘Purifiquei esta água. Nunca mais ela matará vocês nem contaminará a terra.” De fato, a água foi purificada e continua limpa até hoje, como disse Eliseu.

    23 Em outra ocasião, Eliseu estava a caminho de Betel, e alguns meninos saíram da cidade e começaram a zombar dele: “Você aí, careca! Vá embora daqui!”

    24 Eliseu virou-se, olhou para eles e os amaldiçoou no nome do Eterno. Dois ursos saíram da mata e os atacaram: quarenta e dois meninos foram despedaçados!

    25 Eliseu subiu ao monte Carmelo e, depois, voltou para Samaria.

  • 2a Reis, 1

    1 Depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel.

    2 Certo dia, Acazias caiu da sacada do quarto do seu palácio em Samaria e ficou gravemente ferido. Por isso, enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom: “Vou me recuperar deste acidente?.”

    3-4 Então, o anjo do Eterno disse a Elias, o tesbita: “Levante-se! Vá encontrar-se com os mensageiros do rei de Samaria e diga a eles: ‘Por acaso não há Deus em Israel, para vocês irem consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom? Pois assim diz o Eterno: Você não sairá dessa cama: ficará aí, como se estivesse morto.’” Elias entregou a mensagem e foi embora.

    5 Os mensageiros voltaram, e o rei perguntou: “Por que voltaram tão rápido? O que aconteceu?”

    6 Eles responderam: “Encontramos um homem que nos disse: ‘Voltem ao rei que enviou vocês e digam a ele: Assim diz o Eterno: Por acaso não há Deus em Israel para vocês irem consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom? Por isso, não se preocupe: você não sairá dessa cama — você é um homem morto’

    7 O rei perguntou: “Falem mais sobre esse homem que vocês encontraram. Como ele era?.”

    8 Eles disseram: “Usava roupa de pelo e um cinto de couro.” O rei disse: “Deve ser Elias, o tesbita!.”

    9 O rei mandou um c tão com cinquenta homens buscar Elias, que estava sentado tranquilo sobre uma colina. O c tão chegou e disse: “Homem de Deus! Por ordem do rei, desça daí!”

    10 Elias respondeu ao c tão: “Se sou mesmo homem de Deus, que um raio caia sobre você e seus cinquenta soldados!” De repente, um raio saiu do nada e consumiu o c tão e os cinquenta soldados.

    11 O rei mandou outro c tão com cinquenta soldados. Eles também disseram: “Homem de Deus! Por ordem do rei, desça daí!”

    12 Elias respondeu: “Se sou mesmo homem de Deus, que um raio caia sobre você e seus cinquenta soldados!.” Imediatamente, um raio caiu do céu e consumiu o c tão e seus soldados.

    13-14 O rei mandou um terceiro c tão com cinquenta soldados. Pela terceira vez, um c tão e cinquenta soldados se aproximaram de Elias. O c tão se ajoelhou e suplicou: “Ó homem de Deus! Tenha consideração para com a minha vida e a vida destes cinquenta soldados! Já duas vezes um raio atingiu e destruiu um c tão e seus cinquenta soldados. Por favor, tenha misericórdia!.”

    15 O anjo do Eterno disse a Elias: “Não tenha medo! Desça com ele.” Elias se levantou, desceu e o acompanhou até a presença do rei.

    16 Elias disse ao rei: “Assim diz o Eterno: ‘Como você mandou consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom como se não houvesse Deus em Israel, você não sairá vivo dessa cama. Você é um homem morto’”.

    17 E ele morreu, exatamente como o Eterno anunciou por meio de Elias. Como Acazias não teve filhos, seu irmão, Jorão, o sucedeu no trono, no segundo ano do reinado de Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá.

    18 O restante da vida de Acazias está registrado nas Crônicas dos Reis de lsrael.