Categoria: 2a Samuel

O Segundo Livro de Samuel
Introdução
O Segundo Livro de Samuel é a continuação de 1Samuel. Neste livro se conta a história de Davi, que foi rei primeiro de Judá, no Sul (caps. 1—4). Depois ele foi rei de toda a nação, incluindo Israel, no Norte (caps. 5—24). 2Samuel narra as lutas de Davi contra os inimigos de dentro e de fora, para se firmar no poder e para estender o seu reino. Davi era um homem de profunda fé e devoção a Deus e como líder foi capaz de conquistar a lealdade do seu povo. Mas ele também cometeu pecados de crueldade e violência, que a Bíblia não esconde. Porém quando o profeta Natã apontou a Davi os seus pecados, ele os confessou e aceitou o castigo de Deus. A vida e as realizações de Davi impressionaram profundamente o povo de Israel. Tanto assim que, mais tarde, nos tempos de angústia, quando precisavam de outro rei, eles pediam “um filho de Davi”. Desejavam um rei descendente de Davi, que fosse igual a ele.
Esquema do conteúdo
1. Davi governa Judá (1.1—4.12)
2. Davi governa Judá e Israel (5.1—24.25)
a. Os primeiros anos (5.1—10.19)
b. Davi e Bate-Seba (11.1—12.25)
c. Problemas e dificuldades (12.26—20.26)
d. Os últimos anos (21.1—24.25)

  • 2a Samuel, 14

    1-3 Joabe, filho de Zeruia, sabia que o rei, no fundo, ainda se importava com Absalão. Por isso, mandou buscar uma mulher sábia que vivia em Tecoa e a instruiu, dizendo: “Finja que está de luto. Use roupas pretas e não arrume o cabelo, para dar a ideia de que você está, há muito tempo, de luto por algum ente querido. Depois, vá falar com o rei.” Joabe a instruiu sobre o que dizer.

    4 A mulher foi à presença do rei, prostrou-se respeitosamente diante dele e disse: “Ó rei, ajude-me!”

    5 Ele perguntou: “Como posso ajudar?”

    6 Ela disse: “Sou viúva. Meu marido morreu. Eu tinha dois filhos, e, um dia, os dois brigaram na fazenda, e não tinha ninguém perto para apartar a briga. Um deles feriu o outro, e ele morreu. Depois, toda a família ficou contra mim, exigindo que eu entregasse o assassino para que eles o executassem por causa do irmão que ele tinha matado. Eles querem eliminar o herdeiro e apagar a última centelha de vida que tenho. Se isso acontecer, não restará nada de meu marido sobre a terra, nem sequer seu nome.

    7 “Por isso, tive ousadia de vir falar com o rei, o meu senhor, sobre essa questão. Eles estão destruindo a minha vida, e estou com medo. Pensei comigo mesma: ‘Vou falar com o rei. Talvez ele faça alguma coisa! Quando o rei souber o que está acontecendo, ele intervirá e me salvará do abuso daquele que está querendo se livrar de mim, de meu filho e da herança de Deus’. Como sua serva, decidi: O que o rei, o meu senhor, decidir encerrará o assunto, pois o meu senhor é como um anjo de Deus, que sabe discernir entre o bem e o mal. Que o Eterno seja com o senhor!”

    8 O rei disse: “Volte para casa. Vou cuidar disso para você.”

    9 A mulher de Tecoa disse: “Assumo toda a responsabilidade pelo que acontecer. Não quero constranger o rei nem manchar sua reputação.”

    10 O rei prosseguiu: “Traga o homem que está perturbando você. Vou fazer que ele pare de incomodar.”

    11 A mulher respondeu: “Invoque o rei o nome do Eterno, para que esse vingador não acabe com tudo, matando meu outro filho.” Ele disse: “Assim como vive o Eterno, nem um fio de cabelo cairá da cabeça de seu filho.”

    12 Ela também perguntou: “Posso pedir mais uma coisa ao meu senhor?” Ele respondeu: “Certamente!”

    13-17 A mulher disse: “Por que, então, o rei faz exatamente isso com o povo de Deus? Com esse veredito, o rei condena a si mesmo, pois não deixou voltar seu filho exilado. Todos nós vamos morrer, um dia. A água derramada não pode ser juntada novamente. Mas Deus não tira a vida. Ele faz que o exilado possa voltar.”

    18 O rei disse: “Vou fazer uma pergunta. Peço que me responda com sinceridade.” Ela respondeu: “Com certeza. Que o rei fale.”

    19-20 O rei prosseguiu: “Joabe tem alguma coisa a ver com isso?” A mulher respondeu: “Por sua vida, ó rei, meu senhor, ninguém pode escapar, desviando-se para direita ou para esquerda na presença do rei! Sim. Foi o seu servo Joabe que armou tudo isso e pôs as palavras em meus lábios. Ele fez isso porque queria resolver o assunto. Mas o meu senhor é sábio como um anjo de Deus. Sabe como resolver as coisas na terra.”

    21 Depois disso, o rei disse a Joabe: “Tudo bem! Farei isso. Traga de volta o jovem Absalão.”

    22 Joabe prostrou-se em profunda reverência e bendisse o rei: “Agora reconheço que ainda conto com o favor e a confiança do rei, pois o senhor aceitou o conselho do seu servo.”

    23-24 Joabe se levantou, foi a Gesur e trouxe Absalão de volta para Jerusalém. O rei determinou: “Ele pode voltar para casa, mas não poderá comparecer à minha presença.” Assim, Absalão voltou para casa, mas não tinha permissão para ver o rei.

    25-27 Em todo o Israel, não havia homem tão elogiado pela sua beleza quanto Absalão. De cima a baixo, não havia nele nenhum defeito. Quando cortava o cabelo (ele sempre cortava bem curto, na primavera, porque ficava muito pesado), o peso era de dois quilos e quatrocentos gramas. Absalão teve dois filhos e uma filha. Ela se chamava Tamar e era muito bonita.

    28-31 Absalão viveu dois anos em Jerusalém, mas não podia ver seu pai, Davi. Certa vez, ele pediu a Joabe autorização para ver o rei, mas Joabe não autorizou. Tentou de novo, e Joabe se negou a dar permissão. Então, disse a seus criados: “Prestem atenção! A fazenda de Joabe fica ao lado da minha, e ele plantou cevada. Vão lá e ateiem fogo na plantação”. Os criados de Absalão fizeram o que ele mandou e puseram fogo na plantação. Deu certo. Não demorou, e Joabe apareceu na casa de Absalão, perguntando: “Por que seu pessoal queimou minha plantação?”

    32 Absalão respondeu: “Veja, mandei chamar você, dizendo: ‘Venha depressa. Quero que você vá ao rei e pergunte a ele: Por que você me trouxe de volta de Gesur? Seria melhor ter ficado lá! Permita que eu compareça à presença do rei. Se ele me considerar culpado, que mande me matar’”.

    33 Joabe apresentou a questão ao rei, e Absalão foi chamado. Ele entrou na presença do rei, prostrou-se em reverência diante dele, e o rei beijou Absalão.

  • 2a Samuel, 13

    1-4 Algum tempo se passou. Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã muito atraente, chamada Tamar. Amnom, que também era filho de Davi, se apaixonou por ela. Ficou obcecado pela irmã a ponto de adoecer: Ela era virgem, e ele não sabia como se aproximar dela. Amnom tinha um amigo, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, e ele era muito astuto. Ele perguntou a Amnom: “Por que você está definhando dia a dia, filho do rei? Não vai me dizer o que o perturba?” Amnom respondeu: “É Tamar, irmã do meu irmão Absalão. Estou apaixonado por ela”.

    5 Jonadabe sugeriu: “Faça o seguinte: vá para cama e finja estar doente. Quando seu pai vier visitá-lo, peça a ele: ‘Mande minha irmã Tamar preparar uma comida para mim e me servir, mas ela deve prepará-la aqui, onde eu possa vê-la’”.

    6 Amnom foi para a cama e fingiu estar doente. Quando o rei foi visitá-lo, Amnom pediu: “Mande minha irmã Tamar preparar alguns bolos aqui onde eu possa vê-la e ser servido por ela”,

    7 Davi mandou o recado para Tamar, que estava em casa naqueles dias: “Vá à casa de seu irmão Amnom e prepare algo para ele comer.”

    8-9 Tamar foi para a casa de seu irmão Amnom, na qual ele estava deitado. Ela fez a massa, preparou os bolos e os assou, enquanto ele a observava de sua cama. Mas, quando ela trouxe a assadeira para servi-lo, ele não quis comer.

    9-11 Amnom disse: “Mande que todos saiam da casa.” Depois que todos saíram, ele disse a Tamar: “Traga a comida ao meu quarto no qual podemos comer com privacidade.” Ela levou os bolos que tinha preparado para o quarto de seu irmão. Mas, quando ela estava pronta para servi-lo, ele a agarrou e disse: “Venha para cama comigo, irmã!”

    12-13 Ela disse: “Não, meu irmão! Não me violente. Isso não se faz em Israel. Não faça essa loucura! Onde eu me esconderia depois? E você cairia em desgraça. Por favor, peça permissão ao rei! Ele permitirá que eu me case com você.”

    14 Mas ele não quis saber. Era mais forte que ela; por isso, a estuprou.

    15 Imediatamente, Amnom começou a sentir aversão por ela, mais intensa que o amor que tinha antes. Ele disse: “Levante-se! Saia daqui!”

    16-18 Mas ela disse: “Não, meu irmão! Por favor! Isso é pior do que o que você acabou de fazer comigo!” Mas ele não quis saber. Chamou seu criado e ordenou: “Leve esta mulher embora e tranque a porta depois que ela sair!” O criado a mandou embora e trancou a porta.

    18-19 Ela vestia uma túnica de manga comprida, pois era assim que as princesas virgens se vestiam na adolescência. Tamar jogou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica, escondeu o resto com as mãos e saiu chorando.

    20 Seu irmão Absalão perguntou: “O que houve? Amnom abusou dê você? Deixa, minha irmã, não conte nada a ninguém. Ele é seu irmão. Não se incomode com isso.” Tamar, muito traumatizada, foi morar na casa de Absalão.

    21-22 O rei Davi soube de tudo que aconteceu e ficou furioso, mas não repreendeu Amnom. Davi o amava muito, porque era o primogênito. Absalão não dirigiu mais a palavra a Amnom, nem boa nem ruim. Passou a odiá-lo depois que ele abusou de sua irmã Tamar.

    23-24 Dois anos se passaram. Certo dia, Absalão tosquiava ovelhas em Baal-Hazor, perto do território de Efraim, e convidou todos os filhos do rei para festejar. Convidou também o rei, dizendo: “Estou tosquiando ovelhas e quero que venha com seus criados.”

    25 Mas o rei disse: “Não meu filho. Desta vez, não posso nem poderia levar toda a família. Seria muita gente para você.” Apesar de Absalão insistir, Davi não aceitou, mas deu ao filho sua bênção.

    26-27 Absalão disse: “Se você não vier, deixe meu irmão Amnom vir.” O rei perguntou: “Por que ele precisar ir?” Absalão tanto insistiu que o rei concordou e permitiu que Amnom e os demais filhos do rei fossem festejar com ele.

    28 Absalão preparou um banquete à altura do rei e orientou os seus criados: “Fiquem atentos. Quando Amnom tiver bebido bastante e estiver alegre, e eu disser: ‘Matem Amnom!’, vocês o matarão sem piedade. Não tenham medo. A responsabilidade é minha. Coragem! Vocês vão conseguir!”

    29-31 Os criados de Absalão fizeram a Amnom exatamente o que o seu senhor tinha determinado. Os outros filhos do rei, assustados, montaram em suas mulas e sumiram. Estavam ainda a caminho quando o rei ouviu os rumores: “Absalão acabou de matar todos os filhos do rei. Não sobrou nenhum!” O rei imediatamente rasgou as próprias roupas e jogou-se ao chão. Todos os que presenciaram a cena fizeram o mesmo.

    32-33 Nesse momento, Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, chegou e explicou: “Meu senhor não precisa se preocupar, pois todos os filhos do rei estão vivos. Apenas Amnom foi morto. Isso aconteceu porque Absalão estava furioso desde que Amnom abusou de sua irmã Tamar. Então, meu senhor, o rei não precisa imaginar o pior, achando que todos os seus filhos morreram. Repito: apenas Amnom morreu.”

    34 Depois disso, Absalão fugiu. Naquele momento, a sentinela viu uma nuvem de poeira subindo da estrada de Horonaim, na encosta da montanha. Ele contou ao rei: “Acabei de ver um grupo na estrada de Horonaim, em torno da montanha.”

    35-37 Então, Jonadabe disse ao rei: “Veja! São os filhos do rei voltando, como eu disse!” Logo que ele terminou de falar, os filhos do rei entraram, chorando desesperadamente! O rei e todos os seus criados se juntaram a eles e choraram muito. Davi ficou de luto muito tempo pela morte de seu filho.

    37-39 Depois de fugir, Absalão pediu asilo a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur. Ficou ali três anos. O rei, finalmente, desistiu de perseguir Absalão, pois já tinha se consolado pela morte de Amnom.

  • 2a Samuel, 12

    27-3 Mas o Eterno não se agradou do comportamento de Davi; por isso, enviou Natã, que contou esta história ao rei: “Havia dois homens numa cidade. Um era rico, e o outro, pobre. O rico tinha um enorme rebanho de ovelhas e bois; o pobre, apenas uma cordeirinha; que tinha comprado e criado. Ela cresceu com ele e seus filhos, como um membro da família. Ela comia do prato dele, bebia do seu copo e dormia em sua cama. Era como uma filha para ele.

    4 “Certo dia um viajante apareceu na casa do rico. Ele era muito avarento e, não querendo matar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para alimentar o visitante, pegou a cordeirinha do pobre, preparou a refeição com ela e ofereceu ao seu hóspede.”

    5-6 Davi ficou furioso. Disse a Natã: “Assim como vive o Eterno, o homem que fez isso tem de morrer! E deve pagar quatro vezes o valor da cordeirinha, por causa do seu crime e da sua avareza!”

    7-12 Natã respondeu: “Você é esse homem! E o Eterno, o Deus de Israel, manda dizer: ‘Eu ungi você rei sobre Israel. Eu o livrei das mãos de Saul. Dei a você casa e a filha de seu senhor e outras mulheres que podia ter em seus braços. Dei Israel e Judá a você. E, como se não bastasse, daria a você muito mais. Então, por que você desprezou a palavra do Eterno, cometendo tamanho erro? Você assassinou Urias, o hitita, e tomou a mulher dele. Pior, você o matou com a espada dos amonitas! Agora, já que você desprezou o Eterno e tomou a mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher, sua família irá conviver sempre com morte e assassinato. É o Eterno quem está dizendo! A sua desgraça virá da sua família. Tomarei as suas mulheres à sua vista e as entregarei a seu amigo, e ele se deitará com elas publicamente. Você cometeu esse ato em secreto, mas isso acontecerá diante de toda a nação!’.”

    13-14 Davi confessou a Natã: “De fato, pequei contra o Eterno!” Natã declarou: “É verdade, mas essa não é a palavra final. O Eterno perdoa você. Você não morrerá. Mas, por ter ofendido o Eterno, seu filho morrerá.”

    15-18 Depois que Natã voltou para casa, o Eterno afligiu o filho de Davi que a mulher de Urias deu à luz, e o menino ficou muito doente. Davi orou desesperadamente a Deus pelo menino. Ele jejuou, não saía do palácio e dormia no chão. Os oficiais do palácio tentavam tirá-lo do chão, mas ele não cedia nem se levantava para comer com eles. Sete dias depois, a criança morreu. Os criados ficaram com medo de dar a notícia a ele. Diziam: “O que faremos agora? Enquanto a criança estava viva, ele não dava ouvido ao que dizíamos. Agora que a criança morreu, se dissermos alguma coisa, não se sabe o que ele poderá fazer.”

    19 Davi percebeu que os criados estavam cochichando e imaginou que o menino tivesse morrido. Ele perguntou: “O menino morreu?” Eles responderam: “Sim, morreu.”

    20 Davi se levantou do chão, lavou o rosto, arrumou o cabelo, trocou de roupa e foi ao santuário adorar ao Eterno. Depois, voltou para o palácio e pediu algo para comer. Puseram a comida diante dele, e ele comeu tudo.

    21 Os criados perguntaram: “O que está acontecendo com o senhor? Enquanto a criança estava viva, o senhor jejuou, chorou e ficou acordado a noite toda. Agora que o menino morreu, o senhor se levanta e come!?”

    22-23 Ele respondeu: “Enquanto a criança estava viva, chorei e jejuei, pensando que, talvez, o Eterno tivesse misericórdia de mim, e a criança sobrevivesse. Mas agora que ela morreu, por que jejuar? Posso trazê-la de volta? Posso ir me encontrar com ela, mas ela não pode vir a mim.”

    24-25 Davi foi consolar sua mulher, Bate-Seba. E, depois de se deitar com ela, ela engravidou outra vez. Nasceu um menino, e deram a ele o nome de Salomão. O Eterno o amou e enviou uma mensagem por intermédio de Natã: o menino deveria ser chamado Jedidias (Amado do Eterno). Ill

    26-30 Na guerra contra os amonitas em Rabá, Joabe conquistou a cidade real. Ele mandou mensageiros a Davi, dizendo: “Estou atacando Rabá e acabei de controlar o reservatório de água da cidade. Reúna o restante das tropas, acampem-se perto da cidade e conquiste você mesmo a cidade. Do contrário, eu a conquistarei e receberei as honras por isso.” Então, Davi conduziu as tropas até Rabá, lutou e conquistou a cidade. Ele pegou a coroa do rei dá cidade, que pesava muito por causa do ouro e das pedras preciosas. Puseram a coroa na cabeça de Davi e saquearam a cidade, carregando tudo que era de valor.

    31 Davi tirou todos os habitantes da cidade e os submeteu a trabalhos forçados com serras, picaretas e machados e na fabricação de tijolos: Ele fez o mesmo com todas as cidades dos amonitas. Depois, voltou com todo o exército para Jerusalém.

  • 2a Samuel, 11

    O PECADO DE DAVI E A TRISTEZA PELO PECADO
    1 Um ano depois, na época em que os reis tinham o hábito de sair à guerra, Davi enviou Joabe, seus oficiais e todo o Israel com a missão de eliminar de uma vez por todas os amonitas. Eles cercaram Rabá, mas, dessa vez, Davi permaneceu em Jerusalém.

    2-5 Certo dia, Davi levantou-se do seu descanso da tarde e foi passear no terraço do palácio. De onde estava, ele viu uma mulher tomando banho, e ela era muito bonita. Davi procurou saber quem era. Alguém disse: “É Bate-Seba, filha de Eliã, mulher do hitita Urias.” Davi ordenou que a trouxessem. Quando a mulher chegou, ele se deitou com ela. Isso aconteceu na época da purificação, depois da menstruação dela. Ela voltou para casa e, algum tempo depois, descobriu que estava grávida. Bate-Seba mandou o seguinte recado a Davi: “Estou grávida.”

    6 Davi mandou dizer a Joabe: “Traga aqui Urias, o hitita.” Joabe o enviou.

    7-8 Quando ele chegou, Davi quis saber notícias da batalha, como estavam Joabe, as tropas e o combate. Depois, disse a Urias: “Volte para casa, tome um banho relaxante e tenha uma boa noite de sono.”

    8-9 Depois que Urias saiu do palácio, o rei designou um informante para segui-lo. Urias não voltou para casa. Naquela noite, ele dormiu na entrada do palácio, no qual ficavam os criados do rei.

    10 Davi foi informado de que Urias não tinha voltado para casa. Ele perguntou ao hitita: “Você não acabou de voltar de uma longa viagem? Por que não voltou para casa?”

    11 Urias respondeu a Davi: “A arca está na tenda com os combatentes de Israel e Judá. O meu senhor Joabe e seus servos estão tendo dificuldades no campo. Como eu iria para casa comer, beber e dormir com minha mulher? Jamais poderia fazer isso!”

    12-13 Davi respondeu: “Tudo bem. Faça como quiser. Fique hoje aqui, e o mandarei de volta amanhã.” Urias ficou em Jerusalém o restante do dia. — No dia seguinte, Davi o convidou para comer e beber com ele e fez que ele se embriagasse. Mas à noite, mais uma vez, Urias dormiu onde ficavam os criados do rei e não voltou para casa.

    14-15 De manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe, a ser entregue em mãos por Urias. Na carta, dizia: “Ponha Urias na linha de frente, na qual o combate é mais intenso. Depois, retroceda a tropa e deixe-o exposto, para que ele seja morto.”

    16-17 Joabe, mantendo o cerco em torno da cidade, pôs Urias no local em que o inimigo estava atacando com maior ímpeto. Quando os defensores da cidade saíram para atacar Joabe, alguns dos soldados de Davi foram mortos: — entre eles, Urias, o hitita.

    18-21 Joabe mandou um relatório a Davi. Ele disse ao mensageiro: “Depois de contar tudo em detalhes ao rei, se ele ficar furioso, diga: ‘Além disso, seu servo Urias, o hitita, morreu.”

    22-24 O mensageiro de Joabe chegou a Jerusalém e deu um relatório completo ao rei. Ele disse: “O inimigo era muito mais forte do que nós. Eles avançaram contra nós em campo aberto, e nós os pressionamos de volta para dentro dos muros da cidade. Mas, depois, eles lançaram flechas pesadas contra nós do muro da cidade, e dezoito soldados do rei morreram.”

    25 Quando o mensageiro terminou o relato, Davi ficou furioso com Joabe e descarregou sua raiva no mensageiro: “Por que vocês chegaram tão perto da cidade? Não sabiam que poderiam ser atacados do muro? Não se lembraram de como Abimeleque, filho de Jerubesete, foi morto em Tebes? Uma mulher jogou uma pedra de moinho do alto do muro e esmagou a cabeça dele. Por que chegaram tão perto do muro?” O mensageiro de Joabe disse: “Aliás, seu servo Urias, o hitita, morreu.” Então, Davi disse ao mensageiro: “Entendo. Diga a Joabe: ‘Não se preocupe com isso. A guerra é assim mesmo, às vezes mata um, às vezes mata outro. Nunca se sabe quem será o próximo. Reforce o ataque contra a cidade até destruí-la’. Trate de encorajar Joabe.”

    26-27 Quando a esposa de Urias soube que o marido estava morto, chorou por ele. Depois de passado o luto, Davi mandou chamá-la para o palácio. Ela se tornou sua mulher e deu à luz um filho.

  • 2a Samuel, 10

    1-2 Algum tempo depois, o rei dos amonitas morreu, e Hanum, seu filho, o sucedeu no trono. Davi disse: “Quero demonstrar minha boa vontade para com Hanum, filho de Naás. Quero tratá-lo da mesma forma com que seu pai me tratou.” Assim, Davi mandou condolências a Hanum pela morte de seu pai.

    2-3 Mas, quando os enviados de Davi chegaram ao território dos amonitas, os líderes da nação alertaram Hanum, chefe deles: “Você acha que Davi quer mesmo prestar respeito a seu pai, enviando suas condolências? Não acha que ele mandou esses emissários para espionar a cidade e conquistá-la?”

    4 Hanum mandou prender os enviados de Davi, rapou a cabeça e rasgou as roupas deles pela metade, até a altura das nádegas, e os mandou embora.

    5 Contaram a Davi o que tinha acontecido, e ele mandou alguém ao encontro deles, pois tinham sido muito humilhados. O rei mandou dizer a eles: “Permaneçam em Jericó até a barba crescer de novo. Depois, voltem para cá.”

    6 Quando os amonitas perceberam que Davi passou a considerá-los inimigos, contrataram vinte mil soldados de infantaria dos arameus de Bete-Reobe e Zobá, dez mil homens do rei Maaca e doze mil de Tobe.

    7 Ao saber disso, Davi mandou que Joabe, com os seus soldados mais bem preparados, os atacasse sem piedade.

    8-12 Os amonitas saíram e se prepararam para a batalha na entrada da cidade. Os arameus de Zobá e de Reobe e os homens de Tobe e de Maaca se posicionaram em campo aberto. Quando Joabe percebeu que precisava lutar em duas frentes, por trás e pela frente, designou és melhores soldados de Israel para enfrentar os arameus. O restante do exército foi posto sob o comando de seu irmão Abisai. Sua missão era enfrentar os amonitas. Joabe disse: “Se os arameus forem muito numerosos para mim, venha me ajudar. Mas, se os amonitas forem muito numerosos para você, eu irei ajudar. Agora, coragem! Lutaremos com todas as forças pelo nosso povo e por todas as cidades do nosso Deus. O Eterno fará o que for preciso!”

    13-14 Mas, quando Joabe e seus soldados começaram a luta, os arameus fugiram. Os amonitas, vendo os arameus fugindo, também abandonaram o confronto com Abisai e correram para dentro da cidade. Joabe suspendeu a batalha contra os amonitas e voltou para Jerusalém.

    15-17 Quando viram que tinham sido derrotados por Israel, os arameus se reorganizaram. Hadadezer mandou chamar os arameus do outro lado do Eufrates. Eles vieram até Helã, sob o comando de Soboque, comandante do exército de Hadadezer. Tudo isso foi relatado a Davi.

    17-19 Davi reuniu Israel, atravessou o Jordão e chegou a Helã. Os arameus se puseram em formação de batalha para enfrentar Davi. O combate se intensificou, mas os arameus outra vez tiveram de fugir de Israel. Davi matou setecentos condutores de carros e quarenta mil cavaleiros. Feriu gravemente Soboque, o comandante do exército, que morreu na batalha. Quando os reis vassalos de Hadadezer se viram derrotados por Israel, acenaram com a paz e se submeteram ao domínio de Israel. Depois disso, os arameus não tiveram mais coragem de ajudar os amonitas.

  • 2a Samuel, 9

    MEFIBOSETE É RECEBIDO PELO REI
    1 Certo dia, Davi procurou saber: “Ainda existe alguém da família de Saul? Se houver, gostaria de fazer algo por ele, por respeito a Jônatas.”

    2 Havia um antigo escrava da família de Saul, chamado Ziba. Ele foi levado à presença de Davi. O rei perguntou: “Você é Ziba?” Ele respondeu: “Sou, meu senhor.”

    3 O rei perguntou: “Ainda existe alguém da família de Saul por quem eu possa fazer alguma coisa?” Ziba disse ao rei: “Sim. O filho de Jônatas, aleijado dos dois pés, está vivo.”

    4 “Onde ele está?”, perguntou o rei. Ziba respondeu: “Ele vive na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.”

    5 O rei não perdeu tempo. Mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.

    6 Mefibosete, filho de Jônatas e neto de Saul, apresentou-se a Davi e prostrou-se com o rosto em terra, por respeito ao rei; Davi perguntou: “Você é Mefibosete?” Ele respondeu: “Sim, senhor.”

    7 Davi o tranquilizou: “Não tenha medo. Eu gostaria de ajudar você, em honra da memória de seu pai, Jônatas. Para começar, vou devolver a você todas as propriedades de seu avô, Saul. Além do mais, de hoje em diante, você participará de todas as refeições comigo, à minha mesa.”

    8 Prostrando-se, sem olhar para o rei, Mefibosete disse: “Quem sou eu para merecer sua atenção: um cão morto como eu?”

    9-10 Davi mandou chamar Ziba, o homem de confiança de Saul, e disse: “Estou entregando tudo que pertenceu a Saul e à família dele ao neto do seu senhor. Você, seus filhos e seus escravos cultivarão as terras dele e trarão a produção para Mefibosete. Ele vai viver disso. O próprio Mefibosete, neto de seu senhor, de hoje em diante, participará de todas as refeições comigo, à minha mesa.” Ziba tinha quinze filhos e vinte escravos.

    11-12 Ziba respondeu: “Tudo que o meu senhor, o rei, ordenar ao seu servo, certamente o seu servo fará.” A partir daquele dia, Mefibosete comia com Davi à mesa, como membro da família real. Mefibosete também tinha um filho pequeno, chamado Mica. Toda a família de Ziba passou a servir Mefibosete.

    13 Mefibosete viveu em Jerusalém, participando todos os dias da mesa do rei. Ele era aleijado de ambos os pés.

  • 2a Samuel, 8

    1 Depois disso, Davi derrotou os filisteus. Ele oí subjugou e assumiu o controle da região.

    2 Ele também lutou e derrotou Moabe. Escolheu, aleatoriamente, dois terços deles e os executou, Mas preservou a vida de um terço, que teve de se submeter ao domínio de Davi e pagar impostos a ele.

    3-4 Davi derrotou Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando ele procurava restaurar sua soberania na região do rio Eufrates. Davi confiscou mil carros de guerra de Hadadezer e capturou sete mil cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria. Ele aleijou os cavalos que puxavam os carros de guerra, preservando apenas cem deles.

    5-6 Os arameus de Damasco vieram ajudar Hadadezer, mas Davi matou vinte e dois mil deles e estabeleceu o controle militar sobre o reino arameu de Damasco. Os arameus sujeitaram-se a Davi e foram forçados a pagar imposto a ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.

    7-8 Davi tomou os escudos de ouro que pertenciam aos oficiais de Hadadezer e os trouxe para Jerusalém. De Tebá e Berotai, cidades de Hadadezer, trouxe grande quantidade de bronze.

    9-12 Quando Toú, rei de Hamate, soube que Davi tinha derrotado todo o exército de Hadadezer, mandou seu filho Jorão para o cumprimentar pela vitória, pois Toú e Hadadezer eram inimigos de longa data. Ele trouxe prata, ouro e bronze como presente. O rei Davi os consagrou junto com a prata e o ouro trazidos das outras nações que havia derrotado — arameus, moabitas, amonitas, filisteus e amalequitas — e com o despojo de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.

    13-14 Davi construiu um monumento para celebrar a vitória sobre os arameus. Abisai, filho se Zeruia, lutou e derrotou os edomitas no vale do Sal. Depois de derrotar os arameus, Davi ficou ainda mais famoso, por ter matado dezoito mil soldados. Davi estabeleceu controle militar sobre Edom: assim, os edomitas foram subjugados por ele. O Eterno concedia vitórias a Davi por onde quer que ele fosse.

    15 Assim, Davi reinava sobre todo o Israel. Ele era correto e imparcial em todos os seus negócios e relacionamentos.

    16 Joabe, filho de Zeruia, era comandante do exército; Josafá, filho de Ailude era arquivista;

    17 Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Seraías era secretário;

    18 Benaia, filho de Joiada, era chefe dos queretitas e dos peletitas e os filhos de Davi eram sacerdotes.

  • 2a Samuel, 7

    A ALIANÇA ENTRE DEUS E DAVI
    1-2 Pouco tempo depois, o rei estava à vontade em casa, porque o Eterno tinha dado a ele descanso de todos os seus inimigos. Certo dia, Davi disse ao profeta Natã: “Veja só! Eu estou aqui no maior conforto, numa casa de cedro luxuosa, enquanto a arca de Deus continua numa simples tenda.”

    3 Natã disse ao rei: “Faça o que estiver em seu coração. O Eterno está com você.”

    4-7 Mas, naquela noite, o Eterno disse a Natã: “Vá dizer ao meu servo Davi: ‘É isto que o Eterno diz sobre essa questão: Você quer construir uma casa para eu morar? Por quê? Até hoje, nunca morei numa casa, desde que trouxe os filhos de Israel dá terra do Egito. Durante todo esse tempo, permaneci numa tenda. Em todas as minhas jornadas com Israel, nunca exigi dos líderes que designei para pastorear Israel a construção de uma casa de cedro para mim’.

    8-11 “Por isso, diga ao meu servo Davi: ‘O Senhor dos Exércitos de Anjos diz assim: Eu tirei você do cuidado das ovelhas e fiz de você príncipe sobre o meu povo, Israel. Eu o acompanhei por todos os lugares que você foi e o ajudei a derrotar os seus inimigos. Agora, estou tornando você conhecido e reconhecido entre as pessoas mais importantes da terra. Vou designar um lugar seguro para o meu povo, a fim de que tenham estabilidade numa terra própria, de modo que não sejam mandados de um lado para o outro. Também não permitirei que os perversos os molestem, como sempre fizeram, mesmo na época em que estabeleci juizes para governá-los. Por fim, vou providenciar que você fique livre de todos os seus inimigos.

    11-16 “‘O Eterno tem ainda esta mensagem: Eu mesmo vou fundar uma dinastia para você. Quando a sua vida chegar ao fim e você for sepultado com seus antepassados, levantarei um descendente seu, seu próprio sangue e Carne, que será o seu sucessor, e darei estabilidade ao governo dele. Ele edificará uma casa em minha homenagem, e eu preservarei o reinado dele. Serei seu pai, e ele será como um filho para mim. Se ele cometer algum erro, tratarei de discipliná-lo, como de costume no caso de fracassos e tropeços da vida dos mortais, mas nunca renunciarei ao meu amor por ele, como fiz com Saul, antes de você. Sua família e seu reino serão sempre estáveis, eu mesmo estou cuidado disso. Seu trono sempre estará lá, firme como uma rocha’.”

    17 Natã relatou fielmente a Davi o que viu e ouviu na visão.

    18-21 O rei Davi entrou na presença do Eterno e orou: “Quem sou eu, Senhor Eterno, e quem é minha família para que eu chegasse a este ponto? E isso não é nada comparado com o que está para acontecer, pois também falaste sobre o futuro da minha família, dando-me um vislumbre dessa época, Senhor Eterno! O que eu poderia dizer diante de tudo isso? Tu me conheces, Senhor Eterno, sabes como sou. O que fizeste não foi pelo que sou, mas pelo que tu és e por tua graça! E me deixaste saber disso.

    22-24 “Por isso, tu é grandioso, Senhor Eterno! Não há outro igual a ti, não há outro Deus além de ti, nada há que se compare ao que ouvimos a teu respeito. E quem pode se comparar com o teu povo, Israel, uma nação singular na terra, que resgataste para ti, ó Deus, ato que te tornou conhecido. Realizaste proezas extraordinárias, expulsando nações e seus deuses na ocasião em que tiraste o teu povo do Egito. Separaste um povo para ti, o povo de Israel, que será teu para sempre. E tu, ó Eterno, te fizeste Deus deles.

    25-27 “Agora, Deus Eterno, confirma para sempre o que prometeste para mim e minha família! Cumpra tua promessa! Assim, tua fama sempre aumentará quando as pessoas disserem: ‘O Senhor dos Exércitos de Anjos é o Deus de lsrael!’. E a descendência de teu servo Davi permanecerá inabalável e segura na tua presença, porque tu, Senhor dos Exércitos de Anjos e Deus de Israel, me disseste com todas as letras: ‘Eu mesmo vou fundar uma dinastia para você’. Foi por isso que tive a coragem de fazer esta oração.

    28-29 “Assim, Senhor Eterno, sendo o Deus que és, fazendo essas promessas e tendo dito essas belas palavras a mim, peço-te mais uma coisa: Abençoa a minha família. Protege-a sempre. Sei que já prometeste isso, Senhor Eterno! Que a tua bênção esteja sobre minha família para sempre!”

  • 2a Samuel, 6

    1-2 Davi escolheu os melhores soldados de Israel, ao todo trinta mil. Com esse contingente e também com seus soldados, Davi foi a Baalá com a intenção de recuperar a arca de Deus, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do Senhor dos Exércitos de Anjos, entronizado entre os dois anjos que ficam sobre a arca.

    3-7 Eles puseram a arca de Deus sobre uma carroça nova, e, assim, ela deixou a casa de Abinadabe, que ficava na colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, conduziam a carroça que carregava a arca de Deus. Aiô caminhava à frente, e Uzá, ao lado da arca. Davi e todo o povo de Israel iam cantando com todo entusiasmo, tocando harpas, liras, tamborins, chocalhos e címbalos. Quando se aproximaram da eira de Nacom, o boi tropeçou, e Uzá, estendendo o braço, segurou a arca de Deus. O Eterno se irou contra Uzá e o feriu, porque ele profanou a arca. Uzá morreu ali mesmo, ao lado dela.

    8-11 Davi ficou aborrecido com o fato de o Eterno ter matado Uzá. Até hoje, o lugar é conhecido pelo nome de Perez-Uzá (A Explosão contra Uzá). Naquele dia, Davi sentiu medo do Eterno, pois pensava: “É muito perigoso transportar a arca. Como vou levá-la em segurança para a Cidade de Davi?” Por isso, decidiu não levar adiante a arca do Eterno. Em vez disso, fez que a carroça saísse da estrada, e a arca ficou guardada na casa de Obede-Edom, de Gate. A arca do Eterno ficou três meses na casa de Obede-Edom. O Eterno abençoou Obede-Edom e toda a sua família.

    12-16 Davi foi informado de que o Eterno estava abençoando Obede-Edom e toda a sua família por causa da arca de Deus. Davi pensou: “Vou tomar essa bênção para mim”, e mandou trazer a arca de Deus da casa de Obede-Edom para a Cidade de Davi, com muita festa, sacrificando um novilho gordo a cada seis passos. Davi usava uma vestimenta sacerdotal de linho e dançava com todo entusiasmo perante o Eterno. O povo o seguia, enquanto ele acompanhava a arca do Eterno com gritos de alegria e ao som de trombetas. Mas, quando a arca do Eterno entrou na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, veio assistir ao cortejo de sua janela. Quando viu o rei Davi pulando e dançando diante do Eterno, ficou aborrecida com ele.

    17-19 A arca do Eterno foi posta no meio do pavilhão da tenda que Davi tinha preparado. Ali mesmo, Davi adorou, apresentando ofertas queimadas e ofertas de paz. Depois de oferecer essas ofertas, Davi abençoou o povo, em nome do Senhor dos Exércitos de Anjos e entregou a cada homem e a cada mulher um pedaço de pão, um bolo de tâmaras e um bolo de passas. Então, todos voltaram para casa.

    20-22 Davi voltou para casa, a fim de abençoar sua família. Mas Mical, filha de Saul, veio ao seu encontro: “Que bonito! O rei se expondo na presença das escravas dos seus servos, como um dançarino de rua!” Davi respondeu a Mical: “Na presença do Eterno, eu danço quanto quiser! Ele me escolheu, em vez de seu pai e de toda a sua família, e me tornou príncipe sobre o povo do Eterno, sobre todo o Israel. Não há dúvida de que vou dançar para a glória do Eterno, e me rebaixarei ainda mais. Tenho prazer de ser visto no meio das pessoas simples, pois, por essas escravas, com quem você se preocupa, eu serei respeitado.”

    23 Mical, filha de Saul, nunca teve filhos.

  • 2a Samuel, 5

    1-2 Não passou muito tempo, todas as tribos de Israel procuraram Davi em Hebrom, dizendo: “Olhe para nós, somos seu sangue e sua carne! No passado, quando Saul era nosso rei, era o senhor quem saía para as guerras, em defesa da nação. Naquele tempo, o Eterno já tinha dito: ‘Você pastoreará o meu povo Israel e será príncipe sobre o meu povo’.”

    3 Todas as autoridades de Israel se encontraram com o rei Davi em Hebrom, e o rei fez um acordo com eles na presença do Eterno. Nesse dia, Davi foi ungido rei sobre todo o Israel.

    4-5 Davi tinha 30 anos de idade quando começou a reinar. Ele reinou quarenta anos. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio. Em Jerusalém, reinou sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.

    6 Davi e seus soldados partiram imediatamente para Jerusalém, a fim de atacar os jebuseus, que viviam naquela região. Mas os jebuseus disseram: “É melhor voltar para casa! Aqui, até os cegos e os aleijados impediriam vocês de entrar. Vocês não vão conseguir entrar aqui!” Eles tinham certeza de que Davi não conseguiria invadir a cidade.

    7-8 Mas Davi atacou e capturou a fortaleza de Sião, que ficou conhecida, desde então, como Cidade de Davi. Naquele dia, Davi disse: “Para conseguir derrotar esses jebuseus, é preciso entrar pelo canal de água e acabar com esses cegos e aleijados, que Davi detesta.” (É por isso que as pessoas passaram a dizer: “Nenhum aleijado ou cego poderá entrar no palácio”,)

    9-10 Davi fez da fortaleza a sua sede e deu a ela o nome de Cidade de Davi. Ele promoveu o desenvolvimento da cidade da periferia para o centro. Davi continuou se fortalecendo, pois o Senhor dos Exércitos de Anjos estava com ele.

    11-12 Foi nessa época que Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi com muitas toras de cedro. Ele enviou também carpinteiros e pedreiros com a missão de construir um palácio para Davi. Davi entendeu isso como um sinal de que o Eterno estava confirmando seu reinado sobre Israel e consolidando o reino, por amor de seu povo, Israel.

    13-16 Depois de sair de Hebrom, Davi tomou mais concubinas e mulheres, e nasceram outros filhos e filhas. Estes são os nomes dos que nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão, Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete.

    17-18 Quando os filisteus souberam que Davi tinha sido proclamado rei sobre todo o Israel, fizeram planos para capturá-lo. Davi soube disso e desceu para sua fortaleza, enquanto os filisteus se espalhavam pelo vale de Refaim.

    19 Davi perguntou ao Eterno: “Devo atacar os filisteus? Posso contar com a tua ajuda para derrotá-los?”

    20-21 O Eterno respondeu: “Vá. Conte comigo. Eu o ajudarei a derrotá-los.” Davi foi para Baal-Perazim e os derrotou ali. Depois de vencê-los, ele declarou: “O Eterno irrompeu contra os inimigos como um jato de água. Por isso, Davi deu ao lugar o nome de Baal-Perazim (O Senhor que Irrompe). Os filisteus que fugiram abandonaram seus ídolos, e Davi e seus soldados os levaram embora.

    22-23 Passado um tempo, outra vez os filisteus subiram e espalharam suas tropas pelo vale de Refaim, e Davi, mais uma vez, consultou o Eterno.

    23-24 Dessa vez, o Eterno disse: “Não os ataque de frente. Em vez disso, dê a volta por trás deles e arme uma emboscada diante das amoreiras. Quando você ouvir uma movimentação no alto das árvores, prepare-se para atacar. É o sinal de que o Eterno saiu na frente para atacar o acampamento filisteu.”

    25 Davi fez exatamente o que o Eterno recomendou e derrotou os filisteus desde Gibeom até Gezer.