Categoria: Daniel

PROFETA DANIEL
Introdução
O Livro de Daniel foi escrito em tempos de perseguição e sofrimento para o povo judaico. Por meio de histórias e de visões, o autor procura explicar ao povo por que eles estão sendo perseguidos e também os anima a continuarem fiéis a Deus. Chegará o tempo em que Deus acabará com o domínio dos gentios, e mais uma vez Israel será uma nação livre e independente. O livro se divide em duas partes:
1. Histórias a respeito de Daniel e de alguns dos seus companheiros, que estão vivendo na Babilônia, para onde foram levados como prisioneiros. Eles continuam firmes na sua fé em Deus e obedecem às suas leis, e por isso Ele os salva do sofrimento e da morte.
2. As visões de Daniel, que tratam de vários impérios que aparecem e depois desaparecem. Essas visões deixam bem claro que os perseguidores serão derrotados e que a vitória final será do povo de Deus.
Esquema do conteúdo
1. Histórias de Daniel e de seus companheiros (1.1—6.28)
2. Visões apocalípticas de Daniel (7.1—11.45)
a. Os quatro animais (7.1-28)
b. O carneiro e o bode (8.1—9.27)
c. O mensageiro do céu (10.1—11.45)
3. O tempo do fim (12.1-13)

  • Daniel, 2

    O SONHO DO REI NABUCODONOSOR
    1-3 No segundo ano do seu reinado, o rei Nabucodonosor teve alguns sonhos que o estavam deixando maluco; tanto, que ele nem conseguia mais dormir. Chamou, então, todos os magos, encantadores, feiticeiros e astrólogos da Babilônia para que interpretassem seus sonhos. Quando estavam todos na presença do rei, ele disse: “Tive um sonho e não consigo tirá-lo da cabeça. Não vou conseguir dormir até que saber o que significa”.

    4 Os astrólogos, falando em aramaico, disseram: “Que o rei viva para sempre! Conte-nos o sonho e vamos interpretá-lo”.

    5-6 O rei respondeu: “Meu decreto é este: se vocês não conseguirem me dizer qual é o sonho e me dar a interpretação, vou fazer picadinho de vocês e destruir suas casas. Mas, se me contarem o sonho e derem a interpretação, vou encher vocês de presentes e serão muito honrados. Então, digam-me qual foi o sonho e me deem a interpretação!”

    7 Eles responderam: “Vossa Majestade, por favor Conte-nos o sonho. Então, daremos a interpretação”.

    8-9 Mas o rei disse: “Eu sei o que estão tentando fazer. Vocês só querem ganhar tempo. Sabem que estão numa enrascada e, se não conseguirem me contar o sonho, estarão numa fria. Estou até vendo: vocês vão inventar uma história qualquer e me enrolar até que eu mude de ideia. Nada disso! Primeiro me contem o sonho, e, então, vou saber se são capazes de me dar a interpretação ou se estão só me enrolando”.

    10-11 Os astrólogos responderam: “Ninguém, em nenhum lugar do mundo, pode fazer o que o rei está pedindo. E nenhum rei jamais pediu uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou astrólogo. O que Vossa Majestade está pedindo é impossível, a não ser que algum deus o revele, e os deuses não vivem no meio de gente como nós”.

    12-13 A resposta deixou o rei furioso. Ele perdeu a paciência e ordenou que todos os sábios da Babilônia fossem executados. A sentença de morte foi anunciada, e Daniel e seus amigos estavam entre os condenados à morte.

    14-15 Enquanto Arioque, chefe da guarda real, fazia os preparativos para a execução, Daniel, sabiamente, chamou-o de lado e lhe perguntou o que estava acontecendo: “Por que o rei deu uma ordem como essa, tão de repente?”

    15-16 Arioque explicou a razão de tudo, e Daniel foi procurar o rei, pedindo um pouco de tempo para que pudesse interpretar o sonho.

    17-18 Daniel foi para casa e contou a seus amigos Hananias, Misael e Azarias o que estava acontecendo. Ele pediu que orassem ao Deus dos céus por misericórdia, para solucionar o mistério e, assim, poderem escapar da morte.

    A INTERPRETAÇÃO DO SONHO: UMA HISTÓRIA DE CINCO REINOS
    19-23 Naquela noite, a solução do mistério foi revelada a Daniel numa visão. Daniel louvou ao Deus dos céus, dizendo: “Bendito é o nome de Deus para todo o sempre. Deus é sábio e Todo-poderoso. Ele muda as estações e conduz a história, Escolhe reis e, também, os depõe. Ele dá tanto a sabedoria quanto o discernimento. Ele abre as profundezas, revela os segredos, conhece o que há na escuridão — a luz transborda dele! Oh, Deus dos meus antepassados, a ti toda a minha gratidão e todo o meu louvor! Tu me tornaste sábio e forte E, agora, nos mostraste o que pedimos. Tu resolveste o mistério do rei”.

    24 Assim, Daniel voltou a falar com Arioque, o encarregado da execução. Ele disse: “Cancele a execução! Leve-me ao rei, que vou interpretar o sonho dele”.

    25 Arioque não perdeu um minuto. Correu ao rei, levando Daniel com ele, e disse: “Achei um homem entre os exilados de Judá que pode interpretar o sonho”.

    26 O rei perguntou a Daniel (cujo nome babilônico era Beltessazar): “Você tem certeza de que pode fazer isto: contar o sonho e interpretá-lo?”.

    27-28 Daniel respondeu ao rei: “Nenhum homem pode decifrar o mistério do rei, quem quer que seja: sábio, encantador, mago ou astrólogo. Mas há um Deus no céu que revela os mistérios, e ele me revelou. Ele está mostrando ao rei Nabucodonosor o que vai acontecer no futuro. Este é o sonho que o rei teve, a visão que encheu sua mente:

    29-30 “Enquanto Vossa Majestade estava deitado na cama, ó rei, vieram ideias sobre o que vai acontecer no futuro. Aquele que revela mistérios mostrou ao rei o que vai acontecer. Mas a interpretação foi dada por meu intermédio, não porque eu seja mais sábio que qualquer outra pessoa, mas para que o rei saiba o que significa e entenda o que sonhou.

    31-36 “O que viu, ó rei, foi uma enorme estátua em pé na sua frente, muito impressionante, mas também apavorante. A cabeça da estátua era de ouro puro, o peito e os braços eram de prata, o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro e os pés eram uma mistura de barro com ferro. Enquanto você estava olhando para a estátua, uma pedra que se soltou por si só da montanha, sem que ninguém o fizesse, atingiu a estátua, esmigalhando os pés de ferro e barro. Então, tudo desmoronou e ficou em pedaços: o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro. Ficou tudo como restos amontoados, relegados ao esquecimento. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma grande montanha, que dominava o horizonte. Esse foi o sonho.

    36-40 “Agora vamos à interpretação do sonho. Ó rei, Vossa Majestade é o soberano mais poderoso da terra. O Deus do céu deu tudo ao senhor: governo, poder, força e glória. Ele o designou responsável pela humanidade e por todos os animais do campo e as aves do céu, no mundo todo. O rei é o cabeça de todos os governantes; é a cabeça de ouro. Mas seu reino será tomado por outro reino, inferior ao seu, e este por um terceiro, o reino de bronze, que governará toda a terra. Por fim, um quarto reino, forte como o ferro que assumirá o poder. Assim como o ferro despedaça tudo que atinge, esse vai quebrar, esmigalhar e pulverizar todos os reinos anteriores.

    41-43 “Mas os pés e os dedos dele, que são uma mistura de ferro e barro, significam que o reino será dividido, mas ainda haverá a força do ferro. Assim como os dedos eram de ferro e de barro, o reino terá uma parte forte e outra frágil. Esse reino fará alianças, mas não darão certo: não conseguirá se unir a nenhum outro reino, assim como o ferro e o barro não se misturam.

    44-45 “Mas, no tempo desses reinos, o Deus do céu edificará um reino que nunca será destruído, nem nunca será dominado por outro. No final, esmagará os outros reinos, destruirá todos eles e será eterno. Será como a pedra que se soltou por si só da montanha, sem que ninguém o fizesse, que esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. “O grande Deus fez o rei saber o que vai acontecer no futuro. Essa é a revelação exata do sonho e, também, a interpretação correta”.

    46-47 Quando Daniel terminou, o rei Nabucodonosor, perplexo, prostrou-se com o rosto no chão diante de Daniel. Ele ordenou uma oferta de sacrifícios e de incenso em honra a Daniel e declarou: “Seu Deus realmente é o Deus de todos os deuses, o Senhor de todos os reis. E ele revela todos os mistérios, e eu sei, porque você decifrou o mistério”.

    48-49 Então, o rei promoveu Daniel a um elevado cargo no reino, encheu-o de presentes e o empossou como governador de toda a província da Babilônia e chefe de todos os sábios da Babilônia. A pedido de Daniel, o rei designou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego para postos administrativos em toda a Babilônia, enquanto Daniel permaneceu no palácio reaL

  • Daniel, 1

    DANIEL FOI ESPECIALMENTE CAPACITADO POR DEUS
    1-4 Era o terceiro ano do reinado de Jeoaquim em Judá quando o rei Nabucodonosor da Babilônia declarou guerra a Jerusalém e sitiou a cidade. O Senhor entregou o rei Jeoaquim de Judá nas mãos dele, com alguns utensílios do templo de Deus. Nabucodonosor levou o rei e os utensílios para a casa do tesouro do seu deus, na terra da Babilônia, a antiga Sinear.

    3-5 O rei ordenou a Aspenaz, chefe de pessoal do palácio, que escolhesse alguns israelitas da família real e da nobreza, jovens que fossem saudáveis e de boa aparência, inteligentes e de boa formação, de potencial para cargos de liderança no governo — gente de elite! — e lhes ensinasse a língua e a cultura da Babilônia. O rei ordenou, também, que servissem a eles o mesmo cardápio do rei — comiam do bom e do melhor e o mais fino vinho. Depois de três anos de treinamento, assumiriam cargos na corte do rei.

    6-7 Quatro homens de Judá — Daniel, Hananias, Misael e Azarias — estavam entre os escolhidos. O chefe de pessoal do palácio deu a eles nomes babilônicos: Daniel passou a chamar-se Beltessazar, Hananias foi chamado Sadraque, Misael foi chamado Mesaque e Azarias foi chamado Abede-Nego.

    8-10 Mas Daniel decidiu que não iria ficar impuro com a comida do rei nem beber o vinho dele, por isso pediu ao chefe de pessoal do palácio que o autorizasse a não comer do cardápio do rei. Pela graça de Deus, o chefe de pessoal do palácio gostou de Daniel e autorizou, mas o advertiu: “Tenho medo do que meu senhor, o rei, possa fazer. Foi ele quem determinou esse cardápio e, se perceber que vocês não estão tão saudáveis como os outros, vai pedir minha cabeça”.

    11-13 E, então, Daniel apelou ao responsável, que havia sido designado pelo chefe de pessoal do palácio para cuidar dele, de Hananias, Misael e Azarias: “Faça uma experiência conosco por dez dias: traga apenas vegetais e água. Depois nos compare com os jovens que se alimentam do cardápio do rei e tome sua decisão”.

    14-16 O responsável por eles concordou e os alimentou com vegetais e água durante dez dias. Ao final dos dez dias, eles tinham aparência melhor e pareciam mais saudáveis que todos os outros. Assim, o responsável continuou a dispensá-los da comida e da bebida do cardápio do rei e servia-lhes apenas vegetais”.

    17-19 Deus deu a esses quatro jovens conhecimento e habilidades em todas as áreas, tanto teórica quanto prática. Além disso, Daniel tinha o dom de interpretar todo o tipo de visões e sonhos. Ao final do tempo determinado pelo rei para o treinamento, o chefe de pessoal do palácio os levou para a presença de Nabucodonosor. Quando os entrevistou, o rei os achou muito melhores que todos os outros. Ninguém estava tão bem quanto Daniel, Hananias, Misael e Azarias.

    19-20 E, assim, eles assumiram suas responsabilidades na corte do rei. Sempre que o rei os consultava sobre qualquer assunto, teórico ou prático, eles se mostravam dez vezes melhores que todos os magos e encantadores do reino juntos.

    21 Daniel continuou no serviço do rei até o primeiro ano do reinado do rei Ciro.