Categoria: Ezequiel

PROFETA EZEQUIEL
Introdução
No tempo do profeta Ezequiel, no ano 586 a.C., a cidade de Jerusalém foi tomada pelos babilônios. O profeta viveu na Babilônia, para onde os israelitas tinham sido levados como prisioneiros. Ezequiel pregou mensagens de Deus dirigidas ao povo que estava ali na Babilônia e também aos moradores de Jerusalém.
Deus falou a Ezequiel por meio de visões. O profeta falou ao povo a respeito dessas visões e também anunciou mensagens de Deus por meio de ações simbólicas. Ele ensinou que cada um é responsável pelos seus próprios pecados e que todos devem se renovar no seu íntimo, no coração. Ele também esperava que a própria nação de Israel começasse a viver uma vida nova na presença de Deus. Sendo ao mesmo tempo sacerdote e profeta, Ezequiel mostrou interesse pelo templo de Jerusalém e também ensinou que Deus exige que os seus adoradores vivam uma vida dedicada a ele.
Esquema do conteúdo
1. Vocação de Ezequiel (1.1—3.27)
2. Profecias sobre a queda de Jerusalém (4.1—24.27)
3. Profecias contra as nações pagãs (25.1—32.32)
4. Promessas de Deus ao seu povo (33.1—37.28)
5. Condenação de Gogue (38.1—39.29)
6. O futuro templo e a futura terra de Israel (40.1—48.35)

  • Ezequiel, 8

    O ESPÍRITO ME LEVOU EM VISÕES
    1-4 No dia 5 do sexto mês, no sexto ano, enquanto eu estava sentado em casa, numa reunião com autoridades de Judá, aconteceu que o Eterno, meu Senhor, se manifestou. Quando olhei, fiquei atônito. O que eu vi era parecido com um homem — da cintura para baixo era como fogo, e, da cintura para cima, como bronze polido e brilhante. Ele estendeu o que parecia uma mão e me agarrou pelo cabelo. O Espírito me elevou bem alto no ar e me conduziu em visões de Deus a Jerusalém, até a entrada do porta norte do templo, no pátio interno, no qual uma imagem da deusa do sexo, que deixa Deus tão irado, tinha sido colocada. Bem diante de mim, estava a glória do Deus de Israel, exatamente como na visão que eu tinha tido na planície.

    5 Ele me disse: “Filho do homem, olhe para o norte”. Olhei para a direção indicada e vi, um pouco mais ao norte da entrada, numa imagem um tanto indistinta, o altar da deusa do sexo, Aserá, que tanto provoca a ira de Deus.

    6 Ele me disse: “Filho do homem, vê o que eles estão fazendo? Terríveis obscenidades! E estão fazendo isso bem aqui! Já é inconcebível que tenham me expulsado do meu templo. Mas você verá coisas ainda piores”.

    7 Ele me levou à porta do pátio do templo. Olhei e vi um buraco no muro.

    8 Ele disse: “Filho do homem, escave o muro”. Escavei o muro e deparei com uma porta.

    9 Ele disse: “Agora, entre pela porta e dê uma olhada em todas as obscenidades em que eles estão envolvidos”.

    10-11 Entrei e olhei. Não consegui acreditar nos meus olhos: em todas as paredes, haviam pintado figuras de répteis, outros animais e monstros — todo o panteão dos deuses egípcios. E eles eram adorados por Israel! No meio do salão, estavam sentadas setenta autoridades de Israel, e Jazanias, filho de Safã, estava de pé no meio deles. Cada um segurava um incensário, e o incenso subia numa nuvem aromática.

    12 Ele disse: “Filho do homem, está vendo o que as autoridades de Israel fazem aqui, na escuridão, cada um diante da sua figura predileta? Eles pensam consigo mesmos: ‘Deus não nos vê. Deus abandonou a nação”.

    13 Então, ele disse: “Você verá coisas ainda piores”.

    14-15 Ele me levou para a entrada da porta norte do templo do Eterno, e vi mulheres sentadas ali, chorando por Tamuz, deus da fertilidade dos babilônios. Ele disse: “Você acha que já viu o suficiente? Pois verá coisas ainda piores!”.

    16 Finalmente, ele me levou para o pátio interno do templo do Eterno. Ali, entre o pórtico e o altar, estavam uns vinte e cinco homens com as costas voltadas para o templo do Eterno. Eles estavam curvados, virados para o leste, adorando o Sol.

    17-18 Ele disse: “Já viu o suficiente, filho do homem? Já não é o bastante que Judá se envolva nessas obscenidades repugnantes? Mas eles ainda enchem a nação de violência e agora me provocam com outros atos obscenos. E não tem mais jeito: estão diante de um Deus irado! A partir de agora, não haverá misericórdia. Eles podem gritar quanto quiserem, que eu não vou ouvir”.

  • Ezequiel, 7

    O DESTINO ALCANÇOU VOCÊS
    1-4 A Palavra do Eterno veio a mim, dizendo: “Você, filho do homem. O Eterno, o Senhor, tem esta Mensagem para a terra de Israel: “‘É o final dos tempos. O fim das coisas como vinham acontecendo. Acabou tudo. O fim de vocês está aí. A minha ira está desenfreada contra vocês. Pronunciei meu veredito sobre a forma como vivem. Eu os farei pagar pelas repugnantes obscenidades. Não retirarei meu olhar de juízo nem sentirei compaixão de vocês. Farei vocês pagarem pela forma como viveram: Suas repugnantes obscenidades recairão sobre vocês, e, assim, saberão que eu sou o Eterno.

    5-9 “Eu, o Eterno, o Senhor, digo: ‘Desastre após desastre! Vejam, está vindo! É o final dos tempos; o fim está chegando. O fim está maduro. Prestem atenção, está às portas! É o destino de vocês que vivem nesta terra. Acabou o tempo. Chegou a hora. Nem adianta chorar, não há mais tempo de barganhar. Já, já, vou derramar minha ira sobre vocês, vou acertar as contas e pagar com minha ira. Pronunciei meu veredito sobre a forma como vivem. Eu os farei pagar pelas repugnantes obscenidades. Não retirarei meu olhar de juízo nem sentirei compaixão de vocês. Farei vocês pagarem pela forma como vocês viveram: Suas repugnantes obscenidades recairão sobre vocês. Então, vocês perceberão que fui eu, o Eterno, que os atingiu.

    10-13 “‘Dia do juízo! O destino alcançou vocês. O cetro é enorme e arrogante, o orgulho está além de todos os limites, A violência marcha com toda a pompa, agitando o cetro do mal. Mas eles não são de nada, nada restará deles. O tempo acabou. Contagem regressiva: Cinco, quatro, três, dois… Comprador, não grite de alegria; vendedor, não se preocupe: a ira do julgamento pôs o mundo de pernas para o ar. Quem compra e quem vende perderam o chão. Nunca mais será a mesma coisa. E nem sonhem com a recuperação do mercado. A nação está falida por causa dos seus pecados, e as coisas não vão melhorar.

    14-16 “‘A trombeta dá o sinal para a batalha: Apresentar armas! Mas a marcha para o combate não tem início. Minha ira os paralisou! Nas estradas abertas, vocês são mortos, ou morrem de fome e de doença ao chegar em casa. São assassinados no campo ou morrem de doença ou de fome na cidade. Os sobreviventes correm para as montanhas. Eles gemem como pombas nos vales, Cada um gemendo pelos próprios pecados.

    17-18 “‘Todas as mãos penderão enfraquecidas, todo joelho ficará vacilante. Eles se vestem de pano de lamento — miseráveis espantalhos, Volúveis e envergonhados com a cabeça rapada.

    19-27 “‘Eles jogam seu dinheiro no lixo. Seu dinheiro, ganho com tanto sacrifício, cheira mal. Sabem que, com ele, não comprarão nada que quiserem ou precisarem no dia do juízo. Eles tropeçaram no dinheiro e caíram em pecado. Orgulhosos e presunçosos com suas joias, enfeitam seus deuses, que nem deuses são, com todo requinte. Farei que esses deuses obscenos cheirem mal. Vou entregar todo esse lixo religioso: os estranhos ficarão com eles de graça, os ímpios cuspirão neles e farão piada. Vou virar o rosto para não ver quando meu povo e meu santo lugar forem profanados, quando estrangeiros violentos entrarem marchando e profanarem o lugar e o povo. Será um verdadeiro massacre: o crime e a violência tomarão conta da cidade. Trarei o refugo da humanidade para ocupar suas casas. Vou dar um fim às bravatas e à pose dos grandes e poderosos E cuidar para que nada que seja sagrado permaneça no seu lugar. A catástrofe está assolando. Eles procuram a paz, mas não a encontram. É um desastre após outro, um rumor atrás do outro. Eles suplicam que algum profeta explique o que está acontecendo, mas ninguém sabe de nada. Os sacerdotes não têm ideia; os anciãos não sabem o que dizer. O rei balança a cabeça em desespero; o príncipe está arrasado. O povo comum está paralisado. Tomados de pavor, estão todos sem ação. Tratarei com eles ali mesmo onde estão, julgando-os nos seus termos. E eles saberão que eu sou o Eterno”.

  • Ezequiel, 6

    TRANSFORME ISRAEL EM TERRA DEVASTADA
    1-7 Então, a Palavra Eterno veio a mim: “Filho do homem, agora vire-se e olhe para as montanhas de Israel e pregue contra elas: ‘Ó montanhas de Israel, ouçam a Mensagem do Eterno, o Senhor. O Eterno, o Senhor, diz às montanhas e colinas, aos desfiladeiros e aos vales: Estou prestes a destruir os santuários sagrados dos seus deuses. Arrasarei seus altares, derrubarei suas colunas dedicadas ao deus-sol e matarei seu povo que fica curvado diante dos seus ídolos, que nem deuses são. Amontoarei os cadáveres dos israelitas diante dos seus ídolos e, então, espalharei seus ossos em volta dos seus santuários. Todos os lugares em que vocês viveram e as cidades serão arrasadas. Os altares pagãos serão demolidos — altares destruídos, ídolos esmigalhados, todas as colunas do deus-sol virão abaixo. Haverá cadáveres por todo lugar! Então, vocês saberão que eu sou o Eterno.

    8-10 “‘Mas deixarei que alguns escapem da matança na hora em que vocês forem espalhados por outras terras e nações. Nas nações estrangeiras para as quais forem levados como prisioneiros de guerra, vocês se lembrarão de mim. Perceberão quanto eu fiquei ofendido por suas traições, por seu desejo voraz de se satisfazer na idolatria. Eles sentirão nojo dos seus maus caminhos e serão repugnantes para Deus, pela forma como viveram. Eles saberão que eu sou o Eterno e perceberão que o anúncio do juízo contra eles não foi uma ameaça vazia.

    11-14 “‘É isto o que diz o Eterno, o Senhor: Torça as mãos, bata os pés e grite: Não, não, não!, por causa das terríveis obscenidades reinantes em Israel. Eles serão mortos: morrerão de fome, morrerão de doenças — morte por todos os lados, gente caindo como moscas, gente morrendo longe, gente morrendo perto, e os que restarem na cidade morrerão de fome. Por quê? Porque eu estou irado, furioso de verdade. Eles perceberão que eu sou o Eterno quando virem os cadáveres do seu povo espalhados por todos os seus santuários do sexo e da religião arruinados nas colinas desertas e nos bosques viçosos da fertilidade, em todos os lugares em que se entregaram aos seus rituais sensuais. Vou fazer a minha mão pesada cair sobre eles, demolir todos os lugares em que viverem e transformar a terra em desolação de um extremo a outro, desde o deserto até Ribla. Então, saberão que eu sou o Eterno!”.

  • Ezequiel, 5

    UM DEUS ZELOSO, COM QUEM NÃO SE BRINCA
    1-2 “Agora, filho do homem, arranje uma espada afiada. Use-a como uma navalha de barbeiro e rape a cabeça e a barba. Depois, use pesos de balança e divida o cabelo em três partes. Quando os dias de cerco tiverem passado, pegue um terço do cabelo e queime-o dentro da cidade. Pegue o outro terço, corte-o em pedacinhos com a espada e espalhe-o em volta da cidade. O último terço deve ser espalhado ao vento. Porque vou persegui-los com a espada.

    3-4 “Separe alguns fios de cabelo e ponha-os na barra da sua roupa. Pegue alguns deles e queime-os no fogo. O fogo deles se espalhará por toda a família de Israel.

    5-6 “Isto é o que o Eterno, o Senhor, diz: isso é o que significa Jerusalém. Eu a situei no centro do mundo e pus todas as nações à volta dela. Mas ela se rebelou contra as minhas leis e os meus mandamentos, muito mais que as nações a seu redor — pura maldade! —, recusando minha direção e rejeitando minhas orientações.

    7 “Por isso, o que o Eterno, o Senhor, diz é isto: vocês têm sido mais cabeçudos e teimosos que as nações à sua volta, recusando minha direção, ignorando minhas orientações. Vocês se rebaixaram ao nível da sarjeta; estão piores que os outros à sua volta.

    8-10 “Por isso, o que o Eterno, o Senhor, diz é isto: estou me posicionando contra vocês — sim, contra você, Jerusalém. Vou castigá-la à vista das nações. Por causa dos seus deuses asquerosos, que nem deuses são, farei a vocês o que nunca fiz e nunca farei de novo: transformarei famílias em canibais — pais comendo filhos, filhos comendo pais — isso é que é castigo! E, quem sobrar, eu espalharei ao vento!

    11-12 “Por isso, tão certo quanto eu sou o Deus vivo — decreto do Eterno, o Senhor —, pelo fato de terem profanado meu santuário com suas obscenidades e seus deuses asquerosos, que nem deuses são, não me importarei mais com vocês. Da minha parte, vocês não verão nem mesmo um vestígio de misericórdia. Um terço dos seus habitantes morrerá de doença ou de fome dentro da cidade, um terço será morto fora da cidade e um terço será lançado ao vento e caçado por matadores.

    13 “Só então vou me acalmar e deixar minha ira esfriar, e vocês saberão que eu estava falando sério o tempo todo, que sou um Deus zeloso, com quem não se brinca.

    14-15 “Quando eu terminar, vocês serão um monte de entulho. As nações que passarem por aqui zombarão de vocês. Quando o castigo acabar, essa repreensão terrível, vocês serão objeto de ridículo e escárnio, transformados em história de horror que circulará entre as nações vizinhas. Eu, o Eterno, falei.

    16-17 “Quando eu apontar minhas flechas mortais contra vocês, atirarei para matar. Depois, vou intensificar a fome, cortando o suprimento de comida. A fome vai se agravar e, então, enviarei animais selvagens para devorar seus filhos. Epidemias, matança desenfreada e morte — eu mesmo enviarei tudo! Eu, o Eterno, falei”.

  • Ezequiel, 4

    ISSO É O QUE O PECADO FAZ
    1-3 “Agora, filho do homem, pegue um tijolo e ponha-o na sua frente. Faça nele um desenho da cidade de Jerusalém. Depois, construa o modelo de um cerco em volta do tijolo. Construa rampas, monte acampamentos de guerra, coloque aríetes em volta dele. Em seguida, pegue uma panela de ferro e coloque-a entre você e a cidade — será como um muro de ferro. Fique atento para isso: a cidade estará sitiada, e você será o sitiador. Será um sinal para a família de Israel.

    4-5 “Em seguida, deite-se sobre seu lado esquerdo e ponha o pecado da família de Israel sobre você. Você carregará o pecado deles pelos dias que permanecer deitado. O número de dias que você carregar o pecado deles vai corresponder ao número de anos do pecado deles, ou seja, trezentos e noventa. Durante trezentos e noventa dias, você carregará o pecado da família de Israel.

    6-7 “Depois de ter feito isso, vire-se e deite-se sobre seu lado direito e carregue o pecado da família de Judá. Sua tarefa dessa vez é ficar deitado durante quarenta dias, um dia para cada ano do pecado deles. Olhe diretamente para o cerco de Jerusalém. Arregace a manga, mostre o braço descoberto e pregue contra a cidade.

    8 “Vou amarrar você com cordas, amarrá-lo para que você não possa se mexer ou virar até que tenha terminado o período do sítio.

    9-12 “Em seguida, quero que você pegue trigo e cevada, feijão e lentilha, painço e espelta e misture-os numa bacia para fazer um pão. Essa será porção para os trezentos e noventa dias em que estiver deitado de lado. Pese cerca de duzentos e quarenta gramas por dia e coma isso em horas marcadas. Também meça em torno de meio litro de água por dia e beba-a em horas marcadas. Coma o pão como se estivesse comendo um bolo de cevada. Asse o pão em lugar aberto, no qual todos possam ver, usando fezes humanas secas para fazer o fogo”.

    13 O Eterno disse: “O que o povo de Israel fará é isto: no meio das nações pagãs, eles comerão comidas inaceitáveis para um povo santo”.

    14 Eu disse: “Ó Eterno, meu Senhor! Nunca! Nunca me contaminei com comida assim. Desde a juventude, nunca comi coisa alguma proibida pela lei, nada que tivesse sido achado morto ou atacado por animal selvagem. Nunca peguei um só pedaço de alimento proibido!”

    15 “Está bem”, ele disse. “Vou permitir que você asse o pão sobre esterco de vacas, em vez de fezes humanas”.

    16-17 Então, ele me disse: “Filho do homem, cortarei toda a comida de Jerusalém. O povo comerá de modo racionado, sem saber de onde virá a próxima refeição, agonizando por um gole de água. Será época de fome. As pessoas olharão umas para as outras e não verão nada a não ser pele e ossos, e balançarão a cabeça”.

  • Ezequiel, 3

    AVISE O POVO
    1 Ele me disse: “Filho do homem, coma o que você está vendo. Coma este livro. Depois, vá e fale à família de Israel”.

    2-3 Quando abri a boca, ele me deu o rolo para comer, dizendo: “Filho do homem, coma este livro que estou dando a você. É a sua refeição”. Assim, eu o comi. O gosto era muito bom — parecia mel.

    4-6 Então, ele me disse: “Filho do homem, vá à família de Israel e transmita a minha Mensagem. Veja, não estou enviando você a um povo que fala uma língua difícil com palavras quase impronunciáveis. Se eu estivesse enviado você a um povo assim, os ouvidos deles teriam ficado aguçados e eles teriam ouvido imediatamente.

    7-9 “Mas não funciona assim com a família de Israel. Eles não darão ouvidos a você, porque não dão ouvidos a mim. Eles são, como eu já disse, um caso difícil, estão endurecidos pelo pecado. Mas vou fazer você tão duro quanto eles são duros em seus pecados. Não deixe que eles o intimidem. Não tenha medo deles, embora sejam um bando de rebeldes”.

    10-11 Então, ele disse: “Filho do homem, receba todas as palavras que ponho, agora, no seu coração. Abra os ouvidos obedientes para elas. Faça delas suas palavras. E agora vá. Vá aos exilados, ao seu povo, e fale. Diga a eles: ‘Esta é a Mensagem do Eterno, o Senhor. Faça sua parte, não importa se eles vão ouvir ou não”.

    12-13 Então, o Espírito me elevou. Atrás de mim, houve grande comoção: “Bendita seja a glória do Eterno no seu santuário”. As asas das criaturas batiam umas nas outras, as rodas giravam, num estrondo de um grande terremoto.

    14-15 O Espírito me elevou e me levou embora. Eu estava cheio de amargura e raiva. Eu não queria ir, mas o Eterno foi firme comigo. Cheguei entre os exilados que viviam perto do rio Quebar em Tel-Abibe. Cheguei no lugar em que eles viviam e fiquei ali sete dias, aterrorizado.

    16 Ao final dos sete dias, recebi esta Mensagem do Eterno:

    17-19 “Filho do homem, fiz de você uma sentinela para a família de Israel. Sempre que me ouvir dizer alguma coisa, avise-os, em meu nome. Se eu disser aos maus: ‘Vocês vão morrer, e você não os avisar de que a questão é de vida ou morte, eles morrerão, e a culpa será sua. Vou considerá-lo responsável. Mas, se eu avisar os maus, e eles continuarem pecando do mesmo jeito, certamente morrerão pelo seu pecado, mas você não morrerá. Você terá salvado sua vida.

    20-21 “Mas, se os justos mudarem de vida e deixarem de viver de maneira justa e começarem a fazer o mal quando eu vier para trazer juízo, eles morrerão. E, se você não os tiver avisado, eles morrerão por causa dos pecados deles, e nada de certo que fizeram vai valer alguma coisa, mas vou considerar você responsável. Mas, se você advertir esses justos a não pecar, e eles derem ouvidos a você, viverão por aceitarem seu aviso — e, de novo, você terá salvado sua vida”.

    22 Então, o Eterno me pegou pelos ombros e disse: “Levante-se! Saia para a planície. Quero falar com você”.

    23 Assim, levantei-me e fui para a planície. Não consegui acreditar no que estava vendo: a glória do Eterno ali, na minha frente! Era semelhante à glória que eu tinha visto perto do rio Quebar. Caí no chão, prostrado.

    24-26 Então, o Espírito entrou em mim e me pôs de pé. Ele disse: “Vá para casa e feche a porta”. Em seguida, ele me disse algo estranho: “Filho do homem, eles amarrarão suas mãos e pés com cordas, para que você não saia de casa. Farei que sua língua grude no céu da boca para que você não consiga falar e dizer ao povo o que eles estão fazendo de errado, embora sejam um bando de rebeldes.

    27 “Mas, quando chegar a hora, vou soltar sua língua, e você dirá: ‘Isto é o que o Eterno, o Senhor, diz…. A partir daí, é por conta deles. Eles poderão ouvir ou não; eles é que sabem! Eles são um bando de rebeldes!”.

  • Ezequiel, 2

    1 A voz disse: “Filho do homem, levante-se! Tenho algo a dizer a você”.

    2 No momento em que ouvi a voz, o Espírito entrou em mim e me pôs de pé. Enquanto ele falava, eu ouvia.

    3-7 Ele disse: “Filho do homem, estou enviando você à família de Israel, uma nação rebelde como jamais existiu. Eles e seus antepassados têm vivido em rebelião até os dias de hoje. Eles são um caso difícil, o povo a quem estou enviando você está calejado por seus pecados. Diga a eles: ‘Esta é a Mensagem do Eterno, o Senhor. Eles são provocadores. Se vão ouvir ou não, pouco importa, mas, ao menos, saberão que um profeta esteve aqui. Mas não tenha medo deles, filho do homem, e não tema nada do que eles disserem. Não se intimide, mesmo que viver entre eles seja como pisar em espinhos ou encontrar escorpiões na cama. Não tenha medo das palavras maldosas deles nem dos seus olhares ameaçadores. Eles são um povo rebelde. Mas você tem a tarefa de falar a eles. Se vão ouvir ou não, o problema não é seu. Eles são muito rebeldes.

    8 “Apenas tome cuidado, filho do homem, para não se tornar rebelde como eles. Abra sua boca e coma o que eu estou dando a você”.

    9-10 Quando olhei, a mão dele estava estendida para mim, e nela estava o rolo de um livro. Ele o desenrolou, e vi que, nos dois lados, frente e verso, estavam escritos lamentos e palavras de condenação.

  • Ezequiel, 1

    RODAS DENTRO DE RODAS, COMO UM GIROSCÓPIO
    1 Eu tinha 30 anos e vivia com os exilados junto ao rio Quebar. No dia 5 do quarto mês, o céu se abriu, e eu tive visões de Deus.

    2-3 (Foi no dia 5 do quarto mês, no quinto ano do exílio do rei Joaquim, que a Palavra do Eterno veio ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, às margens do rio Quebar, na terra da Babilônia. O Eterno se manifestou a ele naquele dia.)

    4-9 Olhei e vi uma imensa tempestade de areia vinda do norte, uma nuvem enorme, com raios resplandecendo nela, uma bola de fogo gigante ardendo como bronze. Dentro do fogo, havia o que pareciam quatro criaturas pulsantes de vida. Tinham todas elas a forma de um ser humano, mas cada uma tinha, também, quatro rostos e quatro asas. As pernas eram robustas e retas como colunas, mas os pés tinham cascos como os de um bezerro e reluziam como bronze polido. Nos quatro lados debaixo das asas, elas tinham mãos humanas. As quatro criaturas tinham rostos e asas, e as asas tocavam umas nas outras. Elas não se voltavam nem para um lado, nem para outro: andavam sempre para a frente.

    10-12 Os rostos tinham a seguinte aparência: na frente, um rosto humano; no lado direito, um rosto de leão; no lado esquerdo, o rosto de um boi; atrás, um rosto de águia. Foi isso que vi. As asas estavam abertas, e as pontas de um par de asas tocavam a criatura do lado; o outro par de asas cobria o corpo. Cada criatura se movia diretamente para a frente. Para onde quer que o espírito fosse, elas iam também e não se viravam quando se moviam.

    13-14 As quatro criaturas tinham a aparência de fogo, isto é, de uma tocha acesa. Labaredas estalavam entre elas, como descargas de relâmpagos.

    15-16 Enquanto eu observava as quatro criaturas, vi algo parecido com uma roda no chão ao lado de cada uma das criaturas de quatro rostos. As rodas tinham a seguinte aparência: eram rodas idênticas, reluzentes como diamantes ao sol, e parecia que eram rodas dentro de rodas, como um giroscópio.

    17-21 Elas se moviam em qualquer uma das direções dos quatro rostos, mas sempre em frente, nunca mudavam de direção. Os aros eram imensos, cheios de olhos em volta. Quando as criaturas se moviam, as rodas se moviam também; quando as criaturas se elevavam, as rodas subiam com elas. Para onde quer que o espírito fosse, as criaturas e as rodas iam junto, pois o espírito das criaturas estava nas rodas. Assim, quando as criaturas se moviam, as rodas também se moviam; quando as criaturas paravam, as rodas paravam; quando as criaturas se elevavam, as rodas subiam com elas, porque o espírito das criaturas viventes estava nas rodas.

    22-24 Sobre as cabeças das quatro criaturas havia algo como uma abóbada, emitindo uma luz trêmula como um céu de vidro lapidado, em forma de arco sobre as cabeças. Debaixo da abóbada, um par de asas ficava estendido na direção das outras criaturas, e um outro par de asas cobria os corpos. Elas se moveram, e ouvi o som das suas asas — era como o bramido de uma grande queda d agua, como a voz do Deus Forte, como o barulho de um campo de batalha. Quando paravam, elas dobravam as asas.

    25-28 Então, enquanto estavam ali, de pé e com as asas fechadas, veio uma voz de cima da abóbada sobre as cabeças. Acima da abóbada, havia algo que parecia um trono, azul-celeste como a safira, e havia uma figura em forma humana acima do trono. Do que eu pude ver, da cintura para cima ele parecia bronze polido, e da cintura para baixo, uma tocha acesa. Era muita claridade! A forma em que um arco-íris surge do céu num dia chuvoso era o que se via ali. E essa era a glória do Eterno! Quando vi aquela cena, caí de joelhos, com o rosto no chão. Então, ouvi uma voz.