Categoria: Jeremias

PROFETA JEREMIAS
Introdução
O profeta Jeremias, que era de uma família de sacerdotes, começou a anunciar mensagens de Deus no ano 627 a.C. e morreu por volta de 580, provavelmente no Egito. Ele anunciou que Deus ia fazer cair uma terrível desgraça sobre os israelitas como castigo pelos seus pecados. Jeremias ainda vivia quando as suas profecias se cumpriram. Ele estava presente quando o rei Nabucodonosor destruiu a cidade de Jerusalém, incendiou o templo e levou como prisioneiros para a Babilônia o rei de Judá e grande parte do povo. Mas Jeremias disse que um dia os israelitas iam voltar e que seriam de novo uma nação.
Jeremias amava profundamente o seu povo. Não era por prazer, mas por obrigação que ele anunciava que Deus ia castigar os israelitas. Mas a palavra de Deus era como um fogo no seu coração, e ele não podia ficar calado (20.9). Por outro lado, as autoridades e o povo não recebiam bem as mensagens de Jeremias. Ele foi rejeitado, perseguido e preso.
O Livro de Jeremias fala de um tempo, no futuro, em que Deus faria uma nova aliança com o seu povo. Essa aliança seria cumprida de livre e espontânea vontade, pois a lei de Deus estaria gravada no coração das pessoas (31.31-34).
Esquema do conteúdo
1. Vocação de Jeremias (1.1-19)
2. Mensagens contra Judá e Jerusalém (2.1—25.38)
3. Relatos autobiográficos e anúncios de salvação (26.1—45.5)
4. Mensagens contra as nações pagãs (46.1—51.64)
5. Apêndice: a queda de Jerusalém (52.1-34)

  • Jeremias, 42

    O QUE VOCÊS ESTÃO TEMENDO VAI ACONTECER
    1-3 Todos os oficiais do exército, conduzidos por Joanã, filho de Careá, Jezanias, filho de Hosaías, acompanhados por todo o povo, pequenos e grandes, foram procurar o profeta Jeremias e disseram: “Temos um pedido. Por favor, ouça-nos! Ore ao seu Eterno por nós, pelo que sobrou de nós. Você pode ver com os próprios olhos como somos poucos. Ore para que o Eterno nos mostre o caminho que devemos tomar e o que devemos fazer.

    4 O profeta Jeremias disse: “Ouvi seu pedido. E vou orar ao Eterno, como vocês pediram. Não importa o que o Eterno disser, vou transmitir a vocês. Vou contar tudo, sem esconder nada.”

    5-6 Eles disseram a Jeremias: “Que o Eterno seja nossa testemunha, uma testemunha fiel e verdadeira contra nós, se não fizermos tudo que ele mandar você nos dizer. Gostando ou não, vamos fazer o que você diz. Vamos obedecer a tudo que o Eterno ordenar. Sim, pode acreditar. Vamos fazer isso.”

    7-8 Dez dias depois, a Mensagem do Eterno veio a Jeremias. Ele reuniu Joanã, filho de Careá, todos os oficiais do exército e todo o povo, sem se importar com a influência que cada um exercia.

    9-12 Então, ele falou: “Esta é a Mensagem do Eterno, do Deus de Israel, a quem vocês pediram que eu fosse apresentar sua oração. Ele diz: Se vocês estiverem dispostos a suportar viver nesta terra, eu os farei aumentar e não os arrastarei daqui; eu os plantarei, em vez de arrancá-los como erva daninha. Sinto muita compaixão, por causa da destruição que fiz cair sobre vocês. Vocês não precisam temer o rei da Babilônia. Seus temores são infundados. Estou do seu lado, pronto para salvá-los e livrá-los de qualquer coisa que ele possa fazer a vocês. Terei misericórdia de vocês. Além disso, ele vai ter misericórdia de vocês e permitirá que voltem para a sua terra.

    13-17 “Mas não digam: Não vamos ficar neste lugar, negando-se a obedecer à ordem do Eterno e dizendo, em vez disso: Não! Estamos de saída para o Egito, onde as coisas estão calmas — sem guerras, sem ataques de exércitos e com comida de sobra. Vamos nos transferir para lá!. Se o que restou de Judá está pensando em tomar aquela estrada, ouçam a Palavra do Eterno. O que o Senhor dos Exércitos de Anjos diz é isto: Se vocês estão decididos a ir para o Egito e fazer daquela terra seu lar, então as mesmas guerras que vocês temem irão alcançá-los no Egito, e a fome de que têm pavor vai persegui-los até lá. Vocês morrerão ali! Quem estiver determinado a ir para o Egito e fazer dele sua casa será morto: ou vai morrer de fome ou ficar doente e morrer. Não haverá sobreviventes — nem um sequer! Ninguém escapará da desgraça que vou fazer cair sobre vocês.

    18 “Esta é a Mensagem do Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel: Assim como varri do mapa os cidadãos de Jerusalém na hora da minha ira, farei a mesma coisa no Egito. Vocês acabarão sendo malditos, insultados, ridicularizados e zombados. E nunca verão sua terra natal outra vez.

    19-20 “O Eterno diz claramente a vocês, sobreviventes de Judá: Não vão para o Egito. Entenderam bem? Vocês estão vivendo uma fantasia. Estão cometendo um erro fatal. “Vocês não me pediram, há pouco, que consultasse o Eterno, dizendo: Ore por nós ao seu Eterno. Diga-nos tudo que o Eterno disser, e nós faremos?

    21-22 “Bem, agora eu disse a vocês. Transmiti tudo que ele disse, e vocês não obedeceram a nenhuma das ordens dele, não levaram em conta nem sequer uma palavra do que o Eterno me mandou dizer a vocês. Portanto, agora, deixem-me dizer o que vai acontecer em seguida. Vocês serão mortos: morrerão de fome ou ficarão doentes e morrerão na terra maravilhosa que escolheram para morar e para onde estão determinados a se mudar.”

  • Jeremias, 41

    ASSASSINATO
    1-3 Mas Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, chegou no sétimo mês. Ele tinha sangue real e havia sido um dos altos oficiais do rei. Foi fazer uma visita a Gedalias, filho de Aicam, em Mispá, com dez de seus homens. Enquanto estavam à mesa, Ismael e seus dez homens se levantaram num salto e derrubaram Gedalias e o mataram — mataram o homem que o rei da Babilônia havia designado governador da terra. Ismael também matou todos os judeus que estavam com Gedalias em Mispá e ainda os soldados caldeus aquartelados ali.

    4-5 No segundo dia depois do assassinato de Gedalias (ninguém ainda sabia disso), chegaram alguns homens de Siquém, Siló e Samaria, oitenta ao todo, com a barba raspada, as roupas rasgadas e cortes no corpo. Eram peregrinos e traziam ofertas de cereal e incenso. Tinham vindo para adorar no templo, em Jerusalém.

    6 Ismael, filho de Netanias, saiu de Mispá para saudá-los, chorando copiosamente. Depois de saudá-los, convidou-os a entrar na cidade: “Venham e conheçam Gedalias, filho de Aicam.”

    7-8 Mas, assim que entraram na cidade, Ismael, filho de Netanias, e seus comparsas mataram os peregrinos e jogaram os corpos numa cisterna. Dez desses homens conseguiram convencer Ismael a não matá-los. Eles barganharam com Ismael: “Não nos mate. Temos um depósito escondido de trigo, cevada, azeite e mel nos campos.” Assim, ele desistiu e não os matou, como tinha feito com os outros peregrinos.

    9 A razão de Ismael jogar os corpos numa cisterna foi acobertar o assassinato de Gedalias. A cisterna havia sido construída pelo rei Asa como defesa contra Baasa, rei de Israel, e foi essa a cisterna que Ismael, filho de Netanias, encheu com os homens assassinados.

    10 Então, Ismael tomou como prisioneiros todos os outros habitantes de Mispá, até mesmo a filha do rei, confiada aos cuidados de Gedalias, filho de Aicam, por Nebuzaradã, chefe da guarda pessoal. Depois de reuni-los, Ismael, filho de Netanias, os levou para a região de Amom.

    11-12 Joanã, filho de Careá, e todos os oficiais do exército que estavam com ele ouviram as atrocidades cometidas por Ismael, filho de Netanias. Imediatamente partiram atrás de Ismael, filho de Netanias, e o encontraram no tanque grande de Gibeom. 13-15 Quando todos os prisioneiros de Mispá que estavam sendo levados por Ismael viram Joanã, filho de Careá, e os oficiais do exército com ele, ficaram tão felizes que mal podiam acreditar! Todos se reuniram ao redor de Joanã e voltaram para casa. Mas Ismael, filho de Netanias, conseguiu fugir. Ele escapou de Joanã com

    18 homens para a terra de Amom.

    16 Depois disso, Joanã, filho de Careá, e os oficiais do exército que estavam com ele reuniram o povo que havia restado, ou seja, aqueles que Ismael, filho de Netanias, havia levado de Mispá depois de assassinar Gedalias, filho de Aicam (homens, mulheres, crianças e eunucos) e os trouxe de volta de Gibeom.

    17-18 Eles partiram imediatamente para o Egito, a fim de fugir dos caldeus, parando no caminho em Gerute-Quimã, perto de Belém. Eles temiam a retaliação dos caldeus pelo ato cometido por Ismael, filho de Netanias, de assassinar Gedalias filho de Aicam, a quem o rei da Babilônia havia designado governador da região.

  • Jeremias, 40

    VOCÊ PODE MORAR ONDE QUISER
    1 Mensagem do Eterno a Jeremias, depois que Nebuzaradã, chefe da guarda pessoal, o libertou em Ramá. Quando Nebuzaradã veio a ele, Jeremias estava acorrentado, como os outros cativos de Jerusalém e Judá que estavam sendo levados para o exílio na Babilônia.

    2-3 O chefe da guarda pessoal separou Jeremias e disse: “Foi o Eterno, o seu Deus, que anunciou a destruição deste lugar. Ele fez o que tinha avisado que faria porque todos vocês pecaram contra o Eterno e não quiseram fazer o que ele mandou. Agora, todos vocês estão sofrendo as consequências.

    4-5 “Mas hoje, Jeremias, estou libertando você, estou tirando as correntes das suas mãos. Se você quiser vir para a Babilônia comigo, venha. Vou cuidar bem de você. Mas, se não quiser, tudo também. Veja, toda a terra se abre diante de você. Faça o que quiser. Você pode morar onde quiser. Se quiser ficar em casa, volte e fale com Gedalias, filho de Aicam, filho de Safã. O rei da Babilônia designou Gedalias governador das cidades de Judá. Fique com ele e com seu povo. Ou vá para onde quiser. A decisão é sua.” O chefe da guarda pessoal do rei deu a ele comida para a jornada e um presente e depois deixou que ele fosse.

    6 Jeremias foi falar com Gedalias, filho de Aicam, em Mispá, e decidiu morar ali com ele e com o povo que havia ficado na terra.

    O CUIDADO PELA TERRA
    7-8 Alguns oficiais e seus soldados, que estavam escondidos nos campos, souberam que o rei da Babilônia havia designado Gedalias, filho de Aicam, governador da terra; ele era responsável pelos homens, pelas mulheres e crianças e pelos mais pobres, que não tinham sido levados para o exílio na Babilônia, e vieram falar com ele em Mispá. Foram eles: Ismael, filho de Netanias; Joanã e Jônatas, filhos de Careá; Seraías, filho de Tanumete; os filhos de Efai, de Netofate; Jazanias, filho do maacatita. Estavam acompanhados por seus homens.

    9 Gedalias, filho de Aicam, filho de Safa, prometeu a eles e a seus homens: “Vocês não têm o que temer dos oficiais caldeus. Fiquem aqui na terra. Sujeitem-se ao rei da Babilônia. Vocês vão ficar bem.

    10 “Minha tarefa é ficar aqui em Mispá e ser intermediário do povo diante dos caldeus quando eles aparecerem. A tarefa de vocês é cuidar da terra: fazer vinho, colher os frutos do verão, espremer o azeite das azeitonas. Armazenem tudo em jarros de barro e estabeleçam-se nas cidades que vocês ocuparam.”

    11-12 Os judeus que haviam fugido para Moabe, Amom, Edom e outros lugares ouviram que o rei da Babilônia tinha deixado alguns sobreviventes em Judá e designado Gedalias, filho de Aicam, filho de Safã, governador deles. Então, todos começaram a voltar para Judá de todos os lugares para onde haviam sido espalhados. Vieram a Judá e a Gedalias em Mispá e foram trabalhar na colheita e no armazenamento de uma grande provisão de vinho e frutos de verão.

    13-14 Certo dia, Joanã, filho de Careá, e todos os oficiais do exército que tinham se escondido no interior vieram conversar com Gedalias em Mispá. Disseram: “Você sabe que Baalis, reis dos amonitas, enviou Ismael, filho de Netanias, para matar você, não sabe?” Mas Gedalias, filho de Aicam, não acreditou neles.

    15 Então, Joanã, filho de Careá, chamou Gedalias em particular, e disse: “Se quiser, posso matar Ismael, filho de Netanias. Ninguém precisa saber. Por que deixar que ele mate você e lance a terra na anarquia? Por que deixar que todos de quem você está cuidando sejam espalhados e que seja destruído o que sobrou de Judá?”

    16 Mas Gedalias, filho de Aicam, disse a Joanã, filho de Careá: “Não faça isso. Eu o proíbo! Você está espalhando boatos sobre Ismael.”

  • Jeremias, 39

    MÁS NOTÍCIAS
    1-2 No décimo mês do nono ano do reinado de Zedequias, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, chegou com todo o seu exército e sitiou Jerusalém. No décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, no dia 9 do quarto mês, eles abriram uma brecha nos muros da cidade.

    3 Todos os oficiais do rei da Babilônia se reuniram em conselho na Porta do Meio: Nergal-Sarezer, de Sangar; Nebo-Sarsequim, um dos altos oficiais; Nergal-Sarezer, outro oficial; todos os outros oficiais do rei da Babilônia.

    4-7 Quando Zedequias, rei de Judá, e os soldados restantes viram aquilo, correram para salvar a vida. Fugiram de noite, por um caminho no jardim do rei, atravessaram a porta entre as duas muralhas e se dirigiram para o deserto, na direção do vale do Jordão. Mas o exército babilônico os perseguiu e capturou Zedequias no deserto de Jericó. Eles o levaram a Nabucodonosor, rei da Babilônia, em Ribla, na região de Hamate. Nabucodonosor decidiu o destino dele. O rei da Babilônia matou todos os filhos de Zedequias em Ribla diante dele e depois executou todos os nobres de Judá. Depois que Zedequias viu essa matança, Nabucodonosor o cegou, acorrentou-o e o levou para a Babilônia.

    8-10 Nesse meio-tempo, os babilônios queimaram o palácio real, o templo e todas as casas da cidade. Também puseram abaixo os muros de Jerusalém. Nebuzaradã, chefe da guarda pessoal do rei, reuniu todos os que haviam restado na cidade com os que haviam se entregado e os levou para o exílio na Babilônia. Ele não se incomodou em levar os poucos pobres que não tinham nada. Ele os deixou na terra de Judá para ganhar seu sustento como pudessem, nas vinhas e nos campos.

    11-12 Nabucodonosor, rei da Babilônia, deu a Nebuzaradã, chefe de sua guarda pessoal, ordens especiais acerca de Jeremias: “Cuide bem dele. Veja que nada de mal lhe aconteça e dê a ele tudo que ele quiser.”

    13-14 Assim, Nebuzaradã, chefe da guarda pessoal do rei, e Nebusazbã, Nergal-Sarezer e os mais altos oficiais do rei da Babilônia mandaram buscar Jeremias, levando-o do pátio da guarda real e deixando-o aos cuidados de Gedalias, filho de Aicam, filho de Safã, a fim de que fosse levado para casa. E permitiram que ele morasse com o povo.

    15-18 Antes disso, enquanto Jeremias ainda estava sob custódia no pátio da guarda real, a Mensagem do Eterno veio a ele: “Vá e fale com Ebede-Meleque, o etíope. Diga a ele o que diz o Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel: Ouça com muita atenção. Vou fazer a esta cidade exatamente o que eu disse. E isso é má notícia, não uma notícia boa. Quando isso acontecer, você estará aqui para ver. Mas vou libertar você no dia do juízo. Você não será entregue aos homens que, com razão, tanto teme. Sim, eu vou salvá-los, e você não será morto: sairá de lá são e salvo porque confiou em mim.” É o decreto do Eterno.

  • Jeremias, 38

    DA MASMORRA PARA O PALÁCIO
    1 Sefatias, filho de Matã, Gedalias, filho de Pasur, Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, ouviram o que Jeremias estava dizendo ao povo:

    2 “Esta é a Mensagem do Eterno: Todos os que permanecerem nesta cidade morrerão. Serão mortos, ou morrerão de fome, ou ficarão doentes e morrerão. Mas os que se entregarem aos babilônios se salvarão e viverão.

    3 “E a Palavra garantida do Eterno é: Esta cidade está destinada à queda diante do exército do rei da Babilônia. Ele a tomara’.”

    4 Esses oficiais foram pedir ao rei: “Por favor, mate esse homem! Ele precisa sair de cena, porque está acabando com a determinação dos soldados que ainda estão na cidade, como também do próprio povo, espalhando essas ideias. Esse homem não quer o bem deste povo. Ele está tentando nos arruinar!”

    5 O rei Zedequias cedeu: “Se vocês acham que é melhor, então vão lá e resolvam o caso à sua maneira. Não posso segurar vocês.”

    6 Assim, eles pegaram Jeremias e o puseram na cisterna de Malquias, filho do rei, que estava no pátio da guarda do palácio. Eles o baixaram com cordas. Não havia água na cisterna, só lama, e Jeremias afundou na lama.

    7-9 Ebede-Meleque, um etíope, oficial da corte no palácio real, ouviu que haviam posto Jeremias na cisterna. Enquanto o rei estava num julgamento, na Porta de Benjamim, Ebede-Meleque correu ao palácio do rei e disse: “Meu senhor, ó rei! Esses homens estão cometendo um grande crime, jogando o profeta Jeremias na cisterna e deixando-o ali para morrer de fome. Ele está quase morto, e não há uma migalha de pão na cidade.”

    10 Então, o rei ordenou a Ebede-Meleque, o etíope: “Leve três homens com você e tire o profeta Jeremias da cisterna, antes que ele morra.”

    11-12 Ebede-Meleque, com a ajuda de três homens, foi ao guarda-roupa do palácio, pegou alguns trapos, amarrou-os e fez uma corda, que foi baixada até Jeremias na cisterna. Ebede-Meleque, o etíope, gritou para Jeremias no fundo: “Prenda a corda de pano debaixo dos braços.” Jeremias fez o que disseram.

    13 Assim, eles puxaram e tiraram Jeremias da cisterna com a corda. Mas ele continuava confinado no pátio da guarda do palácio.

    14 Mais tarde, o rei Zedequias mandou que buscassem o profeta Jeremias e o levassem à terceira entrada do templo de Deus. O rei disse a Jeremias: “Vou perguntar uma coisa. Não esconda nada de mim.”

    15 Jeremias disse: “Se eu dissesse toda a verdade, você me mataria. Mas também não importa o que eu disser — você não vai dar atenção mesmo.”

    16 Zedequias jurou a Jeremias ali mesmo, mas em segredo: “Tão certo como o Eterno vive, o Deus que nos dá a vida, não vou matá-lo nem entregá-lo aos homens que querem vê-lo morto.

    17-18 Assim, Jeremias disse a Zedequias: “Esta é a Mensagem do Eterno, do Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel: Se você se entregar aos generais do rei da Babilônia, salvará sua vida, esta cidade não será queimada e sua família viverá. Mas, se você não se entregar aos generais babilônicos, esta cidade acabará nas mãos dos caldeus, e eles vão incendiá-la. E não pense, nem por um minuto, que existe alguma saída para você.”

    19 O rei Zedequias disse a Jeremias: “Mas tenho medo dos judeus que já desertaram para o lado dos babilônios. Se eles me pegarem, vão me torturar.”

    20-22 Jeremias garantiu: “Ninguém vai apanhar você. Por favor, ouça! Ouça a voz do Eterno! Estou dizendo isso para seu bem, para que você viva. Mas, se você não se entregar, ouça o que o Eterno me mostrou que vai acontecer. Pense nisto: todas as mulheres que ainda restaram no palácio do rei de Judá serão levadas aos oficiais do rei da Babilônia e, elas sairão dizendo: “Eles mentiram para você e o entregaram, esses que se dizem seus amigos, E agora você está atolado, preso na lama até os joelhos, e seus amigos, onde estão agora?.

    23 “Eles tomarão todas as suas mulheres e filhos e os entregarão aos caldeus. E não pense que você vai escapar: o rei da Babilônia vai prender você e, então, arrasar e queimar a cidade.”

    24-26 Zedequias disse a Jeremias: “Não deixe ninguém saber desta conversa, se tem amor à pele. Se os oficiais do governo souberem que eu conversei com você, podem vir e dizer: Diga-nos, o que ocorreu entre você e o rei, o que foi que ele disse e o que foi que você disse a ele? Se não esconder nada, não iremos matá-lo. Se isso acontecer, diga a eles: Apresentei minha causa ao rei, para que ele não me mandasse de volta à masmorra de Jônatas para morrer ali

    27 E foi exatamente o que aconteceu. Os oficiais cercaram Jeremias e começaram a fazer perguntas. Ele respondeu conforme o rei havia instruído. Assim, pararam de interrogá-lo. Ninguém tinha ouvido nada da conversa.

    28 Jeremias viveu no pátio da guarda do palácio até o dia em que Jerusalém foi capturada.

  • Jeremias, 37

    NA MASMORRA
    1-2 O rei Zedequias, filho de Josias, rei fantoche colocado no trono por Nabucodonosor, rei da Babilônia, na terra de Judá, era agora rei no lugar de Joaquim, filho de Jeoaquim. Mas nem ele, nem seus oficiais, nem o próprio povo deram importância à Mensagem do Eterno, comunicada pelo profeta Jeremias.

    3 No entanto, o rei Zedequias enviou Jucal, filho de Selemias, e Sofonias, filho de Maaseias, ao profeta Jeremias, dizendo: “Ore por nós, ore muito ao Senhor, o Eterno.”

    4-5 Jeremias ainda circulava livremente entre o povo de Jerusalém naqueles dias. Isso foi antes de ele ter sido preso. O exército do faraó estava a caminho, vindo do Egito. Os caldeus que lutavam contra Jerusalém, quando ouviram que os egípcios estavam se aproximando, bateram em retirada.

    6-10 Então, o profeta Jeremias recebeu esta Mensagem do Eterno: “Eu, o Deus de Israel, quero dar esta Mensagem ao rei de Judá, que acabou de enviar você a mim para descobrir o que fazer. Diga a ele: preste atenção. O exército do faraó, que está a caminho para ajudar você, não manterá o acordo. Assim que chegarem aqui vão dar meia-volta e retornar ao Egito. Então, os babilônios virão, retomarão o ataque e conquistarão esta cidade, deixando-a arrasada e incendiada. Eu, o Eterno, estou dizendo a vocês que não se enganem, dizendo uns aos outros: Os babilônios vão se retirar em alguns dias. Pois digo que eles não estão indo embora. Mesmo que vocês derrotassem todo o exército dos caldeus e só restassem uns poucos soldados feridos em suas tendas, os feridos terminariam a tarefa, arrasando e incendiando a cidade.”

    11-13 Quando o exército dos caldeus bateu em retirada de Jerusalém, Jeremias deixou a cidade e foi ao território de Benjamim cuidar de negócios particulares. Quando chegou à Porta de Benjamim, o oficial da guarda, Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias, fez o profeta Jeremias parar e o acusou: “Você está desertando para o lado dos caldeus!”

    14-16 “Não é verdade”, protestou Jeremias. “Não me passaria pela cabeça desertar para o lado dos caldeus.” Mas Jerias nem o escutou. Prendeu-o e o levou às autoridades, que estavam furiosas com o profeta. Eles o chicotearam e o jogaram na prisão, na casa de Jônatas, secretário de Estado (a casa dele foi usada como cárcere). Assim, Jeremias foi obrigado a entrar numa cela subterrânea, uma cisterna que havia sido transformada em masmorra, e ficou ali muito tempo.

    17 Mais tarde, o rei Zedequias mandou buscar Jeremias. O rei o questionou em particular: “Você tem uma Mensagem do Eterno?” “Tenho”, disse Jeremias. “Você vai ser entregue ao rei da Babilônia.”

    18-20 Jeremias disse ainda ao rei Zedequias: “Você pode me dizer por que me jogou na prisão? Que crime cometi contra você, ou contra seus oficiais, ou contra seu povo? Diga-me também: o que aconteceu com seus profetas, que pregavam todos aqueles sermões, dizendo que o rei da Babilônia jamais atacaria você ou esta terra? Preste atenção, por favor, meu senhor, meu rei! Não me mande de novo para aquela masmorra na casa do secretário Jônatas. Vou acabar morrendo ali!”

    21 Então, o rei Zedequias ordenou que Jeremias fosse enviado para o pátio da guarda do palácio. Ali, da padaria ele recebia um pão todos os dias até que todo o pão da cidade tivesse acabado. E foi ali que Jeremias ficou — no pátio da guarda do palácio.

  • Jeremias, 36

    LENDO A MENSAGEM DO ETERNO
    1 No quarto ano do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, Jeremias recebeu esta Mensagem do Eterno:

    2 “Pegue um rolo e escreva tudo que eu disse com respeito a Israel e Judá e a todas as nações, desde o tempo em que comecei a falar a você, durante o reinado de Josias, até o dia de hoje.

    3 “Talvez a comunidade de Judá finalmente perceba, finalmente entenda a catástrofe que preparei e, assim, dê as costas à vida de pecado que levam e deixe que eu perdoe sua perversidade e seu pecado.”

    4Assim, Jeremias mandou chamar Baruque, filho de Nerias. Jeremias ditou, e Baruque escreveu num rolo tudo que o Eterno tinha dito.

    5-6 Então, Jeremias disse a Baruque: “Estou na lista negra. Não posso entrar no templo do Eterno. Por isso, você vai ter de entrar lá no meu lugar. Vá ao templo e leia tudo que ditei a você. Espere por um dia de jejum, quando todos estão lá. E faça de tudo para que todos os que vêm das vilas de Judá ouçam você.

    7 “Talvez eles comecem a orar, e o Eterno ouça suas orações. Talvez eles se arrependam de suas maldades. Isso sem dúvida é coisa séria. O Eterno já os fez saber quanto está irado!”

    8 Baruque, filho de Nerias, fez tudo que o profeta Jeremias mandou. No templo do Eterno, leu a Mensagem escrita no rolo.

    9 Isso aconteceu em dezembro, no quinto ano do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, quando todo o povo de Jerusalém e todos os habitantes das vilas de Judá, estavam em Jerusalém jejuando para o Eterno.

    10 Baruque levou o rolo ao templo e leu para o público as palavras de Jeremias. Ele fez a leitura na sala de reuniões de Gemarias, filho de Safã, o secretário real, que ficava no pátio superior, perto da Porta Nova do templo. Todos os presentes puderam ouvi-lo.

    11-12 No momento em que ouviu o que estava sendo lido, a Mensagem do Eterno, Micaías, filho de Gemarias, correu ao palácio e foi à sala do secretário de Estado, onde estavam reunidos os oficiais do governo: o secretário Elisama; Delaías, filho de Semaías; Elnatã, filho de Acbor; Gemarias, filho de Safã; Zedequias, filho de Hananias; todos os outros oficiais do governo.

    13 Micaías relatou aos oficiais o que tinha ouvido Baruque ler.

    14 Imediatamente enviaram Jeudi, filho de Netanias, filho de Selemias, filho de Cuchi, a Baruque, com a seguinte ordem: “Pegue o rolo que você leu diante do povo e traga-o aqui.” Assim, Baruque foi e levou o rolo com ele.

    15 Os oficiais disseram: “Sente-se. Leia o rolo para nós.” E Baruque leu.

    16 Quando acabaram de ouvir a leitura, ficaram indignados. Discutiram a respeito e chegaram à seguinte conclusão: “Temos de contar ao rei.”

    17 Eles perguntaram a Baruque: “Diga-nos, como foi que você chegou a escrever tudo isso? Foi Jeremias que ditou para você?”

    18 Baruque disse: “Foi isso mesmo. Cada palavra saiu diretamente da boca de Jeremias. E eu escrevi tudo, palavra por palavra.

    19 Os oficiais do governo disseram a Baruque: “Você precisa sair daqui. Vá e se esconda, você e também Jeremias. Não deixe ninguém saber onde vocês estão.”

    20-21 Os oficiais foram ao pátio do palácio relatar o fato ao rei e guardaram o rolo em segurança na sala de Elisama, o secretário de Estado. O rei mandou Jeudi buscar o rolo, e ele o trouxe da sala do secretário Elisama. Então, Jeudi leu o rolo para o rei e os oficiais que estavam a serviço do rei.

    22-23 Era dezembro. O rei estava sentado nos aposentos de inverno, perto do fogo. A cada três ou quatro colunas lidas por Jeudi, o rei cortava aquele pedaço com uma pequena faca e o jogava no fogo. Ele continuou fazendo isso até que todo o rolo foi queimado no braseiro.

    24-26 Nem o rei nem nenhum de seus oficiais mostraram um grama de peso na consciência ao ouvir a leitura das mensagens. Elnatã, Delaías e Gemarias tentaram convencer o rei a não queimar o rolo, mas ele deu de ombros e simplesmente continuou a queimá-lo. Em seguida, ordenou que o príncipe Jerameel, Seraías, filho de Azriel e Selemias, filho de Abdeel, fossem prender o profeta Jeremias e seu secretário, Baruque. Mas o Eterno os havia escondido.

    27-28 Depois que o rei terminou de queimar o rolo em que Baruque escrevera as palavras de Jeremias, o profeta recebeu esta Mensagem do Eterno: “Pegue outro rolo e comece tudo de novo. Escreva tudo que estava naquele primeiro rolo, que Jeoaquim, rei de Judá, queimou.

    29 “E envie esta mensagem pessoal a Jeoaquim, rei de Judá: O Eterno diz que você teve a coragem de queimar aquele rolo e a ousadia de dizer: “Que tolice é essa escrita neste rolo, que o rei da Babilônia virá e destruirá esta terra e matará tudo e todos nela?”

    30-31 “Bem, você quer saber o que o Eterno diz sobre Jeoaquim, rei de Judá? É isto: nenhum descendente seu vai governar no trono de Davi. Seu cadáver será jogado na rua e deixado ali, insepulto, exposto ao sol quente e à noite fria. Vou castigar você, seus filhos e os oficiais do seu governo por sua perversidade descarada. Vou fazer cair sobre eles e sobre todos em Jerusalém a calamidade do dia do juízo de que os adverti e que eles ignoraram.”

    32 Assim, Jeremias trouxe outro rolo e o entregou a Baruque, filho de Nerias, seu secretário. Jeremias ditou, e ele escreveu tudo que Jeoaquim, rei de Judá, havia queimado. Mas nessa versão houve também vários acréscimos.

  • Jeremias, 35

    ENCONTRO NO TEMPLO DO ETERNO
    1Mensagem que Jeremias recebeu do Eterno dez anos antes, durante o tempo em que Jeoaquim, filho de Josias, era rei de Judá:

    2 “Vá e visite a comunidade dos recabitas. Convide-os a se encontrar com você numa das salas do templo do Eterno. E sirva vinho a eles.

    3-4 Então, fui buscar Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, com todos os seus irmãos e filhos, ou seja, toda a comunidade dos recabitas, e os trouxe para o templo do Eterno. Levei-os à sala de reuniões de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus. Essa sala ficava próxima da sala de reuniões dos oficiais do templo e acima da sala de Maaseias, filho de Salum, que era o encarregado dos negócios do templo.

    5 Então, coloquei taças e jarras de vinho diante dos recabitas e disse: “Saúde! Bebam à vontade!”

    6-7 Mas eles recusaram. “Nós não bebemos vinho”, disseram. “Nosso antepassado Jonadabe, filho de Recabe, nos deu a seguinte ordem: Nunca bebam vinho, nem vocês, nem seus filhos, nunca! Nem construam casas nem se estabeleçam, não cultivem a terra nem plantem jardins nem videiras. Não comprem propriedades. Vivam em tendas como nômades, para que vivam bem e prosperem.

    8-10 “E é o que temos feito. Obedecemos a tudo que Jonadabe, filho de Recabe, nos ordenou. Nós e nossas mulheres, nossos filhos e nossas filhas, nunca bebemos vinho. Não construímos casas. Não temos vinhas nem campos, nem jardins. Vivemos em tendas, como nômades. Temos seguido à risca tudo que nosso antepassado Jonadabe nos ordenou.

    11 “Mas, quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu nossa terra, dissemos: Vamos para Jerusalém, a fim de sair do caminho dos exércitos dos caldeus e dos arameus. Vamos achar um lugar seguro para nós. É por isso que estamos vivendo em Jerusalém agora.”

    POR QUE VOCÊS NÃO APRENDEM A LIÇÃO
    12-15 Então, Jeremias recebeu esta Mensagem do Eterno: “O Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel, quer que você vá e diga ao povo de Judá e aos cidadãos de Jerusalém: Por que vocês não aprendem a lição e não fazem o que eu digo? É o decreto do Eterno. As ordens de Jonadabe, filho de Recabe, dadas a seus filhos são cumpridas ao pé da letra. Ele ordenou que não bebessem vinho, e eles não tocam numa gota de vinho até hoje. Eles honraram e obedeceram à ordem de seu antepassado. Mas olhem para vocês! Eu fiz de tudo para ter sua atenção, e vocês me ignoraram. Enviei profeta após profeta, todos eles meus servos, para pregar a vocês, desde manhã até tarde da noite, convidando-os a mudar de vida, a romper radicalmente com seu passado de pecado, a se corrigir e a não cair diante de qualquer deus ou ídolo que desce a montanha, a serem fiéis nesta terra que dei aos seus antepassados E assim se estabelecerem nela.

    15-16 “E o que recebo de vocês? Ouvidos surdos. Os descendentes de Jonadabe, filho de Recabe, cumprem ao pé da letra o que seu antepassado ordenou, mas este povo me ignora.

    17 “Portanto, isto é o que vai acontecer. O Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel, diz: Farei descer a calamidade sobre a cabeça do povo de Judá e de Jerusalém, a mesma calamidade da qual adverti vocês, porque vocês se fizeram de surdos quando falei, viraram-me as costas quando chamei.”

    18-19 Então, voltando-se à comunidade dos recabitas, Jeremias disse: “Isto é o que o Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus de Israel, diz a vocês: Já que vocês fizeram o que seu antepassado Jonadabe disse, obedeceram às ordens dele e puseram em prática suas instruções, recebam esta Mensagem do Senhor dos Exércitos de Anjos, Deus de Israel: Sempre haverá um descendente de Jonadabe, filho de Recabe, no meu serviço! Sempre!”

  • Jeremias, 34

    LIBERDADE PARA OS ESCRAVOS
    1Mensagem do Eterno a Jeremias durante a época em que o rei Nabucodonosor da Babilônia preparava o ataque final contra Jerusalém e todas as cidades à sua volta com seu exército, seus aliados e todos os que conseguiu reunir:

    2-3 “Eu, o Eterno, o Deus de Israel, ordeno que você diga a Zedequias, rei de Judá: Esta é a Mensagem do Eterno. Preste atenção. Vou entregar esta cidade ao rei da Babilônia, e ele vai arrasá-la e queimá-la. E não pense que você vai escapar. Você será capturado, será prisioneiro dele. Você terá um confronto pessoal com o rei da Babilônia e será levado cativo para a Babilônia.

    4-5 “Mas escute, Zedequias, rei de Judá, o restante da Mensagem do Eterno. Você não será morto. Você terá uma morte tranquila. Eles o honrarão com rituais fúnebres como foram honrados os reis que precederam você. Eles lamentarão sua morte, chorando e pranteando. É uma promessa solene. É o decreto do Eterno”.

    6-7 O profeta Jeremias entregou essa Mensagem a Zedequias, rei de Judá, em Jerusalém, palavra por palavra. Foi exatamente na época em que o rei da Babilônia estava preparando seu ataque final a Jerusalém e a todas as cidades em Judá que ainda estavam de pé — Láquis e Azeca eram as únicas cidades fortificadas que ainda restavam em Judá.

    8-10 O Eterno entregou uma Mensagem a Jeremias depois que o rei Zedequias fez acordo com o povo de Jerusalém para decretar a libertação dos escravos hebreus, homens e mulheres. A aliança estipulava que ninguém em Judá podia ter um patrício judeu como escravo. Todos os líderes e cidadãos que haviam assinado o acordo libertaram seus escravos, homens e mulheres.

    11 Mas, pouco tempo depois, se arrependeram do acordo, violaram a promessa e forçaram os antigos escravos a trabalhar para eles outra vez.

    12-14 Então, jeremias recebeu esta Mensagem do Eterno: “O Eterno, o Deus de Israel, diz: Fiz uma aliança com seus antepassados quando os libertei da escravidão no Egito. Na época, deixei bem claro: Ao final de cada sete anos, cada um de vocês libertará qualquer patrício hebreu que teve de se vender como escravo a vocês. Depois de ele servir seis anos, libertem-no. Mas seus antepassados me ignoraram.

    15-16 “E, agora, o que vocês fizeram? Primeiro, admitiram o que era certo e fizeram o correto, decretando a liberdade para seus irmãos e irmãs, e tornaram isso oficial num acordo solene, no meu templo. Mas depois deram meia-volta e quebraram a palavra, zombando de mim e do acordo, e escravizaram de novo aqueles a quem haviam libertado. Vocês os obrigaram à escravidão outra vez!

    17-20 “Portanto, aqui está o que eu, o Eterno, tenho a dizer: vocês não me obedeceram e não libertaram seus irmãos e irmãs. Ouçam o que vou fazer: vou libertar vocês — decreto do Eterno — para que sejam mortos em guerra ou por doença ou por fome. Vou fazer de vocês um espetáculo de horror. Os povos de todo o mundo vão olhar para vocês e se arrepiar. Todos os que violaram minha aliança, que não fizeram o que foi prometido solenemente, na cerimônia em que cortaram o boi pela metade; todos os que naquele dia passaram entre as metades do boi — os líderes de Judá e de Jerusalém, os oficiais do palácio, os sacerdotes e o restante do povo — estou entregando aos inimigos que estão atrás deles para matá-los. Seus cadáveres serão carniça para os abutres e para os cachorros sem dono.

    21-22“Quanto a Zedequias, rei de Judá, e os oficiais do seu palácio, também vou entregá-los aos inimigos, que estão atrás deles para matá-los. O exército do rei da Babilônia se retraiu por um período, mas não será por muito tempo, pois vou emitir ordens que irão trazê-los de volta para esta cidade. Eles atacarão, tomarão a cidade e a deixarão arrasada e incendiada. As cidades vizinhas de Judá não terão melhor fim. Eu as tornarei cidades-fantasma, inabitáveis e inóspitas.” É o decreto do Eterno.

  • Jeremias, 33

    COISAS QUE VOCÊS NEM IMAGINAM
    1Enquanto Jeremias ainda estava trancado na prisão, uma segunda Mensagem do Eterno veio a ele:

    2-3 “Esta é a Mensagem do Eterno, do Deus que fez a terra e a tornou habitável e duradoura, conhecido em todos os lugares como Eterno: Clamem a mim, e eu responderei. Direi coisas extraordinárias, que vocês nem imaginam.

    4-5 “É isso que o Eterno, o Deus de Israel, tem a dizer sobre o que está acontecendo nesta cidade, sobre as casas demolidas dos cidadãos comuns e dos reis, sobre toda a devastação da guerra e da matança pelos caldeus e sobre as ruas salpicadas de corpos dos que foram mortos por causa da minha ira ardente. Em resumo: sobre tudo que aconteceu em razão de as maldades desta cidade terem feito revirar meu estômago.

    6-9 “Mas agora, deem outra olhada: vou promover nesta cidade uma reforma completa e profunda, que trará uma cura completa. Vou mostrar a vocês o que é uma vida plena, transbordante de bênçãos. Vou restaurar tudo que Judá e Jerusalém perderam. Vou reconstruir tudo, deixar a cidade como nova. Vou esfregar e lavar a sujeira que fizeram contra mim. Vou perdoar tudo que fizeram de errado, todas as suas rebeliões. E Jerusalém será um centro de alegria, louvor e glória para todas as nações da terra. Elas ouvirão todas as boas coisas que estou fazendo por meu povo e ficarão abismados diante das bênçãos que estou derramando sobre ele.

    10-11 “Sim, esta é a Mensagem do Eterno: Vocês olharão para este lugar, para as cidades vazias e desoladas de Judá e as ruas desertas de Jerusalém, e dirão: Terra devastada. Inabitável. Nem mesmo um cachorro poderia viver aqui! Mas está chegando o tempo em que vocês ouvirão risadas e celebração, festas de casamento, pessoas exclamando: “Graças ao Senhor dos Exércitos de Anjos! Ele é tão bom! Seu amor nunca cessa!” E eles trarão ofertas de gratidão ao templo do Eterno. Vou restaurar tudo que estava perdido nesta terra. Tudo será como se fosse novo. Eu, o Eterno, estou dizendo isso.

    12-13 “O Senhor dos Exércitos de Anjos diz: Este lugar assolado, insuportável até para um cão, mais uma vez se tornará pastagem para os pastores que cuidam de seus rebanhos. Vocês verão rebanhos por todos os lugares, nas montanhas em volta da Sefelá e do Neguebe, em todo o território de Benjamim, em volta de Jerusalém e das cidades de Judá, rebanhos sob os cuidados de pastores que se importam com as ovelhas. O Eterno é quem está dizendo isso.”

    UM RAMO NOVO DO TRONCO DE DAVI
    14-18 “Prestem atenção: está chegando o tempo — decreto do Eterno — em que vou cumprir a promessa que fiz às famílias de Israel e de Judá. Quando chegar esse tempo, vou fazer brotar um Ramo novo do Tronco de Davi. Ele vai governar esta nação de forma justa e honesta, pondo as coisas em ordem e fazendo justiça. Então, Judá estará tranquila, e Jerusalém viverá em segurança. O lema da cidade será: O Senhor pôs tudo em ordem e fez justiça para nós. O Eterno deixou bem claro que sempre haveria um descendente de Davi governando o povo de Israel e sempre haveria sacerdotes e levitas à disposição para oferecer ofertas queimadas, apresentar ofertas de cereal e conduzir a adoração com sacrifícios em minha honra.”

    19-22 Mensagem do Eterno a Jeremias: “Deus diz: Se minha aliança com o dia e minha aliança com a noite fossem violadas, de modo que dia e noite se confundissem e vocês não soubessem mais qual era qual, só então minha aliança com meu servo Davi seria violada, e seus descendentes não governariam mais. O mesmo vale para os sacerdotes e levitas que me servem. Assim como ninguém consegue contar as estrelas no céu nem medir a areia da praia, vocês não serão capazes de contar os descendentes de Davi, meu servo, nem dos levitas que me servem.”

    23-24 Mensagem do Eterno a Jeremias: “Vocês já ouviram o ditado que circula por aí: As duas famílias que o Eterno escolheu, Israel e Judá, ele já repudiou? Viram que meu povo é tratado com desprezo e que circulam rumores de que tudo acabou para eles?

    25-26 “Bem, aqui está a resposta do Eterno: Se minha aliança com o dia e a noite não estivesse vigorando perfeitamente, se o céu e a terra não estivessem funcionando como determinei, então vocês poderiam pensar que repudiei os descendentes de Jacó e do meu servo Davi e que não vou estabelecer um dos descendentes de Davi sobre os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Mas vou devolver tudo que eles perderam. A última palavra é: eu terei misericórdia deles.”