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O Livro de Jó
Introdução
O Livro de Jó trata do sofrimento humano. Jó era um homem bom, rico e feliz, mas Deus permitiu que, da noite para o dia, perdesse os filhos e tudo o que tinha e que fosse atacado por uma doença terrível. Depois Jó e os seus amigos conversam, em diálogos poéticos, procurando achar explicação para tanta desgraça. No fim Deus aparece e dá a resposta.
Pensava-se, naquele tempo, que o sofrimento é sempre resultado do pecado. Para os amigos de Jó, Deus sempre recompensa os bons e castiga os maus. Portanto, se Jó está sofrendo, é porque pecou, mesmo que tenha sido em segredo. Mas Jó reage contra essa explicação. Ele não entende como Deus deixou que tamanha desgraça caísse sobre ele, visto que sempre foi um homem bom e honesto. Nesse estado de angústia e de dúvida, Jó chega a desafiar a Deus. Ele exige uma explicação para que finalmente possa ser aceito por Deus e considerado pelos outros como um homem bom e correto.
E Deus tem a última palavra. Ele não responde às perguntas de Jó, mas fala do seu próprio poder e sabedoria. Humildemente Jó reconhece que ele não é nada diante de um Deus tão poderoso e sábio e se arrepende de haver usado palavras duras e violentas.
No final fica provado que Jó tinha razão e que os seus amigos estavam errados. Ele tinha toda a razão de rejeitar o modo de pensar dos seus amigos. E para Jó tudo vai melhor ainda do que no começo da história. Deus repreende os amigos de Jó por não haverem entendido a razão do seu sofrimento e por haverem defendido ideias erradas a respeito de Deus. Jó, ao contrário, mesmo com a sua impaciência, as suas reclamações e os seus
protestos, conservou a fé num Deus que é justo. Ele reconheceu que os seres humanos não podem compreender tudo, nem explicar bem a razão por que às vezes também os inocentes sofrem.
Esquema do conteúdo
1. Cena inicial: Jó é posto à prova (1.1—2.13)
a. Jó e a sua família (1.1-5)
b. Deus, Satanás e Jó (1.6—2.10)
c. Jó e os seus amigos (2.11-13)
2. Diálogos entre Jó e os seus amigos (3.1—37.24)
a. Queixa de Jó (3.1-26)
b. Primeiro diálogo (4.1—14.22)
c. Segundo diálogo (15.1—21.34)
d. Terceiro diálogo (22.1—27.23)
e. Elogio da sabedoria (28.1-28)
f. Defesa final de Jó (29.1—31.40)
g. As falas de Eliú (32.1—37.24)
3. Intervenção do Senhor e respostas de Jó (38.1—42.6)
a. Primeira resposta de Deus (38.1—40.2)
b. Primeira resposta de Jó (40.3-5)
c. Segunda resposta de Deus (40.6—41.34)
d. Última resposta de Jó (42.1-6)
4. Cena final (42.7-17)
a. Os três amigos de Jó (42.7-9)
b. Jó e a sua nova família (42.10-17)

  • Jó, 22

    ELIFAZ ATACA JÓ — O TERCEIRO ASSALTO – FAÇA UM ACORDO COM DEUS
    1-11 Outra vez, Elifaz, o temanita, tomou a palavra: “Algum de nós é forte o bastante para dar uma mãozinha a Deus, ou esperto o suficiente para lhe aconselhar? Acha que sendo justo faria alguma diferença ao Todo-poderoso? Mesmo que tivesse uma vida perfeita, acha que ele o aplaudiria? Acha que ele dá uma dura em você por causa da sua pureza? Claro que não! É porque você é um poço de maldade, e os seus pecados não têm fim. Quando as pessoas vieram pedir socorro, você as explorou, tirando-lhes até a roupa. Não deu água para quem tinha sede nem comida para quem tinha fome. E olha que você era poderoso e honrado por todos, nadava em dinheiro! E mais, expulsou viúvas pobres da sua porta, e, sem dó nem piedade, maltratou os órfãos. Por isso, está cercado de perigo, paralisado pelo medo. De repente, a mesa virou! Como você se sente vivendo em completa escuridão ou como se estivesse prestes a morrer afogado?

    12-14 “Você sabe que Deus está no comando? Ele conduz o Universo — dê uma olhada nas estrelas! Ainda assim, você ousa dizer: ‘O que sabe Deus? A essa distância e na escuridão, como pode julgar? Ele passeia pelos céus, cercado em nuvens, mas como pode nos ver?’

    15-18 “Você vai continuar batendo na mesma tecla que os ímpios sempre utilizaram? E cadê eles? Morreram cedo, antes da hora, uma enchente repentina os varreu cia terra. Eles diziam para Deus: ‘Deixa-nos em paz! O que o Todo-poderoso pode fazer conosco?’. E, na verdade, foi Deus quem lhes deu tudo. Como sei disso, passo bem longe dessa gente!

    19-20 “Os honestos veem os desonestos arruinados e fazem festa. Aliviados, comemoram: ‘Finalmente! Nossos inimigos estão arruinados. Tudo que tinham evaporou e seus planos viraram fumaça!’

    21-25 “Chega de discutir com Deus. Faça as pazes e tudo ficará numa boa. Deixe que ele diga a você o que fazer. Guarde as palavras dele no coração. Se voltar para o Todo-poderoso, ele reconstruirá sua vida. Limpe sua casa de todo mal, abra mão do seu amor ao dinheiro e jogue fora todo o seu ouro. Então, o Todo-poderoso será seu tesouro, que é a maior riqueza do mundo!

    26-30 “Você terá prazer em Deus, o Poderoso, e olhará para ele com alegria e sem medo. Quando você orar, ele ouvirá e ajudará a realizar os seus planos. Você decidirá o que você quer, e isso acontecerá. Seu caminho será coberto de luz. Aos que estiverem na pior, você dirá: ‘Animem-se! Tenham coragem!’ e Deus os salvará. Até o culpado escapará, por causa da graça de Deus em sua vida.”

  • Jó, 21

    A RESPOSTA DE JÓ POR QUE O ÍMPIO SEMPRE SE DÁ BEM
    1-3 Jó replicou: “Agora ouçam-me. Deixem-me falar! Pelo menos façam o favor de me ouvir; Aguentem um pouco — depois, podem zombar à vontade de mim.

    4-16 “Não estou me queixando de vocês, mas de Deus. Então, eu não deveria estar perturbado? Deem uma boa olhada em mim e pasmem! Não, não digam nada! Aliás, nem conseguirão dizer nada. Até eu, quando me vejo, entro em choque, não consigo parar de tremer. Por que os ímpios se dão bem, vivem tanto e são tão ricos? Eles podem ver os filhos bem-sucedidos, desfrutam a alegria de estar com os netos. O lar deles está em paz, e eles não sentem medo, nunca experimentaram a vara da disciplina de Deus. O seu gado berra com vigor, multiplicam-se a todo vapor. Eles deixam os filhos brincarem do lado de fora, as crianças pulam e correm soltas, felizes da vida! Tocam música com violinos e flautas, festejam, cantam e dançam sem parar. Desfrutam uma vida boa e longa e morrem sem dor, durante o sono. Dizem a Deus: ‘Deixa-nos em paz! Não queremos saber dos teus planos. Quem é o Todo-poderoso e por que devo obedecer a ele? O que ganhamos com ele?’. Mas cometem um grande erro: eles acham que são deuses. E como sei disso, passo bem longe dessa gente!

    17-21 “Quantos ímpios fracassados conhecem, ou quantos foram detonados pela desgraça, ou, ainda, foram pegos de jeito na esquina? Quantas vezes são varridos como simples palhas? Não muitas. Vocês podem dizer: ‘Deus está guardando o castigo para os filhos deles’. Então, pergunto: ‘Por que não agora, para que saibam o que fizeram?’. Eles precisam aprender a lição, e sentir na pele todo peso da ira de Deus. Pois nem devem ligar para a família uma vez que tiver terminado sua vida.”

    FUNERAIS DE LUXO
    22-26 “Mas quem somos nós para dizer a Deus o que fazer? Ele lida com assuntos além do que podemos compreender. Alguns morrem na flor da idade, quando tudo está a favor deles — quando a vida é plena fartura e vigor. Outros morrem amargos e desolados, sem nunca provar o sabor da felicidade. Mas ambos são postos lado a lado na morte, não é possível distinguir um do outro.

    27-33 “Não me iludo. Sei do que vocês são capazes, dos planos que maquinam para me derrubar. Ingenuamente, dizem que os castelos dos maus desabarão, que as conquistas dos ímpios entrarão em colapso. Já perguntaram aos viajantes o que acham disso? Não ouviram deles histórias De gente má que nunca sofreu punição, que nunca pagou coisa alguma por suas maldades? Ninguém os confrontou com seus crimes? Nunca arcaram com as consequências de seu pecado? Em vez disso, tiveram funerais de luxo, com tudo a que tinham direito. São colocados cuidadosamente em sepulturas caras, acompanhados de uma multidão a lhes cortejar com mentiras.

    34 “Ainda esperam que eu seja consolado por suas palavras? O ‘consolo’ de vocês é uma grande farsa!.”

  • Jó, 20

    ZOFAR ATACA JÓ — O SEGUNDO ASSALTO SABOREANDO O MAL COMO UMA IGUARIA
    1-3 Zofar, de Naamate, tomou a palavra outra vez: “Não posso acreditar no que estou ouvindo! Você me irritou, chegou a me dar nó no estômago. Como ousa insultar a minha inteligência desse jeito? Por isso, contesto:

    4-11 “Você não conhece nem mesmo o básico? Não sabe que as coisas são assim desde o início, desde que a humanidade existe no mundo? A alegria do ímpio tem vida curta; a felicidade dele é momentânea. Pode ser que o orgulho do ímpio chegue aos céus, e sua arrogância seja tanta que toque as nuvens, Mas, no fim, ele acaba sentado num monte de esterco. Quem o conheceu olha e diz: ‘Onde ele foi parar?’. É tão passageiro quanto um sonho do qual não se lembra, desaparece como se fosse ilusão. Já foi importante, mas agora é como um “joão-ninguém”, Passa despercebido, não importa aonde vá. Seus filhos vão mendigar na rua, para restituir a todos de quem tirou vantagem. Em pleno vigor da vida, ainda que jovem, morrerá.

    12-19 “Ele saboreia o mal como uma iguaria, degusta a maldade sem pressa; Deixa na boca para saborear mais — e como aprecia o mal! Mas, depois, o estômago revira, causa forte intoxicação alimentar. A comida “refinada” tem de vomitar, e Deus o faz colocar tudo para fora. A maldade que engoliu torna-se veneno e o mata. Não poderá aproveitar nada do que conseguiu — nem um banquete, nem festa, nem um bom vinho. Tem de devolver tudo que ganhou, sem nem ter a chance de desfrutar o seu trabalho. E por quê? Porque explorou o pobre, e tomou o que não lhe pertence.

    20-29 “Aquele que nega Deus nunca está feliz com o que tem e sua ganância não dá folga! Ele ajunta muita coisa, mas não consegue se agarrar a nada. Quando pensa que já tem tudo, o desastre acontece. É servido com um bom prato de miséria! Quando a barriga está cheia, Deus dá uma amostra de sua ira, depois despeja todo seu furor sobre ele. Se foge de um desastre, vai de encontro a outro. Ele é atirado de um lado para outro, espancado até a morte. O horror assombra sua casa, e tudo que tem escoa pelo ralo. A vida dele deu “perda total” — não tem onde cair morto, não possui mais um tostão furado. Deus arrancará suas roupas sujas de maldade e as pendurará à vista de todos. Sua vida é arrasada como por um terremoto, pois nada pode resistir à ira de Deus. Aí está. Esse é o plano de Deus para o ímpio. Isso é o que o aguarda.”

  • Jó, 19

    JÓ RESPONDE A BILDADE – PEÇO SOCORRO, MAS NINGUÉM SE IMPORTA
    1-6 Jó respondeu: “Até quando continuarão a me torturar, a me machucar com suas palavras? Já me insultaram mais de dez vezes, e não têm vergonha de me detonar? Se eu saí dos trilhos, fiz algo de errado, o que vocês têm a ver com isso? Por que vocês ficam se achando, e usam a minha situação para acabar comigo? Vão reclamar com Deus! Ele está por trás de tudo! Foi ele que me jogou nesta confusão.

    7-12 “Olhem para mim! Grito desesperado: ‘Socorro!’, e sou ignorado. Ninguém se importa! Deus interditou o meu caminho — estou totalmente encurralado. Ele cobriu todas as luzes — estou preso no escuro. Ele destruiu minha reputação, tirou-me até o respeito próprio. Ele me fez em pedaços — estou arruinado! E arrancou a esperança pela raiz — não sobrou nada! Lançou toda sua ira contra mim! Ele me trata como se eu fosse seu pior inimigo. E jogou tudo e todos contra mim, usa toda arma que se possa imaginar, cerca-me por todos os lados, não há como escapar.”

    EU SEI QUE DEUS VIVE
    13-20 “Deus tirou de mim a minha família; todos os que me conhecem me evitam. Meus parentes e amigos me abandonaram; os meus hóspedes viram a cara pra mim. As criadas me tratam como um inútil, fazem de conta que nunca me viram. Chamo meu criado, e ele me ignora, até mesmo quando peço um favor. Minha mulher já não suporta ficar ao meu lado. Sou um ser repugnante para meus parentes. Até os mendigos na rua me desprezam: quando saio, zombam de mim. Todos de quem fui chegado sentem nojo; meus amados me rejeitam. Estou só pele e osso! Minha vida está por um fio.

    21-22 “Amigos, meus amigos, tenham dó! Deus pegou pesado comigo! Vocês vão fazer o mesmo? Já não me tiraram até o couro?

    23-27 “Quem dera minhas palavras fossem registradas num livro — ou, melhor ainda, esculpidas numa pedra! Apesar de tudo, sei que Deus vive. É ele quem me dá vida e, no final, é ele quem me fará justiça! E eu o verei, mesmo depois de ter o corpo destruído. Verei Deus com meus próprios olhos. Como anseio por esse dia!

    28-29 “Se vocês estão pensando: ‘Como podemos arrasá-lo, pois a culpa dessa aflição é toda dele?’, Esqueçam! Comecem a se preocupar com vocês mesmos. Preocupem-se com seus pecados e com o juízo divino, pois não há nada mais certo que o julgamento.”

  • Jó, 18

    O SEGUNDO ATAQUE DE BILDADE – ATIRADOS DA LUZ PARA AS TREVAS
    1-4 Bildade, de Suá, entrou na conversa: “Vamos parar com esse jogo de palavras? Francamente! Seja razoável e poderemos conversar. E por que você trata seus amigos como animais? Você olha para nós como se não soubéssemos coisa alguma. Por que se acha tanto? Quer que o mundo todo se adapte a você? A realidade deveria mudar por sua causa?

    5-21 “A regra é esta: a luz dos ímpios se apaga. O seu brilho diminui e se extingue. A casa deles escurece — a lâmpada de sua vida é apagada. Seus passos fortes tornam-se vacilantes, e tropeçam nas próprias armadilhas. Ficam enroscados na própria emboscada. Seus pés ficam presos, bem presos pelo laço. Eles tropeçam nas cordas que esconderam e caem na cova que eles mesmos cavaram. O terror vem de todos os lados. Eles correm o mais rápido que podem. As aflições estão prontas para devorá-los, A desgraça está prestes a lançar-lhes as garras. São arrancados do conforto de seu lar doce lar e levados direto para a morada da morte. A vida deles se esvai em fumaça; O fogo e o enxofre espalham-se por suas ruínas. Suas raízes apodrecem e seus galhos secam. Eles nem serão mais lembrados — serão enterrados como indigentes sem nome. São atirados da luz para as trevas, totalmente banidos do mundo. E saem de mãos vazias — nem um único filho, nada que mostre algum resultado de sua vida na terra. Do Oriente ao Ocidente, todos estão apavorados e horrorizados com o fim deles: ‘Vejam! É isso que acontece com os perversos. Esse é o fim dos que ignoram Deus!’.”

  • Jó, 17

    1-2 “Meu espírito está debilitado, meus dias estão esgotados, a sepultura está aberta à minha espera. Estás vendo esses zombadores que me cercam? Por quanto tempo ainda vou ter de suportá-los?

    3-5 “Ó Deus, preciso da tua ajuda! Preciso da tua garantia, pois és o único que podes fazer isso! Essa gente não ajuda em nada! Sabes quão insanos eles podem ser. Não os deixes sair como vencedores. Os que traem os próprios amigos ensinarão perversidade aos filhos.

    6-8 “Deus, tu me colocaste na boca do povo — e eles me cospem no rosto. Mal enxergo de tanto choro; sou apenas pele e osso. Os íntegros não conseguem acreditar no que veem, e os de bom coração estão convencidos de que desisti de Deus.

    9 “Mas quem tem princípios se mantém firme, e quem tem as mãos limpas ficará cada vez mais forte!

    10-16 “Vocês ainda querem falar alguma coisa? Querem fazer uma nova tentativa? Até agora não encontrei nem sombra de sabedoria nas suas palavras. Minha vida está prestes a acabar. Todos os meus planos estão arruinados, a chama da minha esperança está apagada. Dizem que a noite se transformará em dia, e que a alvorada está prestes a surgir. Mas, se tudo que espero é ir para o cemitério, se minha única esperança de conforto é o túmulo, Se vou apodrecer depois de enterrado, e os vermes serão meus únicos companheiros, Como vocês podem falar de esperança? Alguém vai me ajudar a encontrá-la? Não. A esperança será enterrada comigo, descansaremos juntos debaixo da terra!”

  • Jó, 16

    JÓ SE DEFENDE – SE VOCÊS ESTIVESSEM NA MINHA PELE
    1-5 Então, Jó se defendeu: “Já ouvi mais do que podia aguentar! Vocês são consoladores de araque! Será que esse papo furado não acaba nunca? Qual o problema de vocês, por que insistem tanto nisso? Se vocês estivessem na minha pele, eu poderia até falar do mesmo jeito, Despejar um monte de sermões e obrigá-los a ouvir tudo. Mas nunca faria isso! Eu os consolaria e confortaria, tentaria aliviar as coisas, não torná-las piores!

    6-14 “Quando falo, não me sinto melhor; se me calo, também não ajuda em nada. Estou esgotado! Deus, tu me destruíste — a mim e minha família. Estou seco, sou apenas pele e osso! Assim, mostras ao mundo que estás contra mim. Quando me olho no espelho, vejo um testemunho do que fizeste a mim. Tua ira me dilacera, teus dentes me rasgam em pedaços, e meus inimigos lançam olhares ferozes pra mim. As pessoas me apontam o dedo, ridicularizam e batem em mim, todos se juntam para me perseguir. E Deus apenas olha e permite que os ímpios façam isso, eles fazem o que querem comigo. Eu estava cuidando da minha vida, tranquilo, quando Deus me golpeou. Ele me agarrou pelo pescoço e me jogou de um lado pro outro. Ele me escolheu como alvo e me cercou de flecheiros prontos para atirar. Sem dó nem piedade, eles me acertaram com suas flechas; e agora estou ferido e o chão todo manchado do meu sangue. Ele me destruiu, uma vez após outra, caiu sobre mim como um bravo lutador.

    15-17 “Vesti-me de luto e prostrei-me com o rosto em terra. Meus olhos estão vermelhos de tanto chorar, e vejam as minhas olheiras! Estou assim, ainda que nunca tenha ferido uma alma e minhas orações sejam sinceras!”

    OS MORTAIS DIANTE DE DEUS
    18-22 “Ó terra, não esconda o mal que me fizeram! Não abafe meu choro nem meu protesto! Saibam que há alguém no céu que conhece a verdade sobre mim, o Advogado que pode limpar o meu nome — Meu Protetor, meu Amigo — enquanto as lágrimas dos meus olhos são derramadas diante de Deus. Ele defende um pobre mortal perante Deus como se defende um grande amigo. “Pois faltam somente alguns anos para que eu tome o caminho sem volta.”

  • Jó, 15

    ELIFAZ ATACA DE NOVO – VOCÊ BANALIZA A RELIGIÃO
    1-16 Elifaz, de Temã, falou pela segunda vez: “Se você fosse mesmo sábio, não falaria tolices, não jogaria palavras ao vento. Nem falaria esses absurdos numa discussão tão séria como essa. Olhe para você! Você banaliza tudo, transforma assuntos espirituais em conversa fiada. O seu pecado o ensinou a falar desse jeito, você preferiu adotar a linguagem de malandro. Suas palavras denunciam sua culpa. E não sou eu quem digo — mas você mesmo se entrega! Acha que é o primeiro a enfrentar isso? Você nasceu antes de existirem as montanhas? Estava presente quando Deus criou tudo? Acha que conhece todas as coisas? O que você sabe que nós não sabemos? Que discernimento você tem que nos falta? Barba grisalha e cabelos brancos não significam nada? Há gente mais velha que seu pai do nosso lado! As promessas de Deus não bastam, e as nossas palavras ternas não o consolam? Por que permite que suas emoções o dominem? Precisa sair dando coices e cuspindo fogo para todos os lados em revolta contra Deus? Como deixa palavras como essas saírem de sua boca? Acha possível um mero mortal ser impecável aos olhos de Deus? Como um pobre mortal pode achar que tem razão? Ora, Deus não confia nem mesmo nos anjos! Nem os céus são totalmente puros a seus olhos, Quanto mais nós, humanos imundos e corruptos, que bebem a maldade como água!”

    O TEMPO TODO BRIGANDO COM DEUS
    17-26 “Tenho umas coisinhas para dizer a você. Preste atenção! Vou falar da minha experiência. É o que gente sábia sempre ensinou também, sem nenhuma reserva do que aprenderam Com seus pais, há muito tempo, quando eram donos de toda esta terra. Para os que vivem segundo as próprias leis, não as de Deus, não existe nada além da angústia, e, quanto mais vivem, a situação piora. Qualquer coisa, até mesmo um pequeno ruído, os amedronta. Quando finalmente pensam que estão em paz, acontece um desastre. Eles se desesperam, pois a situação nunca melhora — vivem com a corda no pescoço! Eles andam pra lá e pra cá, à procura do que comer — todo dia é o dia de juízo! Eles vivem em constante terror, sempre jogados contra a parede, Porque insistem em erguer os punhos contra Deus, desafiam o Todo-poderoso, Brigam o tempo todo com Deus e sempre estão na defensiva.

    27-35 “Mesmo que pareçam ter boa saúde, sejam bem dispostos e joviais, Terminarão seus dias em lugares em ruínas, dormirão em ‘barracos’ detonados, caindo aos pedaços. Nunca prosperarão, nem conseguirão juntar dinheiro. E, depois, a morte — não pense que escaparão! Seu fim será como mato ressecado, um leve sopro de Deus bastará para os derrubar. Há uma lição aqui: quem investir em mentiras as receberá com juros, Pagos de uma vez só antes do prazo. Que investimento! Serão como fruto destruído antes de amadurecer, como botão de flor arrancado antes de desabrochar. Os ímpios são infrutíferos — não têm proveito algum. A vida construída com suborno se desfará. Eles se unem carnalmente com o pecado e geram a maldade. Do ventre deles só nasce engano.”

  • Jó, 14

    SE MORRERMOS, VIVEREMOS NOVAMENTE
    1-17 “O homem é tão frágil! Sua vida é curta e cheia de angústia. Como uma flor que brota e logo murcha, tão passageira como a sombra de uma nuvem. E por que gastas teu tempo comigo, um ser tão insignificante? Por que te dás ao trabalho de me arrastar para o tribunal? Não dá nem para discutir! Esperas alguma coisa de nós? A vida do homem é tão limitada! Tu já sabes, pois decidiste nosso tempo de vida, estabeleceste os limites, e ninguém pode ultrapassá-lo. Então, dá um pouco de descanso até que se cumpram os dias estabelecidos. Pelo menos para a árvore sempre há esperança. Derrube-a, e ainda terá uma chance — ela brotará novamente. Mesmo que as raízes sejam velhas e retorcidas e seu tronco morra na terra, Mal sente a água e ela torna à vida, brota e cresce como uma planta nova. Mas e o ser humano? Ele morre e não tem volta. Dá seu último suspiro e tudo se acaba. Como a água do lago evapora e o leito do rio seca, Assim o homem se deita e jamais se levantará. Por que simplesmente não me enterras e te esqueces de mim por um tempo, até que tua ira tenha diminuído? Poderias estabelecer um prazo para te lembrares de mim de novo. Se o homem morrer, viverá novamente? Eu pergunto. Durante todos estes dias difíceis, continuo esperando pelo dia em que receberei libertação. Saudoso da criatura que fizeste, tu me chamarás — e eu responderei! Vigiarás cada passo que eu der, mas não contarás quanto errei. Meus pecados serão amarrados num saco, atirados ao mar — e irão para o fundo do oceano.

    18-22 “Mas, assim como a montanha pode desmoronar, e as rochas mudam de lugar, as águas desgastam as pedras e o chão sofre erosão, nossa esperança é reduzida a pó. Tu és demais para nós! E sempre tens a última palavra! Nosso aborrecimento por isso se vê em nossa fisionomia, mas tu nos despedes mesmo assim. Se nossos filhos se derem bem ou mal, nunca o sabemos nem saberemos. Só podemos sentir as próprias dores, e lamentar o próprio sofrimento.”

  • Jó, 13

    VOU APRESENTAR MEU CASO A DEUS
    1-5 “Sim, vi com meus próprios olhos, ouvi com meus ouvidos e compreendi tudo isso. Tudo que vocês sabem eu sei também, e, portanto, não sou inferior a nenhum de vocês. Vou apresentar meu caso diretamente ao Todo-poderoso. Agora, vou recorrer a Deus — já o apresentei a vocês, E o que fizeram? Só me detonaram com mentiras. Vocês são um bando de charlatões! Não são de nada! Se ao menos ficassem calados, demonstrariam atitude de sabedoria.

    6-12 “Ouçam agora, enquanto apresento meu caso; considerem meu ponto de vista. Ou vocês vão continuar mentindo em nome de Deus’, inventando histórias para ‘defender Deus’? Por que vocês tomam partido dele? Acham que ele precisa de advogado de defesa? O que aconteceria se vocês estivessem no banco dos réus? Suas mentiras até convenceriam um júri, mas, e a Deus? Ele interviria imediatamente se descobrisse parcialidade em seu testemunho. O esplendor dele não deixa vocês em pânico? Não têm medo de mentir tão descaradamente diante de Deus? Suas declarações são sabedoria de araque, Que mereciam ir para a sarjeta.

    13-19 “Então, segurem a língua enquanto falo, estou preparado para toda e qualquer consequência. Por que sempre fico em maus lençóis, quando tento tomar as rédeas da minha vida? Porque ainda que ele me mate, continuo a esperar nele. Mas, de fato, até o fim vou defender minha inocência. Apenas esperem e vejam a minha defesa. Se eu fosse mesmo culpado, acham que eu faria isto? Quem é mal teria coragem de aparecer diante de Deus? Vocês deveriam prestar atenção ao que digo, ouvir atentamente, com os dois ouvidos bem abertos. Agora, que apresentei minha defesa, tenho certeza de que serei absolvido. Alguém pode provar suas acusações contra mim? Se tiver, eu me calo e posso morrer.”

    POR QUE DEUS SE ESCONDE E PERMANECE EM SILÊNCIO
    20-27 “Por favor, Deus, tenho dois pedidos. Conceda-os, e saberei que posso contar contigo. Primeiro, afasta de mim as aflições; para mim, o terror é demasiado. E fala diretamente a mim para que eu possa responder, ou me deixa falar e me respondes. Quantos pecados foram registrados contra mim? Mostra-me, por favor — que mal cometi? Por que te escondes e permaneces em silêncio? Por que me tratas como inimigo? Por que me chutas como se eu fosse uma lata velha? Por que chutas um cachorro morto? Sei que tens uma longa lista de erros meus, pecados que remontam à minha juventude. Tu me acorrentas, e não consigo me mover. Vigias cada movimento e observas todos os meus passos.

    28 “O homem vai se corroendo, como a madeira que apodrece e como a roupa que é roída pela traça.”