Categoria:

O Livro de Jó
Introdução
O Livro de Jó trata do sofrimento humano. Jó era um homem bom, rico e feliz, mas Deus permitiu que, da noite para o dia, perdesse os filhos e tudo o que tinha e que fosse atacado por uma doença terrível. Depois Jó e os seus amigos conversam, em diálogos poéticos, procurando achar explicação para tanta desgraça. No fim Deus aparece e dá a resposta.
Pensava-se, naquele tempo, que o sofrimento é sempre resultado do pecado. Para os amigos de Jó, Deus sempre recompensa os bons e castiga os maus. Portanto, se Jó está sofrendo, é porque pecou, mesmo que tenha sido em segredo. Mas Jó reage contra essa explicação. Ele não entende como Deus deixou que tamanha desgraça caísse sobre ele, visto que sempre foi um homem bom e honesto. Nesse estado de angústia e de dúvida, Jó chega a desafiar a Deus. Ele exige uma explicação para que finalmente possa ser aceito por Deus e considerado pelos outros como um homem bom e correto.
E Deus tem a última palavra. Ele não responde às perguntas de Jó, mas fala do seu próprio poder e sabedoria. Humildemente Jó reconhece que ele não é nada diante de um Deus tão poderoso e sábio e se arrepende de haver usado palavras duras e violentas.
No final fica provado que Jó tinha razão e que os seus amigos estavam errados. Ele tinha toda a razão de rejeitar o modo de pensar dos seus amigos. E para Jó tudo vai melhor ainda do que no começo da história. Deus repreende os amigos de Jó por não haverem entendido a razão do seu sofrimento e por haverem defendido ideias erradas a respeito de Deus. Jó, ao contrário, mesmo com a sua impaciência, as suas reclamações e os seus
protestos, conservou a fé num Deus que é justo. Ele reconheceu que os seres humanos não podem compreender tudo, nem explicar bem a razão por que às vezes também os inocentes sofrem.
Esquema do conteúdo
1. Cena inicial: Jó é posto à prova (1.1—2.13)
a. Jó e a sua família (1.1-5)
b. Deus, Satanás e Jó (1.6—2.10)
c. Jó e os seus amigos (2.11-13)
2. Diálogos entre Jó e os seus amigos (3.1—37.24)
a. Queixa de Jó (3.1-26)
b. Primeiro diálogo (4.1—14.22)
c. Segundo diálogo (15.1—21.34)
d. Terceiro diálogo (22.1—27.23)
e. Elogio da sabedoria (28.1-28)
f. Defesa final de Jó (29.1—31.40)
g. As falas de Eliú (32.1—37.24)
3. Intervenção do Senhor e respostas de Jó (38.1—42.6)
a. Primeira resposta de Deus (38.1—40.2)
b. Primeira resposta de Jó (40.3-5)
c. Segunda resposta de Deus (40.6—41.34)
d. Última resposta de Jó (42.1-6)
4. Cena final (42.7-17)
a. Os três amigos de Jó (42.7-9)
b. Jó e a sua nova família (42.10-17)

  • Jó, 2

    O SEGUNDO TESTE: A SAÚDE
    1-3 Um dia, quando os anjos vieram prestar contas ao Eterno, Satanás também apareceu. O Eterno olhou para Satanás e perguntou: “E você, por onde andou?” Satanás respondeu ao Eterno: “Andei por toda parte, para ver como estavam as coisas na terra.” O Eterno disse também a Satanás: “Você notou meu servo Jó? Não existe ninguém como ele, existe? Homem honesto e leal à sua palavra, totalmente consagrado a Deus e que odeia a maldade. Como ele é íntegro! Você até tentou destruí-lo, mas não deu certo”

    4-5 Satanás respondeu: “Um homem faria qualquer coisa para salvar a própria vida. Então, o que aconteceria se tirasse a saúde dele? Com certeza, ele amaldiçoaria o senhor abertamente. Sem sombra de dúvida!”

    6 O Eterno disse: “Muito bem. Então veremos. Vá em frente: você pode fazer o que quiser com ele. Mas preste atenção: não tire a vida dele.”

    7-8 Satanás saiu da presença do Eterno e atacou Jó com uma terrível doença. Jó ficou coberto de úlceras e de feridas da cabeça aos pés. Elas coçavam e doíam tanto que ele pegou um caco de vaso quebrado para raspar as feridas sentado no meio de cinzas.

    9 Então, sua mulher disse: “E você ainda vai manter sua integridade? Amaldiçoe Deus e acabe com isso de uma vez!”

    10 Mas ele respondeu: “Você não sabe o que está falando! Perdeu a razão, mulher? Se recebemos coisas boas de Deus, por que não receberíamos também coisas ruins?” Apesar de tudo, Jó não pecou.

    OS TRÊS AMIGOS DE JÓ
    11-13 Quando três dos amigos de Jó souberam de seu sofrimento, saíram de suas casas — Elifaz, de Temã; Bildade, de Suá; Zofar, de Naamate — e, juntos, foram consolar e confortar Jó. Quando o viram, mal puderam acreditar no que viam — seu amigo estava irreconhecível! Eles choraram de tristeza, rasgaram a própria roupa e jogaram terra sobre a cabeça para demonstrar sua dor. Depois, sentaram se com ele no chão. Ficaram sete dias e sete noites sentados ali, sem dizer uma palavra, pois viam que o sofrimento do amigo era demais!

  • Jó, 1

    1-3 Havia um homem chamado Jó, que morava na região de Uz. Era muito honesto, um homem de palavra, totalmente dedicado a Deus que odiava a maldade. Tinha sete filhos e três filhas, e era muito rico — possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentos jumentos e empregados a perder de vista. De fato, era o homem mais importante de todo o Oriente!

    4-5 Seus filhos costumavam dar festas em suas casas e sempre convidavam as três irmãs para celebrarem junto. Depois das festas, Jó se levantava bem cedo e entregava uma oferta de sacrifício em favor de cada um de seus filhos, pois pensava: “Pode ser que um deles tenha pecado, desprezando Deus em seu coração.” Jó entregava sacrifícios constantemente, no caso de um de seus filhos ter cometido pecado.

    O PRIMEIRO TESTE: A FAMÍLIA E A FORTUNA
    6-7 Um dia, quando os anjos vieram prestar contas ao Eterno, Satanás, o Acusador, veio com eles. O Eterno olhou para Satanás e perguntou: “Por onde você andou?” Satanás respondeu ao Eterno: “Andei por toda parte, para ver como estavam as coisas na terra.”

    8 O Eterno disse a Satanás: “Você notou meu servo Jó? Não há ninguém como ele — honesto e leal à sua palavra, totalmente consagrado a Deus e que odeia a maldade.”

    9-10 Satanás retrucou: “Então, o senhor acha que Jó é assim por pura bondade de coração? Ora! Ninguém é tão bom assim! O senhor o mima como se fosse uma criança, cuida de tudo para que nada de mal aconteça a ele, à sua família ou à sua riqueza e ainda abençoa tudo que ele faz! Desse modo, quem não seria fiel?

    11 “Mas o que aconteceria se tirasse tudo que ele tem? Com certeza, ele amaldiçoaria o senhor abertamente. Sem sombra de dúvida!”

    12 O Eterno respondeu: “Muito bem. Então veremos. Vá em frente: faça o que quiser com tudo que ele tem. Só não o machuque.” Então, Satanás saiu da presença do Eterno.

    13-15 Algum tempo depois, enquanto os filhos de Jó estavam reunidos na casa do mais velho em mais uma de suas festas, um mensageiro veio correndo a Jó dizer: “Os bois estavam arando a terra, e os burros, pastando no campo perto de nós, quando os sabeus atacaram. Roubaram os animais e mataram todos os trabalhadores. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    16 O homem ainda estava falando, quando outro mensageiro chegou e disse: “Raios caíram do céu e fulminaram as ovelhas e os pastores. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    17 Ele ainda não havia acabado de falar, quando outro mensageiro chegou com a notícia: “Três grupos de caldeus vieram e atacaram os camelos e massacraram os peões. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    18-19 Enquanto ele ainda falava, outro mensageiro chegou: “Seus filhos estavam numa festa na casa do irmão mais velho quando um furacão veio do deserto e destruiu a casa toda. Os jovens foram atingidos e morreram. Fui o único a sobreviver para contar o que aconteceu.”

    20 Jó se levantou, rasgou a própria roupa, rapou a cabeça e se jogou no chão. Ali, prostrado, louvou a Deus:

    21 Nu saí do ventre da minha mãe, nu retornarei ao seio da terra. O Eterno dá, o Eterno tira. O nome de Deus seja louvado para sempre.

    22 Mesmo atingido por tanta desgraça, Jó não pecou nem culpou Deus de nada.