Categoria: Antigo Testamento

  • Genesis, 41

    1-4 Passaram-se mais dois anos, e o faraó teve um sonho. Ele estava perto da margem do Nilo, e sete vacas gordas e saudáveis saíram do rio para pastar entre os juncos. Logo depois, outras sete vacas, estas apenas pele e osso, saíram do rio e se juntaram às primeiras vacas que pastavam perto do Nilo. As vacas magras devoraram as sete vacas saudáveis. Então, o faraó acordou.

    5-7 Logo depois, ele voltou a dormir e sonhou pela segunda vez. Agora viu sete espigas de grãos, todas grandes e viçosas, que saíam da mesma haste. Mas outras sete espigas, estas mirradas e ressecadas pelo vento leste, brotaram no meio delas, e as espigas mirradas engoliram as espigas saudáveis e encorpadas. Então, o faraó acordou. Era mais um sonho.

    8 Quando o dia amanheceu, ele estava perturbado e mandou chamar todos os magos e sábios do Egito. O faraó contou os dois sonhos, mas ninguém conseguiu interpretá-los.

    9-13 Então, o chefe dos copeiros se manifestou: “Acabei de me lembrar de um incidente. Peço desculpas, pois eu devia ter falado isso já faz algum tempo. Certa ocasião, quando o faraó ficou irado comigo e com o chefe dos padeiros, ele nos prendeu na casa do c tão da guarda, e nós dois tivemos sonhos na mesma noite, cada sonho com seu significado. Aconteceu que havia, naquela prisão, um escravo hebreu que prestava serviço ao c tão da guarda. Nós contamos os sonhos a esse escravo, e ele os interpretou para nós, um de cada vez. E tudo aconteceu exatamente como ele havia falado: eu fui restituído às minhas funções, e o chefe dos padeiros foi empalado.”

    14 O faraó mandou buscar José imediatamente. Ele foi retirado às pressas da sua cela, fez a barba, vestiu roupas limpas e, então, se apresentou ao faraó.

    15 O faraó disse a José: “Tive um sonho, mas ninguém consegue interpretá-lo. Mas fiquei sabendo que você consegue interpretar sonhos, basta que sejam contados a você.”

    16 José respondeu: “Eu não, mas Deus. Ele vai acalmar o coração do faraó.”

    17-21 O faraó disse a José: “No sonho, eu estava à margem do Nilo. Sete vacas vistosas e cheias de saúde saíram do rio e começaram a pastar no meio dos juncos. Logo em seguida, saíram outras sete, todas magras, só pele e osso. Eu nunca tinha visto vacas tão feias em todo o Egito. As sete vacas magras e feias comeram as sete vacas saudáveis. Mas, por incrível que pareça, depois de comê-las, elas continuaram magras e feias como antes. Então, acordei.

    22-24 “No meu segundo sonho, vi sete espigas viçosas, cheias de grãos, que saíam da mesma haste. Logo depois delas, brotaram outras sete, mirradas e ressecadas pelo vento leste, e as espigas mirradas engoliram as espigas cheias. Contei os dois sonhos aos magos, mas eles não chegaram a conclusão alguma.”

    25-27 José disse ao faraó: “Os dois sonhos do faraó têm o mesmo significado. Deus está dando um aviso sobre o que ele está para fazer. Tanto as sete vacas saudáveis quanto as sete espigas cheias representam sete anos: o significado é um só. As sete vacas magras e feias que apareceram depois representam sete anos, e as sete espigas de grãos mirradas e ressecadas pelo vento leste representam a mesma coisa: sete anos de fome.

    28-32 “O significado é o que eu já disse: Deus está dizendo, ao faraó o que ele está para fazer. Estão para chegar sete anos de fartura em todo o Egito. Mas, logo em seguida, virão sete anos de fome, e não ficará no Egito nem sinal dessa fartura. O país será arrasado pela fome, e não restará nada da fartura anterior. A fome será devastadora. O faraó teve o mesmo sonho duas vezes para ressaltar que Deus não vai demorar a agir.

    33-36 “Por isso, o faraó precisa escolher a um homem experiente e sábio para administrar o país e também designar outros encarregados por todo o Egito, para que organizem tudo durante os anos de fartura. Eles deverão reunir todo o alimento produzido nos anos bons que estão por vir e, sob a autoridade do faraó, estocar os grãos em cidades-armazém. Esses grãos serão preservados para os sete anos de fome que estão por vir sobre o Egito. É a única forma de o país não ser arrasado pela fome.”

    37 O faraó e seus oficiais acharam a ideia excelente.

    38 Dirigindo-se a seus oficiais, o faraó perguntou: “Por acaso, não é ele o homem de que precisamos? Encontraremos outra pessoa igual a ele, em quem esteja o espírito de Deus?”

    39-40 Em seguida, dirigindo-se a José, declarou: “Você é a pessoa de quem estamos precisando. Parece que Deus entregou a você o plano detalhado, e ninguém tem a experiência e a sabedoria que você demonstra. De hoje em diante, você será responsável pelos meus negócios. Todo o meu povo seguirá suas ordens. Apenas eu, na condição de rei, estarei acima de você.”

    41-43 E foi assim que José recebeu esta incumbência: “Estou pondo sob seus cuidados toda a terra do Egito.” Em seguida, o faraó tirou seu anel de autoridade e o pôs no dedo de José. Também ordenou que ele fosse vestido com roupas do melhor linho e pôs em seu pescoço um colar de ouro. A segunda carruagem na hierarquia de comando ficou à sua disposição, e, quando ele passava, o povo gritava: “Viva!”, Desse modo, toda a terra do Egito foi posta sob o comando de José.

    44 O faraó disse ainda á José: “Sou o faraó, mas, no Egito, nada acontecerá sem seu selo de aprovação.”

    45 Ele deu a José um nome egípcio, Zafenate-Paneia (Deus Fala e Ele Vive). Deu a ele também uma esposa egípcia, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om (Heliópolis). Assim, José assumiu seu cargo na terra do Egito. 46 Ele estava com

    30 anos de idade quando começou a trabalhar para o faraó, rei do Egito. Logo que saiu da presença do rei, ele começou a desempenhar sua tarefa no Egito.

    47-50 Nos sete anos de fartura que se seguiram, a terra produziu safras excepcionais. José juntou o alimento dos sete anos bons no Egito e o armazenou em diversas cidades. Em cada cidade, ele estocava o excedente das plantações da região e reuniu uma quantidade de grãos tão grande que ele acabou desistindo de contar, pois competiam em quantidade com a areia da praia!

    51-52 José teve dois filhos que nasceram antes dos anos de fome. Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, era a mãe. José deu ao primeiro o nome de Manassés (Esquecer), dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e a casa dos meus pais.” Ao segundo filho deu o nome de Efraim (Prosperidade em Dobro), dizendo: “Deus me fez prosperar na terra da minha tristeza.”

    53-54 Os sete anos bons no Egito chegaram ao fim, e começaram os sete anos de fome, exatamente como José havia predito. Na verdade, a fome atingiu todos os países, mas o Egito era o único em que havia alimento.

    55 A fome era sentida em toda a terra do Egito, e o povo, em desespero, veio pedir comida ao faraó. A resposta dele aos egípcios era: “Procurem José e façam o que ele disser.”

    56-57 No momento em que a fome se agravou em todo o país, José abriu os celeiros e começou a vender os mantimentos aos egípcios. A fome era severa. Não demorou até que o mundo inteiro viesse comprar mantimentos com José. A fome era grande em todo lugar.

  • Genesis, 40

    1-4 O tempo passou, e aconteceu que o copeiro e o padeiro do rei do Egito ofenderam seu senhor, o rei do Egito. O faraó ficou furioso com seus dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros, e os pôs sob a custódia do c tão da guarda, na mesma cela em que José estava. O c tão da guarda deixou José responsável por atender às necessidades deles.

    4-7 O copeiro e o padeiro do rei estavam detidos havia algum tempo, e os dois tiveram um sonho na mesma noite, cada sonho com um significado. Quando José chegou de manhã, percebeu que eles estavam aborrecidos e perguntou aos dois oficiais do faraó, que agora eram seus companheiros de prisão: “O que aconteceu? Por que estão com essa cara abatida?”

    8 Eles responderam: “Cada um de nós teve um sonho, mas não temos ninguém que nos explique o significado.” José retrucou: “Por acaso não é de Deus que vêm as interpretações? Contem-me os sonhos.”

    9-11 O primeiro a contar o sonho a José foi o copeiro: “No meu sonho, havia uma videira com três galhos na minha frente, e ela brotou, floresceu e produziu uvas que amadureciam nos cachos. Eu estava segurando o copo do faraó; então, peguei as uvas e as espremi no copo e o entreguei ao faraó.”

    12-15 E José disse: “A interpretação é a seguinte: os três galhos são três dias. Dentro de três dias, o faraó vai tirar você daqui. Você vai ser reintegrado a seu posto e vai servir a taça ao faraó do jeito que costumava fazer quando era o copeiro dele. Mas não se esqueça de mim quando as coisas estiverem dando certo para você. Fale de mim ao faraó e tire-me daqui. Fui sequestrado na terra dos hebreus e agora estou preso sem ter feito nada que justificasse eu ter sido jogado neste buraco.”

    16-17 O chefe dos padeiros percebeu que a interpretação de José havia sido boa e disse: “Meu sonho foi assim: havia três cestas de vime sobre minha cabeça. Na cesta de cima, havia diversos tipos de pães e doces, e os passarinhos vinham comer da cesta que estava sobre minha cabeça.”

    18-19 José disse: “A interpretação é a seguinte: as três cestas são três dias. Dentro de três dias, o faraó mandará cortar sua cabeça, você será empalado, e os pássaros vão comer a sua carne.”

    20-22 E foi o que aconteceu. Três dias depois, foi comemorado o aniversário do faraó, e ele deu uma festa para todos os que trabalhavam para ele. O chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros foram postos num lugar de destaque, na presença de todos os convidados. Então, o faraó restituiu o chefe dos copeiros à sua antiga função, e ele voltou a servir o faraó, como antes. Quanto ao chefe dos padeiros, ele mandou empalar, exatamente como José havia previsto ao interpretar os sonhos.

    23 Mas o chefe dos copeiros se esqueceu totalmente de José.

  • Genesis, 39

    1 José foi levado para o Egito pelos ismaelitas, e ali foi comprado deles por Potifar, egípcio que era um dos oficiais do faraó e administrador da casa real.

    2-5 Mas o Eterno estava com José, e tudo dava certo para ele de tal forma que acabou indo morar na casa de seu senhor egípcio. Potifar reconheceu que o Eterno estava do lado de José e abençoava tudo que o escravo fazia. Estava muito satisfeito com José, tanto que fez dele seu auxiliar pessoal e pôs sob a responsabilidade dele seus assuntos pessoais, deixando tudo nas mãos de José. Daí em diante, o Eterno passou a abençoar a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Eterno era percebida em tudo que Potifar possuía, tanto em casa quanto nos campos. A única preocupação do senhor de José era sentar-se à mesa na hora do almoço e do jantar.

    6-7 José era um homem muito atraente. Com o passar do tempo, a esposa do seu senhor sentiu-se atraída por ele e, um dia, o convidou: “Deite-se comigo.”

    8-9 Mas ele recusou e disse a ela: “Veja, meu senhor não se preocupa com nada do que acontece aqui, pois confia em mim. Ele pôs sob minha responsabilidade tudo que possuí e me trata como se eu fosse alguém do nível dele. A única coisa que ele me vetou foi você. Afinal, você é mulher dele! Eu jamais poderia trair a confiança dele e pecar contra Deus!”

    10 No entanto, ela insistia com ele dia após dia, enquanto ele se mantinha firme, recusando-se a ter um caso com ela.

    11-15 Certo dia, ele chegou para cumprir suas tarefas, e nenhum dos que trabalhavam na casa estava presente. A mulher aproveitou-se disso e agarrou José pela capa. “Deite-se comigo!”, dizia ela. Mas ele deixou a capa na mão dela e saiu correndo da casa. Quando ela viu que ele havia deixado a capa e fugido, foi chamar os que trabalhavam na casa e disse: “Vejam, esse hebreu aparece aqui e, como quem não quer nada, tenta se aproveitar de nós. Ele tentou deitar-se comigo, mas eu gritei o mais alto que podia. Por causa dos meus gritos, ele deixou a capa comigo e correu para fora.”

    16-18 Ela guardou a capa até que o senhor de José chegasse e contou a ele a mesma história: “Esse escravo hebreu, que você pôs aqui, veio atrás de mim e tentou me violentar! Quando comecei a gritar, ele saiu correndo e largou a capa comigo.”

    19-23 Quando ouviu a história que sua mulher havia contado, a denúncia contra o escravo hebreu, ó senhor de José ficou furioso. Ele mandou buscar José e fez que o trancassem na prisão na qual costumavam ficar os prisioneiros do rei. Entretanto, mesmo na prisão, o Eterno ainda estava do lado de José, e a bondade divina garantiu que ele ganhasse a simpatia do chefe da carceragem, que fez de José o responsável por todos os presos, o administrador do complexo penitenciário. O chefe da carceragem deu tanta liberdade a José que nem sequer o vigiava, pois o Eterno estava do lado dele. Dessa maneira, tudo que José fazia dava certo.

  • Genesis, 38

    1-5 Na mesma época, Judá separou-se dos irmãos e associou-se a um homem de Adulão chamado Hira. Ali, Judá conheceu a filha de um cananeu chamado Suá e casou-se com ela. Eles tiveram relações, ela engravidou e teve um menino chamado Er. Engravidou outra vez e teve outro menino chamado Onã. E teve mais um filho, a quem deu o nome de Selá. Quando ele nasceu, eles viviam em Quezibe.

    6-7 Judá conseguiu uma esposa para Er, seu filho mais velho. O nome dela era Tamar. Mas Er, filho mais velho de Judá, cometeu uma ofensa muito grave contra o Eterno, e o Eterno tirou a vida dele.

    8-10 Então, Judá disse a Onã: “Vá e deite-se com a viúva de seu irmão. É obrigação do cunhado manter viva a descendência do irmão.” Mas Onã sabia que a criança não seria dele. Por isso, sempre que se deitava com a viúva, derramava o sêmen no chão, para que seu irmão não tivesse descendência. O Eterno desaprovou sua atitude e tirou a vida dele também.

    11 Então, Judá interveio e disse à sua nora: “Vá viver com seu pai na condição de viúva, até que meu filho Selá fique adulto.” Ele tinha medo de que Selá também acabasse morto como os irmãos. Tamar concordou e foi morar com o pai.

    12 Passado algum tempo, morreu a esposa de Judá, filha de Suá. Terminado o período de luto, Judá e seu amigo Hira, de Adulão, foram tosquiar ovelhas em Timna.

    13-14 Alguém disse a Tamar: “Seu sogro foi tosquiar ovelhas em Timna.” Ela tirou as roupas de viúva, pôs um véu para se disfarçar e sentou-se à entrada de Enaim, que fica no caminho para Timna. A essa altura, Selá já havia crescido, e ela percebeu que jamais iria se casar com ele.

    15 Judá viu Tamar e supôs que fosse uma prostituta, porque ela havia coberto o rosto com um véu. Ele foi até onde ela estava e disse: “Quero deitar com você.” Ele não tinha a menor ideia de que falava com sua nora.

    16 Ela perguntou: “Como você vai me pagar?”

    17 Ele respondeu: “Vou enviar a você um cabrito do meu rebanho.” Ela retrucou: “Só se você me der alguma garantia.”

    18 “Que garantia você quer?” Ela disse: “Seu selo, o cordão de identificação pessoal e o cajado que você carrega.” Ele entregou o que ela pediu e deitou-se com ela. Como resultado, Tamar engravidou.

    19 Depois de se deitar com o sogro, ela voltou para casa, tirou o véu e pôs de volta suas roupas de viúva.

    20-21 Mais tarde, Judá mandou em mãos por seu amigo de Adulão o cabrito prometido à mulher, a ser trocado pelos objetos dados em garantia. Não conseguindo encontrá-la, indagou dos homens do lugar: “Vocês sabem onde está a prostituta que costuma sentar-se à beira da estrada aqui perto de Enaim?” Eles responderam: “Nunca vimos nenhuma prostituta aqui.”

    22 Hira voltou para casa e informou Judá: “Não consegui encontrá-la. Os homens do lugar disseram que nunca viram nenhuma prostituta ali.”

    23 Judá disse: “Pois que ela fique com a garantia. Se continuarmos a procurar, vamos virar piada na cidade. Já cumpri minha parte do acordo, enviando o cabrito, mas você não conseguiu encontrá-la.”

    24 Cerca de três meses depois, vieram contar a novidade a Judá: “Sua nora bancou a prostituta, e agora é uma prostituta grávida!” Judá, enfurecido, ordenou aos gritos: “Tragam-na para fora e queimem-na viva!”

    25 Enquanto era arrancada de casa, ela mandou um recado para o sogro; “Estou grávida do homem a quem pertencem estas coisas. Por favor, vejam de quem elas são. Quem é o dono deste selo, do cordão e do cajado?.”

    26 Judá reconheceu de imediato os objetos e disse: “Ela está com a razão. Eu é que estou errado. Eu não ia deixar que ela se casasse com meu filho Selá.” E nunca mais se deitou com ela.

    27-30 Quando chegou a hora de dar à luz, havia gêmeos dentro dela. No momento em que estavam nascendo, um deles pôs a mão para fora, e a parteira amarrou um fio vermelho na mão do bebê, dizendo: “Este nasceu primeiro.” Mas ele puxou a mão de volta, e o irmão foi quem saiu. Ela disse: “Olhe que brecha para sair!” E deu a ele o nome de Perez (Brecha). Em seguida, saiu o irmão com o fio vermelho na mão. Ele recebeu o nome de Zerá (Brilhante).

  • Genesis, 37

    1 Nessa mesma época, Jacó se estabeleceu na terra de Canaã, onde seu pai tinha vivido.

    JOSÉ E SEUS IRMÃOS
    2 Essa foi a história de Jacó. Entretanto, ela continua com José, na época com 17 anos de idade, que ajudava seus irmãos no pastoreio dos rebanhos. Na verdade, seus irmãos apenas por parte de pai, filhos de Bila e Zilpa, esposas de Jacó. E José tinha o hábito de contar ao pai tudo que os irmãos faziam de errado.

    3-4 Israel amava José mais que os outros filhos, porque José era o filho temporão, nascido quando Israel já era velho. Ele mandou fazer para José uma capa bordada. Quando seus irmãos perceberam que José era o filho predileto de seu pai, começaram a odiá-lo. Esse ódio chegou a ponto. de nem mesmo conversarem mais com ele.

    5-7 Certo dia, José teve um sonho. Quando o contou aos irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais. Ele disse: “Ouçam o sonho que eu tive. Estávamos todos nós no campo, juntando feixes de trigo. De repente, meu feixe ficou de pé, e os feixes de vocês o rodearam e curvaram-se diante dele.”

    8 Então, os irmãos disseram: “Certo! Quer dizer que você vai reinar sobre nós? Vai ficar nos dando ordens?” O sonho que ele contou e a maneira em que o contou os deixaram enfurecidos.

    9 Ele teve outro sonho e também o contou aos irmãos: “Tive outro sonho. O Sol, a Lua e onze estrelas curvavam-se diante de mim!”

    10-11 Ele também contou o sonho a seu pai, e este o repreendeu: “Que sonhos são esses? Por acaso, eu, sua mãe e seus irmãos iremos, um dia, nos curvar diante de você?” A essa altura, seus irmãos estavam tomados de ciúme, mas seu pai refletia sobre o assunto.

    12-13 Os irmãos de José haviam ido para Siquém, onde cuidavam dos rebanhos do pai. E Israel disse a José: “Seus irmãos estão com os rebanhos lá em Siquém. Preciso que você vá até onde eles estão.” José respondeu: “Sim, estou pronto.”

    14 Jacó disse: “Vá ver como estão seus irmãos e os rebanhos. Depois, venha me contar.” E enviou o filho do vale de Hebrom a Siquém.

    15 Um homem encontrou o rapaz andando a esmo pelos campos e perguntou: “O que você está procurando?”

    16 “Estou tentando achar meus irmãos. Você sabe onde eles estão cuidando dos rebanhos?”

    17 O homem respondeu: “Eles já se foram daqui, mas eu os ouvi dizer: ‘Vamos para Dotã’.” José prosseguiu em sua busca e, de fato, encontrou os irmãos em Dotã.

    18-20 Os irmãos de José o reconheceram de longe e acharam que era uma boa oportunidade para se livrarem dele. O plano era este: “Lá vem o sonhador! Vamos matá-lo e jogá-lo numa dessas cisternas velhas. Depois, a gente diz que um animal selvagem o devorou. Veremos em que os sonhos dele vão dar!”

    21-22 Rúben ouviu a conversa dos irmãos e intercedeu por José: “Por favor, não vamos matá-lo! Nem pensem em cometer assassinato! Vamos jogá-lo naquela cisterna ali, mas ninguém vai machucá-lo!” A intenção de Rúben era voltar mais tarde, tirá-lo do poço e levá-lo de volta ao pai.

    23-24 Quando José chegou ao local em que estavam os irmãos, eles o agarraram, arrancaram dele a capa bordada e o jogaram na cisterna. O reservatório estava seco: não havia nem mesmo um pouco de água para beber.

    25-27 Mais tarde, sentaram-se para jantar. De repente, avistaram uma caravana de ismaelitas que vinham de Gileade com os camelos carregados de especiarias, óleos e perfumes para vender no Egito. Judá sugeriu: “Irmãos, o que vamos ganhar se matarmos nosso irmão e ocultarmos as provas? Vamos vendê-lo para os ismaelitas, em vez de matá-lo. Afinal de contas, ele é nosso irmão, sangue do nosso sangue.” Os outros concordaram com ele.

    28 Na hora em que os comerciantes estavam passando, José foi tirado da cisterna, e seus irmãos o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas. Os compradores levaram José para o Egito.

    29-30 Mais tarde, Rúben foi procurar José na cisterna, mas ele não estava lá! Então, rasgou as roupas em sinal de desespero e interrogou os irmãos: “O menino não está mais lá! O que vou fazer?”

    31-32 Eles pegaram a capa de José, mataram um bode e mergulharam a capa no sangue. Levaram de volta a bela peça de roupa ao pai e disseram: “Achamos isto. Olhe para ela: não parece a capa de seu filho?.”

    33 Na mesma hora, ele a reconheceu: “A capa de meu filho! Um animal selvagem o atacou e o despedaçou!”

    34-35 Jacó rasgou as roupas em sinal de luto, vestiu-se com pano de saco e chorou muitos dias a morte do filho. Os outros filhos e filhas tentavam consolá-lo, mas ele não queria ouvir ninguém. Dizia: “Irei para o túmulo ainda chorando por meu filho.” E chorava muito por ele.

    36 No Egito, os midianitas venderam José a Potifar, um dos oficiais do faraó, administrador da casa real.

  • Genesis, 36

    1 Esses são os descendentes de Esaú, também chamado Edom.

    2-3 Esaú casou-se com mulheres de Canaã: Ada, filha de Elão, o hitita; Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão, o heveu; Basemate, filha de Ismael e irmã de Nebaiote.

    4 Ada deu a Esaú um filho, Elifaz; Basemate deu à luz Reuel;

    5 Oolibama deu à luz Jeús, Jalão e Corá. São esses os filhos que nasceram a Esaú na terra de Canaã.

    6-8 Esaú reuniu suas esposas, filhos e filhas, todos os de sua casa e também os animais e bens adquiridos em Canaã e mudou-se para longe de seu irmão Jacó. Os dois tinham tantos bens que não era possível viverem no mesmo lugar. A terra não comportava os rebanhos que os dois possuíam. Por isso, Esaú acabou fixando residência na região montanhosa de Seir (Esaú e Edom são a mesma pessoa).

    9-10 Estes são os descendentes de Esaú, antepassado do povo de Edom, na região montanhosa de Seir. São estes os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Esaú com sua esposa Ada; Reuel, filho de Esaú com sua esposa Basemate.

    11-12 Os filhos de Elifaz; Temã, Omar, Zefô, Gaetã e Quenaz. (Elifaz tinha uma concubina chamada Timna, com quem teve Amaleque.) Esses foram os netos de Ada, esposa de Esaú.

    13 E estes são os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá, netos de Basemate, esposa de Esaú.

    14 Esses são os filhos de Oolibama, esposa de Esaú, filha de Aná, filho de Zibeão. Ela teve com Esaú os filhos Jeús, Jalão e Corá.

    15-16 Esses são os chefes tribais entre os descendentes de Esaú. De Elifaz, filho mais velho de Esaú, vieram os chefes Temã, Omar, Zefô, Quenaz, Corá, Gaetã e Amaleque, chefes de Elifaz na terra de Edom, todos eles filhos de Ada.

    17 Dos filhos de Reuel, filho de Esaú, vieram os chefes tribais Naate, Zerá, Samá e Mizá. São os chefes de Reuel na terra de Edom, todos eles filhos de Esaú com Basemate.

    18 Estes são os filhos de Oolibama, esposa de Esaú: os chefes tribais Jeús, Jalão e Corá, chefes que Esaú teve com Oolibama, filha de Aná.

    19 São esses os filhos de Esaú, isto é, Edom, e seus chefes tribais.

    20-21 Estes são os descendentes de Seir, o horeu, nascidos naquela terra: Lotã, Sobál, Zibeão, Aná, Disom, Ezer e Disã. São esses os chefes tribais dos horeus, filhos de Seir na terra de Edom.

    22 Os filhos de Lotã: Hori e Hemã. A irmã de Lotã era Timna.

    23 Os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.

    24 Os filhos de Zibeão: Aiá e Aná — esse é o Aná que descobriu as fontes de águas quentes no deserto, enquanto levava os jumentos de seu pai, Zibeão, para pastar.

    25 Os filhos de Aná: Disom e sua filha Oolibama.

    26 Os filhos de Disom: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.

    27 Os filhos de Ezer: Bilã, Zaavã e Acã,

    28 Os filhos de Disã: Uz e Arã.

    29-30 Estes eram os chefes tribais dos horeus: Lotã, Sobal, Zibeão, Aná, Disom, Ezer e Disã, chefes dos horeus segundo cada tribo na terra de Seir.

    31-39 São estes os reis que reinaram em Edom antes que houvesse rei em Israel: Belá, filho de Beor, foi rei em Edom; Dinabá era o nome de sua cidade. Belá morreu, e Jobabe, filho de Zerá, de Bozra, assumiu em seu lugar. Jobabe morreu e foi sucedido por Husã, da terra dos temanitas. Husã morreu e foi sucedido por Hadade, filho de Bedade; ele foi o rei que derrotou os midianitas em Moabe; Avite era o nome de sua cidade. Hadade morreu, e Samlá de Masreca assumiu em seu lugar. Samlá morreu, e Saul de Reobote, que ficava perto do rio Eufrates, assumiu em seu lugar. Saul morreu e foi sucedido por Baal-Hanã, filho de Acbor. Baal-Hanã, filho de Acbor, morreu, e Hadade assumiu em seu lugar; Paú era o nome de sua cidade; sua esposa chamava-se Meetabel, filha de Matrede, neta de Mezaabe.

    40-43 E estes são os chefes tribais da linhagem de Esaú, segundo suas tribos e de acordo com suas regiões: Timna, Alvã, Jetete, Oolibama, Ela, Pinom, Quenaz, Temã, Mibzar, Magdiel e Irã, líderes de Edom nas várias regiões que ocuparam. Esses foram os descendentes de Esaú, antepassado dos edomitas.

  • Genesis, 35

    1 Deus disse a Jacó: “Volte para Betel, Fique ali e construa um altar para o Deus que se revelou a você quando você fugia de seu irmão Esaú.”

    2-3 Jacó reuniu a família e instruiu todos os que viviam com ele: “Desfaçam-se de todos os deuses estrangeiros que há no meio de vocês. Tomem banho e ponham roupas limpas, pois estamos indo embora para Betel. Vou construir ali um altar para o Deus que me respondeu quando eu estava em apuros e que, desde então, tem estado ao meu lado, aonde quer que eu vá.”

    4-5 Eles entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que guardavam e também os brincos que usavam como amuletos. Jacó enterrou tudo debaixo de um carvalho, em Siquém. Em seguida, foram embora. Um pavor que chegava a paralisar tomou conta das cidades das redondezas. Assim, ninguém se atreveu a sair e perseguir os filhos de Jacó.

    6-7 Jacó e seu grupo chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã. Construiu ali um altar e deu a ele o nome de El-Betel (Deus de Betel), porque era o lugar em que Deus havia se revelado a ele quando fugia de seu irmão.

    8 Foi nessa ocasião que Débora, serva de Rebeca, morreu. Ela foi sepultada perto de Betel, debaixo do carvalho que recebeu o nome de Alom-Bacute (Carvalho do Choro).

    9-10 E Deus revelou-se outra vez a Jacó, depois que ele havia voltado de Padã-Arã, e o abençoou: “Seu nome é Jacó (Calcanhar), mas esse não será mais seu nome. De agora em diante, você será chamado Israel (Aquele que Luta com Deus).”

    11-12 Deus continuou: ‘Eu sou o Deus Forte. Tenha filhos! Frutifique! Uma nação, uma comunidade inteira de nações procederá de você. Reis virão de seus descendentes. A terra que dei a Abraão e Isaque Agora dou a você e também a seus descendentes.

    13 E Deus se foi, elevando-se do lugar em que havia falado com ele.

    14-15 Jacó ergueu uma coluna de pedra no local em que Deus havia falado com ele, derramou sobre ela uma oferta de bebida e a ungiu com óleo. Dessa forma, Jacó consagrou o lugar em que Deus havia falado com ele, Betel (Casa de Deus).

    16-17 A caravana partiu de Betel, e ainda estavam a uma boa distância de Efrata quando Raquel entrou em trabalho de parto, um parto muito complicado. Quando as dores chegaram ao ponto máximo, a parteira disse a ela: “Não tenha medo, você teve mais um menino.”

    18 Antes de dar o último suspiro, porque estava morrendo, deu a ele o nome de Benoni (Filho da Minha Dor), mas seu pai preferiu chamá-lo Benjamim (Filho da Boa Sorte).

    19-20 Raquel morreu e foi sepultada na estrada para Efrata, isto é, Belém. Jacó ergueu ali uma coluna para marcar o local do túmulo, que está ali até hoje, a Pedra do Túmulo de Raquel.

    21-22 Israel seguiu seu caminho e acampou em Migdal-Éder. No tempo em que Israel vivia naquela região, Rúben teve um caso com Bila, concubina de seu pai, e Israel ficou sabendo.

    22-26 Jacó tinha doze filhos. Os que ele teve com Lia: Rúben, o filho mais velho de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom. Os que ele teve com Raquel: José e Benjamim. Os que ele teve com Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali. Os que ele teve com Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Esses são os filhos de Jacó que nasceram em Padã-Arã.

    27-29 Por fim, Jacó chegou de volta à casa de seu pai Isaque, em Quiriate-Arba, a atual Hebrom, onde Abraão e Isaque haviam residido. Isaque estava agora com

    180 anos de idade. Então, deu seu último suspiro e morreu em idade muito avançada. Seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram no túmulo da família.

  • Genesis, 34

    1-4 Certo dia, Diná, filha de Lia e Jacó, foi visitar algumas mulheres daquela terra. Siquém, filho de Hamor, o heveu, líder do local, viu Diná e a estuprou. Mas, depois, passou a sentir forte atração pela moça. Apaixonado por ela, tentava ganhar sua afeição. Por isso, foi pedir a seu pai, Hamor: “Consiga essa moça como esposa para mim.”

    5-7 Jacó ficou sabendo que Siquém havia estuprado Diná. Como os filhos haviam saído para cuidar dos animais no campo, ficou esperando que eles chegassem em casa para discutir o assunto. Nesse meio-tempo, Hamor, pai de Siquém, procurou Jacó para tentar um contrato de casamento. Enquanto isso, no caminho de casa, os filhos de Jacó ficaram sabendo do que havia acontecido e ficaram furiosos. O estupro que Siquém havia cometido contra a filha de Jacó não era algo que podia ser tolerado nem suportado na família de Israel.

    8-10 Hamor falou a Jacó e a seus filhos: “Meu filho Siquém está perdidamente apaixonado por sua filha. Peço que você a de em casamento a ele. Façamos casamentos entre nossas famílias. Entreguem suas filhas a nós, e entregaremos as nossas a vocês. Vocês podem viver no meio de nós, como uma família. Podem fixar residência aqui e viver como um de nós. Há boas oportunidades de prosperar aqui.”

    11-12 Depois, Siquém falou em causa própria, dirigindo-se ao pai e aos irmãos de Diná: “Por favor, aceitem! Pagarei qualquer preço. Estipulem o preço que quiserem pela noiva, o céu é o limite! Mas permitam que essa moça seja minha esposa.”

    13-17 Os filhos de Jacó deram uma resposta dissimulada a Siquém e ao pai dele. Afinal, a irmã havia sido vítima de estupro. A proposta deles foi esta: “Isso não é possível. Jamais daríamos nossa irmã a um homem incircunciso. Seria uma desgraça para nós. A única forma de chegarmos a um acordo é se todos os homens do seu povo forem circuncidados, como nós. Aí, sim, poderemos trocar livremente nossas filhas, e realizar outros casamentos entre nós. Só assim, ficaremos à vontade e poderemos ser uma família grande e feliz. Mas, se essa condição não for aceitável para vocês, pegaremos nossa irmã e iremos embora.”

    18 A sugestão pareceu justa para Hamor e Siquém.

    19 O moço estava tão apaixonado pela filha de Jacó que concordou em fazer o que eles estavam pedindo. Ele era o filho mais admirado da família de seu pai.

    20-23 Na intenção de cumprir o acordo, Hamor e seu filho foram para a praça principal da cidade e falaram ao conselho de cidadãos: “Esses homens nos estimam, são nossos amigos. Devemos permitir que se estabeleçam aqui e fiquem à vontade. Há espaço de sobra para eles na terra. Poderemos até dar nossas filhas em casamento e receber as deles. Mas esses homens só aceitarão o convite para viver entre nós como uma grande família com uma condição: que todos os homens sejam circuncidados como eles. Trata-se de um ótimo negócio para nós. Essa gente é rica e tem grandes rebanhos de animais. Com essa aliança, tudo passará a ser nosso também. Portanto, vamos fazer o que eles nos pedem, para que se estabeleçam em nosso meio.”

    24 Todos os que tinham influência na cidade concordaram com Hamor e com Siquém. Assim, todos os homens ali foram circuncidados.

    25-29 Três dias depois, quando todos os homens ainda sentiam dores, Simeão e Levi, filhos de Jacó e irmãos de Diná, cada um com sua espada, saíram pela cidade como se fossem donos do lugar e mataram todos os habitantes do sexo masculino. Também mataram Hamor e seu filho Siquém, resgataram Diná da casa de Siquém e foram embora. Os outros filhos de Jacó chegaram ao local depois da matança e saquearam a cidade inteira, como vingança pelo estupro de Diná. Levaram tudo que encontraram na cidade e no campo: todo o gado, rebanhos, jumentos e objetos. Além disso, levaram cativas todas as mulheres e crianças e vasculharam todas as casas em busca de coisas de valor.

    30 Jacó repreendeu Simeão e Levi: “Vocês sujaram meu nome no meio do povo daqui, esses cananeus e ferezeus. Se eles decidirem se unir e nos atacar, não teremos a menor chance, porque somos muito poucos. Eles fariam desaparecer meu nome e minha gente sem nenhuma dificuldade.”

    31 Eles responderam: “Ninguém vai tratar nossa irmã como se ela fosse uma prostituta e escapar impune.”

  • Genesis, 33

    1-4 Jacó estava observando a estrada e viu quando Esaú se aproximava com seus quatrocentos homens. De imediato, separou as crianças, deixando-as com Lia, Raquel e as duas escravas. Pôs as escravas à frente de todos; depois, Lia e seus filhos e por último Raquel e José. Ele foi adiante deles e, à medida que se aproximava de seu irmão, curvou-se sete vezes, em sinal de respeito. Mas Esaú correu ao seu encontro e o abraçou e beijou. Os dois choraram.

    5 Esaú olhou para o grupo à volta dele, as mulheres e as crianças, e perguntou: “Quem são estes que estão com você?.” Jacó disse: “São os filhos com os quais Deus se agradou em me abençoar.”

    6-7 As escravas com seus filhos se aproximaram e se curvaram diante de Esaú. Em seguida, vieram Lia e seus filhos, e eles também se curvaram. Por fim, José e Raquel se curvaram diante de Esaú.

    8 Esaú perguntou: “E o que são todos aqueles animais que encontrei no caminho?” “Eu os enviei na esperança de que preparassem o caminho para meu senhor me receber”

    9 Esaú disse: “Ora, meu irmão. Eu tenho tudo de que preciso. Fique com o que é seu.”

    10-11 Mas Jacó insistiu: “Por favor, se você sentir no coração que deve me receber, aceite os presentes. Quando vi seu rosto, foi como se tivesse visto o rosto de Deus sorrindo para mim. Aceite os presentes. Deus tem sido bom para comigo, e tenho mais do que preciso.” Diante da insistência do irmão, Esaú aceitou os presentes.

    12 Esaú propôs: “Vamos recomeçar juntos a viagem. Eu irei à frente.”

    13-14 Mas Jacó respondeu: “Meu senhor pode ver que meus filhos são frágeis. E os rebanhos têm suas crias para amamentar, o que exige um ritmo lento na viagem. Se eu exigir muito deles, mesmo que por um só dia, posso perdê-los. Assim, meu senhor, siga na frente de seu servo, enquanto vou com calma no ritmo dos meus rebanhos e filhos. E me encontrarei com você em Seir.”

    15 Esaú disse: “Ao menos deixe-me pôr a seu serviço alguns dos homens que estão comigo.” Jacó respondeu: “Não é preciso, a forma generosa como me recebeu era tudo de que eu precisava.”

    16 Então, ‘Esaú pôs-se a caminho de Seir naquele mesmo dia.

    17 Jacó seguiu para Sucote. Ele construiu um abrigo para si e um local para recolher os animais. Foi assim que o lugar ficou conhecido como Sucote (Abrigos).

    18-20 E foi assim que Jacó chegou são e salvo a Siquém, na terra de Canaã, depois de percorrer todo o caminho desde Padã-Arã. Ele acampou perto da cidade ecomprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a terra em que armou suas tendas. Pagou cem moedas de prata por ela. Construiu um altar ali e deu-lhe o nome de El Elohe Israel (Poderoso é o Deus de Israel).

  • Genesis, 32

    1-2 Jacó seguiu viagem. No caminho, os anjos de Deus encontraram-se com ele. Ao vê-los, Jacó exclamou: “Oh! O acampamento de Deus!” E deu ao lugar o nome de Maanaim (Acampamento).

    3-5 A certa altura, Jacó enviou mensageiros a seu irmão Esaú, mais à frente, na terra de Seir, em Edom, com as seguintes instruções: “Digam o seguinte ao meu senhor Esaú: ‘Mensagem do seu servo Jacó. Eu estava com Labão e só agora tive condições de sair de lá. Consegui adquirir gado, jumentos e ovelhas, além de servos e servas. Meu senhor, digo essas coisas na esperança de que me aceite’.”

    6 Os mensageiros voltaram a Jacó e informaram: “Falamos com seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro. Mas está acompanhado de quatrocentos homens.”

    7-8 Jacó ficou apavorado. Em pânico, separou as pessoas que estavam com ele, as ovelhas, o gado e os camelos em dois acampamentos, pois pensava: “Se Esaú chegar ao primeiro acampamento e o atacar, o outro grupo terá chance de fugir.”

    9-12 Então, Jacó orou: “Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, o Eterno, que me disseste: ‘Volte para a terra de seus pais, e farei bem a você’. Não mereço todo o amor e toda a fidelidade que tens demonstrado para comigo. Quando saí deste lugar e atravessei o Jordão, levava apenas a roupa do corpo, mas olha para mim hoje: dois acampamentos! Por favor, salva-me da fúria e da violência de meu irmão! Tenho medo de que ele venha e ataque todos nós, a mim, às mães e às crianças. Tu mesmo disseste: ‘Eu serei bom para você. Tornarei seus descendentes como a areia do mar, tantos que não podem ser contados’.”

    13-16 Ele passou a noite ali mesmo. Então, de tudo que possuía, preparou um presente para seu irmão: duzentas cabras, vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, trinta camelas com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos. Pôs um servo para cuidar de cada grupo de animais e disse: “Vão na frente e mantenham uma boa distância entre cada grupo de animais.”

    17-18 Ao homem que estava na linha de frente, ele deu a seguinte instrução: “Quando meu irmão Esaú chegar perto e perguntar: ‘Quem é seu senhor? Quem é o dono disto tudo?’, responda assim: ‘Seu servo Jacó. Estes são presentes para o meu senhor Esaú. Jacó está a caminho’.”

    19-20 E deu as mesmas instruções ao segundo e ao terceiro empregados, a um de cada vez, à medida que saíam com seus grupos de animais: “Digam: ‘Seu servo Jacó está a caminho’.” Ele pensava: “Vou abrandar a fúria dele com um presente após o outro. Assim, quando eu estiver frente a frente com ele, talvez sinta alegria em me receber.”

    21 Dessa maneira, os presentes seguiram adiante de Jacó, e ele ficou para trás, disposto a passar a noite no acampamento.

    22-23 Mas, durante a noite, ele se levantou, pegou as duas esposas, as duas escravas e seus onze filhos e atravessou o vale do Jaboque. Deixou-os em segurança do outro lado do ribeiro, com todos os seus bens.

    24-25 Jacó ficou sozinho do outro lado, e um homem começou a lutar com ele. A luta durou até o raiar do dia. Quando viu que não conseguia vencê-lo na luta, o homem deslocou de propósito o quadril de Jacó.

    26 O estranho disse: “Deixe-me ir embora, o dia já raiou!.” Mas Jacó retrucou: “Não deixarei você ir sem que me abençoe.”

    27 O homem perguntou: “Qual é o seu nome?.” Ele respondeu: “Jacó.”

    28 E o homem disse: “Não mais. Seu nome não será mais Jacó. De agora em diante, será Israel (Aquele que Luta com Deus). Você lutou com Deus e levou vantagem.”

    29 E Jacó perguntou: “Qual é o seu nome?.” O homem respondeu: “Por que você quer saber o meu nome?.” Dito isso, abençoou Jacó ali mesmo.

    30 Jacó deu ao lugar o nome de Peniel (Face de Deus), pois disse: “Vi Deus face a face e sobrevivi!.”

    31-32 O Sol despontava quando ele saiu de Peniel, mancando por causa do quadril. (É por isso que, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo do quadril, pois o quadril de Jacó foi deslocado).