Categoria: Antigo Testamento

  • Juízes, 3

    1-4 Estas são as nações que o Eterno deixou para testar os israelitas que não tinham experiência nas guerras de Canaã. Ele permitiu que ficassem na terra a fim de treinar os descendentes de Israel, os que não tinham experiência de guerra; na arte de lutar. Ele deixou os cinco opressores filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus que viviam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até Lebo-Hamate. Eles foram deixados para testar a obediência de Israel aos mandamentos que o Eterno transmitiu aos seus antepassados por meio de Moisés.

    5-6 Mas o povo de Israel se sentiu à vontade com os cananeus, os hititas, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Eles tomaram as filhas deles em casamento e deram suas filhas aos filhos desses povos. Também adoraram os seus deuses.

    OTONIEL
    7-8 O povo de Israel agiu mal perante o Eterno. Esqueceram-se do seu Deus e adoraram os deuses de Baal e as deusas de Astarote. A ira do Eterno se acendeu contra Israel. Ele os entregou a Cuchã-Risataim, rei de Arã Naaraim. O povo de Israel serviu Cuchã-Risataim por oito anos.

    9-10 Mas Israel clamou ao Eterno, e o Eterno designou um libertador para salvá-los: Otoniel, sobrinho de Calebe, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe. O Espírito do Eterno veio sobre ele, e Israel se reuniu sob sua liderança. Otoniel foi à guerra, e o Eterno entregou Cuchã-Risataim, rei de Arã Naaraim. Ele derrotou esse rei.

    11 A terra teve paz por quarenta anos. Então, morreu Otoniel, filho de Quenaz.

    EÚDE
    12-14 Logo depois, o povo de Israel voltou a agir mal diante do Eterno. O Eterno instigou Eglom, rei de Moabe, a dominar os israelitas, porque agiram mal diante do Eterno. Eglom convocou os amonitas e os amalequitas, e eles atacaram Israel, conquistando a Cidade das Palmeiras. O povo de Israel ficou catorze anos sob o domínio de Eglom.

    15-19 O povo de Israel clamou ao Eterno, e ele designou um libertador para eles: Eúde, filho de Gera, um benjamita. Ele era canhoto. O povo de Israel enviou tributo por meio dele ao rei Eglom de Moabe. Eúde fez para si uma espada curta de dois gumes e a prendeu à coxa direita por baixo da roupa. Ele entregou o tributo a Eglom, rei de Moabe. Eglom era muito gordo. Depois de entregar o tributo, ele saiu com os carregadores do tributo. Mas, quando chegou até as imagens de pedra, perto de Gilgal, ele deu meia-volta, retornou e disse: “Tenho um assunto particular com você, ó rei!” O rei ordenou aos que estavam na sala: “Retirem-se!” E todos saíram.

    20-24 Eúde aproximou-se dele — o rei estava sozinho em sua sala de verão, no pavimento superior — e disse: “Tenho uma mensagem da parte de Deus para você.” Eglom levantou-se do trono. Com a mão esquerda, Eúde pegou a espada presa à coxa direita e esfaqueou o rei na barriga. A lâmina penetrou nele, e também o cabo. A gordura se fechou sobre a arma; por isso, não foi possível retirá-la. Eúde escapou pelo terraço e, depois de trancar a porta da sala, desapareceu. Quando os servos do rei chegaram, ficaram surpresos ao ver a porta da sala trancada. Disseram: “Provavelmente ele está no banheiro, fazendo suas necessidades.”

    25 Eles aguardaram, mas, depois de um tempo, ficaram preocupados, porque ele não abria a porta. Finalmente, encontraram uma chave e entraram na sala. Encontraram seu senhor deitado no chão — morto!

    26-27 Enquanto confabulavam ao redor do morto, tentando decidir o que fazer, Eúde já estava longe. Já tinha passado pelas imagens de pedra e fugido para Seirá. Quando chegou ali, tocou a trombeta nas montanhas de Efraim. O povo de Israel desceu dos montes e se uniu ao novo líder.

    28 Ele disse: “Sigam-me, pois o Eterno entregou o inimigo — Moabe — a vocês!” Eles desceram com ele e ocuparam a travessia do Jordão que ficava perto de Moabe. Assim, ninguém podia atravessar o rio.

    29-30 Na ocasião, eles mataram cerca de dez mil moabitas, todos bem alimentados e fortes. Ninguém escapou. Naquele dia, Moabe foi subjugado por Israel. A terra teve paz por oitenta anos.

    SANGAR
    31 Sangar, filho de Anate, sucedeu Eúde como juiz. Com uma aguilhada de bois, ele matou sozinho seiscentos filisteus. Ele também libertou Israel.

  • Juízes, 2

    1-2 O anjo do Eterno subiu de Gilgal para Boquim e disse: “Eu tirei vocês do Egito. Eu conduzi vocês para a terra que prometi aos seus antepassados. Eu prometi que nunca quebraria minha aliança com vocês — nunca! Alertei que jamais fizessem aliança com o povo que vive nesta terra, que destruíssem seus altares! Mas vocês não me obedeceram! O que é que vocês estão fazendo?

    3 “Então, agora, aviso que não vou mais expulsar essa gente da presença de vocês. Eles serão um tropeço; e seus deuses, uma armadilha para vocês.”

    4-5 Quando o anjo do Eterno falou todas essas palavras a todo o povo de Israel, eles choraram. E como choraram! Tanto que deram ao lugar o nome de Boquim (Chorões). Então, ofereceram sacrifícios ao Eterno ali. 6-9 Depois de Josué despedir o povo de Israel, cada um foi para o território de sua herança e tomou posse da terra. O povo serviu ao Eterno durante toda a vida de Josué e dos líderes que o sucederam, mas que também tinham presenciado todas as grandes coisas que o Eterno fez por Israel. Josué, filho de Num, servo do Eterno, morreu. Ele tinha 110 anos de idade. Foi sepultado na terra de sua herança em Timnate-Heres, nas montanhas de Efraim, no norte do monte Gaás.

    10 Tempos depois, toda aquela geração morreu e foi sepultada. E surgiu outra geração que não conhecia o Eterno nem as grandes coisas que ele tinha feito por Israel.

    11-15 Então, o povo de Israel agiu mal diante do Eterno: eles começaram a servir aos deuses de Baal. Abandonaram o Eterno, o Deus de seus pais que os tirou do Egito, e seguiram os deuses dos povos ao redor. Começaram até a adorá-los! Provocaram a ira do Eterno, adorando o deus Baal e a deusa Astarote. O Eterno ficou furioso com Israel e os entregou aos saqueadores, que os assaltaram. Ele os entregou aos inimigos ao redor. Israel não pôde fazer nada contra os inimigos. Sempre que saíam para uma batalha, o Eterno os acompanhava, mas, para lutar contra eles, como ele mesmo tinha advertido e conforme tinha jurado. Eles ficaram muito aflitos.

    16-17 Então, o Eterno passou a designar juizes, que os livravam dos saqueadores. Mas eles não deram ouvidos aos juizes: continuaram a se prostituir com outros deuses — eles os adoraram! Não demoraram a deixar o caminho dos seus antepassados, o caminho da obediência aos mandamentos do Eterno. Eles se negaram a seguir esse caminho.

    18-19 Quando o Eterno levantava um juiz para defendê-los, ele apoiava o juiz e livrava o povo da opressão dos inimigos durante toda a vida daquele juiz, pois o Eterno sentia compaixão sempre que pediam socorro por causa daqueles que os afligiam e os atacavam. Mas, quando morria o juiz, o povo retornava à velha maneira de viver e eles se tornavam piores que seus antepassados! Seguiam outros deuses, servindo-os e adorando-os. Eram teimosos como mulas: não deixavam as suas práticas perversas.

    20-22 Por isso, a ira do Eterno se acendeu contra Israel. Ele disse: “Já que este povo desprezou a aliança que fiz com seus antepassados, não dando ouvidos a mim, não expulsarei mais nenhum cidadão das nações que Josué deixou quando morreu. Elas servirão de teste, para ver se o povo de Israel permanece nos caminhos do Eterno, como seus antepassados fizeram.”

    23 Foi por isso que o Eterno deixou aquelas nações ali. Ele não as expulsou nem permitiu que Josué as eliminasse.

  • Juízes, 1

    1 Depois da morte de Josué, o povo de Israel perguntou ao Eterno: “Quem vai tomar a iniciativa de atacar os cananeus?”

    2 E o Eterno respondeu: “Judá irá. Eu entreguei a terra nas mãos deles.”

    3 Os homens de Judá disseram aos homens de Simeão, seu irmão: “Venham conosco ao nosso território para nos ajudar a atacar os cananeus. Depois, iremos para o território de vocês.” Então, Simeão foi com eles.

    4 Judá atacou. O Eterno entregou os cananeus e os ferezeus nas mãos deles. Judá os derrotou em Bezeque — dez unidades militares!

    5-7 Depois, alcançaram Adoni-Bezeque e lutaram contra ele. Massacraram os cananeus e os ferezeus. Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram e o capturaram. Eles cortaram os polegares das mãos e dos pés dele. Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis sem os polegares das mãos e dos pés rastejavam, comendo migalhas debaixo da minha mesa. Agora Deus fez comigo o que eu fiz com eles.” Eles o levaram para Jerusalém, e ele morreu ali.

    8-10 O povo de Israel atacou e capturou Jerusalém. Subjugaram a cidade pela espada e a incendiaram. Depois disso, foram atacar os cananeus que viviam nas montanhas, no Neguebe e nas planícies. Em seguida, avançaram contra os cananeus que viviam em Hebrom (Hebrom era chamada Quiriate-Arba) e derrotaram Sesai, Aimã e Talmai.

    11-12 Dali, foram atacar a população de Debir (Debir era chamada Quiriate-Sefer). Calebe tinha prometido: “Darei minha filha Acsa em casamento a quem atacar e conquistar Quiriate-Sefer.”

    13 Otoniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, a conquistou; então, Calebe deu-lhe em casamento sua filha Acsa.

    14-15 Quando ela chegou, fez que ele pedisse um campo a seu pai. Quando ela desceu do jumento Calebe perguntou: “O que você deseja?” Ela respondeu: “Dê-me um presente de casamento. Você já me deu terras desertas. Dê-me agora fontes de água!” Então, ele lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores. Hl

    16 Os descendentes de Hobabe, o queneu, sogro de Moisés, saíram com os moradores de Judá da cidade das Palmeiras para o deserto de Judá, na descida de Arade. Eles passaram a viver ali com os amalequitas.

    17 O povo de Judá saiu com seus parentes simeonitas, eles atacaram os cananeus que viviam em Zefate. Eles executaram a santa condenação e mudaram o nome de Zefate para Cidade Maldita.

    18-19 Judá não conseguiu conquistar Gaza, Ascalom e Ecrom, com os seus territórios. Mas o Eterno estava com Judá, pois eles conquistaram a região montanhosa. Mas não conseguiram expulsar os povos das planícies, porque eles tinham carros de ferro.

    20 Eles deram Hebrom a Calebe, como Moisés havia instruído. Calebe expulsou os três filhos de Enaque.

    21 O povo de Benjamim não conseguiu expulsar os jebuseus que viviam em Jerusalém. Os benjamitas e os jebuseus vivem até hoje lado a lado em Jerusalém.

    22-26 A tribo de José atacou Betel, e o Eterno estava com eles. José enviou espiões para examinar o lugar. Betel era chamada Luz. Os espiões viram um homem saindo da cidade e disseram: “Mostre-nos como entrar na cidade, e cuidaremos bem de você.” O homem mostrou como entrar. Eles mataram todos os moradores da cidade, exceto o homem e sua família. Ele se mudou para o território dos hititas, construiu uma cidade e deu a ela o nome de Luz — esse é seu nome até hoje.

    27-28 Manassés não conseguiu expulsar o povo de Bete-Seã, Taanaque, Dor, Ibleã e Megido e do território ao redor. Os cananeus fincaram o pé e não cederam. Quando Israel se fortaleceu, eles submeteram os cananeus a trabalhos forçados, mas nunca se livraram deles.

    29 Efraim não conseguiu expulsar os cananeus que viviam em Gezer. Os cananeus resistiram e permaneceram na terra com eles.

    30 Nem Zebulom conseguiu expulsar os cananeus de Quitrom e Naalol. Eles continuaram vivendo ali, mas foram submetidos a trabalhos forçados.

    31-32 Aser não conseguiu expulsar o povo de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque e Reobe. Já que não conseguiu expulsar os cananeus, Aser teve de conviver com eles.

    33 Naftali também não conseguiu expulsar o povo de Bete-Semes e Bete-Anate. Por isso, a tribo de Naftali ocupou a terra, mas teve de conviver com os antigos moradores, embora os tenha submetido a trabalhos forçados.

    34-35 Os amorreus forçaram o povo de Dã a ocupar as montanhas e não deixaram que eles descessem para as planícies. Os amorreus resistiram e ficaram no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim. Mas, quando os descendentes de José ocuparam as regiões superiores, eles também foram submetidos a trabalhos forçados.

    36 A fronteira dos amorreus se estendia desde a subida de Acrabim até Selá, mais adiante.

  • Rute, 4

    1 Boaz foi direto para a praça da cidade e ficou aguardando. Logo, apareceu o parente mais próximo, que Boaz tinha mencionado. Boaz o chamou: “Chegue aqui, amigo! Sente-se.” O homem o atendeu.

    2 Boaz chamou dez líderes da cidade e disse: “Sentem-se conosco. Precisamos tratar de um assunto.” Eles se sentaram.

    3-4 Então, Boaz disse a seu parente: “A propriedade que pertencia ao nosso parente Elimeleque foi vendida pela viúva, que voltou recentemente de Moabe. Eu queria que você soubesse disso. Se quiser, você poderá comprá-la de volta. Pode oficializar o resgate na presença dos que estão sentados aqui e dos líderes da cidade. A preferência para resgatar a propriedade é sua. Mas, se não quiser, diga-me, para que eu saiba o que fazer. Você tem preferência, e o próximo da lista sou eu.” Ele respondeu: “Eu comprarei.”

    5 Boaz acrescentou: “Sem dúvida, você está ciente de que, quando você comprar o campo de Noemi, terá de assumir Rute, a moabita, viúva de nosso falecido parente, como parte da responsabilidade de resgatador, e ter filhos com ela, para manter a herança da família.”

    6 Mas aí o homem disse: “Nesse caso, não posso resgatar a propriedade, porque estaria arriscando o que já é minha herança. Você está livre para fazê-lo. Cedo meus direitos, pois não posso resgatá-la.”

    7 Antigamente, em Israel, era assim que se tratavam negócios de propriedade e herança: o homem tirava as próprias sandálias e as entregava para a outra pessoa. Em Israel, isso correspondia a um selo oficial ou uma assinatura.

    8 Então, quando o parente resgatador de Boaz disse: “Você está livre para comprar a propriedade”, ele tirou as sandálias para selar o acordo.

    9-10 No mesmo dia, Boaz declarou aos líderes e a todos os habitantes da cidade que estavam na praça: “Vocês são testemunhas de que comprei de Noemi tudo que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom. Também assumi a responsabilidade pela estrangeira Rute, viúva de Malom. Eu a tomarei por mulher, para preservar a herança do falecido. A lembrança e a reputação do falecido não desaparecerão da família dela nem de sua cidade natal. Vocês hoje são testemunhas disso.”

    11-12 O povo da cidade e os líderes concordaram: “Sim, somos testemunhas. Que o Eterno torne essa mulher que entra em sua família como Raquel e Lia, as mulheres que constituíram a família de Israel. Que o Eterno o torne uma coluna em Efrata e famoso em Belém! Que os filhos concedidos a você pelo Eterno por meio dessa jovem constituam uma família tão forte quanto a de Perez, filho que Tamar deu a Judá.”

    13 Boaz casou-se com Rute. Ela passou a ser sua mulher. Ele teve relações com ela, e, pela graça do Eterno, ela engravidou e deu à luz um filho.

    14-15 As mulheres da cidade disseram a Noemi: “Bendito seja o Eterno! Ele não deixou você sem descendente para cuidar. Que esse filho cresça e seja respeitado em Israel! Ele fará você se sentir jovem outra vez e cuidará de você na velhice. E sua nora, que o trouxe ao mundo e a ama tanto, sem dúvida é uma bênção maior que sete filhos!”

    16 Noemi pegou o menino e o segurou no colo. Acariciou-o, beijou-o e cuidou dele com todo carinho.

    17 As vizinhas começaram a chamá-lo “o menino da Noemi”! Mas seu nome verdadeiro era Obede. Obede foi o pai de Jessé, e Jessé foi o pai de Davi.

    18-22 Esta é a descendência de Perez: Perez foi o pai de Hezrom; Hezrom foi o pai de Rão; Rão foi o pai de Aminadabe; Aminadabe foi o pai de Naassom; Naassom foi o pai de Salmom; Salmom foi o pai de Boaz; Boaz foi o pai de Obede; Obede foi o pai de Jessé; Jessé foi o pai de Davi.

  • Rute, 3

    1-2 Certo dia, Noemi disse a Rute: “Minha filha, não acha que está na hora de procurarmos um lar para você, para que você seja feliz? Boaz, aquele que deixou você trabalhar com as empregadas dele, é nosso parente próximo. Talvez seja o momento de fazer alguma coisa. Hoje à noite, ele vai debulhar cevada na eira.

    3-4 “Por isso, tome um banho e use perfume. Arrume-se e desça para a eira. Mas não deixe ele saber que você está ali até depois de ter comido e bebido. Quando você o vir saindo para se deitar, observe para onde ele vai e siga-o. Deite-se aos seus pés, para que ele saiba que você está disponível para se casar com ele. Depois, aguarde para ver o que ele dirá. Ele dirá a você o que fazer.”

    5 Rute respondeu: “Vou fazer tudo conforme a senhora disse.”

    6 Ela desceu à eira e pôs em prática o plano da sogra.

    7 Boaz se divertiu, comendo e bebendo, e ficou muito alegre. Na hora de dormir, deitou-se perto da cevada. Rute o seguiu de mansinho e se deitou ali também, para mostrar sua disponibilidade para se casar.

    8 No meio da noite, o homem acordou de repente, levantou-se e ficou surpreso quando viu a mulher dormindo a seus pés.

    9 Ele perguntou: “Quem é você?” Ela respondeu: “Sou Rute, sua serva. Proteja-me debaixo das suas asas. O senhor é meu parente próximo e, como sabe, é resgatador: tem o direito de se casar comigo.”

    10-13 Ele disse: “O Eterno abençoe você, minha filha! Que demonstração de amor! Você poderia ter escolhido qualquer outro jovem. Mas não se preocupe. Farei tudo que você quiser ou pedir. Todos na cidade sabem que você é uma mulher corajosa —uma pérola! Você está certa. Sou seu parente próximo, só que há outro mais próximo que eu. Portanto, fique aqui o restante da noite. Amanhã, se esse parente quiser cumprir os seus direitos e deveres de resgatador, ele terá prioridade. Mas, se ele não estiver interessado, juro pelo Eterno que eu o farei. Volte a dormir.”

    14 Rute dormiu aos pés dele até de madrugada, mas se levantou enquanto ainda estava escuro, para não ser reconhecida. Boaz acordou e disse: “Ninguém pode saber que você esteve aqui.”

    15 Ele disse também: “Abra a manta que você trouxe.” Ela abriu a manta, e ele a encheu com seis medidas de cevada e ajeitou o embrulho nos ombros dela. Então, ela voltou para a cidade.

    16-17 Quando ela voltou para sua sogra, Noemi perguntou: “Como foi, minha filha?” Rute contou tudo que o homem tinha feito e disse: “Ele me deu toda esta cevada — seis medidas! — porque me disse: ‘Você não voltará de mãos vazias para a casa de sua sogra!’.”

    18 Noemi disse: “Agora descanse, minha filha, até vermos o que acontecerá. Esse homem não vai perder tempo. Preste atenção no que eu estou dizendo: ele vai resolver a questão hoje mesmo.”

  • Rute, 2

    1 Noemi tinha um parente próximo, homem conhecido e rico, da família de Elimeleque. Ele se chamava Boaz.

    2 Certo dia, Rute, a moabita, disse a Noemi: “Vou sair para trabalhar. Vou apanhar espigas atrás do ceifeiro que me tratar bem.” Noemi concordou: “Vá, minha filha!”

    3-4 Então, ela partiu. Começou a colher espigas atrás dos ceifeiros. Sem perceber, entrou no campo de Boaz, parente de seu falecido sogro. Naquele momento, Boaz chegou de Belém e saudou os trabalhadores: “O Eterno esteja com vocês!” Eles responderam: “O Eterno abençoe o senhor!”

    5 Boaz perguntou ao jovem encarregado dos trabalhadores: “Quem é aquela jovem? De onde ela veio?”

    6-7 O encarregado respondeu: “Ora, ela é a moabita, a que veio com Noemi de Moabe. Ela me pediu: ‘Permita-me recolher e juntar espigas atrás dos ceifeiros’. Desde então, ela está aí, desde cedo até agora, trabalhando quase sem descanso.”

    8-9 Boaz disse a Rute: “Ouça, minha filha. De agora em diante, não vá colher em nenhum outro campo. Fique aqui, com minhas jovens. Observe onde elas estão colhendo e acompanhe-as. Não se preocupe. Dei ordem aos meus servos para não perturbarem você. Quando ficar com sede, beba água dos potes que os trabalhadores encheram.”

    10 Ela se prostrou com o rosto em terra: “Por que o senhor me trata com bondade, logo eu, uma estrangeira?”

    11-12 Boaz respondeu: “Já me falaram a seu respeito. Soube que você tratou bem sua sogra depois da morte de seu sogro e que deixou seu pai, sua mãe e sua terra natal para morar no meio de desconhecidos. Que o Eterno a recompense pelo que você fez e que o Deus de Israel, a quem pediu abrigo, seja generoso para com você.”

    13 Ela disse: “Senhor, quanta generosidade e quanta bondade! Eu não mereço! Fico comovida de ser tratada dessa maneira, pois nem sou daqui.”

    14 Na hora de comer, Boaz convidou-a: “Venha cá. Coma um pedaço de pão, molhe-o no vinho.” Ela se juntou aos trabalhadores. Boaz passou o grão torrado para ela. Ela comeu a porção dela, e ainda sobrou.

    15-16 Quando ela se levantou para voltar ao trabalho, Boaz deu ordem aos seus servos: “Deixem que ela ajunte onde ainda há bastante espiga no chão. Facilitem o trabalho para ela. Aliás, deixem para trás algumas das boas espigas, para ela ajuntar. Quero que deem a ela um tratamento especial.”

    17-18 Rute recolheu espigas no campo até a tarde. Ela debulhou o que havia colhido, e chegou a quase uma arroba de cevada. Ela juntou tudo, voltou para a cidade e mostrou para a sogra o resultado do seu dia de trabalho. Ela também trouxe o que sobrou do almoço.

    19 Noemi perguntou: “Onde você colheu hoje? No campo de quem você esteve? Bendito seja aquele que cuidou tão bem de você!” Rute contou à sua sogra: “O homem com quem trabalhei hoje se chama Boaz.”

    20 Noemi disse à sua nora: “O Eterno o abençoe! Afinal, Deus ainda não nos abandonou! Ele nos ama, tanto na hora difícil quanto nos bons momentos!” Noemi prosseguiu: “Rute, aquele homem é nosso parente. Ele é um de nossos resgatadores.”

    21 Rute, a moabita, disse: “E tem mais. Ele também me disse: ‘Fique com minhas trabalhadoras até o fim da colheita.”

    22 Noemi disse a Rute: “Que notícia maravilhosa, minha filha! Faça isso! Você estará protegida na companhia dessas moças; agora não há perigo de você ser molestada no campo de um estranho.”

    23 Assim, Rute continuou a recolher espigas nos campos todos os dias, com as trabalhadoras de Boaz, até o fim da colheita do trigo e da cevada. Ela continuava morando com sua sogra.

  • Rute, 1

    1-2 Houve uma época, quando os juizes eram os líderes de Israel, em que uma fome assolou a terra. Um homem de Belém de Judá deixou sua casa e foi morar em Moabe. Ele levou a mulher e dois filhos. O homem chamava-se Elimeleque, sua mulher, Noemi, e seus filhos, Malom e Quiliom. Eram efrateus, de Belém de Judá. Os quatro mudaram-se para Moabe.

    3-5 Elimeleque morreu, deixando Noemi e seus dois filhos. Os filhos se casaram com mulheres moabitas: a primeira se chamava Orfa, e a outra, Rute. Eles viveram ali dez anos. Mas os irmãos Malom e Quiliom também morreram, e Noemi ficou sem seus filhos e sem marido.

    6-7 Certo dia, ela resolveu deixar Moabe e voltar para a sua terra, pois ficou sabendo que o Eterno tinha se agradado em visitar seu povo e tinha mandado alimento. Por isso, ela e as duas noras deixaram a cidade em que estavam morando para retomar à terra de Judá.

    8-9 Quando estavam a caminho, Noemi disse às noras: “É melhor que vocês voltem para a casa de sua mãe. Que o Eterno tenha compaixão de vocês pelo que fizeram ao meu falecido marido e a mim. Que o Eterno dê a cada uma de vocês um novo lar e outro marido!” Ela as beijou e choraram alto.

    10 Elas responderam: “Não faremos isso. Iremos com você de volta para o seu povo.”

    11-13 Mas Noemi insistiu: “Voltem, minhas filhas! Por que vocês querem ir comigo? Acham que ainda vou ter filhos e que eles vão se casar com vocês no futuro? Voltem, minhas filhas! Vão para casa! Estou muito velha para ter marido. Mesmo que eu dissesse: Ainda há esperança!’, e hoje mesmo me casasse e tivesse filhos, vocês esperariam até eles crescerem? Aguardariam tanto tempo para casar novamente? Não, minhas filhas, para mim, essa é uma experiência muito amarga, mais do que para vocês. O Eterno foi severo comigo.”

    14 Elas começaram a chorar outra vez. Orfa beijou a sogra e se despediu, mas Rute abraçou Noemi e ficou com ela.

    15 Noemi disse: “Veja, sua concunhada voltou para casa para morar com seu povo e seus deuses. Volte com ela.”

    16-17 Mas Rute disse: “Não me force a abandoná-la. Não me faça voltar para casa. Aonde você for, eu também irei. Onde você viver, eu viverei. O seu povo será o meu povo, e o seu Deus, o meu Deus. Onde você morrer, também eu morrerei, e ali serei sepultada. Que o Eterno me ajude. Nem a morte nos separará!”

    18-19 Quando Noemi percebeu que Rute estava determinada a acompanhá-la, desistiu de tentar convencê-la a ficar. Então, as duas foram para Belém. Quando chegaram a Belém, a cidade inteira comentou: “Será que é mesmo Noemi? Depois de tanto tempo, ela está de volta!”

    20-21 Ela respondia: “Não me chamem de Noemi, mas de Amarga. O Todo-poderoso foi severo comigo. Saí daqui cheia de vida, mas o Eterno me fez voltar sem nada, apenas com a roupa do corpo. Por que vocês me chamariam de Noemi? O Eterno não o faria. O Todo-poderoso arrasou comigo.”

    22 Foi assim que Noemi voltou de Moabe, com Rute, a moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada.

  • 1a Samuel, 31

    SAUL E JÔNATAS MORTOS NA MONTANHA
    1-2 Os filisteus atacaram Israel, e os homens de Israel fugiram dos filisteus. Muitos caíram feridos no monte Gilboa. Os filisteus alcançaram Saul e seus filhos e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.

    3-4 A batalha foi intensa em torno de Saul. Os arqueiros chegaram perto dele e o feriram gravemente; por isso, Saul disse ao seu escudeiro: “Pegue sua espada e me mate, para que eu não seja morto nas mãos desses pagãos profanos e seja humilhado por eles.”

    4-6 Mas seu escudeiro não teve coragem de matar o rei. Então, o próprio Saul se jogou sobre a sua espada. Quando o escudeiro viu que Saul estava morto, também se jogou sobre a própria espada e morreu. Assim, Saul, seus três filhos e seu escudeiro, os mais próximos dele, morreram naquele dia.

    7 Quando os israelitas que estavam no vale do outro lado e os que estavam do outro lado do Jordão perceberam que o exército fugia e que Saul e seus filhos tinham morrido, abandonaram suas cidades e fugiram, para se salvar. Os filisteus entraram e ocuparam as cidades.

    8-10 No dia seguinte, quando os filisteus vieram saquear os mortos, encontraram Saul e seus três filhos mortos no monte Gilboa. Eles cortaram a cabeça de Saul e tiraram sua armadura. Em seguida, espalharam a notícia por todo o território dos filisteus, nos santuários dos seus ídolos e entre todo o povo. Eles exibiram a armadura de Saul no santuário de Astarote e penduraram seu corpo no muro de Bete-Seã.

    11-13 Os moradores de Jabes-Gileade ouviram o que os filisteus fizeram a Saul, e alguns homens corajosos dentre eles partiram para a ação. Viajaram a noite toda, resgataram o corpo de Saul e de seus três filhos do muro de Bete-Seã e os levaram de volta para Jabes, onde os queimaram. Depois, enterraram os ossos debaixo de uma tamareira, ali mesmo, na cidade e guardaram luto com jejum durante sete dias.

  • 1a Samuel, 30

    A FORÇA DE DAVI ESTÁ NO SENHOR
    1-3 Três dias depois, Davi e seus homens chegaram de volta a Ziclague e viram que os amalequitas tinham atacado a cidade e o Neguebe. Ziclague tinha sido incendiada, e as mulheres, os jovens e os velhos tinham sido feitos prisioneiros. Não mataram ninguém, mas levaram o povo, como se fosse um rebanho. Davi e seus homens encontraram a cidade destruída. Suas mulheres, seus filhos e filhas tinham sido levados prisioneiros.

    4-6 Davi e seus homens choraram incontrolavelmente, até esgotar suas forças. As duas mulheres de Davi, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo, também foram levadas prisioneiras com os demais. De repente, Davi percebeu que estava em apuros, pois os homens, ressentidos com a perda de suas mulheres, falavam em apedrejá-lo.

    6-7 Mas ele encontrou forças no Eterno, o seu Deus, e disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: “Traga o colete sacerdotal para que eu consulte o Eterno.” Abiatar trouxe o colete a Davi.

    8 Davi orou ao Eterno: “Devo perseguir os invasores? Irei alcançá-los?” O Eterno respondeu: “Persiga-os. Você os alcançará e conseguirá tomar de volta o que levaram.”

    9-10 Davi saiu com os seus seiscentos homens. Chegaram ao ribeiro de Besor, e alguns deles resolveram ficar ali. Davi e quatrocentos homens iriam continuar a perseguição, mas duzentos deles estavam cansados demais para atravessar o ribeiro; por isso, não seguiram adiante.

    11-12 Alguns dos que atravessaram o Besor encontraram um egípcio no campo e o levaram a Davi. Eles deram comida ao homem, e ele comeu. Também bebeu água. Deram-lhe um pedaço de bolo de figo e alguns bolinhos de passas, e ele começou a recuperar as forças, pois não tinha comido nem bebido nada durante três dias e três noites!

    13-14 Davi perguntou: “Quem é você? De onde você vem?” Ele respondeu: “Sou egípcio, escravo de um amalequita. Meu senhor me abandonou quando fiquei doente, três dias atrás. Atacamos a região ao sul dos queretitas, de Judá e do território de Calebe. Também incendiamos Ziclague.”

    15 Davi fez outra pergunta: “Você consegue nos levar até os invasores?” Ele respondeu: “Se o senhor me prometer, diante de Deus, que não me matará nem me entregará a meu senhor, eu os levarei diretamente a eles.”

    16 Assim, o homem guiou Davi até os invasores. Eles estavam espalhados por todo o acampamento, comendo, bebendo e comemorando o resultado do saque da terra dos filisteus e de Judá.

    17-20 Davi os atacou no dia seguinte. Lutou contra eles desde o amanhecer até a noite. Ninguém escapou, exceto quatrocentos guerreiros, os mais jovens, que fugiram montados em camelos. Davi resgatou tudo que os amalequitas tinham levado. Resgatou também suas duas mulheres! Ninguém morreu e nada foi perdido: jovens, velhos, filhos, filhas, bens ou qualquer outra coisa. Davi recuperou tudo. Eles ainda levaram as ovelhas e os bois que pertenciam aos amalequitas, e todos gritavam: “Estes são os despojos de Davi!”

    21 Davi fez o caminho de volta até os duzentos homens que permaneceram no ribeiro de Besor por estarem cansados demais para continuar com ele. Eles vieram ao encontro de Davi e seus homens. Quando Davi se aproximou, gritou para eles: “Foi um sucesso!”

    22 Mas os homens mal-intencionados e perversos que tinham acompanhado Davi reclamaram: “Quem não ajudou no ataque não vai ter sua parte nos despojos. Podem pegar de volta sua mulher e seus filhos, mas apenas isso. É só o que irão levar.”

    23-25 Davi os interrompeu: “Não é assim que se faz em família, meus irmãos! Não podemos agir assim com aquilo que o Eterno nos entregou! Deus nos protegeu. Ele nos entregou os homens que nos atacaram. Quem daria ouvidos a essa conversa? A parte dos que ficaram com a bagagem será a mesma dos que saíram para a batalha. Todos receberão partes iguais!” Dali em diante, Davi estabeleceu essa regra em Israel, válida até hoje.

    26-31 Ao voltar a Ziclague, Davi mandou parte do despojo para os líderes de Judá, seus vizinhos, com o seguinte recado: “Este é um presente do despojo dos inimigos do Eterno!” Receberam presentes os líderes de Betel, de Ramote do Neguebe, de Jatir, de Aroer, de Sifmote, de Estemoa, de Racal, das cidades dos jerameelitas, das cidades dos queneus, de Hormá, de Corasã, de Atace, de Hebrom e de vários outros lugares que Davi e seus homens visitavam de tempos em tempos.

  • 1a Samuel, 29

    1-2 Os filisteus reuniram suas tropas em Afeque. Israel montou acampamento perto da fonte de Jezreel. Enquanto os comandantes filisteus avançavam com os seus regimentos e pelotões, Davi e seus homens iam à retaguarda, com Aquis.

    3 Mas os oficiais filisteus se reuniram e disseram: “O que esses hebreus estão fazendo aqui?” Aquis respondeu aos oficiais: “Vocês não reconhecem Davi, que era servo do rei Saul de Israel? Ele está comigo há muito tempo. Não tenho nenhuma reclamação dele desde que abandonou Saul.”

    4-5 Os oficiais filisteus ficaram furiosos com Aquis e disseram: “Mande-o de volta para o lugar de onde ele veio! Ele não vai sair à guerra conosco. Ele poderá mudar de lado no meio da batalha. Seria uma ótima oportunidade para ele resgatar a confiança do seu senhor à custa da cabeça dos nossos soldados. Não é esse o mesmo Davi que aclamavam, cantando: ‘Saul matou milhares; Davi, dezenas de milhares’?”

    6-7 Assim, Aquis mandou dizer a Davi: “Assim como vive o Eterno, você tem sido um aliado merecedor de toda a confiança. Tem sido correto em tudo que fez para mim. Não tenho nenhuma reclamação de sua conduta. Mas os comandantes não entendem assim. Por isso, é melhor você voltar em paz. Não vale a pena aborrecer os comandantes filisteus.”

    8 Davi perguntou: “Mas o que foi que eu fiz? O senhor tem alguma reclamação contra mim desde quando vim para cá? Por que não posso lutar contra os inimigos do meu senhor, o rei?”

    9-10 Aquis respondeu: “Concordo com você. Na minha opinião, você é boa gente. É como um anjo de Deus! Mas os comandantes filisteus estão irredutíveis. Disseram: ‘Ele não pode ir conosco para a guerra’. Por isso, você e seus homens precisam ir embora. Assim que clarear o dia, e puderem viajar, deixem o acampamento.”

    11 Davi e seus homens se levantaram bem cedo e, ao clarear do dia, estavam a caminho, de volta para a terra dos filisteus. Os filisteus foram para Jezreel.