Categoria: Antigo Testamento

  • 1a Samuel, 28

    1 Naquele tempo, os filisteus convocaram o exército para lutar contra lsrael. Aquis disse a Davi: “Você e seus homens sairão à guerra com as minhas tropas.”

    2 Davi respondeu: “Está bem! Você mesmo verá o que eu sou capaz de fazer!” Aquis disse: “Ótimo! Você fará parte da minha guarda pessoal para sempre!”

    SAUL ORA, MAS DEUS NÃO RESPONDE
    3 Samuel já tinha morrido. Todo o Israel tinha lamentado sua morte e o tinha sepultado em sua cidade natal, Ramá. Saul tinha eliminado da nação todos os que consultavam os espíritos dos mortos.

    4-5 Os filisteus convocaram suas tropas e acamparam em Suném. Saul reuniu todo o Israel e acampou em Gilboa. Mas, quando Saul viu as tropas dos filisteus, tremeu de medo.

    6 Saul orou ao Eterno, mas Deus não respondeu, nem por sonhos, nem por sinais, nem por meio de algum profeta.

    7 Aflito, Saul deu ordens aos seus oficiais: “Procurem alguém que possa invocar os espíritos, para que eu me aconselhe com esses espíritos.” Os oficiais disseram: “Há uma mulher em En-Dor.”

    8 Saul disfarçou-se, vestindo outra roupa e, na companhia de dois homens, foi, à noite, procurar a mulher. Ele pediu a ela: “Quero que você consulte para mim um espírito. Faça subir a pessoa de quem eu disser o nome.”

    9 A mulher respondeu: “Espere um pouco! Você sabe que Saul eliminou todos os que consultavam espíritos dos mortos da nação. Você sabe que está me pondo numa situação que pode me levar à morte, não é?”

    10 Saul jurou solenemente: “Assim como vive o Eterno, você não será castigada por isso”.

    11 A mulher respondeu: “Então, quem você quer que eu faça subir?” “Samuel, faça subir. Samuel.”

    12 Quando a mulher viu Samuel, gritou para Saul: “Por que mentiu para mim? O senhor é Saul!”

    13 O rei disse a ela: “Não tenha medo. O que você vê?” A mulher respondeu: “Estou vendo um espírito subindo da terra.”

    14 Saul perguntou: “Com quem ele se parece?” Ela disse: “Com um velho que está subindo, vestido como sacerdote.” Saul sabia que era Samuel. Ele se prostrou com o rosto em terra e adorou.

    15 Samuel disse a Saul: “Por que você me perturba, fazendo-me subir?” Saul respondeu: “Porque estou profundamente perturbado. Os filisteus estão se preparando para me atacar, e Deus me abandonou. Ele não me responde mais, nem por meio de profeta, nem por sonhos. Por isso, mandei chamá-lo para que me diga o que fazer.”

    16-19 Samuel perguntou: “Mas por que você está perguntando isso para mim? O Eterno abandonou você e se tornou seu adversário. O Eterno fez exatamente o que já tinha dito por meu intermédio. Ele arrancou o reino de suas mãos e o entregou ao seu adversário. Já que você não obedeceu ao Eterno e se recusou a cumprir suas ordens com relação aos amalequitas, o Eterno está fazendo isso com você hoje. Pior ainda, o Eterno está entregando Israel junto com você nas mãos dos filisteus. Amanhã, você e seus filhos estarão comigo. O exército de Israel também será entregue nas mãos dos filisteus.”

    20-22 No mesmo instante, Saul despencou no chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel. Ele não tinha mais forças, pois não tinha comido nada o dia inteiro. A mulher, percebendo que ele estava em estado de choque, disse: “Ouça, eu apenas fiz o que o senhor pediu. Arrisquei a minha vida, cumprindo à risca as suas instruções. Agora, o senhor deve seguir as minhas instruções: coma alguma coisa. Isso dará forças para o senhor seguir seu caminho.”

    23-25 Mas ele recusou. “Não vou comer nada!” Seus acompanhantes concordaram com a mulher e insistiram com ele. Saul finalmente cedeu e sentou-se na cama. A mulher se apressou, matou um bezerro gordo, pegou um pouco de farinha, amassou-a e assou alguns pães sem fermento. Ela serviu a Saul e sua comitiva. Depois de se satisfazerem, eles se levantaram e seguiram seu caminho, ainda naquela noite.

  • 1a Samuel, 27

    1 Davi pensou: “Uma hora dessas, Saul vai conseguir me capturar. Melhor eu fugir para a terra dos filisteus. Ele vai me considerar uma causa perdida e desistirá de me perseguir por todos os cantos de Israel, porque estarei fora do seu alcance para sempre.”

    2-4 Davi partiu com os seus seiscentos homens e foi recorrer a Aquis, filho de Maoque, rei de Gate. Eles se estabeleceram em Gate sob a proteção de Aquis. Cada um deles levou sua família. Davi levou suas duas esposas, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, viúva de Nabal do Carmelo. Quando Saul recebeu a notícia que Davi tinha fugido para Gate, desistiu de persegui-lo.

    5 Davi disse a Aquis: “Se o senhor concordar, designe para mim um lugar entre as aldeias rurais. Não me parece correto que eu, mero servo, esteja vivendo na cidade real.”

    6-7 Aquis designou Ziclague. Foi assim que Ziclague veio a ser o que é hoje, cidade dos reis de Judá. Davi residiu um ano e quatro meses entre os filisteus.

    8-9 De vez em quando, Davi e seus homens atacavam os gesuritas, os gersitas e os amalequitas. Esses povos eram antigos habitantes da terra que se estende de Sur até o Egito. Quando Davi atacava uma região, não deixava ninguém vivo, nem homem nem mulher, e levava tudo: ovelhas, bois, jumentos, camelos e roupas. Depois, voltava para Aquis.

    10-11 Quando Aquis perguntava: “Quem você atacou hoje?” Davi respondia: “Hoje, foi o sul de Judá, ou o sul de Jerameel, ou o sul dos queneus.” Ele nunca deixava um único sobrevivente, para que ninguém aparecesse em Gate e denunciasse Davi. Davi agiu assim durante todo o tempo em que viveu entre os filisteus.

    12 Aquis passou a confiar totalmente em Davi. Ele pensava: “Ele foi tão odiado pelo seu povo que permanecerá comigo para sempre.”

  • 1a Samuel, 26

    OBCECADO POR UMA PULGA
    1-3 Alguns zifeus procuraram Saul em Gibeá e disseram: “Sabia que Davi está escondido na colina de Haquilá, do outro lado de Jesimom?” No mesmo instante, Saul se levantou e partiu para o deserto de Zife, levando três mil dos melhores soldados para procurar Davi naquele deserto. Ele ficou acampado perto da estrada, na colina de Haquilá, do outro lado de Jesimom.

    3-5 Davi, ainda no deserto, soube que Saul estava atrás dele. Ele enviou espiões para descobrir onde exatamente Saul estava. Depois que descobriu, Davi foi até o lugar em que Saul estava acampado e descobriu onde estava a tenda de Saul e Abner, filho de Ner, seu general. Saul estava bem protegido dentro do acampamento, rodeado por seu exército.

    6 Davi perguntou a Aimeleque, o hitita, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe: “Qual de vocês vai entrar comigo no acampamento de Saul?” Abisai respondeu: “Eu vou junto.”

    7 À noite, Davi e Abisai entraram no acampamento e encontraram Saul deitado lá no meio, dormindo. Sua lança estava fincada no chão, perto da cabeça dele. Abner e seus soldados estavam espalhados, dormindo profundamente.

    8 Abisai disse: “É agora! Deus entregou o inimigo em suas mãos. Deixe-me cravá-lo ao chão com a lança dele. Basta um golpe, não vou precisar de outro!”

    9 Mas Davi disse a Abisai: “Não se atreva a machucá-lo! Ninguém pode ferir o ungido do Eterno e escapar impune.”

    10-11 Ele prosseguiu: “Assim como vive o Eterno, Deus mesmo irá matá-lo, ou seu dia chegará, e ele morrerá em casa ou ferido em batalha, mas, longe de mim, tocar no ungido do Eterno. Agora, pegue a lança dele e o cantil de água, e vamos sair daqui!”

    12 Depois de pegar a lança e o cantil de água que estavam perto da cabeça de Saul, eles foram embora. Ninguém percebeu nada. Ninguém acordou! Todos ficaram dormindo o tempo todo, porque um profundo sono, vindo do Eterno, tinha caído sobre eles.

    13-14 Davi foi para o outro lado do monte e escolheu a um local distante, lá no alto. Daquela distância segura, Davi gritou para o exército e para Abner, filho de Ner: “Abner, até quando vou ter de esperar vocês acordarem e me responderem?” Abner disse: “Quem está chamando o rei?”

    15-16 Davi disse: “Você não está no comando aí? Por que não está fazendo o seu trabalho? Por que não protege o seu senhor, o rei, quando um soldado põe a vida dele em perigo? Você não está cumprindo o seu dever! Assim como vive o Eterno, você deveria ser executado, e toda a guarda pessoal do rei também. Veja o que tenho em minhas mãos: a lança e o cantil do rei, que estavam ao lado dele!”

    17-20 Saul, reconhecendo a voz de Davi, perguntou: “É você, meu filho Davi?” Davi respondeu: “Sim, sou eu, ó rei, meu senhor. Por que o senhor me persegue? O que fiz de errado? Que crime cometi? Ouça, meu senhor e meu rei, o que o seu servo tem a dizer. Se o Eterno incitou o senhor contra mim, então, entrego a minha vida em sacrifício. Mas, se foram os homens que o instigaram, que sejam banidos da presença do Eterno! Eles cercearam o meu direito na herança do Eterno como se dissessem: ‘Vá embora! Vá servir outro deus!’. Mas o senhor não se livrará de mim tão facilmente, não conseguirá me separar do Eterno, na vida ou na morte. Que absurdo! O rei de Israel obcecado por uma pulga, perseguindo uma perdiz na montanha!”

    21 Saul reconheceu: “Tem razão, errei! Volte, meu filho Davi! Não causarei mais nenhum mal a você. Você foi leal para comigo, respeitando minha vida, enquanto eu estou sendo insensato e cometendo grande erro.”

    22-24 Davi respondeu: “Está vendo isto aqui? É a lança do rei. Mande um dos soldados buscá-la. Ao Eterno compete decidir o que fazer com cada um de nós, com respeito ao que é correto. O Eterno entregou sua vida em minhas mãos hoje, mas eu não quis levantar nem mesmo um dedo contra o ungido do Eterno. Assim como respeitei sua vida hoje, que o Eterno tenha consideração pela minha e me livre desta aflição.”

    25 Saul disse a Davi: “Bendito seja você, meu filho Davi! Faça o que tem de fazer. Espero que seja bem-sucedido em todos os seus esforços!” Davi seguiu seu caminho, e Saul voltou para casa.

  • 1a Samuel, 25

    AS BATALHAS DE DEUS
    1 Samuel morreu. Toda a nação prestou suas últimas homenagens a ele. Todos lamentaram sua morte, e ele foi sepultado em sua cidade natal, Ramá. Enquanto isso, Davi continuou foragido, seguindo dessa vez para o deserto de Maom.

    2-3 Havia um homem em Maom que tinha negócios na região do Carmelo. Ele era muito próspero. Possuía três mil ovelhas e mil cabritos, e era época de tosquiar as ovelhas no Carmelo. Ele se chamava Nabal (Tolo). Era descendente de Calebe, e sua mulher se chamava Abigail. A mulher era inteligente e bonita, mas o homem era bruto e maldoso.

    4-8 Ainda no deserto, Davi soube que Nabal estava tosquiando suas ovelhas e enviou dez rapazes com a seguinte instrução: “Vão até o Carmelo e procurem Nabal. Saúdem-no em meu nome: ‘Paz! Vivam em paz você e sua família. Paz para todos os que estão com você! Soube que está no tempo de tosquiar ovelhas. Queremos que você saiba que, quando seus pastores estavam próximos de nós, não tiramos proveito deles. Eles não perderam nada do que era deles quando estavam conosco no Carmelo. Seus rapazes confirmarão isso. Pergunte a eles. Agora, peço que seja generoso para com os meus homens, permitindo que participemos da festa! Dê aos servos e a mim, Davi, seu filho, a quantidade de suprimento que desejar’

    9-11 Os rapazes de Davi transmitiram a mensagem a Nabal. Mas o homem os rechaçou: “Quem é esse Davi? Quem é esse filho de Jessé? Ultimamente, há muitos foragidos por aqui. Vocês acham que vou pegar pão, vinho e carne que acabei de abater para os meus tosquiadores e oferecer para homens que nunca vi e que ninguém sabe de onde vêm?”

    12-13 Os homens de Davi retornaram e contaram tudo que Nabal tinha dito. Davi tomou uma decisão: “Preparem as suas espadas!” Todos, até mesmo Davi, puseram a espada à cintura e partiram. Eram quatrocentos homens. Duzentos homens permaneceram no acampamento.

    14-17 Nesse meio-tempo, um dos jovens pastores contou a Abigail, mulher de Nabal, o que tinha acontecido: “Davi mandou mensageiros do deserto para saudar o nosso senhor, mas ele foi grosseiro com eles e os insultou. Acontece que aqueles homens sempre nos trataram muito bem. Nunca roubaram nada de nós nem se aproveitaram da gente durante todo o tempo que estivemos no campo. Eles até serviram como um muro de defesa ao nosso redor, porque nos protegiam dia e noite enquanto cuidávamos das ovelhas. Faça alguma coisa logo, pois algo de ruim vai acontecer ao nosso senhor e a todos nós. Ninguém consegue convencê-lo. Ele é intratável!”

    18-19 Abigail não perdeu tempo. Ela preparou duzentos pães, duas vasilhas de couro de vinho, cinco ovelhas preparadas e prontas para assar, cinco medidas de grão tostado, cem bolos de passas e duzentos bolos de figo e acomodou a carga sobre alguns jumentos. Ela disse aos seus rapazes: “Vão à minha frente, preparando o caminho. Eu seguirei logo atrás.” Mas ela não disse nada ao marido.

    20-22 Montada em seu jumento, ela descia pela encosta da montanha, enquanto Davi e os seus homens desciam a outra encosta, um grupo ao encontro do outro. Davi dizia: “De nada valeu proteger os bens desse homem no deserto. Agora ele nos recompensa com insultos. É como levar um tapa na cara! Deus faça o que quiser com os inimigos de Davi se, até amanhã cedo, eu deixar vivo um único desses vira-latas de Nabal!”

    23-25 Assim que viu Davi, Abigail desceu do jumento e se prostrou aos pés dele com o rosto em terra, dizendo: “Meu senhor, eu sou culpada! Deixe-me explicar. Ouça o que tenho a dizer. Não leve em conta a maldade de Nabal. Ele é o que o nome diz: Nabal, tolo. Dele só sai tolice.

    25-27 “Eu não estava lá quando chegaram os rapazes que o meu senhor enviou; por isso, não os encontrei. Agora, meu senhor, assim como vive o Eterno e como o senhor vive, Deus o impediu de cometer essa vingança. Que todos os seus inimigos e todos que desejam o mal ao meu senhor tenham o mesmo destino de Nabal! Receba esta dádiva que eu, sua serva, trouxe ao meu senhor, e ofereça aos rapazes que seguem os seus passos.

    28-29 “Perdoe minha audácia! Mas sei que o Eterno está preparando o meu senhor para um governo íntegro e estável. Meu senhor luta as guerras do Eterno! Enquanto viver, nenhum mal sucederá a você. “Se alguém puser obstáculo em seu caminho; se alguém tentar desviar o senhor, Saiba que a sua vida, honrosa ao Eterno, está amarrada com firmeza ao feixe das vidas protegidas por Deus. Mas a vida de cada um dos seus inimigos será atirada longe, como a pedra lançada com estilingue.

    30-31 “Quando o Eterno realizar todo o bem que prometeu ao meu senhor e o estabelecer como príncipe de Israel, não haverá em seu coração o peso de um crime de vingança. E, quando o Eterno tiver feito o bem ao meu senhor, lembre-se de mim.”

    32-34 Davi exclamou: “Bendito seja o Eterno, o Deus de Israel! Ele enviou você para me encontrar! Seja abençoada pela sua sensatez! Seja bendita por me impedir de cometer esse crime e por se preocupar comigo. Juro pelo Eterno, o Deus de Israel, que me impediu de fazer mal a você: não fosse a sua vinda aqui esta manhã, não restaria viva alma na casa de Nabal.”

    35 Davi aceitou a comida que ela trouxe e disse: “Volte em paz. Concordo com o que você disse e vou fazer o que me pediu.”

    36-38 Quando Abigail voltou para casa, encontrou Nabal no meio de um banquete. Ele estava de bom humor, porque tinha bebido muito. Assim, ela preferiu não contar nada do que tinha feito até a manhã seguinte. No outro dia, quando Nabal já estava sóbrio, Abigail contou o que tinha acontecido. Na mesma hora, ele teve um infarto e entrou em coma. Dez dias depois, ele morreu.

    3940 Quando Davi soube que Nabal tinha morrido, ele declarou: “Bendito seja o Eterno, que me defendeu contra os insultos de Nabal, impedindo-me de cometer um crime, e permitiu que a maldade dele se voltasse contra ele mesmo!” Em seguida, mandou dizer a Abigail que desejava que ela fosse sua mulher. Os mensageiros de Davi foram até o Carmelo e disseram a Abigail: “Davi mandou buscá-la, para que você se case com ele.”

    41 Ela se prostrou com o rosto em terra, dizendo: “Sou serva dele. Estou pronta para fazer o que ele quiser. Estou disposta até a lavar os pés dos subordinados dele!”

    42 Sem hesitar, ela montou em seu jumento. Acompanhada de cinco escravas, seguiu os mensageiros de Davi e se tornou mulher dele.

    43-44 Davi também se casou com Ainoã, de Jezreel. Ambas foram suas mulheres. Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Paltiel, filho de Laís, de Galim.

  • 1a Samuel, 24

    NÃO SOU REBELDE
    1-4 Depois da luta contra os filisteus, alguém informou a Saul: “Davi está agora no deserto de En-Gedi.” Saul convocou três mil dos melhores soldados de Israel e partiu no encalço de Davi e seus homens. Foram para a região dos rochedos dos Bodes Selvagens. Ele chegou até o local em que havia alguns currais de ovelhas, ao lado da estrada. Perto dali, havia uma gruta, e Saul entrou nela para fazer suas necessidades. Acontece que Davi e seus homens estavam amontoados no fundo da gruta. Os homens de Davi lhe disseram: “Você acredita nisto? O Eterno deve estar dizendo: ‘Entregarei o seu inimigo nas suas mãos. Faça com ele o que bem entender.’” Davi, sorrateiramente, cortou um pedaço da vestimenta real de Saul.

    5-7 No mesmo instante, sentiu-se culpado e disse aos seus homens: “Que o Eterno me livre de fazer algum mal contra o meu senhor, o ungido do Eterno. Não vou sequer levantar um dedo contra ele. Ele é o ungido do Eterno!” Assim, Davi impediu que os seus homens acabassem com a vida de Saul. O rei levantou-se e saiu da caverna para seguir seu caminho..

    8-13 Então, Davi se pôs à entrada da gruta e gritou para Saul: “Meu senhor! Rei meu!” Saul olhou para trás. Davi se ajoelhou, fez uma reverência e exclamou: “Por que dá ouvidos aos que dizem: ‘Davi quer tirar a sua vida’? O senhor acabou de ter a prova de que isso não é verdade. Aqui dentro da gruta, o Eterno pôs o senhor em minhas mãos. Meus homens queriam matá-lo, mas eu não permiti. Eu disse que não levantaria um dedo sequer contra o meu senhor, pois é o ungido do Eterno. Veja isto aqui, meu pai! Veja este pedaço de pano que cortei da sua roupa! Eu poderia ter cortado o senhor ao meio! Mas, não o fiz. Esta é a prova! Não estou contra o senhor. Não sou rebelde. Não pequei contra o rei, mas o senhor está tentando me matar. Vamos decidir quem está certo. O Eterno poderá me vingar, mas isso está nas mãos dele, não nas minhas. Um antigo provérbio diz: ‘A perversidade vem dos perversos’. Por isso, tenha certeza de que as minhas mãos não tocarão no senhor.

    14-15 “O que o rei de Israel acha que está fazendo? A quem está perseguindo? Um cão morto? Uma pulga? O Eterno é nosso juiz. Ele decidirá quem está certo. Que bom fosse se ele olhasse neste instante, resolvesse a situação agora mesmo e me livrasse do senhor!”

    16-21 Quando ele acabou de falar, Saul perguntou: “É a voz de meu filho Davi?” E começou a chorar, reconhecendo: “Você está certo, não eu. Você me tratou bem. Eu é que estou desejando o pior para você. Mais uma vez, você foi generoso para comigo. O Eterno me entregou em suas mãos, mas você não me matou. Por quê? Quando alguém se encontra com seu inimigo, acaso ele o despede com uma bênção? Que o Eterno o recompense pelo bem que me fez hoje! Agora tenho certeza de que você será rei e que o reino de Israel estará em boas mãos! Prometa-me, perante o Eterno, que não destruirá a minha família nem eliminará o meu nome da história da minha família.”

    22 Davi jurou a Saul. Em seguida, Saul voltou para casa, e Davi e seus homens retornaram para seu refugio no deserto.

  • 1a Samuel, 23

    VIVENDO EM ESCONDERIJOS
    1-2 Alguém avisou Davi de que os filisteus estavam atacando Queila e saqueando o estoque de grãos. Davi consultou o Eterno: “Devo ensinar uma lição a esses filisteus?” O Eterno respondeu: “Vá. Ataque os filisteus e liberte Queila.”

    3 Mas os homens de Davi disseram: “Aqui em Judá, já não estamos seguros, quanto menos se formos a Queila enfrentar a máquina de guerra dos filisteus!”

    4 Davi voltou a consultar o Eterno. O Eterno respondeu: “Desça logo até Queila, pois estou entregando, os filisteus em suas mãos.”

    5-6 Davi e os seus homens foram para Queila e lutaram contra os filisteus. Ele espalhou os rebanhos deles, impôs a eles uma humilhante derrota e libertou a população de Queila. Depois de ter se juntado a Davi, Abiatar desceu para Queila, levando consigo o colete sacerdotal.

    7-8 Saul descobriu que Davi estava em Queila e pensou: “Ótimo! Deus o entregou de bandeja nas minhas mãos! Ele está numa cidade murada com os portões trancados. Está encurralado ali!” Saul convocou as tropas e partiu para Queila, com a intenção de cercar Davi e seus homens.

    9-11 Mas Davi soube do plano de Saul e disse ao sacerdote Abiatar: “Traga o colete.” Davi orou ao Eterno: “Deus de Israel, acabei de saber que Saul pretende destruir a cidade de Queila por minha causa. Os líderes da cidade vão me entregar a Saul? Saul vem mesmo fazer aquilo que me disseram? Ó Eterno, Deus de Israel, responde-me!” O Eterno respondeu: “Ele está vindo.”

    12 “E os chefes de Queila me entregarão, junto com os meus homens, nas mãos de Saul?” O Eterno respondeu: “Entregarão, sim.”

    13 Então, Davi e seus homens fugiram dali. Eram seiscentos homens. Eles deixaram Queila e ficaram perambulando de um lugar para outro. Quando informaram a Saul que Davi tinha fugido de Queila, ele suspendeu o ataque.

    14-15 Davi continuou vivendo em esconderijos nas regiões remotas das colinas de Zife. Saul continuou à procura de Davi, sem descanso, mas Deus não o entregou nas mãos do rei. Davi, permaneceu no distante deserto de Zife, refugiado em Horesa, já que Saul estava determinado a encontrá-lo.

    16-18 Jônatas, filho de Saul, foi ao encontro de Davi em Horesa e fortaleceu a sua confiança em Deus. Ele disse: “Não se desespere. Meu pai, Saul, não tocará em você. Você será rei de Israel, e eu estarei sempre ao seu lado para ajudar. Meu pai sabe disso.” Então, os dois fizeram um pacto perante o Eterno. Davi ficou em Horesa, e Jônatas voltou para casa.

    19-20 Alguns zifeus procuraram Saul em Gibeá e disseram: “Sabia que Davi está se escondendo perto de nós, nas fortalezas e cavernas de Horesa? Neste momento, ele está nas colinas de Haquilá, ao sul do deserto de Jesimom. Quando você estiver pronto, será uma honra entregá-lo nas mãos do rei.”

    21-23 Saul respondeu: “O Eterno abençoe vocês por pensarem em mim! Agora, voltem e verifiquem tudo. Descubram por onde ele anda e quem o acompanha. Vocês sabem que ele é muito astuto. Descubram todos os esconderijos dele. Depois, encontrem-se comigo em Nacom, e eu acompanharei vocês. Em qualquer lugar de Judá que ele estiver, eu o encontrarei!”

    24-27 E os zifeus partiram em missão de reconhecimento para Saul. Enquanto isso, Davi e seus homens estavam no deserto de Maom, ao sul do deserto de Jesimom. Saul e seus homens chegaram e logo foram atrás deles. Quando Davi soube disso, fugiu para o sul, na direção das rochas, e montou acampamento no deserto de Maom. Saul foi informado da localização deles e partiu na direção do deserto de Maom. Pouco depois, Saul estava de um lado da montanha, e Davi com os seus homens, do outro. O bando de Davi corria, tendo Saul e suas tropas no encalço deles. No meio da perseguição, um mensageiro apresentou-se a Saul e disse: “Volte depressa! Os filisteus estão atacando lsrael!”

    28-29 Saul foi obrigado a interromper a perseguição e retornar para resolver a situação com os filisteus. Por isso, aquele lugar foi chamado Fuga Apertada. Davi saiu dali e instalou-se com segurança no deserto de En-Gedi. “

  • 1a Samuel, 22

    SAUL MATA OS SACERDOTES DO ETERNO
    1-2 Davi fugiu e se refugiou na caverna de Adulão. Quando seus irmãos e familiares souberam onde ele estava, foram ao seu encontro para se unir a ele — não só eles, mas todos os que estavam em situação difícil, os endividados e amargurados. Davi se tornou o líder deles. Eram cerca de quatrocentos homens.

    3-4 Davi foi para Mispá e pediu ao rei de Moabe: “Conceda proteção a meu pai e a minha mãe até que eu saiba o que Deus tem reservado para mim.” Ele deixou seus pais aos cuidados do rei de Moabe. Eles ficaram ali durante todo o tempo em que Davi viveu como fugitivo.

    5 O profeta Gade disse a Davi: “Não volte para a caverna. Vá para Judá.” Davi seguiu a orientação do profeta e foi para o bosque de Herete.

    6-8 Saul ficou sabendo onde estavam Davi e seus homens. O rei estava debaixo dos carvalhos, na colina de Gibeá. Segurava sua lança e estava rodeado por seus oficiais. Ele disse: “Ouçam, benjamitas! Nem pensem que vocês têm algum futuro com o filho de Jessé! Acham que ele vai dar a vocês terra boa e cargos importantes? Pensem bem. Aqui estão vocês, conspirando contra mim, cochichando pelas minhas costas. Nenhum de vocês teve coragem de me contar que meu filho estava fazendo acordos com o filho de Jessé. Nenhum de vocês se importou em me contar que meu filho ficou do lado desse marginal!”

    9-10 Então, Doegue, o edomita, que estava entre os oficiais de Saul, falou: “Vi o filho de Jessé conversando com Aimeleque, filho de Aitube, em Nobe. E vi Aimeleque interceder por ele diante do Eterno. O sacerdote também deu comida e entregou a espada do filisteu Golias a Davi.”

    11 Saul mandou chamar o sacerdote Aimeleque e toda a família de sacerdotes de Nobe. Todos compareceram perante o rei.

    12 Saul disse: “Ouça-me, filho de Aitube!” Ele respondeu: “Certamente, meu senhor.”

    13 “Por que você se mancomunou com o filho de Jessé e ficou contra mim, dando comida e armas para ele e intercedendo a favor dele diante do Eterno? Por que ajudou um fora da lei a lutar contra mim?”

    14-15 Aimeleque respondeu ao rei: “Não existe outro oficial em toda a sua administração tão leal a você quanto Davi, seu genro e c tão de sua guarda pessoal. Nem há outro que seja tão respeitado. Acha que essa foi a primeira vez que intercedi por ele a Deus? Certamente que não! Você não pode acusar a mim nem a minha família de cometer algum erro. Pois não faço ideia do que você está querendo dizer com ‘fora da lei’

    16 O rei disse: “Você vai morrer, Aimeleque! Você e toda a sua família!”

    17 O rei ordenou aos seus homens: “Cerquem os sacerdotes e matem todos eles, porque estão mancomunados com Davi! Sabiam que ele estava fugindo de mim e não me contaram.” Mas os soldados do rei se recusaram a matá-los. Nenhum deles ousou levantar a mão contra os sacerdotes do Eterno.

    18-19 Então, o rei disse a Doegue: “Mate os sacerdotes!” Doegue, o edomita, cumpriu a ordem e assassinou os sacerdotes, oitenta e cinco homens que usavam as vestimentas sagradas. Ele saiu dali e foi para Nobe, a cidade dos sacerdotes, e ali matou homens, mulheres, crianças e bebês, além de jumentos, bois e ovelhas.

    20-21 Apenas Abiatar, filho de Aimeleque e neto de Aitube, conseguiu escapar. Ele fugiu e se juntou a Davi. Abiatar contou a Davi que Saul tinha mandado matar os sacerdotes do Eterno.

    22-23 Davi disse a Abiatar: “Eu sabia! Quando vi Doegue, o edomita, sabia que contaria a Saul. Eu sou o culpado pela morte de toda a família de seu pai. Fique comigo, não tenha medo. O mesmo que quer matar você também quer me matar. Fique comigo, e protegerei você.”

  • 1a Samuel, 21

    DAVI FINGE-SE DE LOUCO
    1 Davi seguiu seu caminho, e Jônatas voltou para a cidade, Davi procurou o sacerdote Aimeleque em Nobe. Aimeleque saiu para cumprimentar Davi e ficou alarmado: “O que você está fazendo aqui sozinho, sem ninguém com você?”

    2-3 Davi respondeu ao sacerdote: “O rei me enviou numa missão e me instruiu: ‘Este é um assunto confidencial. Não diga nada a ninguém’. Combinei de me encontrar com meus homens num determinado lugar. Agora, o que você pode me oferecer para comer? Tem aí uns cinco pães? Veja o que pode conseguir!”

    4 O sacerdote respondeu: “Não tenho pão comum, apenas o pão consagrado. Se seus homens não tiveram relação com mulher recentemente, os pães são seus.”

    5 Davi respondeu: “Nenhum de nós tocou em mulher. Sempre fazemos isso quando estamos em missão. Os meus soldados se abstêm do sexo. Se fazemos isso numa missão comum, quanto mais numa missão sagrada.”

    6 O sacerdote entregou a ele os pães consagrados, os únicos que ele tinha: os pães da presença, que foram retirados da presença do Eterno e substituídos por pães quentes no mesmo dia.

    7 Naquele dia, um dos oficiais de Saul estava ali, cumprindo um voto diante do Eterno. Seu nome era Doegue, e ele era edomita, chefe dos pastores de Saul.

    8 Davi perguntou a Aimeleque: “Você tem uma lança ou alguma espada por aqui? Não tive tempo de apanhar minhas armas. O rei exigiu urgência, e eu saí com pressa.”

    9 O sacerdote respondeu: “A espada de Golias, o filisteu que você matou no vale de Ela, está aqui! Ela está enrolada num pano atrás do colete sacerdotal. Se quiser, pode levá-la. É a única arma que tenho aqui.”

    10-11 Davi exclamou: “Ah! Não poderia ser melhor! Passe-a para cá!” Depois disso, Davi sumiu, fugindo de Saul. Ele procurou Aquis, rei de Gate. Quando as autoridades de Aquis o viram, disseram: “Seria este Davi, o famoso Davi? É a respeito dele que o povo canta em suas danças: ‘Saul mata milhares; Davi, dezenas de milhares!’?”

    12-15 Quando Davi percebeu que o tinham reconhecido, entrou em pânico e temeu pelo pior da parte de Aquis, rei de Gate. Vendo que todos olhavam para ele, Davi fingiu estar louco, batendo com a cabeça na porta da cidade e espumando pela boca, enquanto a saliva escorria pela barba. Aquis olhou para ele e disse àqueles líderes: “Não estão vendo que ele está louco? Por que o deixaram entrar? Já tenho loucos suficientes aqui, e vocês me trazem mais um! Tirem-no daqui!”

  • 1a Samuel, 20

    UM PACTO DE AMIZADE
    1 Davi saiu vivo de Naiote, em Ramá, foi procurar Jônatas e perguntou ao amigo: “O que faço agora? O que fiz contra seu pai para ele estar tão determinado a me matar?”

    2 Jônatas respondeu: “Nada. Você não fez nada errado e não morrerá, esteja certo disso! Meu pai me conta tudo. Ele não faz nada de importante ou mesmo de insignificante sem confidenciar a mim. Por que faria isso sem eu saber?”

    3 Mas Davi estava em dúvida: “Seu pai sabe que somos bons amigos e vai pensar: ‘Jônatas não pode saber disso. Se souber, vai defender Davi’. A verdade é que ele está determinado a me matar. Isso é tão certo quanto vive o Eterno e quanto você está vivo aqui, diante de mim.”

    4 Jônatas disse: “Conte-me o que você está pensando. Farei qualquer coisa por você.”

    5-8 Davi disse: “Amanhã é festa de lua nova. Eu deveria jantar com o rei, mas, em vez disso, vou me esconder no campo até a terceira noite. Caso seu pai perceba minha falta, diga: ‘Davi pediu para ir a Belém, sua terra natal, para o sacrifício anual com a família. Se ele disser: ‘Tudo bem!’ então, estou seguro. Mas, se ele ficar bravo, é porque está determinado a me matar. Por favor, ajude-me nisso! Lembre-se: você fez um pacto comigo em nome do Eterno! Se eu estiver errado, mate-me logo. Por que aguardar para me entregar a seu pai?”

    9 Jônatas exclamou: “Ora, eu jamais faria isso! Se perceber que meu pai está mesmo obcecado por matá-lo, direi a você.”

    10 Davi perguntou: “Quem você enviará para me contar sobre a reação de seu pai?”

    11-17 Jônatas respondeu: “Vamos até o campo.” Quando os dois estavam no campo, Jônatas disse: “O Eterno, o Deus de Israel, é minha testemunha de que, a esta hora amanhã, vou saber do meu pai o que ele pensa de você. Então, mandarei dizer a você o que descobri. Que o Eterno me castigue se eu abandonar você! Se meu pai insistir em matá-lo, eu o informarei disso e o ajudarei a escapar. Que o Eterno esteja com você como esteve com meu pai! Se, depois disso, eu continuar vivo, nosso pacto continua valendo. Se eu morrer, você terá responsabilidade para com minha família, para sempre! E seja leal a mim depois que o Eterno finalmente eliminar da terra os inimigos de Davi!” Jônatas reafirmou sua promessa de lealdade e amizade com Davi. Era tão leal a Davi que arriscava a vida por ele.

    18-23 Jônatas revelou seu plano: “Amanhã é festa da Lua Nova, e perceberão sua ausência à mesa. Depois de amanhã, quando já tiverem desistido de aguardá-lo, volte para aquele seu esconderijo e fique esperando perto da pedra de Ezel. Vou disparar três flechas na direção da pedra e mandarei meu ajudante apanhá-las. Se eu gritar para o ajudante: ‘As flechas estão para cá. Pegue-as!’ esse será o sinal de que você pode voltar em segurança. Assim como vive o Eterno, não tenha medo! Mas, se eu gritar: As flechas estão mais adiante!’, corra, porque o Eterno quer você longe daqui! Quanto ao nosso acordo, lembre-se: o Eterno está conosco até o fim!”

    24-26 Davi se escondeu no campo. No dia da lua nova, o rei estava à mesa para comer. Ele se sentou no lugar de costume, encostado à parede, Jônatas à sua frente e Abner ao seu lado. Mas o lugar de Davi ficou vazio. Saul não comentou nada, pensando: “Algo aconteceu com ele que o tornou impuro. Talvez esteja ritualmente impuro para a refeição sagrada.”

    27 Mas, no segundo dia da festa, o lugar de Davi continuava desocupado. Saul perguntou a Jônatas: “Onde está aquele filho de Jessé? Ele não comeu conosco nem ontem nem hoje.”

    28-29 Jônatas respondeu: “Davi me pediu permissão para ir a Belém, dizendo: ‘Deixe-me ir para casa. Quero estar com minha família. Meus irmãos pediram que eu fosse. Se não for problema para você, deixe-me ir’. Por isso, ele não está à mesa.”

    30-31 Saul ficou furioso com Jônatas: “Seu filho de uma vagabunda! Acha que não sei que você e o filho de Jessé fizeram um pacto, para sua desgraça e de sua mãe? Juro que, enquanto o filho de Jessé estiver solto nessa terra, seu futuro no reino estará em jogo. Vá buscá-lo! A partir de agora, ele pode se considerar um homem morto!”

    32 Jônatas enfrentou o pai: “Por que morto? O que ele fez de errado?”

    33 Saul, descontrolado, arremessou sua lança contra o filho. Foi o suficiente para Jônatas se convencer de que seu pai estava determinado a matar Davi.

    34 Jônatas saiu furioso da mesa e não comeu mais nada o dia todo. Ele estava aborrecido por causa de Davi e irritado pela humilhação que seu pai o tinha feito passar à mesa.

    35-39 Na manhã seguinte, Jônatas foi para o campo, conforme o combinado com Davi. Seu ajudante o acompanhava, e Jônatas disse a ele: “Corra para buscar as flechas que eu atirar.” O rapaz começou a correr e Jônatas atirou uma flecha adiante dele. O rapaz chegou perto do local em que a flecha parecia ter caído, e Jônatas gritou: “A flecha não está mais adiante?” E gritou outra vez: “Vamos! Corra! Não fique aí parado!” O ajudante de Jônatas apanhou as flechas e as trouxe de volta. O rapaz, naturalmente, não fazia ideia do que estava acontecendo. Só Jônatas e Davi sabiam do combinado.

    4041 Jônatas entregou suas armas ao rapaz e o mandou de volta para a cidade. Depois que o ajudante foi embora, Davi saiu do seu esconderijo, que ficava perto da pedra e se prostrou com o rosto em terra três vezes. Eles beijaram um ao outro e choraram muito. Davi estava muito mais emocionado.

    42 Jônatas disse ao amigo: “Vá em paz! Nosso pacto de amizade foi feito em nome do Eterno, e ele será testemunha entre nós e entre meus descendentes e seus descendentes para sempre.”

  • 1a Samuel, 19

    O COMPORTAMENTO SOMBRIO DE SAUL
    1-3 Saul se reuniu com seu filho Jônatas e outros homens e deu a eles ordem para matar Davi. Jônatas admirava Davi; por isso, foi avisá-lo: “Meu pai está procurando uma maneira de matar você. Vamos fazer assim: Amanhã cedo, fique escondido. Vou sair com meu pai ao campo, perto de onde você estiver escondido. Vou conversar com ele a respeito de você, para descobrir suas intenções. Depois, contarei a você o que ele disser.”

    4-5 Jônatas falou com seu pai a respeito de Davi, elogiou o amigo e pediu: “Por favor, não faça nada contra Davi. Ele não fez nada de errado contra; você. Veja quanta coisa boa ele realizou! Ele arriscou apropria vida, matando o filisteu. Que vitória o Eterno concedeu a Israel naquele dia! Você estava lá. Você viu e o aplaudiu com os demais. Por isso, qual a razão para atacar um inocente, para matar Davi sem motivo algum?”

    6 Saul ouviu com atenção e reconheceu: “Você está certo. Tão certo quanto vive o Eterno, Davi continuará vivo. Ele não será morto.”

    7 Jônatas mandou chamar Davi e relatou a ele a conversa que tinha tido com seu pai. Depois, levou Davi de volta para Saul, e tudo voltou a ser como antes.

    8 Mais uma vez, houve guerra, e Davi foi lutar contra os filisteus. Ele os enfrentou com bravura, e os inimigos fugiram.

    9-10 Mas um espírito atormentador da parte do Eterno veio sobre Saul e tomou conta dele. Certo dia, ele estava sentado em casa, com sua lança na mão, enquanto Davi dedilhava sua harpa. De repente, Saul tentou encravar Davi com a lança, mas ele se desviou. A lança ficou encravada na-parede e Davi escapou. Era noite.

    11-14 Saul enviou alguns homens à casa de Davi. Eles deveriam vigiá-lo e matá-lo logo cedo. Mas a mulher de Davi, Mical, contou ao marido o que estava acontecendo: “Vamos, não perca tempo. Fuja hoje mesmo, ou estará morto pela manhã!” Ela o ajudou a escapar por uma janela. Depois, foi buscar um ídolo doméstico e o deitou na cama. Ajeitou um pelo de cabra sobre a cabeça do ídolo e pôs uma coberta por cima. Quando os homens de Saul chegaram para capturar Davi, ela disse: “Ele está na cama, doente.”

    15-16 Saul mandou os seus homens de volta com a seguinte ordem: “Tragam-no aqui, com cama e tudo, para que eu mesmo o mate.” Mas, quando os homens entraram no quarto, encontraram apenas o ídolo doméstico com a peruca de pelos de cabra!

    17 Saul ficou furioso com Mical e disse: “Como você faz uma coisa dessas? Você está do lado do meu inimigo! Você o ajudou a fugir!”

    18 Mical respondeu: “Ele me ameaçou: Ajude-me a escapar daqui ou mato você’”. Davi conseguiu escapar, foi à procura de Samuel, em Ramá, e contou ao profeta o que Saul tinha feito contra ele. Ele e Samuel foram para Naiote.

    19-20 Alguém deu a informação a Saul: “Davi está em Naiote, em Ramá.” Imediatamente, Saul mandou que seus soldados fossem buscá-lo. Eles encontraram um grupo de profetas profetizando sob a direção de Samuel, e, quando menos esperavam, o Espírito de Deus veio sobre eles também. Os soldados começaram a profetizar no meio dos profetas!

    21 A notícia chegou a Saul, e ele enviou outros homens. Eles também começaram a profetizar. Saul tentou mais uma vez: enviou o terceiro grupo de homens, mas eles também começaram a profetizar.

    22 Finalmente, o próprio Saul foi para Ramá. Chegou até a grande cisterna em Seco e indagou o povo para saber onde estavam Samuel e Davi. Alguém disse: “Eles estão em Naiote, em Ramá.”

    23-24 Enquanto seguia para Naiote, em Ramá, o Espírito de Deus também veio sobre Saul. Ele percorreu todo o caminho em transe até chegar a Naiote! Ele tirou a própria roupa e permaneceu em transe diante de Samuel um dia e uma noite. Depois, ainda nu, ficou estirado ao solo. O povo comentava: “Saul está entre os profetas! Quem diria?”