Categoria: Antigo Testamento

  • 1a Samuel, 18

    JÔNATAS E DAVI, AMIGOS DE CORAÇÃO
    1 Depois que Davi terminou de falar com Saul, Jônatas ficou profundamente impressionado com Davi. Um laço muito forte de amizade se desenvolveu entre eles. Jônatas se comprometeu totalmente com essa amizade com Davi e, desde então, passou a ser seu principal defensor e melhor amigo.

    2 Saul acolheu Davi em sua casa, para que ele não retornasse mais à casa de seu pai.

    34 Jônatas, pela forte amizade que tinha com Davi, fez um acordo com ele. Ele o formalizou com uma dádiva: entregou a ele a sua vestimenta real e suas armas: armadura, espada, arco e cinturão.

    5 Tudo que Saul mandava Davi fazer, ele fazia, e fazia bem-feito. Ele era tão bem-sucedido que Saul o encarregou das operações militares. Tanto o povo quanto os membros da corte de Saul aprovavam e admiravam a liderança de Davi.

    DAVI NA BOCA DO POVO
    6-9 Quando o exército voltava para casa, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres saíram de todos os vilarejos de Israel, cantando e dançando, recepcionando o rei Saul com tamborins, cânticos festivos e gritos de vitória. As mulheres cantavam com alegria: “Saul matou milhares; Davi, dezenas de milhares!” Saul ficou muito incomodado com aquilo. Tomou o refrão como um insulto pessoal e disse: “Deram crédito a Davi por dezenas de milhares e a mim somente por milhares. Quando menos se esperar, entregarão o reino a ele!” Daquele momento em diante, Saul teve inveja de Davi e ficou de olho nele.

    10-11 No dia seguinte, um espírito perturbador enviado por Deus afligiu Saul, que ficou transtornado. Davi dedilhava sua harpa, como era costume nessas situações. Saul tinha na mão uma lança. De repente, Saul arremessou a lança contra Davi. Seu pensamento era: “Vou cravar Davi na parede.” Mas Davi se desviou da lança. Isso aconteceu duas vezes.

    12-16 Saul tinha medo de Davi, pois estava claro que o Eterno abençoava Davi e tinha abandonado Saul. Por isso, Saul afastou Davi de sua presença, designando-o oficial do exército. Davi estava sempre na frente de combate e era bem-sucedido em tudo que fazia, pois o Eterno estava com ele. Diante do sucesso de Davi, Saul ficou ainda mais preocupado. Mas todos em Israel e em Judá gostavam de Davi. E todos gostavam de ver Davi em batalha.

    17 Certo dia, Saul disse a Davi: “Aqui está Merabe, minha filha mais velha, Quero dá-la em casamento a você. Mas preciso que você mostre sua coragem para mim, que lute as batalhas do Eterno!” Saul estava pensando: “Os filisteus o matarão por mim. Não precisarei levantar a minha mão contra ele.”

    18 Constrangido, Davi respondeu: “Você fala sério? Sou de uma família humilde, não posso ser genro do rei!”

    19 O casamento de Merabe e Davi foi acertado, mas, perto da data marcada, Saul voltou atrás e entregou sua filha a Adriel, de Meolá.

    20-21 Nesse meio-tempo, a outra filha de Saul, Mical, se apaixonou por Davi. Quando Saul soube disso, ficou contente e pensou: “Tenho outra chance. Mical será a armadilha, o pretexto para mandar Davi a uma guerra em que os filisteus com certeza acabarão com ele.” Assim, ele prometeu outra vez a Davi: “Você será meu genro.”

    22 Saul ordenou aos membros da corte: “Digam a Davi em particular: ‘O rei está muito contente com você, e todos na corte gostam muito de você. Não perca tempo. Aceite a proposta de ser genro do rei!’

    23 Eles se esforçaram para convencer Davi, mas ele estava relutante; “O que vocês estão pensando? Não posso fazer isso. Não sou nada. Não tenho nada a oferecer.”

    24-25 Quando eles informaram a Saul a resposta de Davi, ele mandou outro recado a Davi: “O rei não está exigindo de você nenhum pagamento, apenas quer que mate cem filisteus e traga provas de sua vingança a favor do rei. A ordem é que você se vingue dos inimigos do rei.” (Saul esperava que Davi fosse morto em combate).

    26-27 Ao saber disso, Davi ficou contente, pois ali estava algo que ele podia fazer para ter o direito de ser genro do rei! Por isso, não perdeu tempo, foi logo ao que importava. Ele e seus homens mataram os cem filisteus, trouxeram as provas dentro de um saco e as contaram na presença do rei. Missão cumprida! E Saul deu sua filha Mical a Davi em casamento.

    28-29 Saul, percebendo que a bênção do Eterno sobre Davi era cada vez mais evidente e que sua filha Mical o amava, ficou ainda mais preocupado e passou a odiá-lo.

    30 Sempre que os comandantes filisteus saíam para a guerra, Davi estava lá para enfrentá-los, ofuscando, com suas ações, os soldados de Saul. O nome de Davi estava na boca do povo.

  • 1a Samuel, 17

    GOLIAS
    1-3 Os filisteus reuniram suas tropas para a batalha. Eles se prepararam para o combate em Socó, de Judá, e acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca. Saul e os israelitas acamparam no vale de Ela. As tropas já estavam em formação de batalha contra os filisteus. Os filisteus ficaram numa montanha, e os israelitas, na outra encosta, tendo um vale entre eles.

    4-7 De repente, surgiu das fileiras dos filisteus um gigante de quase três metros de altura chamado Golias, de Gate. Tinha na cabeça um capacete de bronze e usava uma armadura que pesava quase sessenta quilos! Usava também caneleiras de bronze e carregava uma espada de bronze. Sua lança parecia uma viga. Só a ponta da lança pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele.

    8-10 Golias, de sua posição, desafiava os israelitas: “Por que incomodar todo o exército? Não sou eu um filisteu, e vocês, súditos de Saul? Escolham o seu melhor guerreiro e tragam-no a mim. Se ele tiver sorte e me matar, os filisteus serão seus escravos. Mas, se eu tiver sorte e matá-lo, vocês serão nossos escravos e passarão a nos servir. Estou desafiando as tropas de Israel. Tragam-me um homem que possa duelar comigo.”

    11 Quando Saul e as suas tropas ouviram o desafio do filisteu, ficaram aterrorizados e perderam a esperança.

    12-15 Nesse meio-tempo, Davi chegou ao campo de batalha. Ele era filho de Jessé, o efrateu de Belém de Judá. Jessé, pai de oito filhos, já estava muito idoso para lutar no exército de Saul, mas os três filhos mais velhos de Jessé foram com Saul para a guerra. Os nomes dos filhos que se alistaram no exército eram Eliabe, o primogênito, Abinadabe e o terceiro, Samá. Davi era o caçula. Enquanto os três irmãos mais velhos estavam no campo de batalha, Davi ficou dividido entre ajudar Saul e cuidar das ovelhas de seu pai em Belém.

    16 Toda manhã e toda tarde, durante quarenta dias, Golias se posicionava e desafiava os israelitas.

    17-19 Certo dia, Jessé disse a Davi: “Pegue este saco de trigo tostado e dez pães e leve a seus irmãos que estão no acampamento. Leve estes dez queijos para o c tão da divisão. Veja como estão passando seus irmãos e volte para me dizer como estão Saul, seus irmãos e todos os israelitas na batalha contra os filisteus, no vale de Ela.”

    20-23 Davi se levantou de madrugada, deixou alguém encarregado de cuidar das ovelhas e foi levar a comida, de acordo com as instruções de Jessé. Ele chegou ao acampamento numa hora em que o exército estava se preparando para a batalha com gritos de guerra. Israel e os filisteus estavam posicionados um de frente para o outro, preparados para o combate. Davi deixou os suprimentos aos cuidados do guarda, correu para a linha de combate e saudou seus irmãos. Enquanto conversavam, o guerreiro filisteu, Golias de Gate, saiu e se pôs à frente das suas fileiras, desafiando os israelitas, como de costume. Davi ouviu o que ele disse.

    24-25 Os israelitas, com medo do gigante, se dispersaram por todos os lados. No meio das tropas, o comentário era este: “Você já viu alguma coisa assim? Esse homem provoca Israel abertamente. Quem conseguir matá-lo está feito! O rei dará uma generosa recompensa, oferecerá sua filha por mulher e isentará toda a sua família de impostos.”

    CINCO PEDRAS
    26 Davi, conversando com o homem que estava a seu lado, perguntou: “Qual será a recompensa para quem matar o filisteu e livrar Israel dessa desonra? Afinal, quem esse incircunciso filisteu pensa que é para insultar o exército do Deus vivo?”

    27 Repetiram a ele o que todos comentavam sobre o que o rei daria a quem matasse o filisteu.

    28 Eliabe, seu irmão mais velho, ouviu Davi conversando com os soldados e perdeu a paciência: “O que você está fazendo aqui? Por que não está cuidando daquelas ovelhas magricelas? Eu sei qual é sua intenção. Você veio para assistir à batalha de camarote.”

    29-30 Davi respondeu: “Qual o problema? Só fiz uma pergunta.” Ignorando o irmão, voltou-se para outro soldado e fez a mesma pergunta, recebendo a mesma resposta.

    31 Alguém contou a Saul o que Davi estava conversando, e o rei mandou chamá-lo.

    32 Davi disse: “Senhor, não perca a esperança. Estou pronto para enfrentar esse filisteu.”

    33 Saul respondeu a Davi: “Você não tem condições de lutar contra esse filisteu: é muito jovem e inexperiente. O filisteu tem mais tempo nas guerras que você de vida.”

    34-37 Davi retrucou: “Sou pastor e cuido das ovelhas do meu pai. Quando um leão ou urso atacava um cordeiro do rebanho, eu saía atrás, matava-o e resgatava o cordeiro. Se o animal quisesse me atacar, eu o agarrava, torcia seu pescoço e o matava. Leão ou urso, qualquer um deles eu matava. Por isso, farei a mesma coisa com esse filisteu incircunciso que está afrontando o exército do Deus vivo. O Eterno que me livrou das garras do leão e das garras do urso também me livrará das mãos desse filisteu.” Saul concordou: “Tudo bem, pode ir. Que o Eterno ajude você!”

    38-39 O rei equipou Davi com uma armadura. Pôs na cabeça dele seu capacete de bronze e prendeu sua espada à cintura. Davi tentou andar, mas nem conseguia se mexer. Davi disse a Saul: “Mal consigo me movimentar com toda esta parafernália. Não estou acostumado a isto.” Em seguida, tirou tudo aquilo.

    40 Davi pegou seu cajado de pastor, escolheu cinco pedras lisas de um riacho, guardou-as no seu alforje de pastor e, com seu estilingue, se aproximou de Golias.

    4142 O filisteu, que andava de lá para cá, atrás de seu escudeiro, viu Davi se aproximando. Ele olhou para baixo e, zombando, disse: “Vejam só, um jovem ruivo e arrumadinho.”

    43 Golias ridicularizou Davi: “Acaso sou um cachorro para você vir me enxotar com um pedaço de pau?” E amaldiçoava Davi, invocando os seus deuses.

    44 O filisteu esbravejou: “Venha! Vou atropelar você e deixar seu corpo para os corvos. Será um prato cheio para os animais do campo.”

    4547 Davi respondeu: “Você vem contra mim com espada, lança e dardos, mas eu venho em nome do Senhor dos Exércitos de Anjos, o Deus dos exércitos de Israel, de quem você zomba e a quem amaldiçoa. Hoje mesmo o Eterno entregará você nas minhas mãos. Estou prestes a matá-lo, cortar sua cabeça e entregar seu corpo e também o corpo de todos os seus companheiros filisteus aos corvos e animais selvagens. Toda a terra saberá que há um Deus extraordinário em Israel. Todos aqui ficarão sabendo que o Eterno salva sem depender da espada ou da lança. A batalha pertence ao Eterno. Ele entregará vocês em nossas mãos!”

    48-49 As palavra do jovem mexeram com o filisteu, e ele começou a vir na direção de Davi, que, deixando as fileiras israelitas atrás de si, saiu correndo na direção do filisteu. Davi pegou uma pedra do alforje, lançou-a com o estilingue e atingiu o filisteu na testa. A pedra ficou cravada em sua fronte, e o gigante caiu com o rosto em terra.

    50 Foi com um estilingue e uma pedra que Davi derrotou o filisteu. Ele o atingiu e o matou. Davi nem carregava espada!

    51 Depois que o filisteu caiu, Davi correu e ficou de pé sobre ele, puxou a espada do gigante da bainha e terminou o serviço, cortando a cabeça dele. Os filisteus, vendo que o seu grande herói estava morto, fugiram para se salvar.

    52-54 Os homens de Israel e Judá foram atrás deles, gritando, e perseguiram os filisteus até os arredores de Gate e a entrada de Ecrom. Ao longo de toda a estrada de Saaraim, até Gate e Ecrom, havia filisteus caídos. Depois de os perseguirem, os israelitas voltaram e saquearam o acampamento. Davi levou a cabeça do filisteu para Jerusalém, mas deixou em sua tenda as armas do gigante.

    55 Quando Saul viu Davi saindo para enfrentar o filisteu, disse a Abner, o comandante do exército: “Conte-me sobre a família desse jovem.” Abner respondeu: “Juro por minha vida, ó rei, que não a conheço.”

    56 O rei ordenou: “Pois descubra a que família esse jovem pertence.”

    57 Assim que Davi regressou, depois de matar o filisteu, Abner trouxe a cabeça do filisteu, que ainda estava com Davi, e a entregou a Saul.

    58 O rei perguntou: “Jovem, quem é seu pai?” Davi respondeu: “Sou filho de seu servo Jessé, que vive em Belém.”

  • 1a Samuel, 16

    O ETERNO VÊ O CORAÇÃO
    1 O Eterno disse a Samuel: “Até quando você vai ficar lastimando por causa de Saul? Você sabe que o rejeitei como rei de Israel. Agora encha seu frasco de óleo e vá a Belém, à casa de Jessé. Encontrei, entre os filhos dele, o rei de que preciso.”

    2-3 Samuel disse: “Não posso fazer isso. Saul ficará sabendo e me matará.” O Eterno respondeu: “Leve um novilho com você e diga que vai adorar ao Eterno e sacrificar o novilho. Não deixe de convidar Jessé. Depois, direi o que você deve fazer e mostrarei quem você deverá ungir.”

    4 Samuel seguiu as instruções do Eterno. Quando chegou a Belém, os anciãos da cidade o cumprimentaram, mas estavam apreensivos e perguntaram: “O que está acontecendo?”

    5 “Não há nada errado. Vim oferecer este novilho em sacrifício e conduzir vocês na adoração ao Eterno. Preparem-se, consagrem-se e venham comigo para adorar.” Ele fez que Jessé e seus filhos também se consagrassem e os convidou para a adoração.

    6 Quando chegaram, Samuel ficou observando Eliabe e pensava: “Deve ser esse o ungido do Eterno!”

    7 Mas o Eterno disse a Samuel: “Não olhe para o exterior. Não fique impressionado com sua aparência e estatura. Eu já descartei esse. O Eterno não julga as pessoas pelos padrões humanos. Os homens e as mulheres olham para a aparência, mas o Eterno vê o coração.”

    8 Em seguida, Jessé chamou Abinadabe e o apresentou a Samuel. Ele disse: “Esse também não é o escolhido do Eterno.”

    9 Depois, Jessé apresentou Samá. Samuel disse: “Não, também não é esse.”

    10 Jessé apresentou seus sete filhos a Samuel. O profeta foi ríspido: “O Eterno não escolheu a nenhum desses.”

    11 Ele perguntou a Jessé: “São só esses? Você não tem outros filhos?” “Tenho ainda o caçula. Mas ele está cuidando das ovelhas.” Samuel disse a Jessé: “Mande chamá-lo. Não sairemos daqui até que ele venha.”

    12 Jessé mandou chamá-lo, e o rapaz foi trazido. Era saudável, tinha olhos claros e boa aparência. O Eterno disse: “É esse que você deve ungir! Foi ele a quem escolhi.”

    13 Samuel tomou seu frasco de óleo e o ungiu à vista de seus irmãos. O Espírito do Eterno veio sobre Davi como uma rajada de vento, apoderando-se dele para o resto da vida. Samuel voltou para sua casa em Ramá.

    DAVI, UM MÚSICO EXCELENTE
    14 Naquele mesmo instante, o Espírito do Eterno deixou Saul e, em seu lugar, um terrível espírito enviado por Deus veio sobre ele. Ele ficou atormentado.

    15-16 Os conselheiros de Saul disseram: “Essa depressão, vinda de Deus, está atormentando sua vida, senhor. Deixe-nos ajudar. Vamos procurar alguém que toque a harpa. Quando o espírito terrível enviado por Deus se manifestar, essa pessoa tocará uma música, para que o senhor se sinta melhor.”

    17 Saul disse a eles: “Vão. Encontrem alguém que seja bom tocador de harpa e tragam-no aqui.”

    18 Um dos jovens disse: “Conheço alguém assina. Eu mesmo o vi tocar: o filho de Jessé de Belém é excelente músico. Ele também é corajoso, maduro, fala bem, tem boa aparência, e o Eterno está com ele.”

    19 Saul enviou mensageiros a Jessé, pedindo para que ele mandasse seu filho Davi, aquele que cuidava das ovelhas.

    20-21 Jessé carregou um jumento com alguns pães, uma garrafa de vinho e um cabrito e enviou tudo como presente a Saul, com seu filho Davi. O jovem apresentou-se a Saul, e o rei gostou dele imediatamente, tanto que fez de Davi seu braço direito.

    22 Saul mandou dizer a Jessé: “Muito obrigado. Davi ficará aqui. É ele que eu estava procurando. Estou muito contente com a vinda dele.”

    23 Depois disso, sempre que a terrível depressão de Deus atormentava Saul, Davi dedilhava sua harpa para ele. Saul se acalmava e ficava por um tempo livre de seu mau humor.

  • 1a Samuel, 15

    1-2 Samuel disse a Saul: “O Eterno me enviou para ungir você rei sobre o seu povo, Israel. Agora, escute o que o Senhor dos Exércitos de Anjos diz:

    2-3 “‘Vou me vingar dos amalequitas, pelo que fizeram contra Israel quando saía do Egito. Portanto, ataque os amalequitas. Submeta todos os pertences dos amalequitas à santa condenação. Sem exceção! Você deve destruir tudo: homens e mulheres, crianças, bebês, gado e ovelha, camelos e jumentos.’”

    4-5- Saul convocou o exército, que se reuniu em Telaim. Ele os equipou para a guerra — duzentos mil homens de infantaria de Israel e dez mil de Judá. Saul marchou até a cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale.

    6 O rei mandou dizer aos queneus: “Saiam daí enquanto podem. Deixem a cidade imediatamente, do contrário, serão confundidos com os amalequitas. Estou dando esta chance porque vocês trataram bem os israelitas quando saíram do Egito.” Os queneus abandonaram a cidade.

    7-9 Saul atacou os amalequitas desde Havilá até Sur, perto da fronteira do Egito. Ele capturou vivo Agague e exterminou todo o povo, como determinava a santa condenação. Saul e o exército mantiveram vivos apenas Agague e os melhores espécimes das ovelhas e do gado. Eles não os submeteram à santa condenação. O restante, que ninguém queria mesmo, foi destruído de acordo com a determinação divina.

    10-11 Mas o Eterno disse a Samuel: “Lamento ter constituído Saul rei. Ele me abandonou e se recusa a seguir as minhas instruções.”

    11-12 Quando ouviu isso, Samuel ficou muito triste e clamou a noite toda ao Eterno. Levantou-se bem cedo para se encontrar com Saul, mas alguém o informou: “Saul foi embora. Foi para o Carmelo inaugurar um monumento em honra a ele próprio. Dali seguirá para Gilgal.” Quando Samuel finalmente o encontrou, Saul tinha acabado de oferecer ofertas queimadas ao Eterno com os animais dos amalequitas.

    13 Samuel se aproximou, e Saul disse: “O Eterno abençoe você! Segui à risca as instruções do Eterno!”

    14 Samuel perguntou: “Então, o que é isso que estou ouvindo, esse balido de ovelhas e o mugido de bois?”

    15 Saul respondeu: “São apenas alguns despojos. Os soldados ficaram com alguns dos melhores bois e ovelhas para oferecer em sacrifício ao Eterno. Mas destruímos o restante, em cumprimento da santa condenação.”

    16 Samuel o interrompeu: “Chega! Vou contar a você o que o Eterno me disse esta noite.” Saul respondeu: “Vá em frente. Conte-me!”

    17-19 Samuel disse: “Você não era nada quando foi escolhido, e sabe disso! O Eterno o constituiu líder, e você se tornou rei sobre todo o Israel. Depois, o Eterno enviou você para cumprir essa missão, com a seguinte ordem: ‘Vá e submeta esses pecadores amalequitas à santa condenação. Ataque-os até que tenha exterminado todos eles’. Agora, me diga: por que você não obedeceu ao Eterno? Por que tomou todos esses despojos? Por que cometeu esse erro, sabendo que o Eterno está sempre observando você?”

    20-21 Saul se defendeu: “Do que você está falando? Eu obedeci ao Eterno! Fiz tudo que ele me mandou. Capturei o rei Agague e destruí os amalequitas nos termos da santa condenação. Os soldados apenas pouparam os melhores bois e ovelhas para oferecer ao Eterno em Gilgal. Qual o problema nisso?”

    22-23 Samuel respondeu: “Você acha que o Eterno quer apenas sacrifícios, meros rituais externos? Ele quer que você o escute! Obedecer a ele é melhor que qualquer aparato religioso. Desobedecer ao Eterno é pior que praticar ocultismo. A presunção perante o Eterno é pior que idolatrar os ancestrais. Já que você rejeitou a ordem do Eterno, ele rejeitou seu reinado.”

    24-25 Saul finalmente confessou: “Eu pequei! Fiz pouco caso das ordens do Eterno e das suas instruções. Fiquei mais preocupado em agradar ao povo. Fui influenciado pelos outros. Peço que você perdoe meu pecado! Segure a minha mão e me conduza até o altar, para que eu possa adorar ao Eterno!”

    26 Mas Samuel disse: “Não. Não posso ajudar você nisso. Você rejeitou a ordem do Eterno. Agora, o Eterno o rejeitou como rei de Israel.”

    27-29 Quando Samuel fez menção de sair, Saul agarrou-se à roupa dele, à sua vestimenta sacerdotal, rasgando um pedaço. Samuel disse: “O Eterno rasgou de você o reino e o entregou ao seu próximo, um homem mais qualificado que você. O Deus de Glória de Israel não mente nem vacila. Ele cumpre tudo que diz.”

    30 Saul insistiu: “Reconheço que pequei. Mas não me abandone! Ajude-me com a sua presença diante dos líderes e do povo. Volte comigo para adorar ao Eterno.”

    31 Samuel voltou com ele. Saul prostrou-se diante do Eterno e o adorou.

    32 Samuel ordenou: “Tragam-me Agague, rei dos amalequitas.” Agague foi trazido arrastando o pé e resmungando que preferia estar morto.

    33 Samuel disse: “Assim como a sua espada fez que muitas mães perdessem seus filhos, hoje também sua mãe será como uma daquelas mulheres sem filhos!” E despedaçou Agague na presença do Eterno em Gilgal!

    34-35 Samuel deixou Ramá imediatamente, e Saul voltou para sua casa em Gilgal. Dali em diante, Samuel não teve mais contato com Saul, mas tinha muita pena dele. O Eterno lamentou ter constituído Saul rei sobre Israel.

  • 1a Samuel, 14

    1-3 Certo dia, Jônatas disse a seu escudeiro: “Vamos até a guarnição dos filisteus, do outro lado da encosta.” Mas ele não contou o plano a seu pai. Enquanto isso, Saul continuava acampado debaixo de uma romãzeira, na fronteira de Gibeá, em Migrom. Havia cerca de seiscentos homens com ele. Entre eles, estava Aías, que carregava o colete sacerdotal (ele era filho de Aitube, irmão de Icabode, filho de Fineias, neto de Eli, sacerdote do Eterno em Siló). Ninguém sabia que Jônatas tinha se ausentado.

    4-5 A encosta que Jônatas precisava atravessar para chegar à guarnição dos filisteus tinha um penhasco íngreme dos dois lados, um se chamava Bozez, e o outro, Sené. O penhasco ao norte ficava na direção de Micmás, e o penhasco ao sul, na direção de Gibeá.

    6 Jônatas disse ao seu escudeiro: “Vamos até a guarnição desses incircuncisos. Talvez o Eterno nos favoreça. O Eterno não depende de um grande exército para nos livrar. Quando o Eterno resolve salvar, ninguém tem poder para impedi-lo.”

    7 O escudeiro disse: “Vamos em frente. Faça o que achar melhor. Estou com você.”

    8-10 Jônatas disse: “Faremos o seguinte: atravessaremos a encosta e deixaremos que eles nos vejam. Se disserem: ‘Parem! Não se mexam até que revistemos vocês’, ficaremos parados ali. Não subiremos. Mas, se disserem: ‘Venham para cá!’, subiremos, porque significa que o Eterno os entregou em nossas mãos. Esse será o sinal para nós.”

    11 Foi isso que os dois fizeram. Foram para um lugar no qual podiam ser vistos pela guarnição dos filisteus. Os filisteus gritaram: “Vejam lá! Os hebreus estão saindo dos esconderijos!”

    12 Eles gritaram para Jônatas e seu escudeiro: “Subam para cá! Queremos mostrar uma coisa a vocês!”

    13 Jônatas gritou para o escudeiro: “Vamos! Siga-me! O Eterno os entregou nas mãos de lsrael!” Jônatas subia engatinhando, e seu escudeiro vinha logo atrás. Quando os filisteus se aproximavam deles, Jônatas os derrubava, e o escudeiro, logo atrás, os matava, esmagando a cabeça deles com pedras.

    14-15 Nesse primeiro confronto, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens. Isso provocou tumulto no acampamento e no campo de batalha, tanto entre os soldados do destacamento quanto entre as tropas de ataque. O alvoroço foi grande, como nunca visto antes!

    DIRETO À BATALHA
    16-18 As sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim perceberam o tumulto no acampamento dos filisteus. Saul deu ordens: “Formem os pelotões! Contem os soldados! Vejam quem está faltando!” Depois de contar os soldados, verificaram que Jônatas e seu escudeiro estavam faltando.

    18-19 Saul deu ordens a Aías: “Traga o colete sacerdotal. Vejamos o que Deus tem a dizer.” (Naquele tempo, Aías era responsável pelo colete sacerdotal.) Enquanto conversava com o sacerdote, a confusão entre os filisteus se intensificou, e Saul disse a Aias: “Deixe de lado o colete.”

    20-23 Imediatamente, Saul convocou seu exército, e partiram para o ataque. Quando se aproximaram, viram que os filisteus estavam desnorteados: chegavam a matar uns aos outros com suas espadas! Os hebreus que tinham desertado para o exército filisteu retornaram. Eles voltaram a se unir aos israelitas sob o comando de Saul e Jônatas. Além disso, quando todos os israelitas que estavam escondidos nas regiões remotas de Efraim souberam que os filisteus estavam fugindo, saíram dos seus esconderijos e se juntaram à perseguição. O Eterno livrou Israel naquele dia! A batalha avançou até Bete-Áven. Todo o exército seguia a Saul — dez mil homens valentes! A batalha se espalhou por toda a região das montanhas de Efraim.

    24 Saul cometeu uma grande tolice naquele dia. Ele disse a todo o exército: “Maldito aquele que comer qualquer coisa antes do anoitecer, antes de eu me vingar dos meus inimigos!” E ninguém comeu nada o dia todo.

    25-27 Havia mel por toda parte, mas ninguém sequer experimentava o mel, pois temiam a maldição. Acontece que Jônatas não sabia do juramento que seu pai tinha imposto ao exército. Assim, de passagem, ele pegou um pouco de mel com a ponta de sua vara e comeu. Seus olhos brilharam revigorados.

    28 Um dos soldados o informou: “Seu pai impôs um juramento solene a todo o exército: ‘Maldito aquele que comer qualquer coisa antes do anoitecer!’. É por isso que os soldados estão esgotados!”

    29-30 Jônatas retrucou: “Meu pai arranjou um problema desnecessário para o povo. Vejam como renovei minhas forças depois que comi o mel! Seria muito melhor se os soldados pudessem ter comido de tudo que tiraram do inimigo. Quem sabe os teríamos derrotado de vez!”

    31-32 Naquele dia, eles mataram filisteus desde Micmás até Aijalom, mas os soldados cansaram de lutar e partiram para os despojos. Tomavam tudo que viam: ovelhas, bois, bezerros. Eles os mataram ali mesmo e, assim, se entupiram de carne, com sangue e tudo.

    33-34 Alguém avisou Saul: “Faça alguma coisa! Os soldados pecaram contra o Eterno. Eles estão comendo carne com sangue!” Saul respondeu: “Vocês estão agindo errado! Tragam-me uma grande pedra!” Ele continuou: “Vão para o meio deles e anunciem: ‘Tragam seu boi e sua ovelha para mim e matem-nos aqui, da maneira correta. Depois, podem comer à vontade. Não pequem contra o Eterno, comendo carne com sangue.’” Todos obedeceram. Naquela noite, cada soldado trouxe seu animal para ser abatido.

    35 Foi assim que Saul edificou um altar ao Eterno — o primeiro altar que ele construiu para Deus.

    DESCOBRINDO O QUE O ETERNO PENSA
    36 Saul disse: “Vamos perseguir os filisteus à noite! Passaremos a noite saqueando e não vamos deixar um único filisteu com vida!” As tropas disseram: “Parece uma boa ideia. Vamos!” Mas o sacerdote os deteve: “Vamos descobrir o que Deus pensa sobre o assunto.”

    37 E Saul perguntou a Deus: “Devemos atacar os filisteus? Tu os entregarás nas mãos dos israelitas?” Mas Deus, naquele dia, não respondeu.

    38-39 Saul disse: “Compareçam aqui todos os oficiais do exército. Algum pecado foi cometido hoje. Vamos descobrir o que foi e quem o cometeu! Tão certo como vive o Eterno, Salvador de Israel, quem pecou será morto, mesmo que seja meu filho Jônatas!” Ninguém disse nada.

    40 Saul disse aos israelitas: “Fiquem vocês desse lado, e eu e meu filho Jônatas ficaremos deste lado.” Os oficiais concordaram: ‘Faça o que bem entender.”

    41 Então, Saul orou ao Eterno: “Ó Deus de Israel, por que não me respondeste hoje? Mostra-me a verdade. Se o pecado for meu ou de Jônatas, responde, ó Deus, por meio do Urim. Mas, se o pecado for do exército de Israel, responde por meio do Tumim.” O Urim indicou Saul e Jônatas. O exército ficou livre.

    42 Saul disse: “Lancem sortes entre mim e Jônatas. Quem o Eterno indicar será morto.” Os soldados protestaram: “Não! Isso não está certo! Pare com isso!” Mas Saul insistiu. Lançaram sortes, e Jônatas foi indicado.

    43 Saul interrogou Jônatas: “O que você fez? Diga-me!” Jônatas respondeu: “Experimentei um pouco de mel na ponta da vara que eu carregava. Só isso. Mas devo morrer por causa disso?”

    44 Saul respondeu: “Sim, Jônatas, você morrerá. Está em minhas mãos. Não me ponha contra Deus.”

    45 Mas os soldados não aceitaram aquela decisão: “O quê?! Jônatas vai morrer? Nunca! Foi ele o responsável por esse maravilhoso livramento. Tão certo como vive o Eterno, nem um fio de cabelo cairá da sua cabeça. Ele tem agido com o auxílio de Deus o tempo todo!” Os soldados protegeram Jônatas; por isso, ele não morreu.

    46 Saul desistiu de perseguir os filisteus, e eles se dispersaram e voltaram para casa.

    47-48 Saul ampliou seu domínio, conquistando reinos vizinhos. Lutou contra os inimigos de todos os lados: moabitas, amonitas, edomitas, o rei de Zobá e os filisteus. Aonde quer que fosse, era vitorioso. Ele era imbatível e massacrou os amalequitas, livrando Israel dos que exploravam sua nação.

    49-51 Os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua. Saul teve duas filhas, a primogênita, Merabe, e a mais nova, Mical. Sua mulher era Ainoã, filha de Aimaás. Abner, filho de Ner, era o comandante do exército de Saul. (Ner era tio de Saul). Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.

    52 Durante toda a vida de Saul, houve guerra feroz e implacável contra os filisteus. Saul recrutava todo guerreiro e todo homem valente que encontrasse.

  • 1a Samuel, 13

    O ETERNO PROCURA UM SUBSTITUTO PARA SAUL
    1-2 Saul era jovem quando se tornou rei e reinou muitos anos sobre Israel. Ele recrutou três mil homens, mantendo dois mil sob seu comando, em Micmás e nas montanhas de Betel. Os outros ficaram sob o comando de Jônatas, em Gibeá de Benjamim. O restante foi mandado de volta para casa.

    3-4 Jônatas atacou e matou o comandante dos filisteus em Gibeá. Quando os filisteus souberam disso, mandaram dizer: “Os hebreus estão se rebelando!” Saul mandou tocar as trombetas no território inteiro, e a notícia correu por todo o Israel: “Saul matou o comandante filisteu. Os filisteus estão agitados e furiosos!” O exército foi convocado e se apresentou a Saul em Gilgal.

    5 Os filisteus juntaram forças para atacar Israel: três mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e tantos soldados de infantaria que pareciam areia na praia. Eles subiram aos montes e acamparam em Micmás, a leste de Bete-Áven.

    6-7 Quando os israelitas perceberam que estavam em desvantagem, correram para se esconder em cavernas, buracos, penhascos, poços e cisternas. Alguns atravessaram o rio Jordão para se refugiar em Gade e em Gileade. Mas Saul manteve sua posição em Gilgal. Os soldados continuavam com ele, apesar de estarem morrendo de medo.

    8 Ele aguardou sete dias, conforme o combinado, mas Samuel não chegava, e os soldados começaram a desertar, indo para todo canto.

    9-10 Por fim, Saul deu esta ordem: “Tragam-me a oferta queimada e as ofertas de paz!” Ele sacrificou a oferta queimada. Assim que acabou de sacrificar, Samuel chegou! Saul foi cumprimentá-lo.

    11-12 Samuel perguntou: “O que você está fazendo?” Saul respondeu: “Quando vi que estava perdendo o meu exército e que você não chegava, conforme o combinado, e que os filisteus estavam reunidos em Micmás, pensei: ‘Os filisteus estão prontos para me atacar em Gilgal, mas ainda não busquei a ajuda do Eterno. Por isso, tomei a iniciativa e sacrifiquei a oferta queimada.”

    13-14 Samuel disse a Saul: “Você cometeu um grande erro. Se tivesse obedecido à ordem do Eterno, o seu Deus, ele teria confirmado hoje o seu reinado sobre Israel. Mas agora o seu reinado está desmoronando. O Eterno já está procurando um substituto para você. Desta vez, é ele que fará a escolha. Quando ele o encontrar, vai designá-lo o novo líder do seu povo. Tudo porque você não se ateve ao que foi combinado com o Eterno!”

    15 Depois disso, Samuel deixou Gilgal e foi para Gibeá de Benjamim. Saul contou os soldados que ficaram com ele. Havia apenas seiscentos homens!

    JÔNATAS E SEU ESCUDEIRO
    16-18 Saul, seu filho Jônatas e os soldados que restaram acamparam em Gibeá de Benjamim. Os filisteus estavam acampados em Micmás. Três pelotões de ataque partiram do acampamento dos filisteus. O primeiro foi para Ofra, na estrada para a região de Sual. O segundo foi designado para a estrada de Bete-Horom. O terceiro foi para a fronteira do vale de Zeboim, na direção do deserto.

    19-22 Em Israel, não havia nenhum ferreiro, pois os filisteus haviam proibido os hebreus de fabricar espadas e lanças. Por isso, os israelitas tinham de descer ao território dos filisteus para afiar suas ferramentas: arados, enxadas, machados e foices. Eles cobravam oito gramas de prata para afiar os arados e as enxadas e quatro gramas para as demais ferramentas. Assim, quando começou a guerra de Micmás, não havia em Israel nenhuma espada ou lança, exceto a de Saul e a de Jônatas; estes dois estavam bem armados.

    23 Um pelotão dos filisteus posicionou-se na encosta de Micmás.

  • 1a Samuel, 12

    NÃO SIGAM DEUSES DE MENTIRA
    1-3 Samuel dirigiu-se a todo o povo de Israel, dizendo: “Atendi a tudo que me pediram, ouvi atentamente tudo que me disseram e concedi um rei a vocês. Agora, vejam vocês mesmos: O seu rei está liderando vocês! Mas prestem atenção: estou velho e de cabelos brancos, e meus descendentes estão no meio de vocês. Fui um líder fiel desde a juventude até hoje. Olhem para mim! Vocês têm alguma queixa para apresentar perante o Eterno e seu ungido? Alguma vez tirei vantagem de alguém ou explorei vocês? Alguma vez recebi dinheiro para burlar a lei? Apresentem sua queixa, e os compensarei por tudo.”

    4 Eles responderam: “De forma alguma! Você nunca fez nada disso. Você nunca se aproveitou de ninguém e nunca tomou dinheiro de nós.”

    5 Samuel disse: “Então, está resolvido. O Eterno é testemunha, e o seu ungido também, de que vocês não têm nada contra mim — nenhuma falta e nenhuma queixa.”

    6-8 O povo respondeu: “Ele é testemunha.” Samuel continuou: “Esse é o Eterno que designou Moisés e Arão líderes de vocês e que tirou seus antepassados do Egito. Agora, permaneçam aqui, para que eu apresente a causa de vocês diante do Eterno, à luz de todos os atos de justiça realizados diante de vocês e dos seus antepassados. Quando os filhos de Jacó entraram no Egito, os egípcios os oprimiram, e eles pediram socorro ao Eterno. O Eterno enviou Moisés e Arão, que tiraram seus ancestrais do Egito e os trouxeram para cá.

    9 “Mas não demorou, e eles se esqueceram do Eterno; por isso, ele os entregou a Sísera, comandante do exército de Hazor. Depois, os entregou à opressão dos filisteus e, então, ao rei de Moabe. Eles tiveram de lutar para salvar a pele.

    10 “Por fim, pediram socorro ao Eterno e confessaram: ‘Pecamos! Abandonamos o Eterno para adorar os deuses da fertilidade e as deusas de Canaã. Ah! Livra-nos da crueldade dos nossos inimigos, e serviremos apenas a ti’.

    11 “Foi quando o Eterno enviou Jerubaal (Gideão), Bedã (Baraque), Jefté e Samuel. Ele os livrou da opressão dos inimigos ao redor, e vocês puderam viver em paz.

    12 “Mas, quando viram Naás, rei dos amonitas, preparando-se para atacar, vocês me disseram: ‘Estamos cansados disso. Queremos um rei!’, embora vocês já tivessem o Eterno como rei!

    13-15 “Portanto, aqui está o rei a quem vocês escolheram, aquele que vocês pediram. O Eterno atendeu ao desejo de vocês e concedeu um rei a Israel. Se vocês temerem, servirem e obedecerem ao Eterno, sem se rebelar contra o que ele disser; se vocês e o rei a quem escolheram seguirem o Eterno, vocês viverão bem. O Eterno protegerá vocês. Mas, se não obedecerem a ele e se rebelarem contra o que ele disser, a situação de vocês será pior que a dos seus antepassados.

    16-17 “Prestem atenção! Vejam o milagre que o Eterno fará diante de vocês! Estamos no verão, como vocês sabem, e o tempo das chuvas acabou. Mas vou orar ao Eterno, e ele vai mandar trovões e chuva como sinal, para convencê-los do grande erro que cometeram contra Deus quando pediram um rei.”

    18 Assim, Samuel clamou ao Eterno, e Deus enviou trovões e chuva naquele mesmo dia. O povo ficou com muito medo do Eterno e de Samuel.

    19 Então, todo o povo implorou a Samuel: “Interceda ao Eterno por nós, os seus servos. Suplique para que não morramos! Além de todos os nossos pecados, acrescentamos o de pedir um rei!”

    20-22 Samuel os tranquilizou: “Não temam. De fato, vocês fizeram algo muito errado, mas não deem as costas ao Eterno. Adorem a ele com todo o seu coração e com toda a sua força! Não sigam esses deuses de mentira. Eles não servem para nada. São arremedos de divindades: nunca vão ajudar vocês. Já o Eterno, sendo quem ele é, não vai abandonar seu povo. O Eterno terá prazer em tê-los como seu povo.

    23-25 “Eu também não vou abandonar vocês, porque estaria pecando contra o Eterno! Continuarei aqui, em meu lugar, intercedendo por vocês e ensinando a maneira de viver que agrada a Deus. Peço apenas que temam o Eterno e que o sirvam com honestidade, de todo o coração. Todos sabem quanto ele tem feito por vocês! Mas tomem cuidado: se continuarem agindo mal, vocês e seu rei serão rejeitados.”

  • 1a Samuel, 11

    1 Naás resolveu atacar Jabes-Gileade. Os homens de Jabes imploraram a Naás: “Faça um acordo conosco, e seremos seus súditos.”

    2 Naás respondeu: “Faço o acordo com a seguinte condição: se eu furar o olho direito de todos vocês! Todo homem e toda mulher de Israel terá de passar por essa humilhação.”

    3 Os líderes de Jabes disseram: “Dê-nos um prazo de sete dias para que consultemos o povo de Israel. Se ninguém vier nos livrar dentro desse prazo, aceitaremos o acordo.”

    4-5 Os mensageiros chegaram ao lugar em que Saul residia, em Gibeá, e contaram à população o que estava acontecendo. O povo chorava desesperado quando Saul chegou, Ele voltava do campo com seus bois. Saul perguntou: “O que aconteceu? Por que estão todos chorando?” Eles repetiram as palavras do povo de Jabes.

    6-7 Assim que Saul ouviu a mensagem, o Espírito de Deus veio sobre ele. Indignado, Saul cortou em pedaços sua junta de bois ali mesmo. Em seguida, enviou mensageiros a todo o Israel, cada um com uma parte dos bois, com a seguinte mensagem: “Isto é o que acontecerá com o boi de quem se recusar a acompanhar Saul e Samuel!”

    7-8 O temor do Eterno tomou conta do povo, e todos se uniram a Saul. Ele assumiu o comando do povo em Bezeque: trezentos mil homens de Israel e mais trinta mil de Judá.

    9-11 Saul deu ordem aos mensageiros: “Digam ao povo de Jabes-Gileade: ‘Vocês receberão ajuda. Aguardem até o meio-dia de amanhã.’” Os mensageiros saíram correndo para entregar a mensagem. O povo de Jabes ficou muito contente e mandou dizer a Naás: “Amanhã nos entregaremos, e você poderá fazer conosco o que desejar.” No dia seguinte, ainda de madrugada, Saul dividiu o seu exército em três grupos. Ao clarear do dia, eles atacaram o acampamento inimigo e massacraram os amonitas até o meio-dia. Os sobreviventes fugiram, espalhando-se por toda parte.

    12 Depois da batalha, o povo perguntou a Samuel: “Onde estão aqueles que disseram que Saul não poderia nos governar? Entregue-os, e os mataremos!”

    13-14 Mas Saul disse: “Ninguém será executado hoje. Porque o Eterno libertou Israel neste dia! Vamos a Gilgal e, lá, consagremos o reinado outra vez.”

    15 E todos foram a Gilgal. Diante do Eterno, coroaram Saul rei em Gilgal. Ali adoraram e apresentaram sacrifícios de ofertas de paz. Saul e todo o povo festejaram.

  • 1a Samuel, 10

    UMA NOVA PESSOA
    1-2 Samuel tomou um frasco de óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul e o beijou. Samuel perguntou: “Você sabe o que significa isto? O Eterno está ungindo você príncipe sobre todo o seu povo. “Este sinal confirmará que o Eterno está ungindo você príncipe sobre a sua herança: depois que você partir daqui, quando se aproximar da sua terra, Benjamim, você encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel. Eles dirão: ‘Os jumentos que você estava procurando foram encontrados. Seu pai já esqueceu dos jumentos e agora está morrendo de preocupação por você.

    3-4 “Seguindo adiante, você chegará ao carvalho de Tabor. Lá, encontrará três homens, que estão subindo para adorar a Deus em Betel. Um deles estará carregando três cabritos, o outro, três sacolas de pão, e o terceiro, uma garrafa de vinho. Eles dirão: ‘Olá, como vai?’. E oferecerão dois pães, que você deve aceitar.

    5-6 “Depois, você chegará a Gibeá, onde existe uma guarnição militar dos filisteus. Ao se aproximar da cidade, você encontrará um grupo de profetas, que estarão descendo do santuário, tocando harpas, tamborins, flautas e tambores. Eles estarão profetizando. Quando menos esperar, o Espírito do Eterno virá sobre você, e você profetizará com eles. Você será transformado. Você será renovado!

    7 “Quando se cumprirem esses sinais, você saberá que está pronto: faça o que mandarem fazer. Deus estará com você!

    8 “Agora, desça para Gilgal, e seguirei você mais tarde. Também vou para lá e me encontrarei com você, para oferecer ofertas queimadas e sacrifícios de paz. Aguarde sete dias até eu chegar. Então, direi a você o que fazer.”

    9 Saul seguiu caminho e deixou Samuel. Naquele momento, Deus transformou Saul — fez dele uma nova pessoa! Todos aqueles sinais se confirmaram no mesmo dia.

    SAUL ENTRE OS PROFETAS
    10-12 Quando eles chegaram a Gibeá, os profetas apareceram bem na frente deles! Quando menos esperavam, o Espírito do Eterno veio sobre Saul, e ele começou a profetizar com eles. Quando os conhecidos de Saul o viram no meio dos profetas, ficaram surpresos e diziam: “O que está acontecendo? O que aconteceu com o filho de Quis? Como foi que Saul se tornou profeta?” Um homem perguntou: “Quem começou isto? De onde veio esse grupo?” Foi assim que ficou famoso o ditado: “Quem diria: Saul entre os profetas!”

    13-14 Depois que terminou de profetizar, Saul voltou para casa. Seu tio perguntou a ele e a seu ajudante: “Onde vocês estiveram todo esse tempo?” Eles responderam: “Estávamos procurando os jumentos. Procuramos por toda parte e não encontramos. Por isso, consultamos Samuel!”

    15 O tio de Saul perguntou: “O que Samuel disse a vocês?”

    16 Saul respondeu: “Ele disse para não nos preocuparmos, pois os jumentos já tinham sido encontrados.” Mas Saul não mencionou nada ao seu tio sobre o que Samuel tinha dito sobre o reinado.

    “QUEREMOS UM REI”
    17-18 Samuel convocou o povo, que se reuniu diante do Eterno em Mispá. Ele declarou ao povo de Israel: “Esta é a mensagem do Eterno para vocês:

    18-19 “‘Eu tirei Israel da terra do Egito. Livrei-o da opressão dos egípcios, de todas as ameaças do governo que tinham tornado a vida de vocês insuportável. Mas agora vocês não querem mais saber de Deus, o mesmo Deus que livrou vocês de todo tipo de problema. “‘Agora, vocês dizem: Não! Queremos um rei. Dá-nos um rei! “‘Pois bem, se é o que vocês querem, é isso que receberão! Apresentem-se perante o Eterno de acordo com as suas tribos e famílias.’”

    20-21 Depois que todas as tribos de Israel estavam em seu lugar, foi escolhida a tribo de Benjamim. Depois, Samuel organizou a tribo de Benjamim por grupos de famílias, e a família de Matri foi escolhida. A família de Matri se organizou, e do meio dela foi escolhido Saul, filho de Quis. Mas, quando o procuraram, ninguém soube dizer onde ele estava.

    22 Samuel voltou ao Eterno e perguntou: “Onde ele está?” O Eterno respondeu: “Ele está bem aí, escondido no meio da bagagem.”

    23 Eles correram e o encontraram ali. Ele foi levado para o meio do povo, destacando-se entre os demais, como sempre, porque os ombros e a cabeça ficavam acima de todos os outros.

    24 Samuel dirigiu-se ao povo, dizendo: “Olhem bem para este homem, a quem o Eterno escolheu. Não há outro como ele entre todo o povo!” Todo o povo exclamou em alta voz: “Viva o rei!”

    25 Samuel prosseguiu, instruindo o povo sobre as regras e regulamentações pertinentes ao reino, e registrou tudo num livro, que foi posto perante o Eterno. Em seguida, Samuel mandou o povo de volta para casa.

    26-27 Saul também retornou para Gibeá, acompanhado de alguns homens corajosos, que Deus inspirou a segui-lo. Alguns vadios saíram resmungando: “Esse daí, um libertador? Vocês devem estar brincando!” Eles o desprezavam; por isso, não deram honras a Saul. Mas Saul não deu bola para eles.

    SAUL É COROADO REI
    28 Naás, rei dos amonitas, estava oprimindo as tribos de Gade e Rúben, arrancando o olho direito dos moradores e ameaçando todos os que tentavam ajudar Israel. Foram poucos os israelitas que viviam a leste do rio que Jordão não tiveram os olhos arrancados por Naás. Mas sete mil homens escaparam dos amonitas e viviam seguros em Jabes.

  • 1a Samuel, 9

    SAUL, DESTACADO NA MULTIDÃO
    1-2 Havia um homem da tribo de Benjamim chamado Quis. Ele era filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afia. Era um senhor de ótima reputação. Ele tinha um filho chamado Saul, um jovem belo e vistoso, como nenhum outro, que se destacava na multidão por causa da sua altura!

    34 Certo dia, alguns jumentos de Quis escaparam. Quis disse a seu filho: “Saul, vá procurar os jumentos. Leve um dos ajudantes.” Saul chamou um dos ajudantes e saiu à procura dos animais. Chegaram às montanhas de Efraim, perto de Salisa, mas não os encontraram. Prosseguiram até Saalim, mas também não tiveram sorte. Depois, para Jabim, e nada.

    5 Quando chegaram a Zufe, Saul disse ao seu ajudante: “Chega! Vamos voltar. Logo, meu pai vai se esquecer dos jumentos. Vai ficar preocupado é com a nossa demora.”

    6 O ajudante sugeriu: “Não vamos nos precipitar. Naquela cidade ali, há um homem de Deus. Ele é muito respeitado aqui, pois o que ele prevê sempre dá certo. Talvez ele possa nos dizer onde estão os jumentos.”

    7 Saul retrucou: “Mas, para consultá-lo, não é preciso dar alguma coisa para ele? Não temos mais nem alimento na sacola. Não há nada que possamos oferecer ao homem de Deus. Ou ainda temos?”

    8-9 O ajudante disse: “Veja! Tenho esta moeda de prata! Vou dar este dinheiro para o homem de Deus, e ele nos dirá o que fazer.” (Naquele tempo, em Israel, quando alguém queria consultar Deus sobre alguma questão dizia: “Vamos consultar o vidente” — porque aquele que hoje chamamos “profeta” era chamado “vidente”).

    10 Saul respondeu: “Ótimo! Então, vamos!” Eles rumaram para a cidade na qual vivia o homem de Deus.

    11 Quando subiam ao monte para entrar na cidade, encontraram algumas moças que voltavam do poço e perguntaram: “É aqui que está o vidente?”

    12-13 Elas responderam: “É, sim! Sigam em frente. Mas andem depressa. Ele veio hoje porque o povo preparou um sacrifício no altar. Se entrarem logo na cidade, poderão alcançá-lo antes que ele suba para o altar para comer. O povo não come até que ele chegue, pois ele precisa abençoar o sacrifício. Só então, todos comem. Vão depressa! Vocês vão encontrá-lo, com certeza!”

    14 Eles continuaram subindo até chegarem à cidade. E ali estava ele, Samuel. Ele vinha na direção deles, a caminho do altar.

    15-16 Um dia antes, o Eterno tinha revelado a Samuel: “Amanhã, a esta hora, enviarei um homem da terra de Benjamim ao seu encontro. Você deve ungi-lo príncipe sobre o povo de Israel. Ele livrará o meu povo da opressão dos filisteus. Conheço bem as dificuldades do povo e ouvi o clamor do povo.”

    17 No instante em que Samuel avistou Saul, o Eterno disse ao profeta: “Esse é o homem de que falei. Ele governará o meu povo.”

    18 Saul interpelou Samuel no meio da rua e perguntou: “Por favor, o senhor pode me informar onde mora o vidente?”

    19-20 Samuel respondeu: “Sou eu o vidente. Acompanhe-me até o altar e coma comigo. Amanhã cedo, direi tudo que você precisa saber, e você poderá ir embora. Por falar nisso, os jumentos perdidos, que você procura há três dias, foram encontrados. Por isso, não se preocupe com eles. Neste momento, o futuro de Israel está em suas mãos.”

    21 Saul respondeu: “Não passo de um benjamita, a menor tribo de Israel, do clã mais insignificante da tribo. Por que o senhor fala comigo dessa maneira?”

    22-23 Samuel conduziu Saul e seu ajudante até o lugar da refeição no altar e os fez assentar em lugar de honra à mesa. Havia cerca de trinta convidados, e Samuel disse ao cozinheiro: “Traga-me o melhor pedaço de carne, aquele que pedi para você reservar.”

    24 O cozinheiro trouxe a carne num prato decorado e a deixou diante de Saul, dizendo: “Esta porção foi separada para você. Pode comer! Foi especialmente preparada para esta ocasião e para estes convidados.” Saul comeu com Samuel. Foi um dia memorável!

    25 Depois, desceram do altar para a cidade. Havia uma cama preparada para Saul no terraço arejado da casa em que Samuel estava.

    26 Eles acordaram logo ao clarear do dia. Samuel chamou Saul no terraço: “Levante-se, é hora de ir.” Saul levantou-se, e os dois saíram para a rua.

    27 Quando se aproximaram da saída da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao seu ajudante que siga adiante de nós. Fique comigo um pouco. Tenho uma mensagem de Deus para você.”