Categoria: Salmos

O LIVRO DOS SALMOS
INTRODUÇÃO
SALMOS É O LIVRO DE HINOS E DE ORAÇÕES DA BÍBLIA. OS SALMOS FORAM ESCRITOS POR DIFERENTES AUTORES, DURANTE UM PERÍODO DE MAIS OU MENOS SETECENTOS ANOS (DE 1000 A 333 A.C.), E FORAM USADOS PELO POVO DE ISRAEL NAS SUAS REUNIÕES DE ADORAÇÃO A DEUS.
HÁ VÁRIOS TIPOS DE SALMOS: HINOS DE LOUVOR A DEUS; ORAÇÕES PEDINDO AJUDA, PROTEÇÃO E SALVAÇÃO; PEDIDOS DE PERDÃO; CANÇÕES DE AGRADECIMENTO PELAS BÊNÇÃOS DE DEUS; ORAÇÕES EM FAVOR DO REI; CANÇÕES PARA ENSINAR AS PESSOAS A PRATICAREM O BEM; SÚPLICAS PARA QUE DEUS CASTIGUE OS INIMIGOS; E OUTROS. AS ORAÇÕES SÃO PESSOAIS OU NACIONAIS: ALGUMAS MOSTRAM OS SENTIMENTOS ÍNTIMOS DE UMA PESSOA, ENQUANTO OUTRAS REPRESENTAM AS NECESSIDADES E OS SENTIMENTOS DE TODO O POVO DE DEUS.
A FORMA GERALMENTE USADA NA POESIA DOS SALMOS SE CHAMA PARALELISMO, QUE É A REPETIÇÃO DE UMA IDEIA, COM OUTRAS PALAVRAS, NA LINHA OU NAS LINHAS SEGUINTES. O PARALELISMO, NAS SUAS VÁRIAS FORMAS, E A RIQUEZA DE COMPARAÇÕES DÃO GRAÇA E BELEZA À POESIA HEBRAICA.
JESUS CANTOU SALMOS E OS CITOU VÁRIAS VEZES. ELES FORAM CITADOS MAIS DE CEM VEZES PELOS ESCRITORES DOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO. ATRAVÉS DOS SÉCULOS, OS SALMOS TÊM SIDO UMA FONTE DE INSPIRAÇÃO E DEVOÇÃO PARA OS CRISTÃOS E PARA A IGREJA, TANTO NOS SEUS CULTOS DE ADORAÇÃO A DEUS COMO NO SEU TRABALHO DE EVANGELIZAÇÃO.
ESQUEMA DO CONTEÚDO
OS SALMOS ESTÃO AGRUPADOS EM CINCO LIVROS, CONFORME SEGUE:
LIVRO I: SALMOS 1—41
LIVRO II: SALMOS 42—72
LIVRO III: SALMOS 73—89
LIVRO IV: SALMOS 90—106
LIVRO V: SALMOS 107—150

  • Salmos, 80

    UM SALMO DE ASAFE
    1-2 Ouve, ó Pastor de Israel! Ajunta todas as ovelhas de José. Lança raios de luz do teu trono deslumbrante Para que Efraim, Benjamim e Manassés possam ver por onde estão indo. É hora de sair da cama — já dormiste o bastante! Vem correndo, antes que seja tarde.

    3 Deus, faz-nos voltar e Faz brilhar a tua face sobre nós E, assim, seremos salvos!

    4-6 Ó Eterno, Senhor dos Exércitos de Anjos, até quando parecerás um vulcão adormecido? Até quando teu povo clamará por fogo e enxofre? Tu nos deste lágrimas como alimento: lágrimas salgadas à vontade é o que temos para beber. Tu nos obrigaste ao papel de ridículo diante dos amigos, e nossos inimigos não param de zombar de nós.

    7 Deus, faz-nos voltar e Faz brilhar a tua face sobre nós E, assim, seremos salvos!

    8-18 Lembra-te de quando trouxeste uma vinha nova do Egito? Limpaste os arbustos e as roseiras e plantaste uma vinha para ti. Preparaste o bom solo, as raízes eram profundas, e a vinha encheu a terra. Tua vinha cresceu alta e fez sombra nas montanhas, até os gigantescos cedros pareciam minúsculos. Ela se estendeu para oeste, na direção do mar, e para leste, na direção do rio. Então, por que não proteges mais tua vinha? Os viajantes pegam uvas à vontade; Porcos selvagens correm através dela e a esmagam; os roedores mordiscam o que sobrou. Senhor dos Exércitos de Anjos, transforma nosso caminho! Descobre o que aconteceu e cuida da tua vinha, Que plantaste com tanto carinho, a vinha que criaste a partir de um broto. Aos que se alegraram de vê-la incendiada, mata-os com um olhar! Depois, segura na mão daquele que foi teu filho favorito, que criaste até a idade adulta. Nunca mais viraremos as costas para ti! Dá vida a nossos pulmões, para que possamos gritar teu nome!

    19 Deus, faz-nos voltar e Faz brilhar a tua face sobre nós E, assim, seremos salvos!

  • Salmos, 79

    UM SALMO DE ASAFE
    1-4 Os bárbaros arrombaram tua casa, ó Deus, violaram teu santo templo, transformaram Jerusalém num monte de entulho! Eles serviram os corpos dos teus servos como banquete para as aves de rapina; Atiraram os ossos do teu povo santo aos animais selvagens. Derramaram o sangue deles como baldes de água. Em volta de toda a Jerusalém, seus corpos foram deixados para apodrecer, insepultos. Não passamos de piada para nossos vizinhos, pichações nos muros da cidade.

    5-7 Até quando temos de tolerar isso, ó Eterno? Vais guardar rancor de nós para sempre? Será que tua ira nunca esfriará? Se vais ficar irado, que seja com os pagãos, que não se importam contigo, com os reinos rivais, que te ignoram. Eles sãos os responsáveis pela ruína de Jacó, que destruíram e pilharam o lugar onde ele viveu.

    8-10 Não nos culpes pelos pecados dos nossos pais. Apressa-te e nos ajuda! Estamos com a corda no pescoço. És famoso por prestar socorro. Precisamos de um alívio, ó Deus. Afinal, tua reputação está em jogo. Tira-nos desta confusão e perdoa nossos pecados — o que mais sabes fazer! Não permitas que os pagãos nos perguntem, com ar de zombaria: “Onde está o Deus de vocês? Saiu para almoçar?.” Vai a público e mostra a esses incrédulos que eles não podem matar teus servos e sair ilesos.

    11-13 Dá ouvidos aos prisioneiros que gemem; perdoa os que estão no corredor da morte — tu podes fazer isso! Paga na mesma moeda os responsáveis por essa situação. Que os insultos contra ti retornem para eles e os nocauteiem! Então, nós, teu povo, a quem tu amas e de quem cuidas, te agradeceremos de novo, e de novo, e de novo. Contaremos ao mundo todo como és maravilhoso e digno de louvor.

  • Salmos, 78

    UM SALMO DE ASAFE
    1-4 Atentem, queridos amigos, à verdade de Deus, prestem atenção ao que vou contar. Estou remoendo um pedaço de provérbio e revelarei a vocês as doces e antigas verdades, As histórias que ouvimos do nosso pai, os conselhos que aprendemos no colo da nossa mãe. Não vamos guardar isso para nós: vamos passá-lo para a próxima geração — A fama e a força do Eterno, as coisas maravilhosas que ele fez.

    5-8 Ele plantou um testemunho em Jacó, estabeleceu sua Palavra em Israel, Então, ordenou aos nossos pais que a ensinassem aos filhos, Para que a geração seguinte a conhecesse, e também as que viessem depois; Para que conhecessem a verdade e passassem os fatos adiante, a fim de que seus filhos pudessem confiar em Deus, Sem nunca esquecer suas obras e seguir seus mandamentos ao pé da letra. Queira Deus que eles não sejam como seus pais, teimosos e maus, Gente inconstante e infiel, que nunca teve uma vida em conformidade com Deus!

    9-16 Os efraimitas, armados até os dentes, fugiram quando a batalha começou. Eles se acovardaram no cumprimento da Aliança com Deus, recusaram-se a caminhar por sua Palavra. Eles se esqueceram do que ele havia feito — das maravilhas realizadas bem diante de seus olhos. De como ele realizou milagres à vista de seus pais no Egito, nos campos de Zoã. De como ele dividiu o Mar, e caminharam através dele; juntando as águas à direita e à esquerda. De como ele os conduziu de dia com uma nuvem e a noite inteira com uma tocha de fogo. De como ele fendeu rochas no deserto e deu a eles toda a água disponível em fontes subterrâneas. De como ele fez os riachos fluir da rocha fina, e a água brotar como um rio.

    17-20 E tudo que eles fizeram foi pecar ainda mais; rebelaram-se no deserto contra o Deus Altíssimo. Tentaram agir à sua maneira para com Deus, exigiram favores e atenção especial. Eles choramingavam como crianças mimadas: “Por que Deus não consegue nos dar uma refeição decente neste deserto? Tudo bem, ele bateu na rocha, e a água fluiu, riachos cascatearam do meio da pedra. Mas que tal um pãozinho saído do forno? Que tal um belo pedaço de carne?.”

    21-31 Quando o Eterno ouviu as reclamações, ficou furioso; sua ira se acendeu contra Jacó, e ele perdeu a paciência com Israel. Estava claro que eles não acreditavam em Deus, não tinham nenhuma intenção de confiar na sua ajuda. Mas Deus os ajudou assim mesmo: comandou as nuvens e deu ordens que se abrissem os portões do céu. Ele fez chover maná como comida, deu a eles o pão do céu. Comeram o pão dos anjos poderosos — Deus lhes enviou toda a comida que conseguiram comer. Ele permitiu que o vento leste se desprendesse dos céus, deu um forte empurrão no vento sul. Dessa vez, pássaros caíram sobre eles — aves suculentas em abundância. Ele mirou o centro do acampamento, e em volta das tendas havia pássaros. Eles comeram e se fartaram. Tudo que desejaram foi dado a eles numa bandeja. Mas sua ganância não conhecia limites: de boca cheia, queriam mais. Por fim, Deus se cansou deles e deu vazão à sua ira: ele destruiu os mais brilhantes e os melhores deles, abateu os jovens mais promissores de Israel.

    32-37 E — acreditem — eles continuaram a pecar! Todas aquelas maravilhas, e eles ainda não acreditavam! Então, a vida deles, pouco a pouco, reduziu-se a nada — A vida deles, no fim, parecia uma cidade-fantasma. Mas, quando a calamidade chegou, eles vieram correndo de volta para ele e suplicaram por misericórdia. Declararam que Deus era a rocha deles, que o Deus Altíssimo era seu redentor, Mas não havia sinceridade em nenhuma de suas palavras: eles mentiram descaradamente o tempo todo. Não davam nenhuma importância para Deus nem queriam nada com sua Aliança.

    38-55 E Deus? Continuou compassivo! Perdoou os pecados deles e não os destruiu! Ele controlou sua ira, conteve sua tremenda fúria. Ele sabia do que eram feitos; sabia que eles não tinham muito a oferecer, Pela frequência com que o haviam rejeitado, testado sua paciência naqueles anos de deserto. Repetidas vezes, eles o levaram ao limite, provocaram o Santo Deus de Israel. Como puderam se esquecer tão rápido do que ele fez? Esqueceram-se do dia em que foram resgatados das mãos do inimigo, Dos milagres que ele fez no Egito, das maravilhas realizadas na planície de Zoã. De quando ele transformou o Rio e seus afluentes em sangue — nem uma gota de água servia mais para beber. De quando enviou moscas, que os comiam vivos, e rãs, que os atormentaram. De quando transformou sua colheita em lagartas, tudo que haviam produzido foi para os gafanhotos. De quando aplainou suas videiras com granizo, e uma camada letal de gelo arruinou seus pomares. De quando pisou seu gado com saraiva e permitiu que raios dizimassem seus rebanhos. De quando sua ira estava acesa, um incêndio incontrolável e destrutivo. De quando um pelotão avançado de anjos trouxe doenças para limpar o chão, preparando o caminho diante dele. De quando não poupou aquela gente e deixou que a praga os devastasse. De quando matou todos os primogênitos egípcios, crianças robustas, rebentos da virilidade de Cam. Então, conduziu seu povo como ovelhas, levou seu rebanho em segurança através do deserto. Ele tomou bastante cuidado, por isso não tinham nada a temer. O mar cuidou dos inimigos para sempre. Levou-os até o lugar sagrado, ao monte que ele reivindicou como sua propriedade. Aniquilou todos os que atravessaram o caminho deles e demarcou uma herança para eles — as tribos de Israel tinham agora um lugar próprio.

    56-64 Mas eles continuaram provando Deus. Rebelaram-se contra o Deus Altíssimo, recusavam-se a fazer o que ele mandava. Eram piores— como se isso fosse possível — que seus pais: traidores de caráter tortuoso. Suas orgias provocaram a ira de Deus, suas idolatrias obscenas feriram seu coração. Quando viu aquele comportamento, Deus ficou furioso e enviou um enorme “Não!” à Israel. Ele se retirou e deixou Siló vazia e abandonou o santuário onde havia se encontrado com Israel. Ele deixou o povo que era sua alegria entregue aos cães e virou as costas para o orgulho da sua vida. Deixou-os perdidos no campo de batalha e passou a eles a responsabilidade de sua própria subsistência. Os jovens foram para a guerra e nunca mais voltaram: as moças esperaram em vão. Os sacerdotes foram massacrados, e suas viúvas não derramaram uma lágrima.

    65-72 De repente, o Senhor se pôs de pé como alguém que desperta de um sono profundo, gritando como um guerreiro que desperta do vinho. Ele golpeou os inimigos com força, pôs todos eles para correr. Eles fugiram gritando, não ousando olhar para trás. Ele desqualificou José como líder; disse que Efraim não possuía as qualificações necessárias E escolheu a tribo de Judá para substituí-lo, o monte Sião, que ele tanto ama. Ali construiu seu santuário — resplandecente, sólido e duradouro como a própria terra. Então, escolheu Davi, seu servo: foi buscá-lo no meio das ovelhas. Num dia, ele estava cuidando das ovelhas e dos seus cordeiros; no outro, estava pastoreando Jacó, o povo de Deus, Israel, sua herança, seu patrimônio. Seu bom coração fez dele um bom pastor; com sabedoria guiou seu povo.

  • Salmos, 77

    UM SALMO DE ASAFE
    1 Grito ao meu Deus, com todas as minhas forças. E ele ouve.

    2-6 Quando eu estava com problemas, recorri ao meu Senhor. Minha vida era uma ferida aberta que não se curava. Quando os amigos diziam: “Tudo vai ficar bem”, eu não acreditava numa única palavra deles. Eu me lembrava de Deus e balançava a cabeça; torcia as mãos de ansiedade. Ficava acordado a noite toda, sem ao menos cochilar. Nem sabia dizer o que me incomodava. Recordava os meus dias, ponderava os anos passados. Dedilhava meu violão a noite toda, pensando num jeito de reorganizar a minha vida.

    7-10 Será que o Senhor nos abandonou de vez? Ele nunca sorrirá outra vez? Seria seu amor tão inconstante? Estaria revogada sua promessa de salvação? Teria Deus se esquecido de como ele age? Será que ele, enraivecido, simplesmente nos deixou? “Que situação a minha!”, eu disse. “O Deus Altíssimo fechou as portas bem na hora em que eu preciso dele!”

    11-12 Mais uma vez, relembrarei o que o Eterno fez — maravilhas antigas porei sobre a mesa. Refletirei sobre todas as coisas que criaste — uma agradável pausa para pensar nos teus atos.

    13-15 Ó Deus! Teu caminho é santo! Nenhum deus é grande como Deus! Tu és o Deus que fazes as coisas acontecerem. Mostraste a todos o que podes fazer. Tiraste teu povo da pior situação possível, resgataste os filhos de Jacó e José.

    16-19 O oceano te viu em ação, ó Deus, e tremeu de medo. O oceano profundo estava morto de medo. As nuvens expeliram baldes de chuva, o céu explodiu num trovão, em flechas reluzindo aqui e ali. Do redemoinho, veio a voz de trovão, os relâmpagos expuseram o mundo à claridade, a terra vacilou e tremeu. Andaste em linha reta pelo oceano, caminhaste através do oceano que rugia, mas ninguém te viu chegar ou sair.

    20 Escondido nas mãos de Moisés e Arão, Conduziste teu povo como um rebanho de ovelhas.

  • Salmos, 76

    UM SALMO DE ASAFE
    1-3 Deus é bem conhecido em Judá; em Israel, seu nome é familiar. Ele tem uma casa em Salém, um conjunto próprio de salas em Sião. Ali, usando flechas reluzentes, ele fez uma fogueira com as armas de guerra.

    4-6 Oh! Quão majestoso és! Excedendo em brilho as enormes pilhas de despojos! Os guerreiros foram saqueados e deixados ali, impotentes. Agora, eles não têm mais nada para mostrar como resultado de suas vaidades e ameaças. Teu rugido assustador, ó Deus de Jacó, tirou o fôlego do cavalo e do cavaleiro.

    7-10 Tu és feroz e temível: quem pode se defender de uma ira tão intensa? Do céu, trovejas teus juízos, e a terra cai de joelhos, com medo até de respirar. Deus se põe de pé e corrige o mundo, salva os desafortunados da terra. Em vez de cólera ardente, ofereçam louvor a Deus! Em vez de reação irada, confeccionem uma coroa para Deus!

    11-12 Faça ao Eterno o que você disse que faria — afinal de contas, ele é seu Deus. Que todos na cidade tragam ofertas ao Único que Vê cada movimento nosso. Ninguém passa despercebido, ninguém brinca com ele.

  • Salmos, 75

    UM SALMO DE ASAFE
    1 Somos gratos a ti, ó Deus, somos gratos! Teu Nome é nossa palavra favorita; teus poderosos feitos são nosso único assunto.

    2-4 Tu dizes: “Estou convocando uma reunião; estou pronto para corrigir as coisas. Quando a terra fica confusa e ninguém sabe no que vai dar, Eu conserto a situação, ponho cada coisa em seu lugar outra vez. Digo aos arrogantes: ‘Basta!’; e aos violentos: ‘Não tão depressa!’.”

    5-6 Não levante o punho contra o Deus Altíssimo. Não erga a voz contra a Rocha eterna. Ele é o Único de leste a oeste; do deserto às montanhas, não há outro igual.

    7-8 Deus governa: ele põe este de joelhos e levanta aquele. O Eterno tem uma taça na mão: uma taça de vinho, cheia até a borda. É sua medida: quando ele a derrama, deixando-a escorrer, Os ímpios da terra bebem tudo, até a última gota!

    9-10 Conto a história do Eterno, cantando louvores ao Deus de Jacó. Os punhos dos ímpios estão sujos de sangue, Mas os braços dos justos são galhos verdes imponentes.

  • Salmos, 74

    UM SALMO DE ASAFE
    1 Tu saíste e nos abandonaste, sem ao menos olhar para trás. Ó Deus, como pudeste? Somos tuas ovelhas: como podes nos pisar dessa maneira?

    2-3 Refresca tua memória: tu nos compraste há muito tempo! Somos tua tribo mais preciosa: pagaste um bom preço por nós! Somos teu monte Sião — na verdade, já moraste aqui uma vez! Vem e visita o lugar do desastre, vê como eles destruíram o santuário.

    4-8 Enquanto teu povo adorava, teus inimigos entraram sem pedir licença, gritando e pichando as paredes. Eles puseram fogo na entrada. Brandindo machados, despedaçaram os objetos de madeira, Derrubaram as portas a marretadas, e depois as transformaram em lenha. Eles queimaram aquele santo lugar até o chão, violaram o lugar da adoração. Diziam a si mesmos: “Vamos bani-los da terra.” E queimaram todos os lugares de adoração.

    9-17 Não há sinal ou símbolo de Deus à vista; não temos ninguém para falar em teu nome, ninguém que saiba o que está acontecendo. Até quando, ó Deus, os bárbaros blasfemarão, e os inimigos nos amaldiçoarão e sairão ilesos? Por que não fazes alguma coisa? Até quando ficarás sentado aí, como se estivesses de mãos atadas? Deus é meu Rei desde o começo. Ele efetua a salvação no útero da terra. Com um sopro, dividiste o mar em dois, fizeste picadinho dos monstros do mar. Cortaste as cabeças de Leviatã; depois as serviste cozidas para os animais. Com teu dedo, abriste fontes e riachos e secaste as enchentes implacáveis. Tu és o dono do dia e o dono da noite: pões as estrelas e o Sol em seus lugares. Projetaste os quatro cantos da terra e criaste as estações do verão e do inverno.

    18-21 Anota, ó Eterno, todos os insultos dos inimigos e cada profanação! Não atires teus cordeiros aos lobos! Depois de tudo que sofremos, não te esqueças de nós! Lembra-te das tuas promessas: a cidade está na escuridão, o campo se tornou violento. Não deixes que as vítimas apodreçam na rua: faz delas um coro que cante louvores a ti.

    22-23 Põe-te de pé, ó Deus, e te defende! Estás ouvindo o que dizem a teu respeito, todas essas obscenidades? Não ignores a depravação deles, os atos ultrajantes, que nunca cessam.

  • Salmos, 73

    UM SALMO DE ASAFE
    1-5 Sem dúvida, Deus é bom — bom para os bons, bom para os de bom coração. Mas quase o deixei escapar: quase deixei de ver sua bondade. Porque eu estava olhando para o outro lado, observando as pessoas Que alcançaram o topo, invejando os ímpios que tinham sucesso, Que não têm com que se preocupar e nenhum problema para resolver.

    6-10 Pretensiosos e arrogantes, vestem-se com os insultos da última moda. Mimados e fartos, enfeitam-se com as tiaras da tolice. Eles zombam, usando palavras que ferem, utilizando-as também para intimidar. Estão cheios de vazio, perturbando a paz com tagarelice. E o povo os escuta, você acredita?! Como cachorrinhos sedentos, lambem cada palavra deles.

    11-14 O que está acontecendo? Deus saiu para o almoço? Volta logo? Os ímpios estão com tudo: alcançam o sucesso e ajuntam riquezas. Perdi tempo jogando conforme as regras: o que ganhei com isso? Um vendaval de má sorte, foi isso — um tapa na cara toda vez que eu saía pela porta.

    15-20 Se eu tivesse contado as mesmas mentiras, teria traído teus filhos queridos. Quando tentei compreender, tudo que consegui foi uma dor de cabeça. Até que entrei no santuário de Deus e, então, compreendi o destino deles: A estrada escorregadia em que os puseste, que termina com a colisão contra o muro das desilusões. Num piscar de olhos, o desastre! Uma curva cega na escuridão, e será o pesadelo! Acordamos, esfregamos os olhos, e… nada. Não há nada para eles. Nunca houve.

    21-25 Eu estava sufocado e triste, consumido pela inveja, Mas fui um completo ignorante, um sonso diante de ti. Ainda estou em tua presença, mas agora pegaste minha mão. Sábia e amavelmente me conduzes, e me abençoas.

    25-28 Tu és tudo que desejo no céu e tudo que desejo na terra! Minha pele perde a firmeza, e meus ossos ficam fracos, mas o Eterno é firme como rocha e é fiel. Vejam: os que o abandonaram estão em declínio! Os desertores não terão outra chance. Mas, para mim, estar na presença de Deus é inigualável! Fiz do Eterno, o Senhor, a minha casa. Ó Deus, contarei ao mundo o que fazes!

  • Salmos, 72

    UM SALMO DE SALOMÃO
    1-8 Concede o dom do governo sábio ao rei, ó Deus, o dom do governo justo ao príncipe coroado. Que ele julgue teu povo retamente e seja respeitável aos humildes e simples! Que as montanhas deem exuberantes testemunhos, que as colinas tenham os contornos de um viver reto! Por favor, defende o pobre, ajuda os filhos do necessitado e pune duramente os tiranos. Dure mais o Sol e se prolongue a Lua, geração após geração. Caia a chuva sobre a grama cortada, uma chuva que refresca a terra. Irrompa a retidão em flor, e a paz transborde até que a Lua seja ofuscada. Governe ele de mar a mar, do rio até a margem.

    9-14 Os inimigos cairão de joelhos diante de Deus, os seus inimigos serão derrotados. Os reis de terras distantes e lendárias prestarão homenagem a ele, os reis poderosos e ricos transferirão suas riquezas. Todos os reis cairão e o adorarão, e as nações pagãs concordarão em servi-lo, Porque ele resgata o pobre ao primeiro sinal de necessidade e salva o que está sem sorte. Ele tem um lugar no coração para os desprovidos e restaura o desgraçado da terra. Ele os liberta da tirania e da tortura: quando eles sangram, ele sangra; quando eles morrem, ele morre.

    15-17 Vida longa ao rei! Enfeitem-no com o ouro de Sabá. Ofereçam a ele orações sem cessar, engrandeçam o seu nome desde a manhã até a noite. Haja campos de grãos dourados na terra, encapelando as montanhas com exuberância selvagem, Haja profusão de louvores brotando da cidade como grama da terra. Que ele nunca seja esquecido! Que sua fama brilhe como a luz do Sol. Que todas as nações pagãs sejam abençoadas e falem bem daquele que os abençoou.

    18-20 Bendito seja o Eterno, o Deus de Israel, o único e incomparável Deus que faz maravilhas! Bendita seja para sempre sua glória fulgurante! Toda a terra transborda da sua glória. Amém, amém e amém.

  • Salmos, 71

    1-3 Corri para o Eterno enquanto ainda estava vivo, nunca me arrependerei disso. Faz o que sabes fazer melhor: tira-me desta confusão e me ergue novamente! Ouve meu pedido de socorro e me leva para um lugar seguro! Sê para mim um quarto de hóspedes, onde eu possa me recolher. Afinal, disseste que as portas estariam sempre abertas! Tu és minha salvação, minha fortaleza!

    4-7 Meu Deus, liberta-me das garras dos ímpios, das presas dos homens violentos! Tu me fazes continuar quando os tempos são espinhosos: és meu fundamento, ó Eterno, desde a minha infância. Tenho dependido de ti desde o dia do meu nascimento, desde o dia em que me tiraste do berço. Nunca ficarei sem motivo para louvar. Muitos ficam surpresos quando me veem, mas só tu sabes quem eu sou de verdade!

    8-11 Assim como cada dia transborda com sua beleza, minha boca transborda de louvor. Mas não me ponhas para pastar quando eu for velho nem me ponhas no asilo quando eu não conseguir ficar de pé! Meus inimigos falam pelas minhas costas, aguardando a oportunidade de me esfaquear. “Deus o abandonou”, é a maledicência de seus lábios, “Ataquem-no agora, porque ninguém o ajudará!”

    12-16 Deus, não fiques assistindo da arquibancada! Vem logo ficar do meu lado! Faz que meus acusadores sejam humilhados. Faz de tolos os que querem me pegar Enquanto eu me estico todo e estendo as mãos para ti, diariamente para te louvar. Sobre tua justiça escreverei um livro, falarei da tua salvação o dia inteiro — nunca se esgotarão as coisas boas para eu mencionar. Eu venho no poder do Eterno, o Senhor, sinalizar o caminho certo.

    17-24 Tu me encontraste quando eu ainda era jovem, ó Deus, e me ensinaste tudo que eu sei. Agora, conto ao mundo tuas maravilhas: farei isso até estar velho e grisalho. Não me abandones, ó Deus, até que eu esgote as notícias Do teu forte braço direito a este mundo, até que eu anuncie o teu poder às futuras gerações, Teus famosos e justos caminhos, ó Deus. Deus, tu fizeste tudo isso! Quem é como tu? Tu, que me fizeste encarar os problemas, também me transformaste. Agora, deixa-me olhar a vida de frente. Cheguei ao fundo: Traz-me para cima, transbordando de honras! Olha para mim! Sê amável comigo, E pegarei o violão para agradecer a ti, de acordo com a tua fidelidade, ó Deus. A ti tocarei música na harpa, Ó Santo de Israel. Quando me abro em canção para ti com todas as minhas forças, minha vida resgatada se faz canção. Durante todo o dia, canto os teus atos poderosos e justos caminhos, Pois os que tentaram me matar fogem envergonhados.