Categoria: Novo Testamento

  • Romanos, 4

    CONFIANÇA E FÉ EM DEUS

    1-3Pois bem, como encaixar o que sabemos a respeito de Abraão, nosso primeiro pai na fé, nessa nova maneira de enxergar as coisas? Se Abraão tivesse sido aprovado por Deus pelo que fez, ele poderia ter recebido crédito. Mas o que temos é a história de Deus, não a de Abraão. Assim, lemos nas Escrituras: “Abraão participou do que Deus fez por ele, e isso foi decisivo. Ele acreditou que Deus podia torná-lo justo, em vez de apelar para a própria justiça”.

    4-5Se você dá duro e faz um bom trabalho, merece o pagamento. Ninguém pode dizer que seu pagamento é um presente. Mas, se você percebe que a tarefa está muito além da sua capacidade, algo que só Deus pode fazer, e confia que ele o fará (volto a dizer: algo que você jamais conseguirá fazer, não importa como e quanto trabalhe), essa confiança em Deus é o que o deixa numa situação aceitável diante dele, por causa de Deus. Pura graça.

    6-9Davi confirma esse modo de ver as coisas ao afirmar que quem deixa Deus consertar a situação, sem insistir em querer fazer algo no processo, é um homem feliz: Feliz é aquele cujos crimes são perdoados, cujos registros dos pecados são apagados. Feliz é a pessoa contra quem o Senhor não tem nada a apresentar. Vocês pensam que essa bênção é dada apenas para aqueles que guardam nossas tradições religiosas e são circuncidados? Acham que a bênção pode ser dada a alguém que nunca ouviu falar das nossas tradições, que não foi criado em nossa forma de devoção para com Deus? Todos nós concordamos em que foi por aceitar o que Deus fez por Abraão que ele foi declarado justo diante de Deus, não é?

    10-11Agora pensem: essa declaração foi feita antes ou depois que ele fosse marcado pelo rito pactuai da circuncisão? Sabemos que foi antes! Isso significa que ele se submeteu à circuncisão como evidência e confirmação do que Deus havia feito muito antes de torná-lo plenamente aceitável, um ato de Deus que ele aceitou de todo o coração.

    12Isso ainda significa que Abraão é pai de todos os povos que aceitam O que Deus faz por eles enquanto ainda estão na condição dos “de fora” em relação a Deus, não identificados como propriedade de Deus, isto é, como “incircuncisos”. Justamente os que se encontram nessa condição é que são chamados “justificados por Deus e com Deus”! Abraão, claro, também é o pai dos que se submeteram ao rito da circuncisão não apenas por causa do rito, mas porque desejavam abraçar pela fé o que Deus fez por eles, seguindo o exemplo de vida que Abraão viveu antes de ser marcado pela circuncisão.

    13-15A famosa promessa de Deus a Abraão — que ele e seus descendentes possuiriam a terra — não foi feita em razão de algo que Abraão tenha feito ou viria a fazer. Foi baseada na decisão de Deus de acertar tudo para com ele, e foi disso que Abraão participou quando creu. Se alguém receber esse presente de Deus apenas por ter seguido certas ordens ou por ter cumprido formalidades, essa confiança não faz sentido, e a promessa vira um contrato frio! Seria um acordo comercial, não uma promessa santa. Um contrato cheio de pormenores, elaborado por um advogado detalhista, pode resultar em obrigações que você jamais seria capaz de cumprir. Mas, se não há contrato, apenas uma promessa — e uma promessa de Deus —, você não pode quebrá-la.

    16É por isso que o cumprimento da promessa de Deus depende inteiramente da confiança que depositamos nele e em seus caminhos e de que o aceitemos e a tudo que ele faz. A promessa de Deus chega como um presente. É o único modo de garantir a participação nela, tanto os que guardam as tradições religiosas quanto os que nunca ouviram falar delas. Porque Abraão é o pai de todos nós. Ele não é nosso pai racial — isso seria ler a história de trás para a frente. Ele é nosso pai na fé.

    17-18Chamamos Abraão de pai não porque Deus lhe tenha dado atenção por ter vivido como santo, mas porque Deus agiu em Abraão quando ele não era ninguém. Não é o que lemos nas Escrituras, que Deus diz a Abraão: “Farei de você pai de muitos povos”? Abraão foi primeiro chamado de pai e depois se tornou pai porque ousou acreditar que Deus faria o que somente Deus poderia fazer: levantar os mortos para a vida e com uma palavra trazer algo à existência, a partir do nada. Não havia esperança, mas Abraão creu, decidido a viver não com base no que sabia que era incapaz de fazer, mas no que Deus disse que ele faria. Assim, foi feito pai de uma multidão de povos. O próprio Deus declarou: “Você terá uma grande família, Abraão!”.

    19-25Abraão não ficou pensando em sua incapacidade, dizendo: “Sem chance. Este corpo de cem anos nunca vai gerar um filho”. Ignorou décadas de infertilidade de Sara e foi persistente. Não foi reticente sobre a promessa de Deus, com questionamentos. Em vez disso, mergulhou na promessa e se fortaleceu. Ficou à disposição de Deus, certo de que ele cumpriria o que tinha dito. É por isso que se diz: “Abraão foi declarado justo diante de Deus ao confiar que Deus o justificaria”. Mas não é só Abraão: o mesmo acontece conosco! O mesmo é dito a respeito de nós, que aceitamos e cremos naquele que trouxe Jesus à vida quando, de igual modo, não havia mais esperança. O Jesus, que foi sacrificado, fez-nos aceitáveis diante de Deus, tornou-nosjustos perante Deus.


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  • Romanos, 3

    1-2Mas, se é assim, que diferença faz ser judeu ou não, ser ensinado nos caminhos de Deus ou não? Na verdade, faz muita diferença, mas não como muitos pensam.

    2-6Para começar, lembrem-se de que os judeus foram incumbidos de escrever e transmitir a revelação de Deus, as Escrituras Sagradas. E como fica a situação dos judeus que abandonaram sua posição? Deus não os abandonou. Você pensa que sua falta de fé cancela a fidelidade de Deus? De jeito nenhum! Contem com isto: Deus mantém sua palavra, ainda que o mundo inteiro minta descaradamente. As Escrituras dizem o mesmo: Suas palavras permanecem fiéis e verdadeiras, A rejeição não intimidará Deus. Mas, se nossa maneira errada de agir apenas realça e confirma o caráter fiel de Deus, não deveríamos ser elogiados por isso? Se nossas palavras nem sequer deixam marca em suas boas palavras, Deus não cometeria um erro em nos pôr contra a parede e nos condenar pelo que dissemos? É uma pergunta natural, mas a resposta é não, um “não” bem enfático! Como as coisas seriam corrigidas, se Deus não agisse para corrigi-las?

    7-8É maldade afirmar: “Se minhas mentiras servem para mostrar a verdade de Deus de maneira mais gloriosa, como posso ser condenado? Estou fazendo um favor para Deus!” Alguns, na verdade, tentam pôr essas palavras em nossa boca, alegando que saímos por aí anunciando: “Quanto mais mal fazemos, mais bem Deus faz. Então, continuemos assim!” É pura calúnia, e estou certo de que vocês concordam conosco.

    TODOS NO MESMO BARCO FURADO

    9-20Se é assim, aonde isso nos levará? Será que nós, judeus, estamos em situação melhor que os outros? Na verdade, não. Basicamente, todos nós, judeus e não judeus, começamos em condições idênticas. Todos nós começamos como pecadores. As Escrituras não deixam dúvida sobre isso: Não há ninguém vivendo como deve, nem um sequer; ninguém entende, ninguém presta atenção em Deus. Todos eles erraram o caminho; todos estão vagueando sem rumo. Ninguém está vivendo da maneira correta, e não creio que há quem o consiga. A garganta deles é um túmulo aberto, e a língua, escorregadia para enganar. Cada palavra que pronunciam está impregnada de veneno. Eles abrem a boca e empesteiam o ar. São eternos concorrentes ao prêmio de “pecador do ano” e emporcalham a terra com sofrimento e ruína. Não fazem a menor ideia do que seja viver em comunidade. Eles passam por Deus e o ignoram. Está claro que esse texto não representa o que Deus diz a respeito dos outros, mas o que diz sobre nós, a quem as Escrituras foram primeiramente endereçadas! Está claro também que somos todos pecadores, cada um de nós. Estamos no mesmo barco furado, com todos os outros! Nosso envolvimento com a revelação de Deus não nos deixa de bem com ele. Isso só faz realçar nossa cumplicidade com o pecado de todos os outros.

    DEUS CONSERTOU A SITUAÇÃO

    21-24Mas agora há algo novo no horizonte: aconteceu o que Moisés e os profetas anunciaram por tanto tempo! Deus resolveu agir para acertar as coisas sobre as quais lemos nas Escrituras por meio do que Jesus fez por nós. E não apenas por nós, mas por todos os que creem nele, pois nisso não há diferença entre nós e eles. Uma vez que nós e eles reunimos esse longo e lamentável registro como pecadores e provamos que somos incapazes de viver a vida gloriosa que Deus deseja para o ser humano, Deus resolveu fazer isso por nós. Por pura graça generosa, ele decidiu acertar nossa situação com ele. Um presente do céu! Ele nos retirou da confusão em que estávamos e nos restaurou, para fazer de nós o que ele sempre quis que fôssemos. E ele o fez por meio de Jesus Cristo.

    25-26Deus sacrificou Jesus no altar do mundo para purificar o mundo do pecado. A fé nele nos deixa limpos. Deus decidiu, sob o olhar de todos, deixar o mundo numa situação aceitável diante dele por meio do sacrifício de Jesus, finalmente cuidando dos pecados que ele havia suportado com tanta paciência. Isso não só está claro, mas acontece agora — é história atual! Deus consertou a situação e também agora permite que vivamos em sua justiça.

    27-28Portanto, como fica o orgulho judeu com seus supostos direitos? Anulado? Sim, anulado. O que aprendemos é o seguinte: Deus não reage ao que nós fazemos: nós é que reagimos ao queDeus faz. Finalmente, conseguimos entender. Nossa vida se acerta com Deus e com os demais quando o deixamos acertar a situação, não quando tentamos fazer tudo sozinhos, com orgulho e ansiedade.

    29-30E como fica a orgulhosa alegação judaica de termos o monopólio de Deus? Anulada também. Deus é o Deus do judeu e de quem não é judeu. Como poderia ser diferente, se há apenas um Deus? Deus resolve a situação de todos que aceitam o que ele fez e disso participam, tanto os que seguem nosso sistema religioso quanto os que nunca ouviram falar da nossa religião.

    31Mas, ao mudar nosso foco do que nós fazemos para o que Deus faz, não anulamos a rigorosa guarda das regras e leis que Deus estabeleceu? De modo algum! Quando adotamos o estilo de vida condizente com essa reconciliação, nós as confirmamos.


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  • Romanos, 2

    DEUS É BOM, MAS NÃO É BOBO

    1-2A humanidade caiu num abismo cada vez mais fundo. Mas, se você pensa que está em nível mais elevado de onde pode apontar o dedo para os outros, esqueça. Cada vez que você critica alguém está se condenando. Você é tão errado quanto quem você critica. Criticar os outros é uma forma bem conhecida de ignorar os próprios crimes e erros. Mas Deus não é enganado tão facilmente; Ele vê através da cortina de fumaça e o responsabiliza pelo que você faz.

    3-4Ou você acha que conseguiria distrair a atenção de Deus dos seus erros apontando o dedo para os erros dos outros? Ou que, por ser um Deus tão bondoso, ele o deixaria livre de obrigações? É melhor pensar direito, desde o princípio. Deus é bom, mas não é bobo. Por sua bondade, ele nos toma pela mão e nos conduz a uma mudança radical de vida.

    5-8Não há como escapar. Rejeitar Deus ou fugir dele é como jogar lenha na fogueira. Um dia, o fogo intenso e alto, o julgamento justo e ardente de Deus, irá queimar tudo. Não se engane: porque no fim todos terão o que merecem — vida de verdade para quem age do lado de Deus e fogo para quem insiste em viver como bem entende, pela lei do menor esforço!

    9-11Se você age contra sua natureza, irá se destruir, não importa a sua origem, a sua criação ou a sua formação. Mas, se você aceitar o jeito de Deus fazer as coisas, a recompensa será maravilhosa — nesse caso também não importa a origem ou a formação. Ser judeu não é garantia automática de aprovação. Deus não se orienta pelo que os outros dizem (ou pelo que você pensa) de você. Ele tem seus critérios.

    12-13Se você peca sem saber, Deus leva isso em consideração. Mas, se você peca de modo consciente, a história é outra. O mero ato de ouvir a lei de Deus é perda de tempo se você não faz o que ele manda. Praticar, não apenas ouvir, é que faz diferença para Deus.

    14-16Se um pagão, que desconhece a lei de Deus, consegue segui-la mais ou menos por instinto, ele confirma a verdade dela pela obediência. Comprova assim que a lei de Deus não é um elemento estranho, imposto de fora para dentro, mas algo que faz parte da própria constituição humana. Existe algo no interior do ser humano que ecoa o “sim” e o “não” de Deus, o certo e o errado. A resposta deles ao “sim” e ao “não” de Deus será de conhecimento público no dia em que Deus tomar a decisão final a respeito de cada homem e mulher. A Mensagem que proclamo por meio de Jesus Cristo leva em consideração todas essas diferenças.

    A RELIGIÃO NÃO PODE SALVAR

    17-24Se você foi educado como judeu, não pense que pode descansar em sua religião, orgulhoso de estar por dentro da revelação de Deus, de experimentar as melhores bênçãos de Deus, de estar atualizado com as doutrinas! Tenho um recado especial para você que está seguro disso, que conhece a Palavra revelada de Deus e se sente em condições de levar a Deus outros que estão em labirintos escuros e emoções confusas. Você está guiando os outros, mas quem está guiando você? Falo sério. Enquanto você prega: “Não roube”, você rouba? Afinal, quem iria suspeitar de você? A mesma coisa vale para o adultério e para a idolatria. Você consegue se safar de qualquer situação com discursos eloquentes sobre Deus e sua lei. As Escrituras dizem: “É por causa de vocês, judeus, que os pagãos são hostis a Deus”. O texto denuncia um problema antigo, que não irá se resolver.

    25-29A circuncisão, o ritual no corpo que marca você como judeu, só terá importância se sua vida estiver de acordo com a lei de Deus. Se não estiver, é pior que não ser circuncidado. O oposto também é verdadeiro: quem não é circuncidado e vive nos caminhos de Deus é tão bom quanto o circuncidado, e até melhor. É melhor guardar a lei de Deus sem ser circuncidado que quebrá-la sendo circuncidado. Entenda isto: não é o corte feito por uma faca que o torna judeu. Você se torna judeu pelo que você é. A marca de Deus no coração, não a da faca na pele, é que faz de você um judeu. E a identificação vem de Deus, não de críticos legalistas.


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  • Romanos, 1

    1Eu, Paulo, sou um fiel escravo de Jesus Cristo, escolhido como apóstolo autorizado para proclamar o que Deus tem falado e feito. Escrevo esta carta a todos os cristãos de Roma, amigos de Deus.

    2-7Os escritos sagrados trazem anúncios antigos dos profetas a respeito do Filho de Deus, que mostra suas raízes na história por ser descendente do rei Davi; sua identidade única de Filho de Deus foi demonstrada pelo Espírito quando Jesus foi ressuscitado dos mortos e comprovado como Messias, nosso Senhor. Por meio dele, recebemos a graça generosa de sua vida e a urgente tarefa de transmiti-la a outros para que a recebam quando decidirem pela confiança obediente em Jesus. Vocês são quem são por causa dessa graça e do chamado de Jesus Cristo! E eu os saúdo agora pela graça generosa de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus, o Messias.

    8-12Dou graças a Deus, por meio de Jesus, por todos vocês. Faço isso em primeiro lugar porque em toda parte recebo notícias da vida de fé que vocês têm, e toda vez que as ouço dou graças a Deus. E Deus, a quem dedico adoração e serviço, divulgando as boas notícias a respeito de seu Filho — a Mensagem! —, sabe que, quando penso em vocês em minhas orações, e isso acontece o tempo todo, expresso o desejo de que ele prepare o caminho para que eu possa visitá-los. Quanto maior a demora, mais eu sofro. Quero muito estar aí para compartilhar o dom de Deus pessoalmente e vê-los crescer fortes diante dos meus olhos! Mas não pensem que farei isso sem querer nada em troca! Vocês têm tanto para me dar quanto eu a vocês.

    13-15Por favor, amigos, não entendam mal minha dificuldade de visitá-los. Vocês não têm ideia de quantas vezes fiz planos de ir a Roma. Estou determinado a desfrutar pessoalmente a obra de Deus entre vocês, assim como em tantas outras cidades e comunidades não judaicas. Mas sempre alguma coisa atrapalha meus planos. De fato, todos, gente educada ou ignorante, sofisticada ou simples, mostram-me como dependo de todos e sou devedor a todos. Por isso, não vejo a hora de encontrar vocês em Roma e pregar as maravilhosas notícias a respeito de Deus.

    16-17São notícias que tenho orgulho de proclamar, essa extraordinária Mensagem, que revela o magnífico plano de Deus de resgatar todos que confiam nele, começando pelos judeus, mas abrindo a porta para todos os outros povos! O modo de Deus tornar justo o ser humano se manifesta em atos de fé, confirmando o que as Escrituras dizem: “Aquele que vive de modo justo diante de Deus, confiando nele, vive de verdade”.

    IGNORAR DEUS É CAIR NUM ABISMO CADA VEZ MAIS FUNDO

    18-23Mas o furor divino é despertado pela falta de confiança do ser humano em Deus, pelos erros repetidos, pela mentiras acumuladas e pela manipulação da verdade. Mas a verdade essencial sobre Deus é muito clara. Abram os olhos e poderão vê-la! Se analisarem com cuidado o que Deus criou, serão capazes de ver o que os olhos deles não enxergam: o poder eterno, por exemplo, e o mistério do ser divino. Portanto, ninguém tem desculpa. Vejam o que aconteceu: a humanidade conhecia Deus perfeitamente, mas deixou de tratá-lo como Deus, recusando-se a adorá-lo, e foi reduzida a um tão terrível estado de insensatez e confusão que a vida humana perdeu o sentido. Eles fingem saber tudo, mas são ignorantes sobre a vida. Trocaram a glória de Deus, que sustenta o mundo, por imagens baratas vendidas na feira.

    24-25Então Deus se pronunciou: “Se é isso que vocês querem, é o que terão”. Não demorou muito para que fossem viver num chiqueiro, enlameados, sujos por dentro e por fora. Tudo porque trocaram o Deus verdadeiro por um deus falso e passaram a adorar o deus que fizeram no. lugar do Deus que os fez — o Deus a quem bendizemos e que nos abençoa. Loucura total!

    26-27Então aconteceu o pior. Como se recusaram conhecer Deus, logo perderam a noção do que significa ser humano: mulheres não sabiam mais ser mulheres, homens não sabiam mais ser homens. Sexualmente confusos, abusaram um do outro e se degradaram, mulheres com mulheres, homens com homens — pura libertinagem, pois de modo algum isso pode ser amor. Mas eles pagaram caro por isso, e como pagaram: são vazios de Deus e do amor divino, perversos infelizes e sem amor humano.

    28-32Uma vez que eles não se importaram em reconhecer Deus, Deus desistiu deles e os deixou por conta própria. A vida deles agora é uma confusão só, um mal que desce ladeira abaixo. Eles tomam à força o que é alheio, são ambiciosos e caluniadores. Cheios de inveja, violência, brigas e trapaças, fizeram da vida um inferno. Olhem para eles: são maliciosos, venenosos, críticos ferozes de Deus, brigões, arrogantes, gente vazia e insuportável! Mestres em criar meios de destruir vidas e revoltados contra os pais. Não passam de seres tolos, asquerosos, cruéis e intransigentes. Até parece que eles não sabem o que fazem, mas têm plena consciência de que estão cuspindo no rosto de Deus — e não se importam! Pior ainda, premiam quem faz as piores coisas com eficiência.


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  • Atos, 28

    1-2Foi feita a contagem, constatou-se que todos se salvaram, e descobrimos que estávamos na ilha de Malta. Os habitantes dali nos trataram muito bem. O dia estava chuvoso e frio, e estávamos molhados até os ossos, mas eles fizeram uma grande fogueira e nos reunimos ao redor.

    3-6Paulo prontificou-se a ajudar o grupo. Apanhou um punhado de gravetos, mas, quando o jogou ao fogo, uma cobra venenosa, fugindo do calor, mordeu a mão de Paulo. Vendo a cobra presa à mão de Paulo, concluíram que ele era um assassino que estava recebendo sua justa punição. Mas Paulo sacudiu a cobra no fogo, e nada lhe aconteceu. As pessoas pensaram que ele iria cair morto a qualquer momento, mas, como isso não aconteceu, concluíram que ele era um deus!

    7-9O líder daquela parte da ilha era Públio. Ele nos hospedou em sua casa e nos trouxe roupas secas. Recebemos o melhor tratamento possível nos três dias seguintes. O pai de Públio estava doente, acamado, com febre alta e disenteria. Paulo foi ao quarto do ancião, impôs as mãos sobre ele e orou, e o homem foi curado. A notícia da cura espalhou-se rapidamente, e logo todos os doentes da ilha vieram até ali e foram curados.

    ROMA

    10-11Passamos três meses maravilhosos em Malta. Eles nos trataram como reis, cuidaram de todas as nossas necessidades e providenciaram o que foi preciso para o restante da viagem. Um navio egípcio, que tinha invernado no porto, estava partindo para a Itália, e embarcamos nele. O navio tinha esculpido na proa uma figura de deuses gêmeos.

    12-14Ficamos três dias em Siracusa e depois rumamos para a costa de Régio. Dois dias depois, com o vento sul, navegamos até a bala de Nápoles. Encontramos alguns cristãos ali e ficamos com eles uma semana.

    14-16Chegamos a Roma. Nossos amigos ouviram que estávamos a caminho e vieram nos encontrar. Um grupo chegou de longe, da praça de Ápio; outro grupo nos encontrou nas Três Vendas. Houve muita emoção, como se poderia esperar. Transbordante de louvor, Paulo nos liderou nas orações de gratidão. Quando finalmente entramos em Roma, eles permitiram que Paulo vivesse por conta própria, sob a vigilância de um soldado.

    17-20Três dias depois, Paulo convocou os líderes judeus para uma reunião em sua casa e disse: “Os judeus de Jerusalém me prenderam sob falsas alegações, e fui trazido sob custódia para Roma. Garanto a vocês que não fiz absolutamente nada contra as leis ou contra os costumes judaicos. Depois que os romanos investigaram as acusações e descobriram que não tinham nada a fazer, quiseram me libertar, mas os judeus criaram tantos problemas que fui obrigado a apelar para César. Não quis acusá-los de nenhum erro nem deixar nosso povo em má situação com Roma. Já tivemos problemas demais. Fiz isso por Israel. Pedi que vocês viessem e me ouvissem hoje para deixar claro que estou a favor de Israel, não contra. Estou hospedado aqui por causa da esperança, não por juízo”.

    21-22Eles disseram: “Ninguém nos escreveu para advertir a seu respeito e ninguém se manifestou para dizer algo contra você. Mas gostaríamos muito de ouvi-lo mais. A única coisa que sabemos dessa seita cristã é que parece que ninguém tem algo de bom para dizer a respeito”.

    23Eles combinaram uma data. Quando o dia chegou, voltaram à casa de Paulo, com muitos amigos. Paulo falou o dia inteiro, da manhã até a noite, explicando tudo que está envolvido no Reino de Deus e tentando convencer todos sobre Jesus, com base no que Moisés e os profetas escreveram a respeito dele.

    24-27Alguns foram convencidos, mas outros não acreditaram numa única palavra. Os descrentes começaram a discutir com os outros e estavam querendo confusão, por isso Paulo interrompeu: “Tenho apenas mais uma coisa a dizer a vocês. O Espírito Santo seguramente sabia o que estava falando quando se dirigiu aos nossos antepassados por meio de Isaías, o profeta: Vá a este povo e diga-lhes o seguinte: “Vocês escutarão com os ouvidos, mas não ouvirão uma palavra; Vocês enxergarão com os olhos, mas nada verão. Esse povo é cabeça-dura! Eles tapam os ouvidos com os dedos para não ter de escutar. Eles fecham os olhos para não serem obrigados a ver, e, assim, evitam ficar comigo face a face e me deixar curá-los”.

    28Vocês tiveram sua oportunidade. Os outros povos terão a sua chance. E, acreditem, eles vão receber meu ensino de braços abertos!

    30-31Paulo viveu dois anos na casa que alugou. Ele recebia todos os que iam visitá-lo. Falava sem descanso sobre o Reino de Deus e explicava tudo a respeito de Jesus Cristo. A porta de sua casa estava sempre aberta.


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  • Atos, 27

    TEMPESTADE NO MAR

    1-2Assim que os preparativos para nossa viagem à Itália ficaram prontos, Paulo e outros prisioneiros ficaram sob supervisão de um centurião chamado Júlio, membro de uma tropa de elite. Embarcamos num navio de Adramítio que ia para Éfeso e para os portos do Ocidente. Aristarco, macedônio de Tessalônica, foi conosco.

    3No dia seguinte, fizemos uma escala em Sidom. Júlio tratou Paulo muito bem. Permitiu que ele desembarcasse e desfrutasse a hospitalidade dos amigos daquela cidade.

    4-8De volta ao mar, navegamos para o norte, sob a proteção da costa nordeste de Chipre, porque os ventos do oeste nos eram contrários, e, então, fomos ao longo da costa ocidental até o porto de Mirra. Ali, o centurião encontrou um navio egípcio que ia para a Itália e nos transferiu. Enfrentamos mau tempo e descobrimos ser impossível manter o curso. Depois de muita dificuldade, finalmente chegamos à costa sul da ilha de Creta e atracamos em Bons Portos (que nome!)

    9-10A essa altura, havíamos perdido bastante tempo. Já era começo do outono, e dali em diante o clima seria tempestuoso, perigoso demais para a navegação. Paulo advertiu: “A única coisa que consigo ver adiante é um desastre, para a carga e para o navio, sem falar em nós mesmos, se navegarmos agora”.

    12-11Mas aquele não era o melhor porto para passar o inverno. Fênix, poucas milhas adiante, era mais apropriado. O centurião não deu atenção ao conselho de Paulo e permitiu que o capitão do navio e o proprietário da carga o convencessem a tentar chegar ao porto seguinte.

    13-15Com a chegada de um vento suave do sul, eles levantaram âncora, pensando que teriam uma navegação tranquila. Mas, tão logo se lançaram ao mar, começou a soprar um vento forte, o perigoso vento nordeste. O navio ficou sem controle, como uma folha na tempestade.

    16-17Passamos rente a uma pequena ilha chamada Clauda. Conseguimos preparar um bote salva-vidas e puxar as velas. Mas os bancos de areia nos impediram de chegar mais perto. Só conseguimos evitá-los porque arriamos as âncoras.

    18-20No dia seguinte, mais uma vez em alto mar e castigados pela tempestade, lançamos a carga ao mar. No terceiro dia, os marinheiros aliviaram ainda mais o navio. Dessa vez, livraram-se das provisões e dos equipamentos. Ficamos muitos dias sem ver o Sol e as estrelas. O vento e as ondas batiam no navio sem piedade, e perdemos a esperança de resgate.

    21-22Nosso apetite por comida e pela vida se foram, então Paulo foi para o meio do grupo e disse: “Amigos, vocês deveriam ter me ouvido lá em Creta. Poderíamos ter evitado esta provação. Mas não há como desistir agora. De agora em diante, as coisas vão melhorar! Garanto que nenhum de nós vai se perder, ainda que não possa dizer o mesmo do navio — ele está condenado.

    23-26Na noite passada, um anjo de Deus apareceu a mim, um anjo do Deus a quem sirvo, e me disse: ‘Não desista, Paulo! Você ainda vai estar na presença de César, e todos os que viajam com você também vão se salvar’. Portanto, prezados amigos, coragem! Creio que Deus fará exatamente o que me prometeu. Mas vamos naufragar perto de alguma ilha”. 27-29 Na décima quarta noite, à deriva em algum lugar no mar Adriático, por volta da meia-noite os marinheiros perceberam que estávamos nos aproximando da terra. Sondaram o fundo do mar, e estávamos a uma profundidade de 36 metros; pouco depois, de

    27metros. Temendo a colisão com alguma rocha, lançaram as quatro âncoras e oraram pelo raiar do dia.

    30-32Alguns marinheiros tentaram fugir do navio. Arriaram o bote salva-vidas, fingindo que iam lançar as âncoras da proa. Paulo percebeu a manobra e disse ao centurião e aos seus soldados: “Se esses marinheiros não ficarem no navio, todos nós vamos naufragar”. Então, os soldados cortaram as cordas do bote salva-vidas e o deixaram cair no mar.

    33-34Perto do amanhecer, Paulo reuniu tripulação e passageiros e propôs um desjejum: “Este é o décimo quarto dia que estamos sem comida. Nenhum de nós comeu nada. Mas insisto em que comam alguma coisa agora. Vocês vão precisar de força para o resgate que está adiante de nós. Garanto que vocês sairão desta sem um arranhão!”.

    35-38Ele partiu o pão, deu graças a Deus e o distribuiu, e todos comeram animados — 276 pessoas! Depois da refeição, estando todos satisfeitos, o navio foi aliviado de seu peso mais uma vez, agora da carga de grãos.

    39-41Ao raiar do dia, ninguém reconheceu o lugar, mas estavam numa baía com uma bela praia. Decididos a levar o navio para a praia, cortaram as âncoras, soltaram o leme e seguiram o vento. Mas não deu certo. Ainda longe, batemos num recife, e o navio começou a se partir.

    42-44Os soldados decidiram matar os prisioneiros, para que ninguém pudesse escapar a nado, mas o centurião, determinado a salvar Paulo, os impediu. Ordenou que todos os que sabiam nadar pulassem no mar; os que não sabiam deveriam se agarrar a alguma prancha. E todos conseguiram chegar à praia.


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  • Atos, 26

    A HISTÓRIA DA VISÃO

    1-3Então, Agripa falou diretamente a Paulo: “Pode fazer sua defesa”. Paulo tomou lugar e começou a falar: “Não posso pensar em ninguém melhor, rei Agripa, diante de quem eu desejasse responder a todas essas acusações dos judeus, senão o senhor, que conhece tão bem os costumes judaicos e as discussões internas.

    4-8“Desde a minha juventude, tenho vivido entre meu povo, em Jerusalém. Praticamente todo judeu na cidade que me viu crescer — e basta alguém aqui olhar para mim para confirmar — sabe que vivi como fariseu zeloso, nosso grupo religioso mais exigente. E é por ter vivido e levado a religião a sério, comprometido de coração e alma com o que Deus prometeu aos meus antepassados — a mesma esperança que as doze tribos têm aguardado noite e dia todos estes séculos e a que tenho me apegado, essa esperança testada e aprovada —, que fui acusado pelos judeus. Eles deveriam estar sendo julgados, não eu! Pela minha vida, não consigo entender por que seria crime acreditar que Deus ressuscita os mortos.

    9-11“Admito que nem sempre tive esta convicção. Por um tempo, pensei que era minha obrigação opor-me a esse Jesus de Nazaré com todas as minhas forças. Apoiado pela autoridade dos principais sacerdotes, a torto e a direito, lancei cristãos — sem saber que eram gente de Deus! — na cadeia de Jerusalém e, sempre que havia uma decisão por voto, eu votava a favor da execução deles. Eu invadia as sinagogas, obrigando-os a blasfemar contra Jesus. Eu era um terror, obcecado em destruir esse povo. Depois, comecei a fazer a mesma coisa nas cidades ao redor de Jerusalém.

    12-14“Um dia, no caminho para Damasco, munido de documentos dos principais sacerdotes, que me autorizavam a agir, bem na metade do dia um brilho, uma luz mais brilhante que o sol veio do céu sobre mim e sobre meus companheiros. Ó rei, o brilho era inacreditável! Todos nós caímos por terra. Então, ouvi uma voz em hebraico: ‘Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Por que insiste em ir contra o aguilhão?’.

    15-16“Eu disse: ‘Quem és, Senhor?’. “A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, aquele que você persegue. Mas agora levante-se! Tenho uma missão para você. Eu o escolhi a dedo para ser um servo e testemunha do que aconteceu hoje e para o que vou mostrar.

    17-18“‘Eu o envio para abrir os olhos dos que não me conhecem; assim, eles verão a diferença entre a luz e a escuridão e poderão escolher a luz; verão a diferença entre Deus e Satanás e poderão escolher a Deus. Eu o envio para apresentar minha oferta de perdão dos pecados e de um lugar na família da fé. Você irá convidá-los a fazer companhia aos que vivem de verdade porque creem em mim.

    19-20“O que eu poderia fazer, rei Agripa? Eu não poderia simplesmente fugir de uma visão como aquela! Passei a crer e a ser obediente na hora e comecei a pregar, lá mesmo, em Damasco, uma mudança de vida radical para Deus e tudo o que ela significa na vida diária. Depois, fui para Jerusalém e para outras partes da nossa terra e de lá para o mundo inteiro.

    21-23“É porque falo ao ‘mundo inteiro’, que os judeus me agarraram no templo naquele dia e tentaram me matar. Eles querem guardar Deus só para eles. Mas Deus esteve ao meu lado, como havia prometido, e digo agora o que tenho dito a todos: tudo que estou dizendo está de acordo com o que os profetas e Moisés disseram. Primeiro, o Messias deveria morrer; em seguida, iria ressuscitar. Ele seria o primeiro raio da brilhante luz matinal de Deus sobre as pessoas que estão perto e as que estão longe, tanto os que vivem na prática do mal quanto os que têm temor de Deus”.

    24Festo não se conteve e interrompeu o discurso com um grito: “Paulo, você está louco! Você leu demais, passou tempo divagando demais! Volte para o mundo real!”.

    25-27Mas Paulo ficou firme: “Com todo respeito, Vossa Excelência, não estou louco. Tenho plena consciência do que digo. O rei sabe do que estou falando. Estou certo de que nada do que eu disse parece loucura para ele. Ele sabe de tudo isso há muito tempo. O senhor precisa entender que isso não foi feito às ocultas. O senhor acredita nos profetas, não acredita, rei Agripa? Não precisa responder, sei que acredita”.

    28Mas Agripa respondeu: “Um pouco mais, e você vai fazer de mim um cristão”.

    29Paulo, ainda algemado, disse: “É por isso que tenho orado, para que, agora ou mais tarde, não apenas o senhor, mas todos os que me ouvem aqui, se tornem como eu — exceto, é claro, por estas algemas!”.

    30-31O rei, o governador, Berenice e seus conselheiros levantaram-se e foram para a sala ao lado discutir a respeito do que ouviram. Todos concordaram quanto à inocência de Paulo, dizendo: “Não há nada nesse homem que mereça a prisão, muito menos a morte”.

    32Agripa disse a Festo: “Ele poderia ser liberto agora mesmo se não tivesse requisitado uma audiência perante César”.


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  • Atos, 25

    APELANDO PARA CÉSAR

    1-3Três dias depois de Festo chegar a Cesaréia para assumir o posto de governador, ele subiu a Jerusalém. Os principais sacerdotes e líderes do povo renovaram seu desejo de vingança contra Paulo e pediram a Festo o favor de enviar Paulo a Jerusalém para responder às acusações. Uma grande mentira! Estavam ainda decididos a executar plano de preparar-lhe uma emboscada e matá-lo no caminho.

    4-5Festo respondeu que Cesaréia era a jurisdição apropriada para Paulo e que voltaria para lá em alguns dias. “Vocês são bem-vindos”, ele disse, “para voltar comigo e acusá-lo, seja qual for o motivo”.

    6-7Cerca de dez dias mais tarde, Festo voltou para Cesaréia. Na manhã seguinte, assumiu seu posto no tribunal e mandou trazer Paulo. Assim que ele entrou, os judeus que tinham vindo de Jerusalém o cercaram, gritando acusações absurdas, impossíveis de serem comprovadas.

    8Então, Paulo tomou a palavra e disse simplesmente: “Não fiz nada de errado contra a religião judaica, contra o templo ou contra César. Tenho dito”.

    9Mas Festo queria agradar aos judeus e insistiu: “Você gostaria de subir a Jerusalém e me deixar conduzir seu julgamento lá?”

    10-11Paulo respondeu: “Estou de pé neste momento perante o tribunal de justiça de César, onde tenho o direito de estar, e aqui permanecerei. Não fiz nada de ofensivo aos judeus e sei que o senhor tem consciência disso. Se cometi algum crime e mereço a morte, enfrentarei a situação. Mas, se não há base para estas acusações — e o senhor sabe que não há —, ninguém pode me obrigar a prosseguir com este absurdo. Estamos perdendo tempo aqui. Apelo para César”.

    12Festo conversou rapidamente com seus conselheiros e deu seu veredito: “Você apelou para César, então vai para César!”

    13-17Poucos dias depois, o rei Agripa e sua esposa, Berenice, visitaram Cesaréia para cumprimentar Festo por sua nova função. Depois de vários dias, Festo apresentou o caso de Paulo ao rei. “Tenho um homem em minhas mãos, um prisioneiro deixado por Félix. Quando eu estava em Jerusalém, os principais sacerdotes e líderes do povo apresentaram várias acusações contra ele e queriam que eu o sentenciasse à morte. Deixei claro que esse não é o modo romano de fazer as coisas. Só porque um homem é acusado, não o condenamos. Em vez disso, damos ao acusado uma chance de encarar seus acusadores e defender-se das acusações. Então, quando eles vieram aqui, fui direto ao caso. Marquei o julgamento e pus o homem no banco dos réus.

    18-21“Vieram acusadores de todos os lados, mas as acusações não passavam de implicância religiosa e de uma discussão sobre um homem morto chamado Jesus, que o prisioneiro alega estar vivo. Como sou recém-chegado e não entendo tudo que está envolvido em casos como esse, perguntei se ele queria ir a Jerusalém, para ser julgado lá. Ele se recusou e exigiu uma audiência diante de Sua Majestade, em nosso tribunal mais importante. Então, ordenei que ele voltasse a ficar sob custódia até que eu pudesse enviá-lo a César, em Roma”.

    22Agripa disse: “Eu gostaria de ver esse homem e ouvir sua história”. Festo concordou: “Tudo bem. A primeira coisa que faremos amanhã é trazê-la e o senhor poderá ouvi-lo”.

    23No dia seguinte, todo cidadão de Cesaréia que se considerava alguém deu um jeito de ir ao Auditório. Estavam ali também os militares mais graduados. Agripa e Berenice fizeram uma entrada em alto estilo e assumiram seus lugares. Festo, então, ordenou que Paulo fosse trazido.

    24-26Então, Festo disse: “Rei Agripa e distintos convidados, olhem bem para este homem. Um grupo de judeus me pediu, em Jerusalém e depois aqui, que eu me livrasse dele. Eles exigem com veemência sua execução. Analisei o caso e concluí que ele não cometeu crime algum. Ele requisitou um julgamento diante de César, e concordei em enviá-lo a Roma. Mas o que eu vou escrever ao meu senhor, César? Todas as acusações feitas pelos judeus não têm fundamento, e não descobri mais nada que possa condená-lo.

    26-27“Foi por isso que eu o trouxe diante desta comunidade, especialmente diante do senhor, rei Agripa, a fim de que possamos verificar se alguma acusação se sustenta, pois me parece tolice enviar um prisioneiro para lá tão longe para ser julgado e não ser capaz de oficializar um simples delito”.


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  • Atos, 24

    PAULO APRESENTA SUA DEFESA

    1-4Cinco dias depois, o sacerdote principal Ananias chegou com um grupo de líderes judeus; entre eles estava Tértulo, um advogado. Eles apresentaram ao governador sua acusação contra Paulo. Quando Paulo foi chamado ao tribunal, Tértulo falou pela acusação: “Honorável Félix, somos muito gratos sempre e em todo lugar por seu governo sábio e pacífico. Estamos conscientes de que é por sua causa que desfrutamos essa paz e as benesses de suas reformas. Não vou cansar o senhor com um discurso longo. Peço sua gentil benignidade em me ouvir. Serei breve.

    5-8“Apanhamos esse homem várias vezes perturbando nossa paz, incitando motins contra os judeus em todo o mundo. Ele é o líder de uma seita sediciosa chamada Nazarenos, muito perigosa, devo dizer. Nós o pegamos tentando profanar nosso santo templo e o prendemos. O senhor poderá averiguar todas essas acusações quando o interrogar”.

    9Os judeus o apoiaram: “É isso mesmo! Ele tem toda razão!”

    10-13O governador acenou para Paulo, indicando que era a vez dele, Paulo então disse: “Considero-me feliz por me defender na presença do governador, sabendo quão justo o senhor tem sido em nos julgar todos estes anos. Estou de volta a esta terra há apenas doze dias — o senhor pode verificar essa informação com muita facilidade. Vim com o propósito definido de adorar em Jerusalém, na festa de Pentecoste e, durante todo este tempo, nada fiz de errado. Ninguém pode dizer que me viu discutindo no templo ou provocando alguma multidão nas ruas. Nenhuma das acusações deles pode ser comprovada com evidências ou testemunhas.

    14-15“Mas devo confessar o seguinte: Sou seguidor do Caminho, que eles caluniosamente chamam de seita; de fato sirvo e adoro o mesmo Deus servido e adorado por todos os nossos antepassados e creio em tudo que está nas Escrituras. Admito viver na expectativa de que Deus irá ressuscitar os bons e os maus. Se esse é o meu crime, meus acusadores são tão culpados quanto eu.

    16-19“Acreditem, esforço-me para manter uma consciência limpa diante de Deus e do próximo em tudo que faço. Fiquei fora da nossa terra alguns anos e agora estou de volta. Enquanto eu estive fora, levantei uma oferta para os pobres e a trouxe comigo, junto com a oferta para o templo. Foi enquanto eu fazia essas ofertas que eles me encontraram, durante minhas orações no templo, tudo feito de modo correto. Não havia multidão nem baderna. Foram alguns judeus de Éfeso que começaram a confusão. E o senhor perceberá que eles não estão aqui hoje. São covardes demais para me acusar.

    20-21“Meus acusadores deveriam dizer em que crime me flagraram. Eles não podem se esconder atrás das palavra inócuas de Tértulo. A única coisa que eles têm contra mim é a declaração que fiz no Concílio: ‘É por que creio na ressurreição que fui trazido a este tribunal!’. Pergunto se isso parece ao senhor um ato criminoso?”.

    22-23Félix hesitou. Ele sabia mais do que aparentava a respeito do Caminho e poderia ter resolvido o caso de uma vez por todas. Mas, inseguro por motivações políticas, preferiu adiar a questão. Por isso, declarou: “Quando o capitão Lísias vier, vou decidir o caso”. Ele ordenou ao centurião que mantivesse Paulo em custódia, mas com alguma autonomia, e que não impedisse os amigos de o ajudarem.

    24-26Poucos dias depois, Félix e Drusila, sua esposa, que era judia, mandaram chamar Paulo para ouvi-lo falar a respeito da vida de seguidor de Jesus Cristo. Como Paulo insistia em relações justas com Deus e com seu povo e falava sobre a vida de disciplina moral e o juízo futuro, Félix começou a achar a conversa desconfortável e o dispensou: “Basta por hoje. Eu o chamarei quando for conveniente”. Ele também esperava que Paulo, em segredo, lhe oferecesse algum suborno. Houve várias conversas entre eles.

    27Depois de dois anos, Félix foi substituído por Pórcio Festo. Também querendo agradar aos judeus e ignorando a justiça, Félix deixou Paulo na prisão.


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  • Atos, 23

    PERANTE O CONCÍLIO

    1-3Paulo encarou com firmeza os membros do Concílio e disse: “Amigos, tenho vivido com a consciência limpa diante de Deus por toda a minha vida, até este momento”. A declaração irritou o sacerdote principal Ananias. Ele ordenou aos seus assistentes que esbofeteassem Paulo. Mas Paulo reagiu de imediato: “Deus irá castigá-lo, seu farsante! Você se senta aí para me julgar de acordo com a Lei e depois quebra a Lei, mandando me esbofetear”.

    4Os assistentes não podiam crer em tal ousadia: “Como tem coragem de falar desse jeito com o sacerdote principal de Deus?”

    5Surpreso, Paulo respondeu: “Como eu poderia saber que ele é o sacerdote principal? Ele não age como tal. Mas vocês estão certos, as Escrituras de fato dizem: ‘Não fale mal de seus governantes’. Sinto muito”.

    6Sabendo que o Concílio era constituído dos rivais: saduceus e fariseus, Paulo decidiu explorar o antagonismo deles: “Amigos, sou fariseu convicto, de uma longa linhagem de fariseus, e por causa das minhas convicções de fariseu — a esperança na ressurreição dos mortos — é que fui trazido a este tribunal”.

    7-9Quando ele disse isso, o Concílio se dividiu. Fariseus e saduceus passaram a se atacar uns aos outros com argumentos irados. Os saduceus não acreditam em ressurreição, nem em anjos nem mesmo em espíritos, mas os fariseus acreditam em tudo isso. A confusão estava armada. Os líderes religiosos do lado dos fariseus gritavam para os outros: “Não vemos nada de errado com este homem! E se um espírito falou com ele? Ou talvez um anjo? E se estivermos lutando contra Deus?”.

    10Foi como jogar lenha no fogo. A discussão tornou-se tão violenta que o capitão ficou com medo de que partissem Paulo ao meio. Assim, ordenou aos soldados que o tirassem dali e o escoltassem de volta à fortaleza em segurança.

    O PLANO PARA MATAR PAULO

    11Naquela noite, o Senhor apareceu a Paulo e disse: “Tudo vai dar certo. Tudo vai acontecer para o melhor. Você tem sido minha boa testemunha aqui em Jerusalém. Agora será minha testemunha em Roma!”.

    12-15No dia seguinte, os judeus tramaram um plano contra Paulo. Fizeram um juramento solene de que não iriam comer nem beber até que ele estivesse morto. O pacto de assassinato foi firmado por cerca de quarenta judeus e apresentado aos principais sacerdotes e líderes religiosos: “Nós nos comprometemos, por juramento solene, a não comer nada enquanto não matarmos Paulo. Mas precisamos da sua ajuda. Enviem uma petição ao Concílio para que o comandante traga Paulo de volta, a fim de que vocês possam investigar melhoras acusações, e nós faremos o resto. Antes que ele chegue aqui, nós o mataremos. Vocês não serão envolvidos”.

    16-17No entanto, o sobrinho de Paulo, filho da irmã dele, ouviu-os planejar a emboscada. Correu à fortaleza e contou a Paulo, que chamou um dos centuriões e disse: “Leve este rapaz ao comandante da guarda. Ele tem algo importante a dizer”.

    18O centurião levou-o ao comandante e disse: “O prisioneiro Paulo pediu-me que trouxesse este rapaz. Disse que ele tem algo urgente para dizer”.

    19O comandante tomou-o pelo braço e o levou para um lugar à parte. “O que é? O que você tem a me dizer?” perguntou.

    20-21O sobrinho de Paulo disse: “Os judeus estão tramando contra Paulo. Vão pedir que o senhor leve Paulo ao Concílio bem cedo, sob o pretexto de investigar melhor as acusações contra ele. Mas é uma armadilha para tirá-lo daqui. Eles vão matá-lo! Neste exato momento, mais de quarenta homens estão preparando uma emboscada para ele. Todos fizeram um voto de não comer nem beber até que o matem. A emboscada está preparada, tudo que eles estão esperando é que o senhor o envie”.

    22O comandante dispensou o sobrinho de Paulo com a seguinte advertência: “Não diga uma só palavra a ninguém sobre isso”.

    23-24Em seguida, chamou dois centuriões e ordenou: “Peguem duzentos soldados para ir imediatamente a Cesaréia e também setenta cavaleiros e duzentos lanceiros. Quero-os prontos para marchar às nove horas da noite. Vocês vão precisar de duas mulas, para Paulo e a bagagem dele. Vamos levar esse homem são e salvo ao governador Félix“.

    25-30Depois, escreveu a seguinte carta: De Cláudio Lísias, ao Mui Honrado Governador Félix: Saudações! Resgatei este homem de uma multidão judaica. Eles o prenderam e estavam prestes a matá-lo, quando eu soube que ele era cidadão romano. Então, enviei meus soldados. Querendo saber o que ele tinha feito de errado, apresentei-o ao Concílio deles. Descobri que o motivo eram diferenças religiosas entre eles, mas nem de longe algo que possa ser considerado crime. Soube também que fizeram um plano para matá-lo. Decidi que, por segurança, seria melhor levá-lo daqui quanto antes. Por isso, eu o estou enviando ao senhor. Avisei aos acusadores que ele está agora sob nossa jurisdição.

    31-33Seguindo ordens, os soldados, levaram Paulo na mesma noite em segurança até Antipátride. De manhã, voltaram aos seus alojamentos em Jerusalém, enviando Paulo para Cesaréia sob a guarda da cavalaria, que entrou em Cesaréia e entregou Paulo e a carta ao governador.

    34-35Depois de ler a carta, o governador perguntou a Paulo de que província ele era. “Da Cilicia”, foi a resposta. Então, ele disse: “Vou cuidar do seu caso quando seus acusadores se manifestarem”. E ordenou que Paulo ficasse detido na residência oficial de Herodes.


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