Categoria: Romanos

EPÍSTOLA DE PAULO AOS ROMANOS
Introdução
O apóstolo Paulo procurou anunciar a boa notícia da salvação por todo o Império Romano. Por isso, ele fez planos para visitar Roma, a capital do Império, onde já havia uma igreja cristã. Dali ele pretendia seguir até a Espanha e esperava que os cristãos de Roma o ajudassem naquela viagem (15.22-24). Paulo queria que eles ficassem sabendo como é que ele entendia a mensagem a respeito de Jesus Cristo.
Na Epístola aos Romanos aparece uma apresentação completa e ordenada da mensagem de Paulo. Depois de saudar os leitores e falar do seu grande desejo de conhecê-los pessoalmente, Paulo anuncia a doutrina básica: o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todos os que o aceitam e conclui que “o justo viverá por fé” (1.17).
Na primeira parte da sua epístola (1.18—11.36), Paulo mostra que todos, judeus e gentios, precisam da salvação, pois todos pecaram e estão afastados de Deus. Depois, Paulo mostra como Deus, por causa do seu grande amor, salva as pessoas que creem em Jesus Cristo, as quais, libertadas do poder do pecado, agora têm uma vida nova, uma vida de paz com Deus e com as pessoas. Numa das mais bonitas passagens escritas por Paulo (cap. 8), ele descreve como vive a pessoa que é governada pelo Espírito Santo e como é forte o amor de Deus, amor que recebemos por estarmos unidos com Jesus Cristo, o nosso Senhor. Depois, Paulo procura explicar a parte que cabe aos judeus e aos gentios no plano divino de salvação da humanidade.
Na segunda parte da epístola (12.1—15.13), Paulo mostra como os cristãos devem tratar uns aos outros e quais são os seus deveres para com as autoridades. A epístola termina com uma série de saudações pessoais e uma oração de louvor a Deus.

  • Romanos, 6

    QUANDO A MORTE SE TORNA VIDA

    1-3O que vamos fazer então: continuar pecando para que Deus continue perdoando? É claro que não! Se já deixamos o país onde o pecado é soberano, como poderemos ainda viver na velha casa que tínhamos lá? Ou vocês não perceberam que abandonamos aquilo tudo para sempre? É o que acontece no batismo. Ao entrar na água, deixamos para trás o velho país do pecado; quando saímos da água, entramos no novo país, o da graça — uma nova vida numa nova terra!

    2-5É isso que o batismo nessa vida em Jesus significa. Quando somos mergulhados na água, é como o sepultamento de Jesus; quando somos levantados da água, é como a ressurreição de Jesus. Erguemo-nos para um mundo cheio da luz do nosso Pai e assim podemos ver por onde estamos indo, no novo país da graça soberana.

    6-11Mais claro que isso, impossível. Nosso velho modo de viver foi pregado na cruz com Cristo, um fim decisivo para aquela vida miserável de pecado. Não estamos mais à mercê do convite do pecado! Cremos que, se estamos incluídos na morte de Cristo, que venceu o pecado, estamos incluídos também em sua ressurreição, que nos traz vida. Sabemos que, quando Jesus foi levantado dos mortos, isso foi um sinal de que a morte não seria mais o destino final. Nunca mais ela terá a última palavra. Quando Jesus morreu, ele levou o pecado consigo. Agora vivo, ele traz Deus a nós. De agora em diante, devemos pensar assim: o pecado fala uma língua morta que nada significa para nós; Deus fala a nossa língua materna, e entendemos cada palavra. Vocês estão mortos para o pecado e vivos para Deus. Foi o que Jesus fez.

    12-14Isso significa que vocês devem conduzir a vida de um modo que não deem oportunidade ao pecado. Não deem a ele nenhuma chance. Evitem até as mínimas coisas que estejam ligadas com o antigo modo de viver. Abracem de todo o coração e em tempo integral o modo de Deus agir. Lembrem-se de que vocês foram ressuscitados! O pecado não pode mais ditar as regras da vida de vocês. Afinal, vocês não estão mais vivendo sob a velha tirania: estão vivendo na liberdade de Deus.

    O QUE É A VERDADEIRA LIBERDADE

    15-18Agora, se estamos livres da velha tirania, podemos viver como quisermos? Uma vez que estamos livres na liberdade de Deus, podemos fazer o que nos vier à cabeça? De jeito nenhum. Vocês sabem, por experiência própria, que certos atos baseados numa suposta liberdade acabam destruindo a liberdade. Ofereçam-se ao pecado, por exemplo, e será o último ato livre de vocês. Mas ofereçam-se aos caminhos de Deus e jamais perderão a verdadeira liberdade. Durante a vida inteira, vocês deixaram o pecado ditar as regras. Mas, graças a Deus, vocês começaram a ouvir um novo Senhor, cujas ordens os deixam livres para viver na liberdade dele.

    19Falo da liberdade para facilitar a compreensão. Vocês com certeza se lembram do tempo em que faziam o que queriam, sem se importar com os outros nem com Deus, e a vida só piorava, enquanto a liberdade diminuía. Quanta diferença agora! Vocês vivem na liberdade de Deus, com a vida restaurada, crescendo em santidade!

    20-Durante todo o tempo em que vocês faziam o que queriam, ignorando Deus, nem se preocupavam

    21em pensar ou viver de modo correto, nem cogitavam fazer pelo menos alguma coisa certa. Mas isso era liberdade? O que ganharam com isso? Nada de que possam se orgulhar agora, não é? Aonde isso os levou? A um beco sem saída.

    22-23Mas agora que encontraram a verdadeira liberdade, não precisam mais ouvir as exigências do pecado! Vocês descobriram o prazer de ouvir Deus falando com vocês. Que bela surpresa! Uma vida plena, restaurada, integrada no presente, com muito mais vida a caminho! Trabalhem para o pecado por toda a vida, e seu pagamento será a morte. Mas o dom de Deus é vida real,eterna, proporcionada por Jesus, nosso Senhor.


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  • Romanos, 5

    CRESCENDO EM PACIÊNCIA

    1-2Ao aceitar, pela fé, o que Deus sempre desejou para nós — consertar nossa situação com ele, tornar-nos prontos para ele —, alcançamos tudo isso com Deus por causa do nosso Senhor Jesus. Mais ainda, abrimo-nos para Deus e descobrimos, ao mesmo tempo, que ele já se abriu para nós e nos achamos no lugar que ele queria que estivéssemos — perante a graça e a glória de Deus, na presença dele, expressando nosso louvor.

    3-5Mas ainda há muito mais. Continuamos a expressar nosso louvor, mesmo que estejamos cheios de problemas, porque sabemos que os problemas podem desenvolver em nós paciência e como a paciência, por sua vez, forja o aço temperado da virtude, mantendo-nos atentos quanto ao que Deus pretende fazer; desse modo, passamos a ter esperança. Com essa expectativa, jamais nos sentiremos enganados. A verdade é que nem temos como reunir todas as vasilhas necessárias para encher com tudo que Deus generosamente derrama sobre nossa vida, por meio do Espírito Santo!

    6-8Cristo chegou na hora certa para tornar isso realidade. Ele não esperou que todos estivessem preparados. Apresentou-se disposto ao sacrifício quando ainda éramos fracos e rebeldes demais para fazer alguma coisa por nós mesmos. Mesmo que não fôssemos tão fracos, de qualquer maneira não saberíamos o que fazer. Podemos entender quando alguém morre por uma pessoa digna e como alguém bom e nobre poderia inspirar um sacrifício abnegado. Mas Deus demonstrou quanto nos ama ao oferecer seu Filho em sacrifício por nós quando ainda éramos tão ingratos e maus para com ele.

    9-11Agora que nossa situação com Deus está resolvida, por meio dessa morte sacrificial, o perfeito sacrifício de sangue, não há mais razão para estar em oposição a Deus, sobre qualquer assunto. Se em nossa pior situação fomos postos em condição favorável diante de Deus, pelo sacrifício de seu Filho, agora que estamos nesta situação maravilhosa, apenas imaginem como nossa vida poderá ser plena e gloriosa por meio da vida proporcionada pela ressurreição! Agora que já desfrutamos esta maravilhosa amizade com Deus, não nos contentaremos com meras declarações formais, mas cantaremos louvores a Deus, por meio de Jesus, o Messias!

    O PECADO QUE TRAZ MORTE E O GENEROSO DOM DA VIDA

    12-14Vocês conhecem a história de Adão e de como ele nos lançou no dilema em que estamos — o primeiro pecado, depois a morte; e ninguém ficou isento do pecado ou da morte. Aquele pecado afetou os relacionamentos com Deus em tudo e com todo o mundo, mas a extensão das consequências negativas não ficou clara até que Deus a explicasse em detalhes a Moisés. Até os que não pecaram como Adão, que desobedeceu a um mandamento específico de Deus, tiveram de experimentar o fim da vida, a separação de Deus. Mas Adão, que nos pôs nessa situação, também aponta para aquele que nos livrará dela.

    15-17Todavia, o resgate não é proporcional ao pecado que traz morte. Se o pecado de um homem deixa multidões de pessoas no profundo abismo da separação de Deus, imaginem a eficácia do dom de Deus derramado por meio de um homem, Jesus Cristo! Não há comparação entre o pecado que traz morte e esse generoso dom gerador de vida. A sentença pronunciada sobre aquele pecado foi a morte, mas sobre os muitos pecados que se seguiram veio a sentença de vida. Se a morte obteve supremacia pelo erro de um homem, imaginem o que pode fazer a extraordinária recuperação de vida que agarramos com ambas as mãos, esse dom de vida extravagante, essa restauração total, providenciados pelo homem Jesus Cristo!

    18-19Aqui está um resumo de tudo: assim como uma única pessoa errou e nos deixou todo esse problemão com o pecado e a morte, também uma única pessoa fez o que era certo e nos livrou de tudo isso. Mais que apenas nos livrar do problema, ele nos trouxe para a vida! Um homem disse não a Deus e afundou muita gente no erro; outro homem disse sim a Deus e consertou tudo o que estava errado.

    20-21Tudo que a lei contra o pecado conseguiu fazer foi produzir mais gente que desrespeitasse a lei. Mas o pecado não teve nem tem chance de competir contra o perdão poderoso que chamamos “graça”. Na disputa entre o pecado e a graça, a graça vence com facilidade. Tudo que o pecado pode fazer é nos ameaçar com a morte. Já a graça, uma vez que Deus está consertando as coisas por meio do Messias, nos convida à vida — uma vida que continua para sempre, que jamais terá fim.


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  • Romanos, 4

    CONFIANÇA E FÉ EM DEUS

    1-3Pois bem, como encaixar o que sabemos a respeito de Abraão, nosso primeiro pai na fé, nessa nova maneira de enxergar as coisas? Se Abraão tivesse sido aprovado por Deus pelo que fez, ele poderia ter recebido crédito. Mas o que temos é a história de Deus, não a de Abraão. Assim, lemos nas Escrituras: “Abraão participou do que Deus fez por ele, e isso foi decisivo. Ele acreditou que Deus podia torná-lo justo, em vez de apelar para a própria justiça”.

    4-5Se você dá duro e faz um bom trabalho, merece o pagamento. Ninguém pode dizer que seu pagamento é um presente. Mas, se você percebe que a tarefa está muito além da sua capacidade, algo que só Deus pode fazer, e confia que ele o fará (volto a dizer: algo que você jamais conseguirá fazer, não importa como e quanto trabalhe), essa confiança em Deus é o que o deixa numa situação aceitável diante dele, por causa de Deus. Pura graça.

    6-9Davi confirma esse modo de ver as coisas ao afirmar que quem deixa Deus consertar a situação, sem insistir em querer fazer algo no processo, é um homem feliz: Feliz é aquele cujos crimes são perdoados, cujos registros dos pecados são apagados. Feliz é a pessoa contra quem o Senhor não tem nada a apresentar. Vocês pensam que essa bênção é dada apenas para aqueles que guardam nossas tradições religiosas e são circuncidados? Acham que a bênção pode ser dada a alguém que nunca ouviu falar das nossas tradições, que não foi criado em nossa forma de devoção para com Deus? Todos nós concordamos em que foi por aceitar o que Deus fez por Abraão que ele foi declarado justo diante de Deus, não é?

    10-11Agora pensem: essa declaração foi feita antes ou depois que ele fosse marcado pelo rito pactuai da circuncisão? Sabemos que foi antes! Isso significa que ele se submeteu à circuncisão como evidência e confirmação do que Deus havia feito muito antes de torná-lo plenamente aceitável, um ato de Deus que ele aceitou de todo o coração.

    12Isso ainda significa que Abraão é pai de todos os povos que aceitam O que Deus faz por eles enquanto ainda estão na condição dos “de fora” em relação a Deus, não identificados como propriedade de Deus, isto é, como “incircuncisos”. Justamente os que se encontram nessa condição é que são chamados “justificados por Deus e com Deus”! Abraão, claro, também é o pai dos que se submeteram ao rito da circuncisão não apenas por causa do rito, mas porque desejavam abraçar pela fé o que Deus fez por eles, seguindo o exemplo de vida que Abraão viveu antes de ser marcado pela circuncisão.

    13-15A famosa promessa de Deus a Abraão — que ele e seus descendentes possuiriam a terra — não foi feita em razão de algo que Abraão tenha feito ou viria a fazer. Foi baseada na decisão de Deus de acertar tudo para com ele, e foi disso que Abraão participou quando creu. Se alguém receber esse presente de Deus apenas por ter seguido certas ordens ou por ter cumprido formalidades, essa confiança não faz sentido, e a promessa vira um contrato frio! Seria um acordo comercial, não uma promessa santa. Um contrato cheio de pormenores, elaborado por um advogado detalhista, pode resultar em obrigações que você jamais seria capaz de cumprir. Mas, se não há contrato, apenas uma promessa — e uma promessa de Deus —, você não pode quebrá-la.

    16É por isso que o cumprimento da promessa de Deus depende inteiramente da confiança que depositamos nele e em seus caminhos e de que o aceitemos e a tudo que ele faz. A promessa de Deus chega como um presente. É o único modo de garantir a participação nela, tanto os que guardam as tradições religiosas quanto os que nunca ouviram falar delas. Porque Abraão é o pai de todos nós. Ele não é nosso pai racial — isso seria ler a história de trás para a frente. Ele é nosso pai na fé.

    17-18Chamamos Abraão de pai não porque Deus lhe tenha dado atenção por ter vivido como santo, mas porque Deus agiu em Abraão quando ele não era ninguém. Não é o que lemos nas Escrituras, que Deus diz a Abraão: “Farei de você pai de muitos povos”? Abraão foi primeiro chamado de pai e depois se tornou pai porque ousou acreditar que Deus faria o que somente Deus poderia fazer: levantar os mortos para a vida e com uma palavra trazer algo à existência, a partir do nada. Não havia esperança, mas Abraão creu, decidido a viver não com base no que sabia que era incapaz de fazer, mas no que Deus disse que ele faria. Assim, foi feito pai de uma multidão de povos. O próprio Deus declarou: “Você terá uma grande família, Abraão!”.

    19-25Abraão não ficou pensando em sua incapacidade, dizendo: “Sem chance. Este corpo de cem anos nunca vai gerar um filho”. Ignorou décadas de infertilidade de Sara e foi persistente. Não foi reticente sobre a promessa de Deus, com questionamentos. Em vez disso, mergulhou na promessa e se fortaleceu. Ficou à disposição de Deus, certo de que ele cumpriria o que tinha dito. É por isso que se diz: “Abraão foi declarado justo diante de Deus ao confiar que Deus o justificaria”. Mas não é só Abraão: o mesmo acontece conosco! O mesmo é dito a respeito de nós, que aceitamos e cremos naquele que trouxe Jesus à vida quando, de igual modo, não havia mais esperança. O Jesus, que foi sacrificado, fez-nos aceitáveis diante de Deus, tornou-nosjustos perante Deus.


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  • Romanos, 3

    1-2Mas, se é assim, que diferença faz ser judeu ou não, ser ensinado nos caminhos de Deus ou não? Na verdade, faz muita diferença, mas não como muitos pensam.

    2-6Para começar, lembrem-se de que os judeus foram incumbidos de escrever e transmitir a revelação de Deus, as Escrituras Sagradas. E como fica a situação dos judeus que abandonaram sua posição? Deus não os abandonou. Você pensa que sua falta de fé cancela a fidelidade de Deus? De jeito nenhum! Contem com isto: Deus mantém sua palavra, ainda que o mundo inteiro minta descaradamente. As Escrituras dizem o mesmo: Suas palavras permanecem fiéis e verdadeiras, A rejeição não intimidará Deus. Mas, se nossa maneira errada de agir apenas realça e confirma o caráter fiel de Deus, não deveríamos ser elogiados por isso? Se nossas palavras nem sequer deixam marca em suas boas palavras, Deus não cometeria um erro em nos pôr contra a parede e nos condenar pelo que dissemos? É uma pergunta natural, mas a resposta é não, um “não” bem enfático! Como as coisas seriam corrigidas, se Deus não agisse para corrigi-las?

    7-8É maldade afirmar: “Se minhas mentiras servem para mostrar a verdade de Deus de maneira mais gloriosa, como posso ser condenado? Estou fazendo um favor para Deus!” Alguns, na verdade, tentam pôr essas palavras em nossa boca, alegando que saímos por aí anunciando: “Quanto mais mal fazemos, mais bem Deus faz. Então, continuemos assim!” É pura calúnia, e estou certo de que vocês concordam conosco.

    TODOS NO MESMO BARCO FURADO

    9-20Se é assim, aonde isso nos levará? Será que nós, judeus, estamos em situação melhor que os outros? Na verdade, não. Basicamente, todos nós, judeus e não judeus, começamos em condições idênticas. Todos nós começamos como pecadores. As Escrituras não deixam dúvida sobre isso: Não há ninguém vivendo como deve, nem um sequer; ninguém entende, ninguém presta atenção em Deus. Todos eles erraram o caminho; todos estão vagueando sem rumo. Ninguém está vivendo da maneira correta, e não creio que há quem o consiga. A garganta deles é um túmulo aberto, e a língua, escorregadia para enganar. Cada palavra que pronunciam está impregnada de veneno. Eles abrem a boca e empesteiam o ar. São eternos concorrentes ao prêmio de “pecador do ano” e emporcalham a terra com sofrimento e ruína. Não fazem a menor ideia do que seja viver em comunidade. Eles passam por Deus e o ignoram. Está claro que esse texto não representa o que Deus diz a respeito dos outros, mas o que diz sobre nós, a quem as Escrituras foram primeiramente endereçadas! Está claro também que somos todos pecadores, cada um de nós. Estamos no mesmo barco furado, com todos os outros! Nosso envolvimento com a revelação de Deus não nos deixa de bem com ele. Isso só faz realçar nossa cumplicidade com o pecado de todos os outros.

    DEUS CONSERTOU A SITUAÇÃO

    21-24Mas agora há algo novo no horizonte: aconteceu o que Moisés e os profetas anunciaram por tanto tempo! Deus resolveu agir para acertar as coisas sobre as quais lemos nas Escrituras por meio do que Jesus fez por nós. E não apenas por nós, mas por todos os que creem nele, pois nisso não há diferença entre nós e eles. Uma vez que nós e eles reunimos esse longo e lamentável registro como pecadores e provamos que somos incapazes de viver a vida gloriosa que Deus deseja para o ser humano, Deus resolveu fazer isso por nós. Por pura graça generosa, ele decidiu acertar nossa situação com ele. Um presente do céu! Ele nos retirou da confusão em que estávamos e nos restaurou, para fazer de nós o que ele sempre quis que fôssemos. E ele o fez por meio de Jesus Cristo.

    25-26Deus sacrificou Jesus no altar do mundo para purificar o mundo do pecado. A fé nele nos deixa limpos. Deus decidiu, sob o olhar de todos, deixar o mundo numa situação aceitável diante dele por meio do sacrifício de Jesus, finalmente cuidando dos pecados que ele havia suportado com tanta paciência. Isso não só está claro, mas acontece agora — é história atual! Deus consertou a situação e também agora permite que vivamos em sua justiça.

    27-28Portanto, como fica o orgulho judeu com seus supostos direitos? Anulado? Sim, anulado. O que aprendemos é o seguinte: Deus não reage ao que nós fazemos: nós é que reagimos ao queDeus faz. Finalmente, conseguimos entender. Nossa vida se acerta com Deus e com os demais quando o deixamos acertar a situação, não quando tentamos fazer tudo sozinhos, com orgulho e ansiedade.

    29-30E como fica a orgulhosa alegação judaica de termos o monopólio de Deus? Anulada também. Deus é o Deus do judeu e de quem não é judeu. Como poderia ser diferente, se há apenas um Deus? Deus resolve a situação de todos que aceitam o que ele fez e disso participam, tanto os que seguem nosso sistema religioso quanto os que nunca ouviram falar da nossa religião.

    31Mas, ao mudar nosso foco do que nós fazemos para o que Deus faz, não anulamos a rigorosa guarda das regras e leis que Deus estabeleceu? De modo algum! Quando adotamos o estilo de vida condizente com essa reconciliação, nós as confirmamos.


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  • Romanos, 2

    DEUS É BOM, MAS NÃO É BOBO

    1-2A humanidade caiu num abismo cada vez mais fundo. Mas, se você pensa que está em nível mais elevado de onde pode apontar o dedo para os outros, esqueça. Cada vez que você critica alguém está se condenando. Você é tão errado quanto quem você critica. Criticar os outros é uma forma bem conhecida de ignorar os próprios crimes e erros. Mas Deus não é enganado tão facilmente; Ele vê através da cortina de fumaça e o responsabiliza pelo que você faz.

    3-4Ou você acha que conseguiria distrair a atenção de Deus dos seus erros apontando o dedo para os erros dos outros? Ou que, por ser um Deus tão bondoso, ele o deixaria livre de obrigações? É melhor pensar direito, desde o princípio. Deus é bom, mas não é bobo. Por sua bondade, ele nos toma pela mão e nos conduz a uma mudança radical de vida.

    5-8Não há como escapar. Rejeitar Deus ou fugir dele é como jogar lenha na fogueira. Um dia, o fogo intenso e alto, o julgamento justo e ardente de Deus, irá queimar tudo. Não se engane: porque no fim todos terão o que merecem — vida de verdade para quem age do lado de Deus e fogo para quem insiste em viver como bem entende, pela lei do menor esforço!

    9-11Se você age contra sua natureza, irá se destruir, não importa a sua origem, a sua criação ou a sua formação. Mas, se você aceitar o jeito de Deus fazer as coisas, a recompensa será maravilhosa — nesse caso também não importa a origem ou a formação. Ser judeu não é garantia automática de aprovação. Deus não se orienta pelo que os outros dizem (ou pelo que você pensa) de você. Ele tem seus critérios.

    12-13Se você peca sem saber, Deus leva isso em consideração. Mas, se você peca de modo consciente, a história é outra. O mero ato de ouvir a lei de Deus é perda de tempo se você não faz o que ele manda. Praticar, não apenas ouvir, é que faz diferença para Deus.

    14-16Se um pagão, que desconhece a lei de Deus, consegue segui-la mais ou menos por instinto, ele confirma a verdade dela pela obediência. Comprova assim que a lei de Deus não é um elemento estranho, imposto de fora para dentro, mas algo que faz parte da própria constituição humana. Existe algo no interior do ser humano que ecoa o “sim” e o “não” de Deus, o certo e o errado. A resposta deles ao “sim” e ao “não” de Deus será de conhecimento público no dia em que Deus tomar a decisão final a respeito de cada homem e mulher. A Mensagem que proclamo por meio de Jesus Cristo leva em consideração todas essas diferenças.

    A RELIGIÃO NÃO PODE SALVAR

    17-24Se você foi educado como judeu, não pense que pode descansar em sua religião, orgulhoso de estar por dentro da revelação de Deus, de experimentar as melhores bênçãos de Deus, de estar atualizado com as doutrinas! Tenho um recado especial para você que está seguro disso, que conhece a Palavra revelada de Deus e se sente em condições de levar a Deus outros que estão em labirintos escuros e emoções confusas. Você está guiando os outros, mas quem está guiando você? Falo sério. Enquanto você prega: “Não roube”, você rouba? Afinal, quem iria suspeitar de você? A mesma coisa vale para o adultério e para a idolatria. Você consegue se safar de qualquer situação com discursos eloquentes sobre Deus e sua lei. As Escrituras dizem: “É por causa de vocês, judeus, que os pagãos são hostis a Deus”. O texto denuncia um problema antigo, que não irá se resolver.

    25-29A circuncisão, o ritual no corpo que marca você como judeu, só terá importância se sua vida estiver de acordo com a lei de Deus. Se não estiver, é pior que não ser circuncidado. O oposto também é verdadeiro: quem não é circuncidado e vive nos caminhos de Deus é tão bom quanto o circuncidado, e até melhor. É melhor guardar a lei de Deus sem ser circuncidado que quebrá-la sendo circuncidado. Entenda isto: não é o corte feito por uma faca que o torna judeu. Você se torna judeu pelo que você é. A marca de Deus no coração, não a da faca na pele, é que faz de você um judeu. E a identificação vem de Deus, não de críticos legalistas.


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  • Romanos, 1

    1Eu, Paulo, sou um fiel escravo de Jesus Cristo, escolhido como apóstolo autorizado para proclamar o que Deus tem falado e feito. Escrevo esta carta a todos os cristãos de Roma, amigos de Deus.

    2-7Os escritos sagrados trazem anúncios antigos dos profetas a respeito do Filho de Deus, que mostra suas raízes na história por ser descendente do rei Davi; sua identidade única de Filho de Deus foi demonstrada pelo Espírito quando Jesus foi ressuscitado dos mortos e comprovado como Messias, nosso Senhor. Por meio dele, recebemos a graça generosa de sua vida e a urgente tarefa de transmiti-la a outros para que a recebam quando decidirem pela confiança obediente em Jesus. Vocês são quem são por causa dessa graça e do chamado de Jesus Cristo! E eu os saúdo agora pela graça generosa de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus, o Messias.

    8-12Dou graças a Deus, por meio de Jesus, por todos vocês. Faço isso em primeiro lugar porque em toda parte recebo notícias da vida de fé que vocês têm, e toda vez que as ouço dou graças a Deus. E Deus, a quem dedico adoração e serviço, divulgando as boas notícias a respeito de seu Filho — a Mensagem! —, sabe que, quando penso em vocês em minhas orações, e isso acontece o tempo todo, expresso o desejo de que ele prepare o caminho para que eu possa visitá-los. Quanto maior a demora, mais eu sofro. Quero muito estar aí para compartilhar o dom de Deus pessoalmente e vê-los crescer fortes diante dos meus olhos! Mas não pensem que farei isso sem querer nada em troca! Vocês têm tanto para me dar quanto eu a vocês.

    13-15Por favor, amigos, não entendam mal minha dificuldade de visitá-los. Vocês não têm ideia de quantas vezes fiz planos de ir a Roma. Estou determinado a desfrutar pessoalmente a obra de Deus entre vocês, assim como em tantas outras cidades e comunidades não judaicas. Mas sempre alguma coisa atrapalha meus planos. De fato, todos, gente educada ou ignorante, sofisticada ou simples, mostram-me como dependo de todos e sou devedor a todos. Por isso, não vejo a hora de encontrar vocês em Roma e pregar as maravilhosas notícias a respeito de Deus.

    16-17São notícias que tenho orgulho de proclamar, essa extraordinária Mensagem, que revela o magnífico plano de Deus de resgatar todos que confiam nele, começando pelos judeus, mas abrindo a porta para todos os outros povos! O modo de Deus tornar justo o ser humano se manifesta em atos de fé, confirmando o que as Escrituras dizem: “Aquele que vive de modo justo diante de Deus, confiando nele, vive de verdade”.

    IGNORAR DEUS É CAIR NUM ABISMO CADA VEZ MAIS FUNDO

    18-23Mas o furor divino é despertado pela falta de confiança do ser humano em Deus, pelos erros repetidos, pela mentiras acumuladas e pela manipulação da verdade. Mas a verdade essencial sobre Deus é muito clara. Abram os olhos e poderão vê-la! Se analisarem com cuidado o que Deus criou, serão capazes de ver o que os olhos deles não enxergam: o poder eterno, por exemplo, e o mistério do ser divino. Portanto, ninguém tem desculpa. Vejam o que aconteceu: a humanidade conhecia Deus perfeitamente, mas deixou de tratá-lo como Deus, recusando-se a adorá-lo, e foi reduzida a um tão terrível estado de insensatez e confusão que a vida humana perdeu o sentido. Eles fingem saber tudo, mas são ignorantes sobre a vida. Trocaram a glória de Deus, que sustenta o mundo, por imagens baratas vendidas na feira.

    24-25Então Deus se pronunciou: “Se é isso que vocês querem, é o que terão”. Não demorou muito para que fossem viver num chiqueiro, enlameados, sujos por dentro e por fora. Tudo porque trocaram o Deus verdadeiro por um deus falso e passaram a adorar o deus que fizeram no. lugar do Deus que os fez — o Deus a quem bendizemos e que nos abençoa. Loucura total!

    26-27Então aconteceu o pior. Como se recusaram conhecer Deus, logo perderam a noção do que significa ser humano: mulheres não sabiam mais ser mulheres, homens não sabiam mais ser homens. Sexualmente confusos, abusaram um do outro e se degradaram, mulheres com mulheres, homens com homens — pura libertinagem, pois de modo algum isso pode ser amor. Mas eles pagaram caro por isso, e como pagaram: são vazios de Deus e do amor divino, perversos infelizes e sem amor humano.

    28-32Uma vez que eles não se importaram em reconhecer Deus, Deus desistiu deles e os deixou por conta própria. A vida deles agora é uma confusão só, um mal que desce ladeira abaixo. Eles tomam à força o que é alheio, são ambiciosos e caluniadores. Cheios de inveja, violência, brigas e trapaças, fizeram da vida um inferno. Olhem para eles: são maliciosos, venenosos, críticos ferozes de Deus, brigões, arrogantes, gente vazia e insuportável! Mestres em criar meios de destruir vidas e revoltados contra os pais. Não passam de seres tolos, asquerosos, cruéis e intransigentes. Até parece que eles não sabem o que fazem, mas têm plena consciência de que estão cuspindo no rosto de Deus — e não se importam! Pior ainda, premiam quem faz as piores coisas com eficiência.


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