Categoria: Deuteronômio

O Quinto Livro de Moisés chamado Deuteronômio
Introdução
No Livro de Deuteronômio estão os discursos que Moisés fez quando o povo de Israel estava na terra de Moabe, a leste do rio Jordão. Depois de terem caminhado quarenta anos pelo deserto, os israelitas estavam prontos para atravessar o Jordão e tomar posse da terra de Canaã.
Nos discursos, Moisés faz com que o povo se lembre do que Deus havia feito nesses quarenta anos, como os havia livrado da escravidão do Egito e os havia levado, pelo deserto, para a Terra Prometida. Ele manda que o povo obedeça a Deus e cumpra a sua parte da aliança que Deus havia feito com eles e avisa que serão castigados se forem desobedientes. Moisés entrega novamente os dez mandamentos e fala da importância do primeiro mandamento, que ordena que o povo de Israel adore somente o Senhor, o Deus dos seus antepassados. Moisés também chama a atenção do povo para as outras leis e ordens que devem governar a vida dos israelitas.
Finalmente Moisés escolhe Josué para ficar no seu lugar e, obedecendo à ordem de Deus, sobe o monte Pisga, de onde vê a terra de Canaã, no outro lado do rio Jordão. Ali no monte morre Moisés, o maior de todos os profetas de Israel. Acima de tudo, o Livro de Deuteronômio mostra o amor que Deus tem pelos israelitas. O Senhor os escolheu para serem o seu povo. Portanto, eles devem amá-lo e obedecer aos seus mandamentos para que continuem a receber as bênçãos de Deus na terra onde vão morar.
A passagem-chave do livro se encontra em 6.4-6. Ali está o mandamento que Jesus chamou de o mais importante de todos: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”

  • Deuteronômio, 4

    1-2 Agora, ouça, ó Israel, ouça atentamente os decretos e leis que estou transmitindo verbalmente e ponham-nos em prática para que tenham vida e tomem posse da terra que o Eterno, o Deus de seus antepassados, está dando a vocês. Não acrescentem uma única palavra ao que estou ordenando nem retirem uma única palavra das minhas ordens. Obedeçam aos mandamentos do Eterno, o seu Deus, que estou mencionando aqui.

    3-4 Vocês viram com os próprios olhos o que o Eterno fez em Baal-Peor, como ele matou no meio de vocês os homens que participaram das orgias de Baal-Peor. Mas vocês, que se apegaram com firmeza ao Eterno, o seu Deus, estão vivos e bem, cada um de vocês.

    5-6 Prestem atenção: Estou transmitindo decretos e leis que o Eterno me ordenou, para que vocês vivam de acordo com eles na terra em que estão entrando para tomar posse. Sejam obedientes e ponham em prática tudo que vou dizer. Vocês se tornarão sábios e prudentes. Quando os povos souberem ou presenciarem o que está acontecendo, dirão: “Que grande nação! Que gente sábia! Nunca vimos nada igual!”

    7-8 Sim. Que outra grande nação tem deuses que são tão íntimos do povo quanto o Eterno, o nosso Deus, que está perto de nós o tempo todo, sempre disposto a nos ouvir? E que outra grande nação tem decretos e leis tão bons e justos quanto esta Revelação que estou expondo a vocês hoje?

    9 Mas estejam sempre alerta. Sejam sentinelas de vocês mesmos. Não esqueçam das coisas que testemunharam. Não deixem seu coração se desviar. Mantenham a vigilância durante toda sua vida. Ensinem o que vocês viram a seus filhos e netos.

    10 Naquele dia, quando vocês estavam diante do seu Deus em Horebe, o Eterno me disse: “Reúna o povo na minha presença para que ouça minhas palavras e aprenda a me reverenciar com temor santo durante toda sua vida. E eles deverão ensinar as mesmas palavras a seus filhos”.

    11-13 Vocês se reuniram ao pé do monte, que ardia em chamas lançadas para o céu. Ficaram parados sem enxergar nada por causa das nuvens. O Eterno falou a vocês do meio do fogo. Vocês ouviam o som das palavras, mas não viam nada — não havia forma, apenas uma voz. Ele anunciou sua aliança, os Dez Mandamentos, pelos quais ele ordenou que vocês vivessem. Em seguida, ele as escreveu em duas tábuas de pedra.

    14 Na mesma ocasião, o Eterno ordenou que eu ensinasse a vocês os decretos e leis que deverão orientar vocês na terra que irão possuir depois de atravessar o Jordão.

    15-20 Vocês não viram forma alguma no dia em que o Eterno falou a vocês no Horebe de dentro do fogo, lembrem-se disso. Tomem muito cuidado, para que vocês não se corrompam e acabem idealizando uma forma, esculpindo uma figura, de aparência masculina ou feminina, de um animal que anda na terra, de uma ave que voa, de uma serpente que desliza pelo chão ou de um peixe que vive na água. Evitem, também, a tentação de olhar para o céu e, ao contemplar o Sol, a Lua e as estrelas, enfim, todas as constelações dos céus, prestar culto aos corpos celestes. O Eterno os estabeleceu para benefício de todos, em todos os lugares. Mas o Eterno tirou vocês do meio da fornalha de fundir ferro — o Egito — para transformá-los no povo da herança dele, e é isso que vocês são hoje.

    21-22 Mas o Eterno ficou irado comigo por causa de vocês e das suas reclamações. Ele jurou que eu nunca atravessaria o Jordão e que não entraria na boa terra que o Eterno, o seu Deus, está dando a vocês como herança. Isso quer dizer que vou morrer aqui. Não vou atravessar o Jordão, mas vocês o atravessarão e tomarão posse da boa terra.

    23-24 Portanto, estejam atentos. Não se esqueçam, nem por um minuto, da aliança que o Eterno, o seu Deus, fez com vocês. E não se apeguem a nenhuma imagem esculpida, nenhuma forma, de nenhum tipo, porque o Eterno deu ordens muito claras a respeito disso. Com o Eterno, não se brinca — ele é como fogo consumidor, um Deus zeloso.

    25-28 Quando chegar a época de vocês terem filhos e netos, quando estiverem mais velhos e estabilizados, se vocês resolverem se corromper e esculpir imagens para adorar, não importa a forma, fazendo, assim, o que é mau aos olhos do Eterno e provocando sua ira, já adianto agora, tendo o céu e a terra como testemunhas, que esse será o fim de vocês. Vocês serão chutados da terra que estão prestes a conquistar do outro lado do Jordão. Acreditem em mim, sua estada na terra será muito breve. Será a ruína para vocês, o fundo do poço. O Eterno espalhará vocês pelos quatro cantos da terra — uns poucos sobreviverão aqui e ali nas nações para as quais o Eterno enviar. Longe desta terra, vocês poderão adorar os seus deuses caseiros até enjoar — seus maravilhosos deuses de madeira e de pedra, que não podem ver, nem ouvir, nem comer, nem cheirar.

    29-31 Mesmo assim, se buscarem o Eterno, o seu Deus, vocês o encontrarão, se recorreram a ele de todo o seu coração e de toda a sua alma. Quando os problemas vierem e essas coisas terríveis estiverem acontecendo, tratem de buscar o Eterno e ouçam, em atitude obediente, o que ele tem a dizer. O Eterno é, acima de tudo, um Deus compassivo. Ele não abandonará vocês em definitivo, nem os levará à ruína total, porque não esquecerá a aliança que fez com seus antepassados sob juramento.

    32-33 Façam perguntas. Investiguem os fatos desde os tempos mais remotos, desde o dia em que o Eterno criou o homem e a mulher nesta terra. Vasculhem os horizontes, do Oriente ao Ocidente. Visualizem o passado mais remoto e o futuro mais longínquo. Teria ocorrido alguma vez, na história humana, algo tão extraordinário como o que vocês vivenciaram? Alguém já ouviu falar de algo semelhante? Algum povo, alguma vez, presenciou um deus falando do meio do fogo e sobreviveu para contar a história, como aconteceu com vocês?

    34 Ou, alguma vez, um deus tentou tirar para si uma nação de dentro de outra, por meio de provas, milagres e guerra, intervindo de maneira poderosa e promovendo, assim, um espetáculo tremendo e surpreendente, como fez o Eterno, o seu Deus, a favor de vocês no Egito, enquanto vocês se limitavam a ficar parados, olhando?

    35-38 Vocês foram testemunhas disso tudo para que soubessem que o Eterno é Deus. Ele é o único Deus que existe. Ele é. Ele fez que vocês ouvissem a voz dele do céu para discipliná-los. Aqui embaixo, na terra, manifestou-se no fogo, e, outra vez, vocês ouviram as palavras dele, agora do meio do fogo. Ele amou aos antepassados de vocês e decidiu agir no meio dos descendentes deles. Ele, em pessoa e de forma poderosa, tirou vocês do Egito a fim de desalojar nações maiores, mais fortes e mais antigas que vocês para entregar a terra deles a vocês como herança. E isso é o que está acontecendo agora, exatamente hoje.

    39-40 Portanto, levem isto muito a sério: o Eterno está em cima, no céu; o Eterno está embaixo, na terra. Ele é o único Deus que existe. Vivam em obediência aos decretos e mandamentos dele, que hoje estou relembrando, para que vocês e seus descendentes vivam bem. Assim, poderão viver muito tempo na terra que o Eterno, o seu Deus, está dando a vocês.

    41-42 Moisés separou três cidades na região a leste do Jordão. Elas serviriam de refúgio para alguém que tivesse matado, sem intenção, outra pessoa. Se o assassinato não fosse intencional e não houvesse histórico de inimizade e vingança, o assassino poderia fugir para uma dessas cidades e ficar a salvo.

    43 Bezer, na parte do deserto que fica no planalto, para a tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, para a tribo de Gade; Golã, em Basã, para a tribo de Manassés.

    44-49 Essa foi a Revelação que Moisés apresentou ao povo de Israel. Esses são os mandamentos, decretos e leis que Moisés transmitiu ao povo de Israel depois do êxodo do Egito e da chegada à margem leste do Jordão, no vale perto de Bete-Peor. Era a terra de Seom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom. Moisés e o povo de Israel lutaram contra ele, o venceram, depois de saírem do Egito, e tomaram a terra dele. Eles também conquistaram a terra de Ogue, rei de Basã. Os dois reis amorreus viviam a leste do Jordão, na região que se estendia desde Aroer, à margem do ribeiro do Arnom, até o monte Siom, que é o Hermom, ao norte, e em toda a planície da Arabá, a leste do Jordão, até o mar de Arabá (o mar Morto), ao pé do monte Pisga, no sul.

  • Deuteronômio, 3

    1 Então, seguimos rumo ao norte e tomamos a estrada para Basã. Ogue, rei de Basã, e todo seu povo vieram nos enfrentar numa batalha em Edrei.

    2 O Eterno me disse: “Não fiquem com medo dele. Eu entregarei a vocês todo seu exército bem como sua terra. Façam com ele o mesmo que fizeram com Seom, rei dos amorreus, que remava em Hesbom”.

    3-7 Assim, o Eterno, o nosso Deus, também entregou Ogue, rei de Basã, em nossas mãos — ele e todo seu povo —, e também os exterminamos. Mais uma vez, não houve sobreviventes. Ao mesmo tempo, tomamos todas as cidades deles. Sessenta cidades, e nenhuma resistiu a nós — toda a região de Argobe, o reino de Ogue, em Basã, foi tomada. Todas essas cidades eram cidades fortificadas com muros altos e tranca nas portas. Também havia inúmeros povoados sem muros. Nós os destruímos totalmente — uma santa destruição. Dispensamos a eles o mesmo tratamento que demos a Seom, rei de Hesbom, uma santa destruição de cidades, homens, mulheres e crianças. Mas o gado e as coisas de valor que havia nas cidades ficaram para nós.

    8-10 Assim, assumimos o comando do território dos dois reis dos amorreus que reinavam na terra a leste do Jordão, desde o ribeiro do Arnom até o monte Hermom. (Siriom é como os sidônios chamam o monte Hermom; os amorreus o chamam Seni.) Capturamos todas as cidades do planalto, em Gileade e em Basã até Salcá e Edrei, as cidades fronteiriças de Basã governadas por Ogue.

    11 Ogue, rei de Basã, foi o último dos refains. Sua cama, feita de ferro, tinha quatro metros de comprimento e um metro e oitenta de largura! Ela ainda está em Rabá, No território de Amom.

    12 Da terra que conquistamos nessa ocasião, dei aos rubenitas e gaditas o território ao norte de Aroer, ao longo do ribeiro do Arnom, e metade da região montanhosa de Gileade com suas cidades.

    13 À metade da tribo de Manassés dei o restante de Gileade e toda a região de Basã, o reinado de Ogue — toda a região de Argobe, que abrange toda a terra de Basã e antigamente era a terra dos refains.

    14 Jair, filho de Manassés, recebeu a região de Argobe até a fronteira dos gesuritas e maacatitas. Ele renomeou as vilas de Basã. Deu a elas o próprio nome: Havote-Jair (Vilas das Tendas de Jair). São chamadas assim ainda hoje.

    15 Dei Gileade a Maquir.

    16-17 Aos rubenitas e gaditas dei a terra de Gileade ao ribeiro do Arnom, cujo meio era a fronteira, e até o rio Jaboque, a fronteira com o povo de Amom. A fronteira ocidental era o rio Jordão, em Arabá, desde Quinerete (o mar da Galiléia) até o mar da Arabá (o mar Salgado ou mar Morto), na base das encostas do monte Pisga, no leste.

    18-20 Ainda naquela ocasião, ordenei a eles: “O Eterno, o nosso Deus, deu esta terra a vocês. Agora, os homens preparados e armados para a batalha devem atravessar o rio à frente de seus irmãos, o povo de Israel. Apenas suas esposas, as crianças e o gado (eu sei, vocês têm muito gado) podem se estabelecer nas cidades que dei a vocês, até que o Eterno garanta espaço e moradia para seus irmãos, como já fez a vocês, e até que tenham tomado posse da terra a oeste do Jordão, que o Eterno, o seu Deus, está dando a eles. Depois disso, cada homem poderá voltar para a terra que dei a vocês aqui”.

    21-22 Na mesma época, dei a seguinte instrução a Josué: “Você viu com os próprios olhos tudo que o Eterno, o seu Deus, fez a esses dois reis. O Eterno fará o mesmo a todos os reinos do outro lado do rio aonde você está indo. Não tenha medo deles. O Eterno, o seu Deus, está lutando por você”.

    23-25 Ao mesmo tempo, supliquei a Deus: “Ó Eterno, meu Senhor, tu que me deixaste participar desta obra desde o começo, que me deixaste ver tua grandeza e teu poder: que deus, no céu ou na terra, pode fazer qualquer uma das coisas que tu fazes? Por favor, deixa-me participar também da conclusão desta obra. Permita que eu atravesse o rio e veja a boa terra do outro lado do Jordão, a exuberante região montanhosa, os montes do Líbano!”

    25-27 Mas o Eterno ainda estava irado comigo por causa de vocês. Ele não atendeu ao meu pedido e me interrompeu: “Chega disso! Nem mais uma palavra sobre esse assunto! Suba ao topo do monte Pisga e olhe em volta: para o oeste, para o norte, para o sul e para o leste. Absorva a terra com os olhos. Olhe bem, porque você não vai atravessar o Jordão.

    28 “Depois disso, de ordens a Josué. Ele precisa ser encorajado, porque vai levar sozinho o povo para o outro lado do Jordão. Ele, sozinho, também vai conduzir o povo a tomar posse da terra que você só pode olhar”.

    29 É por isso que acampamos neste vale, perto de Bete-Peor.

  • Deuteronômio, 2

    1 Por fim, demos meia-volta e retornamos para o deserto, seguindo a rota para o mar Vermelho, como o Eterno havia instruído. Ficamos vagueando por entre os montes de Seir e à volta deles por um longo, tempo.

    2-6 Um dia, o Eterno disse: “Vocês estão há tempo demais andando em círculos por estes montes. Por isso, é hora de ir para o norte. Dê ao povo a seguinte ordem: ‘Vocês estão para cruzar a terra que pertence a seus parentes, o povo de Esaú, que se estabeleceu em Seir. Eles estão apavorados por causa de vocês, mas controlem-se. Não vão declarar guerra a eles. Não darei a vocês nem mesmo um metro quadrado da terra deles, porque já dei toda a região montanhosa de Seir a Esaú — ele é dono de tudo. Paguem a eles toda comida e água que consumirem na terra deles’”.

    7 O Eterno, o seu Deus, abençoou vocês em tudo que fizeram. Ele os protegeu na jornada pelo deserto. Durante quarenta anos, o Eterno, o seu Deus, esteve presente no meio de vocês, e ninguém teve falta de nada.

    8 Assim, demos a volta em torno do território dos nossos irmãos, o povo de Esaú, que vive em Seir. Evitamos a estrada de Arabá, que sobe de Elate e Eziom-Geber, e usamos a estrada que atravessa o deserto de Moabe.

    9 O Eterno advertiu: “Não comprem briga com os moabitas. Não darei a vocês nada do território deles. A posse da terra de Ar, eu dei ao povo de Ló”.

    10-12 Os emins (monstros) viviam ali — uma raça de gigantes parrudos, altos como os enaquins. Eles e os enaquins eram conhecidos como refains (fantasmas), mas, em Moabe, eram chamados emins. Os horeus também viviam em Seir antigamente, mas os descendentes de Esaú os exterminaram, o mesmo que Israel fez mais tarde, quando tomou posse da terra.

    13 O Eterno disse: “Está na hora de atravessar o ribeiro do Zerede”. Assim, atravessamos o ribeiro do Zerede.

    14-15 Levamos trinta e oito anos para ir de Cades-Barneia até o ribeiro do Zerede. Foi esse o tempo necessário para que toda a geração de soldados do acampamento morresse, como o Eterno havia jurado que aconteceria. O Eterno foi implacável: esperou até morrer o último homem.

    16-23 Quando o último dos antigos soldados morreu, o Eterno me disse: “Chegou o momento de vocês atravessarem o território de Moabe, em Ar. Quando se aproximarem do povo de Amom, não comprem briga com eles, porque vocês não receberão nem mesmo um palmo da terra deles — eu já dei essa terra ao povo de Ló”. Antigamente, o território de Amom pertencia aos refains, que viviam ali havia muito tempo — os amonitas os chamavam zanzumins (bárbaros). Além de altos como os enaquins, eram numerosos. Mas o Eterno os destruiu, e os amonitas tomaram posse da terra. Aconteceu a mesma coisa com o povo de Esaú, que vive perto de Seir — ó Eterno se livrou dos horeus que viviam ali antigamente, e eles tomaram posse da terra, como vocês podem ver. Com respeito’aos aveus, que viviam nos povoados de Gaza, os caftoritas, que vieram da ilha de Caftor (Creta), mataram todos eles e tomaram posse da terra”.

    24-25 “Agora, pé na estrada! Mexam-se! Atravessem o ribeiro do Arnom e, lá adiante, encontrarão Seom, rei de Hesbom, e sua terra. Pois estou dando a terra dele para vocês — é toda sua. Podem tomar posse dela. Declarem guerra contra ele, e, antes que termine o dia, garanto que todos os povos da redondeza vão ficar apavorados. Os rumores sobre vocês vão se espalhar como fogo em c m seco, e eles vão entrar em pânico”.

    26-28 Do deserto de Quedemote, enviei mensageiros para Seom, rei de Hesbom, com um pedido amistoso: “Queremos permissão para passar pela sua terra. Não vamos sair da estrada e pagaremos por toda comida e água que tivermos de consumir.

    29 “O povo de Esaú, que vive em Seir, e os moabitas, que vivem em Ar, não nos criaram problemas. Precisamos desse favor para que possamos atravessar o Jordão e entrar na terra que vamos receber do Eterno, o nosso Deus”.

    30 Mas Seom, rei de Hesbom, não nos deixou passar pelo seu território. O Eterno, o nosso Deus, tornou obstinado o espírito e endureceu o coração do rei, só para entregá-lo nas mãos de vocês, como todos Sabem.

    31 Então, o Eterno me disse: “O jogo começou — Seom e sua terra logo serão de vocês. Vão em frente! Já podem se considerar donos da terra!”

    32-36 Seom e todo seu exército nos enfrentaram numa batalha em Jaza, e o Eterno o entregou em nossas mãos, bem como seus filhos e todo o seu exército, e nós os exterminamos. Nessa guerra, entramos em todas as suas cidades e as destruímos. Não sobrou nada. Homens, mulheres e crianças foram eliminados: não houve sobreviventes. Reunimos o gado e todas as coisas de valor que havia nas cidades e os repartimos entre nós. Desde Aroer, junto ao ribeiro do Arnom, e a cidade no desfiladeiro até Gileade, não houve uma cidade capaz de nos resistir. O Eterno, o nosso Deus, entregou todas elas na nossa mão.

    37 A única terra que vocês não tomaram, em obediência à ordem do Eterno, foi a do povo de Amom, o território ao longo do rio Jaboque e em volta das cidades da região montanhosa.

  • Deuteronômio, 1

    1-2 Estes são os sermões que Moisés pregou a todo o Israel quando os israelitas estavam a leste do Jordão, no deserto da Arabá, diante de Sufe, perto de Parã, Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe. São necessários onze dias de viagem do Horebe até Cades-Barneia, pela rota dos montes de Seir.

    3-4 Foi no primeiro dia do décimo primeiro mês do quadragésimo ano que Moisés se dirigiu ao povo de Israel, rec tulando tudo que o Eterno havia ordenado a respeito deles. Isso ocorreu logo após ele ter derrotado Seom, rei dos amorreus, que reinava com base em Hesbom, e Ogue, rei de Basã, que reinava com base em Astarote, em Edrei. Foi a leste do Jordão, na terra de Moabe, que Moisés fez esta explanação sobre o que Deus havia revelado.

    MOISÉS DIRIGE A PALAVRA AOS ISRAELITAS NAS CAMPINAS DE MOABE
    5 Ele disse:

    6-8 Lá no Horebe, o Eterno, o nosso Deus, decidiu: “Vocês já ficaram tempo suficiente neste monte. Agora, ponham-se a caminho, mexam-se! Tomem a trilha das montanhas dos amorreus e vão para a região que compreende Arabá, com suas montanhas e colinas, o Neguebe e a costa do mar e em que vivem muitos povos — enfim, a terra dos cananeus, que se estende até o Líbano e até o grande rio, o Eufrates. Vejam, esta terra agora é de vocês, presente meu. Portanto, entrem e tomem posse dela. É a terra que o Eterno prometeu dar a seus antepassados Abraão, Isaque e Jacó e aos filhos deles”.

    9-13 Na ocasião, deixei bem claro a vocês: “Não tenho condições de guiá-los sozinho, porque o Eterno, o Deus de vocês, os transformou num povo muito numeroso. Olhem à volta: vocês parecem as estrelas do céu! Sem dúvida, desejo que o Eterno, o Deus de seus antepassados, multiplique vocês mil vezes mais e os abençoe, como prometeu. Mas como vou poder resolver sozinho os problemas de vocês, como vou julgar todas as questões? Por isso, escolham a alguns homens sábios, inteligentes e experientes nas suas tribos, e eu os confirmarei como líderes de vocês”.

    14 Vocês responderam: “Ótimo! É uma boa solução”.

    15 Assim, pus a ideia em prática e escolhi aos melhores homens das suas tribos, homens sábios e experientes, e dei autoridade a eles, nomeando-os líderes de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Com isso, foi resolvida a demanda de liderança em cada uma das tribos.

    16-17 Ao mesmo tempo, dei estas ordens a seus juizes: “Ouçam atentamente as queixas e acusações entre seus irmãos israelitas. Julguem de forma justa entre cada pessoa e seu compatriota, ou mesmo o estrangeiro. Não favoreçam ninguém. Tratem de forma igual tanto os cidadãos mais influentes quanto os membros mais pobres da comunidade. Ouçam a todos com igual atenção. Não seimpressionem com nomes famosos, porque vocês estão lidando com o tribunal de Deus. As causas mais difíceis vocês poderão trazer a mim: ficarão sob minha responsabilidade”.

    18 Na mesma ocasião, dei ordens a respeito de tudo que vocês iriam enfrentar.

    19-21 Então, partimos do Horebe, na direção da região montanhosa dos amorreus, atravessamos aquele deserto imenso e assustador que vocês viram — tudo sob a direção do Eterno, o nosso Deus — e, por fim, chegamos a Cades-Barneia. Ali, fiz este pronunciamento: “Vocês acabaram de chegar à região montanhosa dos amorreus, que o Eterno, o nosso Deus, nos deu como herança. Entendam isto: a terra que está diante de vocês é um presente do Eterno. Mexam-se e tomem posse dela agora! Ela foi prometida a vocês pelo Eterno, o Deus de seus pais. Não tenham medo nem fiquem desanimados”.

    22 Mas, então, vocês vieram me sugerir: “Vamos enviar alguns homens à nossa frente, em missão de reconhecimento da terra, para que nos façam um relatório, para sabermos a melhor maneira de tomá-la e o tipo de cidades que vamos encontrar”.

    23-25 Na hora, me pareceu uma ótima ideia, e escolhi a doze homens, um de cada tribo. Eles partiram, subindo a região montanhosa. Depois, desceram e exploraram o vale de Escol. Trouxeram uma amostra dos frutos da terra e comentaram: “A terra que o Eterno, o nosso Deus, está nos dando é muito boa!”

    26-28 Mas, então, vocês não quiseram ir. Vocês se rebelaram contra o Eterno, contra a palavra clara do seu Deus. E começaram a se queixar em suas tendas: “Deus nos odeia! Ele nos arrastou desde o Egito até aqui para sermos mortos pelos amorreus. É nossa sentença de morte! Não há como seguir em frente. Estamos num beco sem saída! Nossos irmãos já nos desanimaram, pois nos informaram que o povo da terra é mais alto e mais forte que nós e que as cidades deles são gigantescas, com defesas maciças. Até os gigantes de Anaque vivem ali!”

    29-33 Eu bem que tentei acalmá-los: “Não fiquem apavorados por causa daquele povo. Nosso Deus está indo à frente: ele lutará por vocês. Vocês viram com os próprios olhos o que ele fez no Egito. Viram também o que ele fez no deserto. Nosso Deus carregou vocês como um pai carrega o filho e fez isso por todo o caminho até chegarem aqui. Mas agora, que estão aqui, vocês não querem confiar no Eterno, o seu Deus — o mesmo Eterno que sempre vai adiante de vocês com uma coluna de fogo à noite e uma nuvem de dia, escolhendo aos melhores lugares para acampar e mostrando o caminho mais seguro”.

    34-36 Quando Deus ouviu o que vocês disseram, ele ficou furioso e jurou: “Nem uma única pessoa desta geração perversa pisará a boa terra que prometi dar aos seus antepassados. Não vão conhecê-la nem de vista, a não ser Calebe, filho de Jefoné. Ele terá direito à terra. Darei a ele e a seus descendentes a terra que ele pisou, porque se mostrou disposto a seguir o plano do Eterno, de corpo e alma”.

    37-40 Até eu sofri as consequências desse ato. Por causa de vocês, a ira de Deus respingou em mim também. Ele disse: “Você também não vai entrar na terra. Seu auxiliar, Josué, filho de Num, é que terá essa honra. Encoraje-o. Ele é o homem que irá reivindicar a herança para Israel. E as crianças de colo, que vocês acharam que seriam tomadas como despojo de guerra, essas que ainda não sabem distinguir o certo do errado, elas é que entrarão na terra. Sim, seus filhos pequenos serão os novos proprietários da terra que prometi, não vocês. Portanto, deem meia-volta e tomem o caminho do deserto, seguindo o caminho do mar Vermelho!”.

    41 Vocês disseram: “Pecamos contra Deus. Vamos nos levantar e lutar, como o Eterno, o nosso Deus, mandou”. Então, pegaram em armas e se prepararam para a batalha, achando que seria muito fácil conquistar aquela região montanhosa.

    42 Mas Deus me disse: “Diga a eles: ‘Não façam isso! Não lutem, porque não estou com vocês nessa batalha. Seus inimigos acabarão com. vocês’”.

    43-46 Eu bem que os avisei, mas vocês não deram importância e se rebelaram contra uma ordem expressa do Eterno. De peito estufado, lá foram vocês morro acima. E os amorreus, que tinham vivido naquelas montanhas a vida toda, lançaram-se sobre vocês, como um enxame de abelhas, e os perseguiram desde Seir até Hormá — uma derrota vergonhosa. Quando voltaram, foram chorar na presença do Eterno, mas ele não deu a mínima para vocês. O clamor entrou por um ouvido e saiu pelo outro, e vocês ficaram em Cades muito tempo, quase o tempo que haviam ficado anteriormente.