Categoria: Lucas

O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS
Introdução
O Evangelho de Lucas apresenta Jesus não somente como o Messias prometido por Deus ao povo de Israel, mas também como o Salvador de toda a humanidade. Por isso, a lista dos antepassados de Jesus vai até Adão, “filho de Deus” (3.23-38). Logo no começo, o autor diz por que motivo escreveu “uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram” (1.1-4). Por essa razão, ele dá importância ao nascimento e infância não só de Jesus como também de João Batista, aquele que veio antes de Jesus para anunciar a sua vinda.
Seguindo a mesma ordem em que os fatos aparecem no Evangelho de Marcos, o autor conta o trabalho de João Batista, e o batismo e a tentação de Jesus. Em seguida, vem o trabalho de Jesus na Galileia, onde ele ensina multidões, faz milagres, cura doentes e expulsa demônios. Este Evangelho salienta o amor de Jesus pelos pobres e oprimidos, a gente humilde e desprezada. Na sinagoga de Nazaré, no começo do seu trabalho na Galileia, Jesus lê o texto de Is 61.1-2, que fala do Servo que Deus enviou para socorrer os pobres, os cativos, os cegos e os oprimidos. Por isso, neste Evangelho aparecem os samaritanos, que eram desprezados pelos judeus; aparecem também cobradores de impostos, mulheres, crianças, viúvas, prostitutas. Aqui se encontram também algumas parábolas contadas por Jesus que não aparecem nos outros Evangelhos, como, por exemplo, a do filho pródigo, a do bom samaritano, a do rico tolo, a do rico e Lázaro. E há belos cânticos e orações de louvor, como o cântico de Maria (1.46-55), o de Zacarias (1.67-79) e o de Simeão (2.28-32), que enfeitam este Evangelho e lhe dão uma beleza fora do comum.
O Evangelho de Lucas começa no templo de Jerusalém, onde o anjo de Deus anuncia ao sacerdote Zacarias que ele e Isabel, a sua
esposa, vão ter um filho (1.5-22), e termina também no templo, onde os seguidores de Jesus passam o tempo todo louvando a Deus (24.53).

  • Lucas, 4

    A PROVA

    1-2Cheio do Espírito Santo, Jesus deixou o Jordão e foi levado pelo Espírito para o deserto. Durante quarenta dias e quarenta noites ele ficou sozinho e passou por uma Prova, foi testado pelo Diabo. Não comeu nada todo esse tempo e por fim teve muita fome.

    3Percebendo que ele estava com fome, o Diabo aplicou a primeira prova: “Já que você é o Filho de Deus, dê a ordem que transformará essas pedras em pães”.

    4Citando Deuteronômio, Jesus respondeu: “É preciso mais que pão para viver de verdade”.

    5-7Para a segunda prova, o Diabo transportou-o até o pico de uma imensa montanha. Tentando ser convincente, mostrou-lhe todos os reinos da terra num relance. Então, fez a proposta: “Tudo isso é meu. Eu mando em tudo aqui e posso entregar estes reinos com o seu fascínio a quem eu quiser. Basta que você me adore, e tudo será seu!”

    8A resposta de Jesus foi direta e mais uma vez recorreu a Deuteronômio: “Adore somente ao Senhor seu Deus. Sirva ao Senhor com absoluta inteireza de coração”.

    9-11Para a terceira prova, o Diabo levou Jesus a Jerusalém. Ele o pôs na parte mais alta do templo e o desafiou: “Já que você é o Filho de Deus, pule! Para instigá-lo, o Diabo citou o salmo 91: “Ele o entregou ao cuidado dos anjos. Tanto o protegerão que você não machucará o dedo numa pedra”.

    12Jesus contra-atacou com outra citação de Deuteronômio: “Não tenha a ousadia de testar o Senhor seu Deus”.

    13Foi o fim da Prova. O Diabo retirou-se por um tempo, esperando outra oportunidade.

    LIBERTAÇÃO DOS OPRIMIDOS

    14-15Jesus voltou para a Galiléia, cheio do poder no Espírito, e a notícia de seu regresso correu a região. Ele começou a ensinar nas sinagogas, sendo recebido com entusiasmo e satisfação.

    16-21Ele voltou para Nazaré, onde havia sido criado. Como de costume, foi à sinagoga no sábado. Quando se levantou para ler, tinha nas mãos o livro do profeta Isaías. Abrindo-o, encontrou a seguinte passagem: O Espírito de Deus está sobre mim; ele me escolheu para pregar a Mensagem das boas-novas aos pobres, Enviou-me para anunciar perdão aos prisioneiros e a recuperação da vista aos cegos, Para libertar os oprimidos e indefesos, para anunciar: “Este é o ano em que Deus irá agir!” Fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se. Todos os olhares eram para ele. Então, ele se pronunciou: “Vocês acabam de presenciar o cumprimento dessa profecia.”

    22Todos os presentes — interessados e curiosos — ficaram surpresos com a declaração, mas logo alguém lembrou: “Este não é o filho de José, que conhecemos desde novo?”

    23-27Ele respondeu: “Suponho que vocês irão agora citar o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo. Faz aqui em tua cidade tudo que nos disseram que fizeste em Cafarnaum’. Pois bem, vou dizer uma coisa: nenhum profeta é bem recebido em sua terra. Não havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, naqueles três anos e meio de seca, quando a fome devastou a terra? Mas a única viúva a quem Elias foi enviado estava em Sarepta, em Sidom. Havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas o único purificado foi Naamã, o sírio”.

    28-30O argumento deixou todos enfurecidos. Eles o agarraram e o levaram para fora, até o cume de uma montanha situada nos limites da cidade, e queriam jogá-lo lá do alto. Entretanto, ele conseguiu fugir e tratou logo de sair dali.

    31-32Depois, foi para Cafarnaum, cidade da Galiléia. No sábado, passou a ensinar o povo. Eles estavam impressionados com seu ensino direto e claro, transmitido com autoridade, bem diferente dos discursos recheados de sofismas e citações com os quais estavam acostumados.

    33-34Na sinagoga, naquele dia, havia um homem perturbado por um espírito maligno. Ele gritou: “Ei! O que você quer conosco, Nazareno? Sei o que você pretende. Você é o Santo de Deus e está aqui para nos destruir”.

    35Jesus ordenou: “Quieto! Saia dele!”. O espírito demoníaco derrubou o homem na frente de todos, mas saiu sem o ferir.

    36-37O povo ficou espantado. Todos cochichavam entre si: “O que está acontecendo aqui? Alguém que com uma palavra faz as coisas acontecerem? Alguém que ordena aos espíritos demoníacos que saiam, e eles saem?”. Jesus era o assunto da cidade.

    CURANDO TODOS

    38-39Jesus deixou a sinagoga e foi para a casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a ele que fizesse algo por ela. Aproximando-se dela, ele ordenou à febre que a deixasse — e aconteceu exatamente assim. Antes que eles percebessem, ela estava preparando o jantar para eles.

    40-41Quando o Sol se pôs, todos os que tinham alguém doente ou com algum problema vieram procurá-lo. Ele impôs as mãos sobre todos e os curou. Os demônios saíam gritando: “Filho de Deus! Você é o Filho de Deus!”. Mas ele não permitia que se pronunciassem porque sabiam que ele era o Messias.

    42-44No dia seguinte, ele procurou um lugar isolado, mas o povo foi atrás dele. Quando o encontraram, imploraram para que não saísse da região. A resposta foi: “Vocês não percebem? Tenho de pregar a Mensagem do Reino de Deus em outras cidades, porque essa é a obra que Deus me mandou fazer”. Nesse meio-tempo, continuou a pregar nas sinagogas da Galiléia.


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  • Lucas, 3

    UM BATISMO PARA MUDANÇA DE VIDA

    1-6No décimo quinto ano do governo de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia; Herodes era rei da Galiléia; seu irmão Filipe, da Itureia e de Traconites; e Lisânias, de Abilene. Quando Anás e Caifás eram principais sacerdotes, João, filho de Zacarias, que vivia no deserto, recebeu uma mensagem da parte de Deus. Ele saiu percorrendo a terra ao redor do rio Jordão, pregando um batismo de mudança de vida para perdão de pecados, como descrito nas palavras de Isaías, o profeta: Trovão no deserto! Preparem-se para chegada de Deus! Tornem o caminho plano e reto! Toda estrada esburacada será consertada, Todo obstáculo será eliminado, Os desvios serão alinhados, Todas as estradas de terra serão pavimentadas. Todos estarão lá para ver O desfile da salvação de Deus.

    7-9Multidões vieram à procura do batismo, apenas porque parecia ter virado moda, e João esbravejou: “Raça de serpentes! O que pretendem, rastejando até o rio? Acham que um pouco de água nessa pele de cobra vai fazer alguma diferença? É a vida de vocês que precisa mudar, não a pele! E não pensem que podem melhorar a situação invocando Abraão como pai. Ser descendente de Abraão não ajuda nesse caso. Os descendentes de Abraão são muitos. Mas até destas pedras Deus pode fazer descendentes de Abraão. O que conta mesmo é a vida. A vida de vocês mostra frutos? Se estiver como madeira morta, só serve para o fogo”.

    10A multidão lhe perguntou: “O que devemos fazer, então?”

    11“Quem tiver duas mudas de roupa dê uma para alguém”, ele disse, “e façam o mesmo com a comida”.

    12Alguns cobradores de impostos também queriam ser batizados e perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer?”

    13Ele respondeu: “Nada de extorsão. Cobrem apenas o que a lei exige”.

    14A pergunta dos soldados foi: “E nós, o que devemos fazer?” Ele respondeu: “Nada de violência nem de chantagens, e estejam satisfeitos com o salário de vocês”.

    15O povo, então, começou a prestar mais atenção ao pregador. Eles se perguntavam: “Será que João é o Messias?”

    16-17João não deu resposta às indagações deles: “Eu batizo vocês aqui no rio. O protagonista desse drama, perante o qual sou apenas um figurante, acenderá a vida do Reino em vocês, um fogo interior, o Espírito Santo dentro de vocês, operando a mudança de dentro para fora. Ele vai limpar a casa. Fará uma varredura completa na vida de vocês. Tudo que for autêntico será posto no lugar certo, na presença de Deus; o que for contrário à verdade será jogado fora com o lixo, para ser queimado”.

    18-20João ainda disse ao povo muitas outras palavras de encorajamento. Era a Mensagem! O rei Herodes, porém, não aceitava a censura de João ao seu adultério com Herodias, mulher de seu irmão Filipe; assim, aumentou sua longa lista de maldades com este desatino: mandou prender João Batista.

    21-22Depois que todo o povo foi batizado, Jesus também foi batizado. Enquanto ele orava, o céu se abriu, e o Espírito Santo, na forma de uma pomba, desceu sobre ele. Com o Espírito, ouviu-se uma voz: “Você é o meu Filho, escolhido e marcado pelo meu amor, a alegria da minha vida”.

    FILHO DE ADÃO, FILHO DE DEUS

    23-38Jesus iniciou sua vida pública com cerca de

    30anos de idade. Era filho (de acordo com a compreensão pública) de José, que era — filho de Eli, filho de Matate, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, filho de Máate, filho de Matatias, filho de Semei, filho de Joseque, filho de Jodá, filho de Joanã, filho de Ressa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadã, filho de Er, filho de Josué, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matate, filho de Levi, filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonã, filho de Eliaquim, filho de Meleá, filho de Mená, filho de Matatá filho de Natã, filho de Davi, filho de Jessé, filho de Obede, filho de Boaz, filho de Salmom, filho de Naassom, filho de Aminadabe, filho de Admim, filho de Arni, filho de Esrom, filho de Perez, filho de Judá, filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão, filho de Terá, filho de Naor, filho de Serugue, filho de Ragaú, filho de Faleque, filho de Éber, filho de Salá, filho de Cainã, filho de Arfaxade, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lameque, filho de Matusalém, filho de Enoque, filho de Jarede, filho de Maalaleel, filho de Cainã, filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus.


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  • Lucas, 2

    O NASCIMENTO DE JESUS

    1-5Naquele tempo, César Augusto ordenou o recenseamento de todo o império. Esse foi o primeiro recenseamento do período em que Quirino era governador da Síria. Cada habitante do império teve de viajar até sua cidade natal para se cadastrar. Por essa razão, José saiu de Nazaré, na Galiléia, e foi a Belém, na Judeia, a Cidade de Davi. Como descendente do rei Davi, ele precisava comparecer em Belém. Maria, sua noiva, que estava grávida, o acompanhou.

    6-7Enquanto estavam em Belém, chegou a hora de Maria dar à luz, quando nasceu o tão esperado primeiro filho. Com todo cuidado, envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura. Com tanto gente na cidade, não havia lugar para eles na hospedaria.

    GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS

    8-12Havia pastores de ovelhas na vizinhança que se revezavam em turnos para tomar conta delas durante a noite. De repente, um anjo de Deus apareceu no meio deles, e a glória de Deus brilhou no lugar onde estavam. Eles ficaram aterrorizados, mas o anjo os tranquilizou: “Não tenham medo. Eu vim para anunciar a melhor notícia do mundo: o Salvador acaba de nascer na Cidade de Davi! Ele é o Messias, o Senhor. Vocês o acharão! O bebê está envolto em panos e deitado numa manjedoura”.

    13-14Imediatamente, junto ao anjo surgiu um imenso coro angelical, cantando louvores a Deus: “Glória a Deus nas maiores alturas, Paz a todos os homens e mulheres na terra que lhe agradam”.

    16-18Enquanto o coral de anjos se recolhia ao céu, os pastores disseram eufóricos: “Vamos logo a Belém para ver o que Deus nos revelou”, Eles saíram correndo e encontraram Maria, José e o bebê deitado na manjedoura. Foi ver para crer! E eles saíram contando a todos o que os anjos disseram a respeito do menino. Todo mundo ficou impressionado e estarrecido.

    19-20E, atenta, Maria guardava no coração tudo que acontecia. Os pastores voltaram ao trabalho, louvando a Deus pelas maravilhas que tinham visto e ouvido. Tudo aconteceu exatamente como lhes fora dito!

    BÊNÇÃOS PARA O MENINO

    21Em seu oitavo dia de vida, o dia da circuncisão, o bebê recebeu o nome dado pelo anjo antes do nascimento: Jesus.

    22-24Quando se completaram os dias estabelecidos por Moisés para a purificação, seus pais levaram-no a Jerusalém para consagrá-lo a Deus, como ordenado na Lei de Deus: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado a Deus”. Deveriam também sacrificar “duas rolinhas ou dois pombinhos” — outra prescrição da Lei.

    25-32Naquele tempo, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Alma bondosa, vivia em oração, na expectativa da chegada do auxílio divino para Israel. Em comunhão com o Espírito Santo, este lhe revelou que ele veria o Messias antes de morrer. Guiado pelo Espírito, entrou no templo naquele dia. Quando os pais do bebê Jesus chegaram para cumprir os rituais da Lei, Simeão pegou o menino nos braços e louvou a Deus: “Deus soberano, agora teu servo já pode ser despedido; vou-me em paz, pois tuas promessas tens cumprido. Com meus olhos, vi tua salvação; e todos contemplaram a sua manifestação: Uma luz para as outras nações, para que Deus seja revelado; uma glória para Israel, teu povo amado”.

    33-35O pai e a mãe de Jesus ficaram calados, surpresos com as palavras do ancião. Então, Simeão os abençoou e disse a Maria: “Este menino marcará para muitos fracasso cruel, mas para tantos outros grande recuperação em Israel, Ele será mal compreendido e alvo de muita contradição — e, no seu caso, a dor de uma espada lhe atravessará o coração. Mas a rejeição revelará quem possui integridade: Deus mostrará quem de fato está do lado da verdade”.

    36-38Ana, a profetisa, também estava ali. Era filha de um homem chamado Fanuel, da tribo de Aser, e já estava bem idosa. Ela estivera casada sete anos, ficara viúva e contava agora com oitenta e quatro anos. Nunca deixava a área do templo, adorando noite e dia com jejum e oração. Na hora em que Simeão estava orando, ela apareceu, irrompeu num hino de louvor a Deus e entregou uma mensagem a respeito da criança, dirigida a todos os que aguardavam com expectativa a libertação de Jerusalém.

    39-40Depois de fazer tudo que era requerido na Lei, o casal voltou para a Galiléia, para a cidade deles, Nazaré. Ali o menino cresceu com saúde e sabedoria. A graça de Deus repousava sobre ele.

    ENCONTRADO NO TEMPLO

    41-45Todos os anos, os pais de Jesus viajavam para Jerusalém a fim de participar da festa da Páscoa. Quando o menino estava com doze anos, fizeram a peregrinação de costume. Ao terminar a festa, eles tomaram o caminho de casa, e o menino Jesus ficou para trás, em Jerusalém, mas seus pais não perceberam. Pensando que ele estava em algum lugar com os outros peregrinos, viajaram um dia inteiro e, então, começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos, mas foi em vão. Por isso, voltaram a Jerusalém para ver se o encontravam.

    46-48No dia seguinte, eles o encontraram no templo, assentado entre os líderes religiosos, ouvindo-os e fazendo perguntas. Os mestres estavam deslumbrados com ele e impressionados com as suas respostas precisas. Mas José e Maria ficaram preocupados e aborrecidos. Sua mãe repreendeu-o: “Por que você fez isso conosco? Seu pai e eu estávamos desesperados, procurando você!”.

    49-50Ele disse: “Por que estavam procurando por mim? Não sabiam que eu tinha de estar aqui, tratando dos assuntos do meu Pai?”. Mas eles não tinham ideia do que ele estava falando.

    51-52Então, Jesus voltou para Nazaré com eles. Era um filho obediente. Sua mãe guardava todas essas coisas no coração, enquanto Jesus crescia, com saúde e sabedoria, abençoado por Deus e pelos homens.


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  • Lucas, 1

    ELE QUE ESTÁ VIVO

    1-3Nas primeiras horas do domingo, as mulheres foram à tumba. Levavam as especiarias que haviam preparado para o sepultamento. Encontraram a pedra da entrada da tumba fora do lugar e entraram. Mas não encontraram o corpo de Jesus lá dentro.

    4-8Confusas, tentavam imaginar o que teria acontecido. Então, de repente, dois homens, com luzes brilhando ao redor, apareceram ali. Elas ficaram apavoradas e se curvaram em reverência. Os homens disseram: “Por que vocês estão procurando aqui aquele que está vivo? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrem-se do que ele disse, quando ainda estava na Galiléia, que tinha de ser entregue aos pecadores, ser morto numa cruz e ressuscitar no terceiro dia?”. Então, elas se lembraram das palavras de Jesus.

    9-11Deixaram o túmulo e contaram tudo aos Onze e aos demais. Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e as outras mulheres que estavam com elas relataram os fatos aos apóstolos, mas eles não acreditaram numa só palavra que disseram, achando que era coisa da cabeça das mulheres.

    12Mas Pedro correu até a tumba. Olhou para dentro e viu apenas alguns lençóis, nada mais. Abalado e admirado, ele voltou balançando a cabeça.

    NO CAMINHO DE EMAÚS

    13-16Naquele mesmo dia, dois discípulos caminhavam em direção à cidade de Emaús, a uns dez quilômetros de Jerusalém. Eles conversavam a respeito de todas as coisas que aconteceram. No meio da conversa, Jesus apareceu e os acompanhou, mas não o reconheceram.

    17-18Ele perguntou: “O que vocês estavam discutindo tão compenetrados?”. Eles pararam, cheios de tristeza, como se tivessem perdido o melhor amigo. Um deles, chamado Cleopas, respondeu: “Você deve ser a única pessoa de Jerusalém que não sabe o que aconteceu nos últimos dias”.

    19-24Ele perguntou: “E o que foi?” Eles disseram: “As coisas que aconteceram a Jesus, o Nazareno. Ele era um homem de Deus, um profeta, que falava e fazia como ninguém; era abençoado por Deus e amado pelo povo. Mas nossos líderes e principais sacerdotes o traíram, o sentenciaram à morte e o crucificaram. Tínhamos esperança de que ele fosse o Libertador de Israel. Mas hoje é o terceiro, dia desde que tudo aconteceu, e algumas das mulheres do nosso grupo nos deixaram confusos. Hoje, de manhã bem cedo, elas estiveram no túmulo. Não encontraram o corpo e voltaram com a história de terem visto anjos e que esses afirmaram que ele está vivo. Alguns dos nossos amigos foram ao túmulo para verificar e o encontraram vazio, como as mulheres disseram, mas não viram Jesus”.

    25-27“Vocês não entendem?”, suspirou Jesus. “Como demoram para crer! Por que não acreditam em tudo que os profetas disseram? Não percebem que tudo isso tinha de acontecer, que o Messias tinha de sofrer antes de entrar na glória?” Então, ele começou do princípio, com os livros de Moisés, e percorreu todos os Profetas, explicando tudo que as Escrituras diziam a respeito dele.

    28-31Quando chegaram à entrada da cidade de destino deles, Jesus fez como se fosse seguir adiante, mas eles insistiram: “Fique e jante conosco. Já é quase noite. O dia já se foi”. Então, ele foi com os dois. E foi isto que aconteceu: ele se assentou à mesa com os dois. Tomando o pão, ele o abençoou, partiu e deu a eles. Nesse momento, seus olhos se abriram e eles o reconheceram. Então, ele desapareceu.

    32Impressionados, comentavam: “Não sentíamos um fogo enquanto ele conversava conosco no caminho, enquanto nos explicava as Escrituras?”

    UM FANTASMA NÃO TEM MÚSCULOS E OSSOS

    33-34Eles não perderam um minuto e voltaram para Jerusalém. Encontraram os Onze e seus amigos reunidos ali, dizendo: “Aconteceu mesmo! O Mestre ressuscitou — Simão o viu!”.

    35Então, os dois contaram o que havia acontecido no caminho e como o reconheceram quando ele partira o pão.

    36-41Enquanto falavam, Jesus apareceu no meio deles e disse: “Paz seja com vocês!” Mas eles pensaram que estavam vendo um fantasma e ficaram morrendo de medo. Ele, porém, os tranquilizou: “Não fiquem preocupados nem deixem que a dúvida os domine. Olhem minhas mãos. Olhem meus pés — sou eu mesmo! Toquem em mim. Examinem-me da cabeça aos pés. Um fantasma não tem músculos e ossos”. Enquanto dizia isso, mostrou a eles as mãos e os pés. Eles ainda não conseguiam acreditar no que estavam vendo. Era bom demais para ver verdade.

    41-43Ele perguntou: “Vocês têm comida aqui?” Eles trouxeram peixe que haviam assado. E ele comeu o peixe na presença de todos.

    VOCÊS SÃO AS TESTEMUNHAS

    44Em seguida, ele declarou: “Tudo que eu disse enquanto estava com vocês confirma: todas as coisas escritas a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos tinham de se cumprir”.

    45-49Ele continuou a abrir o entendimento deles com relação à Palavra de Deus, mostrando como se devia interpretar a Bíblia: “Vocês podem ver agora que está escrito que o Messias sofreria e se levantaria dentre os mortos no terceiro dia, e uma mudança radical de vida, por meio do perdão de pecados, é proclamada em seu nome a todas as nações — começando aqui, em Jerusalém! Vocês são os primeiros a ouvir e ver tudo. Vocês são as testemunhas. O que virá depois é muito importante: enviarei o que meu Pai prometeu a vocês; então, permaneçam na cidade até que recebam, até que sejam capacitados com o poder que vem do alto”.

    50-51Depois ele os levou para fora da cidade, até perto de Betânia. Levantando as mãos, abençoou-os e, enquanto os abençoava, foi elevado aos céus.

    52-53Eles se ajoelharam, adorando-o. Voltaram para Jerusalém explodindo de alegria; e passavam todo o tempo no templo, louvando a Deus. Amém.


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